Paulo Korek se entrega à Polícia e, em vídeo, nega relação com PCC, lavagem de dinheiro e acusa delegado de tentativa de extorsão
Publicado em: 19 de setembro de 2026
Dono da A2 Transportes e presidente do Água Santa contesta investigação da Operação Vectura Corrupta, diz que não há conversas dele com integrantes da facção e afirma que buscará Corregedoria e Ministério Público; acusações contra a investigação são versão do empresário e ainda precisam ser comprovadas
ADAMO BAZANI e YURI SENA
O empresário Paulo Sirqueira Korek Farias, proprietário da A2 Transportes e presidente do Esporte Clube Água Santa, se entregou à Polícia neste sábado, 19 de setembro de 2026, após ser alvo de prisão temporária na Operação Vectura Corrupta, que investiga a possível infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) no transporte coletivo de São Paulo. Antes da apresentação, Korek divulgou um vídeo de aproximadamente 13 minutos no qual nega envolvimento com a organização criminosa, contesta os elementos usados pela Polícia Civil para incluí-lo na investigação e anuncia que pretende levar à Corregedoria e ao Ministério Público acusações contra a condução do inquérito.
Na manifestação, Korek apresenta uma versão frontalmente diferente daquela sustentada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. Ele afirma que sua relação com José Daniel Satilite decorreu da negociação da antiga Viação Diadema, nega que a A2 Transportes ou o Água Santa tenham recebido dinheiro proveniente de lavagem e sustenta que não existem conversas suas com integrantes do PCC. O empresário também faz uma acusação grave: diz ter recebido, por intermédio de terceiros, relatos de que seria exigido R$ 1 milhão de cada empresa para evitar que companhias do subsistema local fossem envolvidas na investigação. Korek atribui a suposta cobrança à equipe do delegado responsável pelo caso. A afirmação é do empresário, não foi comprovada no material analisado pelo Diário do Transporte e deve ser submetida ao contraditório das autoridades mencionadas.
KOREK DIZ QUE RELAÇÃO COM DANIEL SATILITE COMEÇOU COM VENDA DE EMPRESA
Uma parte significativa do vídeo é dedicada por Korek a explicar sua relação com José Daniel Satilite, personagem considerado relevante pelos investigadores.
Segundo o empresário, ele foi proprietário da Viação Diadema entre 2008 e o início de 2017 e operava na cidade de Cubatão, na Baixada Santista. Após perder a licitação municipal para outro grupo, afirma ter negociado a empresa, em 14 de junho de 2017, com José Daniel Satilite e Claudionor Aparecido Sabino Tomaz.
Korek sustenta que se tratou de uma operação comercial regular e que os pagamentos posteriores envolvendo a empresa estavam relacionados a dívidas deixadas pelo negócio, inclusive trabalhistas.
A investigação apresenta interpretação diferente para as relações empresariais. Polícia Civil e Ministério Público relacionam Korek à gestão da A2 e da Translíder e sustentam que Satilite e Claudionor teriam atuado como pessoas interpostas em operações relacionadas às empresas. Essas conclusões são contestadas pelo empresário e ainda não representam condenação.
REUNIÃO EM ESCRITÓRIO PARA DISCUTIR CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS
Korek relata no vídeo que, entre o fim de 2024 e 2025, foi chamado para uma reunião em um escritório de advocacia para discutir recuperação de créditos tributários.
Segundo sua versão, estavam no encontro, entre outras pessoas, José Daniel Satilite e o advogado Milton Ribeiro, citado na investigação.
Korek afirma que não se interessou pela proposta e que não contratou o serviço.
O empresário usa esse episódio para contestar a interpretação dada pela investigação aos contatos entre os envolvidos. Segundo ele, não existem conversas suas nem de dirigentes das demais empresas citadas acertando participação em operações de recuperação tributária.
EMPRESÁRIO FAZ ACUSAÇÃO DE SUPOSTA COBRANÇA DE R$ 1 MILHÃO
É neste ponto que Korek apresenta a acusação mais grave de seu vídeo.
Segundo o empresário, meses depois da apreensão do telefone de José Daniel Satilite, ocorrida em 5 de junho de 2025, Satilite o procurou e disse que conversas haviam sido encontradas pela Polícia.
