Prefeitura de São Paulo vai contratar verificação externa para melhorar a gestão do transporte coletivo e acompanhar eletrificação dos ônibus
Publicado em: 23 de setembro de 2026
Consultoria independente vai avaliar indicadores ligados à qualidade da gestão, oferta e demanda do serviço e avanço da frota elétrica; publicação da manifestação de interesse no DOU está prevista para quinta-feira (24)
ADAMO BAZANI
A Prefeitura de São Paulo prepara a contratação de uma empresa independente para verificar resultados de um programa que combina a melhoria da gestão do transporte coletivo municipal com a eletrificação da frota de ônibus. Entre os pontos que estarão vinculados aos desembolsos do financiamento estão ferramentas para ajustar oferta e demanda, monitoramento de resultados e ampliação da quantidade de ônibus elétricos em operação.
A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) autorizou nesta quarta-feira, 23 de setembro de 2026, o pagamento de R$ 942,48 para que a manifestação de interesse destinada à escolha da consultoria seja publicada no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (24). O chamado Agente de Verificação Independente terá a função de comprovar tecnicamente o cumprimento dos indicadores previstos no programa.
Gestão do sistema é parte central do financiamento
A contratação está relacionada ao financiamento de US$ 248,3 milhões formalizado pela Prefeitura com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para o programa de eletrificação e aprimoramento do transporte público.
Apesar da associação direta com os ônibus elétricos, a operação de crédito possui um alcance mais amplo sobre a maneira como o sistema é administrado.
Segundo a própria Prefeitura, os recursos também serão aplicados em melhoria da gestão e do planejamento do transporte público, ferramentas digitais, estudos técnicos e monitoramento. O financiamento prevê ainda recursos para aproximadamente 582 ônibus elétricos.
Os desembolsos ocorrerão em cinco parcelas e dependem da comprovação de resultados.
Entre os indicadores definidos estão a quantidade de ônibus elétricos em operação, o número de usuários registrados em uma plataforma de mobilidade como serviço, a redução do tempo necessário para adequar oferta e demanda por meio do sistema SIGMA, a apreciação de planos de mobilidade de baixo carbono pelo Conselho Municipal de Trânsito e Transporte e indicadores de equidade de gênero nas concessionárias.
É justamente neste ponto que entra o verificador independente: antes da liberação de recursos vinculados aos resultados, uma entidade externa deverá conferir se aquilo que foi estabelecido efetivamente foi executado.
Para o passageiro, gestão interfere diretamente na espera e na regularidade dos ônibus
A melhoria da gestão pode chegar ao passageiro principalmente na forma de maior capacidade de identificar rapidamente diferenças entre a quantidade de ônibus programada e a demanda real de cada região e período do dia.
O próprio Programa de Metas 2025-2028 prevê a implantação do novo Centro de Operações da SPTrans e do Sistema de Monitoramento e Gestão Operacional (SMGO). Segundo a Prefeitura, a estrutura deverá permitir gerenciamento mais eficiente da rede, com ganhos de previsibilidade, rapidez, segurança e comodidade para os passageiros.
O SMGO foi concebido para integrar dados operacionais e acompanhar indicadores como regularidade, frequência e cumprimento de horários. Essas informações integram justamente a avaliação da qualidade entregue pelas concessionárias.
Na prática, um sistema capaz de detectar mais rapidamente excesso ou falta de oferta permite direcionar ônibus de forma mais compatível com a procura, reduzir intervalos fora da programação e melhorar a previsibilidade de chegada aos pontos.
Indicadores mostram onde a qualidade do serviço precisa evoluir
A SPTrans utiliza o IQT, Índice de Qualidade do Transporte, para medir o desempenho das empresas que operam os ônibus da capital.
O índice reúne 11 indicadores relacionados a satisfação do passageiro, operação, manutenção, recursos humanos e meio ambiente. Em 2024, a média do IQT teve avanço de 0,79 ponto em relação a 2023 e permaneceu na classificação considerada “bom” pela metodologia da SPTrans. No segundo semestre daquele ano, das empresas avaliadas, 25 terminaram classificadas como “bom” e 13 como “regular”.
A satisfação do passageiro também faz parte dessa avaliação.
A SPTrans realiza uma pesquisa com cerca de 8 mil entrevistas distribuídas entre grupos operacionais, lotes e empresas. São avaliados fatores como conforto, rapidez da viagem, segurança, confiança de chegar ao destino, regularidade dos horários, cobrança da passagem, atendimento, comunicação e cuidados ambientais.
