Eletromobilidade

Empresa do Grupo Comporte apresenta ônibus elétrico de 10 anos em anúncio do BNDES e da Prefeitura do Rio de Janeiro sobre PPP de R$ 509 milhões

Veículo Marcopolo Torino Low Entry/BYD está com a nova pintura padrão da cidade e com a numeração correspondente à GTU – Guaratiba Transportes Urbanos. Ônibus rodava pela Viação Piracicabana, no Distrito Federal

ADAMO BAZANI

No anúncio da PPP (parceria público-privada) para eletrificação de parte do sistema de transportes do Rio de Janeiro, nesta sexta-feira, 25 de setembro de 2026, a GTU – Guaratiba Transportes Urbanos, empresa do Grupo Comporte, da família de Constantino Oliveira, apresentou um modelo elétrico com cerca de dez anos de fabricação.

O veículo, de fabricação 2016 e ano-modelo 2017, inicialmente foi utilizado em demonstrações da BYD e rodava pela Viação Piracicabana, no sistema do Distrito Federal, empresa também integrante do Grupo Comporte.

Com ar-condicionado, piso baixo e carregadores USB para celulares, o modelo Marcopolo Torino Low Entry/BYD D9W possui acabamento e recursos de conforto superiores aos de muitos coletivos mais novos com motor dianteiro a combustão, empregados inclusive em operações com vias de circulação mais difíceis.

Um ônibus elétrico pode ter duração média entre 15 e 20 anos, conforme as condições de operação, manutenção e substituição de componentes, enquanto a referência usual de vida útil para um modelo a diesel é de cerca de dez anos. A idade, isoladamente, não determina por quanto tempo um veículo pode continuar em serviço: conservação, estado das baterias e exigências contratuais também precisam ser considerados.

Como mostrou o Diário do Transporte, a Prefeitura do Rio de Janeiro e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) anunciaram uma PPP de R$ 509 milhões para 175 ônibus elétricos após testar seis modelos. O projeto inclui uma garagem exclusiva para os elétricos, que será construída na Maré.

Pela proposta, o BNDES financiará R$ 329 milhões do projeto, cuja PPP terá duração de 16 anos. Os primeiros 80 veículos são previstos para outubro de 2027. Testes com Ankai, Higer, Eletra, Mercedes-Benz, BYD e Marcopolo ajudaram a preparar a eletrificação.

Relembre: Prefeitura do Rio de Janeiro anuncia PPP de R$ 509 milhões para 175 ônibus elétricos após testar seis modelos.

Ônibus exibido pela GTU não é um dos 175 veículos da futura PPP

A presença do Torino elétrico no anúncio permite ao público ver uma tecnologia que já circulou em operação regular, mas tem uma distinção essencial: o ônibus apresentado pela GTU é um veículo usado. A PPP anunciada pela Prefeitura do Rio de Janeiro prevê a aquisição de 175 ônibus elétricos novos. A exibição do modelo de 2016 não identifica a fabricante que fornecerá essa futura frota nem significa que a GTU venceu a licitação da parceria.

A GTU integra o Grupo Comporte e já atua na implantação do Sistema Rio. O ônibus mostrado nesta sexta-feira recebeu a identidade visual do novo padrão municipal e a numeração da empresa. Antes, circulou no Distrito Federal pela Viação Piracicabana, também ligada ao grupo.

O histórico do modelo é anterior à atual discussão sobre a PPP. Em reportagem publicada em março de 2018, o Diário do Transporte acompanhou a apresentação do Marcopolo Torino com chassi BYD D9W Low Entry para a operação da Piracicabana em Brasília. A própria Marcopolo informou, naquele ano, que a empresa havia sido a primeira operadora da capital federal a utilizar o Torino elétrico e que o veículo circulava desde o primeiro semestre de 2018.

A apresentação de um ônibus fabricado em 2016 chama atenção para a diferença entre idade de fabricação e condição de uso. Veículos elétricos dispensam motor a diesel e seus sistemas associados, mas exigem acompanhamento específico de baterias, equipamentos de tração, componentes eletrônicos e capacidade de recarga. O estado do ônibus exibido pela GTU não deve ser confundido com uma avaliação técnica da frota que será comprada por meio da PPP.