Korek afirma que Satilite lhe relatou que estaria sendo exigido R$ 1 milhão de cada empresa para que companhias do subsistema local não fossem atingidas pela investigação.
“Eu deixei claro que eu não iria pagar e que eu não iria nem comunicar as empresas disso porque eu não iria participar de uma extorsão”, afirma Korek no vídeo.
Em outro momento, dirige-se diretamente ao delegado que atribui à condução da investigação e diz que teriam sido enviados recados de que as empresas seriam atingidas caso não houvesse o pagamento.
Trata-se de uma acusação feita por Paulo Korek, que necessita de comprovação e manifestação dos acusados. O Diário do Transporte não encontrou, até a publicação desta reportagem, comprovação independente de que tenha ocorrido a cobrança descrita pelo empresário.
KOREK DIZ QUE NÃO HÁ CONVERSAS DELE COM INTEGRANTES DO PCC
Outro eixo da defesa pública de Korek é a origem das provas usadas para relacioná-lo ao caso.
Ele sustenta que os investigadores se basearam principalmente em conversas e declarações de José Daniel Satilite e afirma que não existe diálogo direto seu com pessoas apontadas como integrantes da organização criminosa.
“O senhor não tem uma fala minha nessa sua investigação com o Daniel ou com nenhum integrante de facção”, afirma.
Korek também sustenta que não haveria conversas de dirigentes das demais empresas investigadas negociando com os personagens que aparecem nas mensagens.
A Polícia Civil e o Ministério Público, entretanto, trabalham com um conjunto mais amplo de elementos. Como mostrou o Diário do Transporte neste sábado (19), documentos da investigação apontam suspeitas de articulações entre empresários, pessoas relacionadas pelos investigadores ao PCC, integrantes da estrutura da SPTrans e figuras políticas. O Gaeco considerou substancial o acervo probatório reunido em relação ao núcleo principal da investigação.
Isso não significa, entretanto, condenação dos investigados. A apuração continua e as defesas contestam as acusações.
EMPRESÁRIO DEFENDE LEVI OLIVEIRA E MILTON LEITE E NEGA TRATATIVAS CRIMINOSAS
Korek também menciona no vídeo o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira e o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite.
Em relação a Levi, sustenta que não existiriam conversas nos autos capazes de demonstrar sua participação nos fatos investigados.
Sobre Milton Leite, Korek confirma proximidade política com o ex-vereador, mas afirma que as conversas entre ambos diziam respeito a assuntos do setor de transportes e à atuação institucional de Leite.
“Eu sou muito próximo ao vereador Milton Leite”, declara.
Korek afirma, entretanto, que nunca discutiu com o ex-parlamentar “nenhum tipo de negociação que viesse a favorecer o crime organizado”.
A versão se contrapõe às conclusões apresentadas pela investigação. Documentos verificados pelo Diário do Transporte relacionam Milton Leite à operação de empresas de ônibus e reproduzem declarações segundo as quais ele seria o “dono de fato” da Transwolff. Milton Leite nega as acusações.
O ex-presidente da Câmara se apresentou à Polícia Civil nesta sexta-feira (18), em Mogi das Cruzes, e teve cumprida prisão temporária de 30 dias.
“NUNCA EXISTIU NENHUM TIPO DE LAVAGEM DE DINHEIRO”, DIZ KOREK
Korek também nega categoricamente que a A2 Transportes e o Esporte Clube Água Santa tenham sido utilizados para lavagem de dinheiro.
“Não existe um único real dessa citada que entrou o dinheiro na conta da empresa ou do Água Santa”, afirma.
E acrescenta:
“Portanto nunca existiu nenhum tipo de lavagem de dinheiro na conta da A2 e muito menos na conta do Água Santa.”
Novamente, trata-se da versão do empresário.
A investigação menciona movimentações financeiras relacionadas à A2 e à antiga Translíder. Entre os elementos citados nos documentos estão uma negociação envolvendo 63 ônibus por R$ 1,26 milhão, registros de pagamentos que somariam R$ 825,8 mil e um comprovante de R$ 100 mil destinado à conta da A2. A Polícia interpreta essas movimentações dentro do conjunto de indícios investigados; a defesa sustenta que as operações têm origem comercial legítima.