Na pesquisa referente a 2023, divulgada no relatório de 2024, o Índice de Satisfação do Usuário ficou em 3,53 numa escala de 1 a 5, ante 3,57 no levantamento anterior. Segurança obteve média de 3,85; atendimento e comunicação, 3,83; e cobrança da passagem, 3,69.
Estes indicadores ajudam a mostrar por que o programa financiado pelo BID não se resume à troca da fonte de energia dos ônibus. A qualidade percebida pelo passageiro também depende da regularidade, do tempo de viagem, da informação disponível e da capacidade da gestão municipal de adequar a operação às necessidades de cada região.
Eletrificação avançou, mas meta anterior de 2,6 mil ônibus não foi atingida no prazo
A outra frente do programa é a eletrificação.
O Programa de Metas 2021-2024 previa que São Paulo chegasse ao fim de 2024 com pelo menos 20% da frota composta por veículos de matriz energética limpa, equivalentes, à época, a cerca de 2,6 mil ônibus. A própria Prefeitura anunciou esse objetivo em 2021.
O cronograma ficou abaixo do número previsto para aquele prazo. Em dezembro de 2025, a Prefeitura informava uma frota de 1.149 ônibus movidos a energia limpa. Em junho de 2026, depois da entrada de mais 500 veículos de uma só vez, o total chegou a 1.759 unidades.
Para o ciclo 2025-2028, a Prefeitura estabeleceu uma nova meta: substituir 2.200 ônibus a diesel por veículos de matriz energética mais limpa.
Assim, acelerar as entregas influencia diretamente tanto o cumprimento das metas ambientais quanto a experiência dentro dos veículos.
Ônibus elétricos têm operação mais silenciosa e eliminam emissões de escapamento durante a circulação. A Prefeitura calcula que, com 1.259 veículos de energia limpa em operação em março de 2026, o sistema já evitava o consumo anual de aproximadamente 47,6 milhões de litros de diesel e a emissão de 109,5 mil toneladas de CO₂ por ano.
Para quem utiliza diariamente o transporte coletivo, a renovação também significa a entrada de veículos novos e pode representar melhorias de conforto associadas à renovação da frota, ao mesmo tempo em que a redução de poluentes beneficia passageiros, trabalhadores do sistema e moradores das regiões atravessadas pelas linhas.
Verificador terá papel na liberação do dinheiro
O contrato com o BID prevê prazo de cinco anos para os desembolsos. A liberação do dinheiro é associada ao cumprimento das condições e dos resultados definidos no programa.
Para o primeiro desembolso, estão entre as exigências a entrada em vigor do regulamento operacional, a estruturação da equipe responsável pelo programa, um plano para otimizar a infraestrutura de recarga e a contratação do próprio Verificador Independente.
O ato publicado no Diário Oficial da Cidade nesta quarta-feira (23) representa uma etapa deste processo: a SMT autorizou o pagamento à Imprensa Nacional para publicar na quinta-feira (24) a Manifestação de Interesse nº 001/SMT/2026.
O documento municipal define que a consultoria será responsável pela “verificação técnica e independente” do cumprimento dos Indicadores Vinculados ao Desembolso das operações de crédito do Programa de Eletrificação e Melhoria da Gestão do Sistema de Transporte Coletivo.
Dessa forma, a verificação deverá conectar o financiamento a resultados mensuráveis tanto na entrada de ônibus elétricos quanto na capacidade de administrar melhor um sistema cuja qualidade, para o passageiro, aparece diariamente no intervalo entre veículos, no cumprimento dos horários, no tempo de viagem, no conforto e na informação disponível.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes




Dq adianta vcs fazer pesquisa e melhorias com onibus novos, se o principal q é os trabalhadores(motorista e cobrador) nao ter reconhecimento, salarios dignos sempeeseguicao de patroes e sindicatos com descontos inadmissivel, folgas programadas e folgas extra por boas condutas na empresa……
Escalas asseciveis e lancada com antecedencias 2 semanas antes ou mensal assim o funcionariobja vai trabalhar com a programacao sabendo oq pode ser feito….
Essas adm das empresas e os sangue sugas estao acabando com os funcionarios
Olha, o bairro de Marsilac zona sul tá lá sem um terminal de ônibus, e fala que vai melhorar o transporte público, pra poder colocar mais ônibus elétricos, faça mil favor né! Vocês estão de brincadeira com a população paulistana, a população quer melhoria, como abrir novas empresas de ônibus, porque essas empresas de ônibus de hoje, não estão conseguindo atender toda a população paulistana, e também um terminal de ônibus em Marsilac que a população tanto pede.