Financiamento aprovado pelo BNDES compõe projeto de R$ 509 milhões

O BNDES anunciou a aprovação de financiamento de R$ 329 milhões para o município do Rio de Janeiro eletrificar parte da frota por meio da PPP. O valor faz parte de um investimento total anunciado de R$ 509 milhões para os 175 ônibus e a estrutura necessária à operação. Os recursos do banco virão do Fundo Clima e serão destinados à aquisição dos veículos.

Na composição financeira divulgada para o projeto, a futura concessionária deverá aportar R$ 141,2 milhões e o município, R$ 38,8 milhões. Somadas ao financiamento de R$ 329 milhões do BNDES, as duas parcelas completam os R$ 509 milhões previstos. Trata-se de financiamento ao poder público dentro de um projeto que ainda passará por consulta pública e licitação para selecionar a parceira privada.

A PPP foi planejada para durar 16 anos: um ano de implantação e outros 15 anos de operação. Caberá à empresa escolhida adquirir e manter os ônibus, construir e operar a garagem e instalar a infraestrutura de carregamento. A consulta pública foi anunciada para começar na segunda-feira, 28 de setembro; a previsão apresentada é realizar a licitação em dezembro e assinar o contrato em janeiro de 2027.

A garagem ficará na Vila do João, no Complexo da Maré, em um terreno de aproximadamente 41 mil metros quadrados, em frente à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), na Avenida Brasil. Pouco mais da metade da área deverá receber instalações de estacionamento, manutenção e recarga. A previsão é concentrar a maior parte do carregamento das baterias no período noturno.

Testes mostraram que a garagem é tão importante quanto o ônibus

Antes de anunciar a PPP, a Secretaria Municipal de Transportes do Rio de Janeiro realizou um chamamento para demonstrações operacionais. Seis modelos elétricos transportaram passageiros, conduzidos por motoristas da Mobi-Rio, nas linhas 28, entre Pingo d’Água e o Terminal Curral Falso, e 68, entre os terminais Bangu e Deodoro. Participaram veículos Ankai, Higer, Eletra, Mercedes-Benz, BYD e Marcopolo.

O resumo técnico da Prefeitura registra viagens concluídas sem panes nos ônibus testados. O principal ponto de atenção identificado esteve na infraestrutura: restrições da capacidade elétrica das garagens limitaram os carregadores disponíveis a 60 kW, e ocorreram dificuldades de comunicação entre veículos e equipamentos de recarga. Por isso, o planejamento da garagem na Maré e da alimentação elétrica será decisivo para colocar os novos veículos nas ruas dentro do prazo anunciado.

Os primeiros 80 ônibus da PPP são previstos para outubro de 2027. A aquisição e a disponibilização da frota ocorrerão dentro da reorganização do Sistema Rio, mas a parceria para os elétricos possui objeto próprio. A licitação realizada em agosto para lotes de linhas municipais foi estruturada como concessão comum, admite diferentes tecnologias de ônibus e prevê remuneração adicional de 12% por quilômetro para veículos elétricos efetivamente utilizados pelas operadoras.

Características do Marcopolo Torino Low Entry/BYD D9W apresentado

O veículo exibido pela GTU combina carroceria urbana Marcopolo Torino Low Entry com chassi elétrico BYD D9W. “Low Entry” identifica a configuração de entrada baixa, voltada a facilitar o acesso ao salão de passageiros. O modelo utilizado pela Viação Piracicabana em Brasília tinha 13,2 metros de comprimento, ar-condicionado e suspensão pneumática dianteira e traseira, com recurso de rebaixamento para facilitar o embarque e o desembarque.

Na apresentação do modelo, a autonomia informada para essa configuração era de pelo menos 250 quilômetros e poderia alcançar 300 quilômetros, conforme as condições de operação. Essa é uma especificação divulgada para o veículo quando novo: a autonomia atual do exemplar apresentado no Rio de Janeiro depende do estado das baterias e de uma aferição em serviço. Os carregadores USB, o piso baixo e o ar-condicionado observados no ônibus da GTU completam a configuração exibida nesta sexta-feira.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. JEFFERSON COUTINHO disse:

    A empresa vem para Rio com sigo trás ônibus de dez anos, parabéns aos envolvidos.

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