EMPRESÁRIO DIZ TEMER PELA PRÓPRIA VIDA E QUER CORREGEDORIA E MP NA APRESENTAÇÃO
No final do vídeo, Korek explica por que ainda não havia se apresentado quando fez a gravação.
O empresário diz que pretendia procurar as autoridades, mas queria acompanhamento da Corregedoria e do Ministério Público por afirmar que temia pela própria segurança.
“Eu vou me entregar, só que eu quero também o Ministério Público e eu quero a Corregedoria porque eu quero garantias de vida”, declara.
Korek diz ainda que já havia determinado ao advogado Roberto Vasco que procurasse a Corregedoria.
“Eu quero me entregar na Corregedoria com acompanhamento do Ministério Público”, afirma.
O empresário sustenta que decidiu tornar públicas as acusações mesmo considerando que isso poderia representar risco pessoal.
KOREK DIZ SER INOCENTE E PEDE QUE IMPRENSA ANALISE AUTOS
Korek encerra a manifestação criticando a forma como seu nome passou a aparecer nas reportagens sobre a Operação Vectura Corrupta e pede que veículos de comunicação analisem integralmente os autos antes de atribuir responsabilidades aos investigados.
“Eu não tenho envolvimento com o crime organizado, eu não faço parte de nenhuma facção”, afirma.
Também diz estar disposto a tornar públicos documentos do processo e sustenta que provará sua versão.
“Eu sou inocente nessa história, eu não cometi os crimes que estão sendo citados pelo senhor delegado e muito menos pelo que a imprensa fala”, declara.
O QUE SUSTENTAM POLÍCIA E MINISTÉRIO PÚBLICO
A versão divulgada por Paulo Korek precisa ser analisada em contraposição aos elementos reunidos pela Operação Vectura Corrupta.
A operação foi deflagrada na quinta-feira (17) e investiga a possível infiltração do PCC no sistema de transporte coletivo paulistano. Paulo Korek teve prisão temporária de 30 dias decretada. A Justiça também autorizou prisões de outros investigados, buscas e acesso aos dados de equipamentos eletrônicos.
Documentos analisados pelo Diário do Transporte mostram ainda que a Polícia chegou a pedir o afastamento de 43 pessoas relacionadas à administração de nove empresas e intervenção da SPTrans nas operadoras. O Gaeco considerou prematura a adoção coletiva dessa medida naquele estágio da investigação.
Nesta sexta-feira (18), a A2 informou o afastamento de Paulo Korek e Júlio Salvador Filho da administração da concessionária após a Prefeitura de São Paulo determinar a retirada dos dois dirigentes e ameaçar intervir na operação caso a providência não fosse adotada.
As acusações investigadas são graves, mas o processo ainda está em andamento. Não há condenação definitiva de Paulo Korek pelos fatos investigados na Operação Vectura Corrupta, e as afirmações apresentadas pelo empresário no vídeo constituem sua versão dos acontecimentos e deverão ser confrontadas com as provas reunidas pela Polícia, pelo Ministério Público e com as manifestações das pessoas às quais ele atribui irregularidades.
Confira o pronunciamento na integra.
Olá a todos, meu nome é Paulo Sirqueira Korek Farias, eu sou o presidente e proprietário da A2 Transportes, sou o presidente também do Esporte Clube Água Santa e venho conversar aqui com vocês a respeito de todo esse noticiário que saiu envolvendo o meu nome, envolvendo a A2, agora envolvendo também o Água Santa, através do doutor delegado Fabrício Intelizano. E gostaria muito que vocês assistissem até o final para que vocês pudessem entender e depois ter acesso aos autos, o que levou o delegado senhor Fabrício Intelizano a tomar essa atitude e me colocar da forma que ele me coloca hoje neste inquérito. Acontece que a Viação Translider, no qual eu era o proprietário também, eu fiquei com ela de 2008 até o início de 2017, operando na cidade de Cubatão.
E eu perco no início de 2017 a licitação em Cubatão para o grupo FEMS, um grupo muito grande em São Paulo, acabou perdendo essa licitação em Cubatão. E, consequentemente, é óbvio que eu paro a empresa, e eu negociei essa empresa em 14 do seis de 2017 com o José Daniel Satellite e o Cláudio Honor, Aparecido Sabino Tomaz. Uma negociação comercial totalmente normal, sem nenhum vínculo de nenhum tipo de dinheiro que possa levar a algum questionamento de dinheiro ilícito.
Ao contrário, a dívida que a empresa tinha ficou para nós pagarmos parte dela e parte seria absorvida por eles. Então, todos os pagamentos que eu fiz foram oriundos de dívidas no qual assumidas para que nós ficássemos para que nós pagássemos, porque a gente vende uma empresa com dívida. E aí, toda a negociação de pagamento normal que ocorreu durante esse período, por conta dessa dívida que tinha, inclusive, dívidas trabalhistas, onde demonstramos isso com toda a tranquilidade do mundo.
E aí, perco contato com o Daniel, muito esporádico, até porque quem fazia esse pagamento para ele não era nem eu, era um funcionário que tomava conta de todo esse pagamento para mim, e, praticamente, o meu vínculo com o Daniel passa a ser bem distante. Só que acontece que, no final de 2024, 2025, eu sou chamado para uma reunião em um escritório de advocacia muito grande, o Dr. Milton, que está preso, inclusive, nesse processo, através do Zeca da Pêssego, que me chama, seu advogado da dele, da Pêssego, que era o Cícero José dos Santos, também com pedido de prisão nesta ação, movida pelo Dr. Fabrício, eles me chamam para essa reunião. Para surpreender, quando eu chego nesse escritório, está o Daniel Satiliti, até me surpreendi quando eu vi ele lá, falei, poxa, você é aqui?
E a reunião é para se falar de crédito, recuperação de crédito tributário, no qual eu não me interessei, uma reunião, a princípio, até muito boa, mas não me chamou, de uma certa forma, não me encheu os olhos para que eu pudesse ter esse tipo de atitude de buscar uma recuperação tributária naquele escritório.
E, sumi, não tivemos mais contato com o Dr. Milton, passa-se alguns meses, o Daniel vai na empresa, pedindo uma reunião, que queria conversar comigo. Por quê? O que aconteceu? Em 6 de agosto de 2024, teve uma operação, que é a Operação Decurio, ela ocorreu no dia 6 de agosto de 2024. E, nesse momento, parece que nessa operação, eles pegam conversas do Daniel, com esse grupo no qual eu não faço nem ideia de quem são essas pessoas.
E aí o Daniel passa a ser investigado. E acontece que a segunda fase desta operação acontece em junho de 2025, onde, no dia 5 de junho de 2025, o telefone do Daniel, o Satilite, e aí começa aqui toda a parte realmente importante, porque todo mundo possa entender, no dia 5 de junho de 2025, o Daniel tem o telefone apreendido. Passa-se alguns meses, acho que 3, 4 meses depois, aproximadamente há um ano atrás, o Daniel me procura novamente na garagem, alegando que ele tinha caído num grampo, e que o delegado pegou as conversas, e que o delegado queria 1 milhão de reais de cada empresa, pra ele não explodir o subsistema local, porque lá o Daniel tratava assuntos com várias pessoas, possivelmente do crime organizado, não posso afirmar, mas queria colocar todas as empresas no subsistema local, se a gente não pagasse nesse mesmo pacote.
Confesso a vocês que eu achei aquilo tudo muito estranho, e pedi pra gente que tivesse acesso, e deixei claro pra ele que o que tinha ali não tinha vínculo nenhum com a gente, que era problema do Daniel, e problema de quem participou de toda essa conversa obscura, e que nós não iríamos pagar nada. Por que eles me procuram? Primeiro porque eu estive nessa reunião, e segundo porque o Daniel dá continuidade a esse tipo de lobby, e ele lá cita todas as empresas, onde não tem nenhuma conversa comigo, com o Daniel, ou com o senhor Milton, falando de recuperação tributária. Não tem nenhuma conversa de nenhum diretor das outras empresas, do subsistema local, essas empresas citadas, falando de recuperação tributária.
Somente o Daniel falando, que conversou com essas empresas, e onde no qual nenhuma dessas empresas participou dessas recuperações de tributária. Então não tinha um porquê, se nós não fizemos nada de errado, se nós não participamos de nenhuma situação obscura, a gente pagava um milhão de reais para essa equipe, no qual eu exigia, através do senhor Fabrício. E eu deixei claro que eu não iria pagar, e que eu não iria nem comunicar às empresas disso, porque eu não iria participar de uma extorsão, no qual eu achava uma aberração.
E recebemos inúmeras ameaças, tem dois advogados, o senhor Eduardo Medeiros e o Cícero, que relatam isso também. O Eduardo Medeiros é o advogado do senhor José Daniel Satilite, o Cícero Geraldo Santos é advogado lá da Pêssego, onde em uma reunião com o senhor Eduardo Medeiros, advogado do Daniel , eles citam, numa conveniência muito próxima da delegacia, que quem eles queriam era eu. Eles queriam o Paulo Camarão, porque o Daniel não tinha uma coleirinha para puxar o gato.
Então já fica muito claro que eles queriam eu. E eu deixei claro que eu não iria pagar um real, porque eu não iria pagar nenhum tipo de extorsão, no qual são assuntos que a gente não participou, que a gente não era nem envolvido nessa questão. Mas para resumir, os recados vieram, e o doutor Fabrício sabe todas as pessoas que ele mandou o recado, né doutor? O senhor se lembra bem, que o senhor mandou o recado, uma pena que eles não podem falar, né doutor? Como eu gostaria que eles pudessem falar.
Que você iria explodir todas as empresas do subsistema local. E está aí, o senhor fez, né? Mas vamos agora esclarecer os pontos, doutor, que é muito importante para que todo mundo tenha consciência. O senhor pega o telefone do Daniel no dia 05 de Junho de 2025.
Alguns meses depois, o senhor já começa a pressionar o Daniel, e o senhor viu realmente que ele não tinha, né? Um palco para poder, ou uma colherinha para puxar o gato, como vocês mencionaram. E aí vocês começaram a ir atrás de quem possivelmente tem dinheiro, né? Então vamos lá. O senhor esperou, o senhor mandou todos os recados, o senhor esperou praticamente um ano e três meses para explodir essa operação.
O senhor ficou um ano empoderando o telefone do Daniel, o senhor não acrescentou nada de novo nessa operação do telefone dele. Porque tudo que está ali já foi conhecido por todo mundo. O senhor não tem uma fala minha nessa sua investigação com o Daniel, ou com nenhum integrante de facção. O senhor não tem uma conversa minha, o senhor não tem nenhuma conversa com nenhum diretor de empresa nenhuma com as pessoas envolvidas nesse caso. E o senhor nos colocou nele. O senhor prendeu o senhor Levi de Oliveira, presidente da SPTrans, que é um gentleman.
Quem conhece essa pessoa pode dizer. Essa pessoa não tem uma conversa nesses autos. Ela tem o Daniel falando do nome dela. Como tudo que o senhor tem nesses autos é o Daniel falando. O senhor não tem uma prova de ninguém. O senhor envolveu o vereador Milton Leite nessa história, ex-vereador, presidente da casa, alegando que ele tem ligação com o PCC.
Eu, como falei anteriormente, eu represento a categoria da parte política. Eu sou muito próximo ao vereador Milton Leite. Nós nunca conversamos, eu e o vereador Milton Leite, sobre nenhum tipo de negociação que viesse a favorecer o crime organizado. Nós conversávamos quando o vereador estava como prefeito, na sua ausência, em alguns momentos do Bruno e até do Ricardo, que parecia ser o presidente da casa naquele momento, que nós conversamos coisas de assuntos da categoria. O senhor não tem nenhuma conversa, minha e do Milton, que possa nos comprometer e nos ligar ao crime organizado. O senhor não tem nenhuma conversa minha com o Milton Leite que me ligue a qualquer relação obscura.
Então, obscura aqui, senhor doutor Fabrício, está a sua atitude. E o porquê que eu digo obscuro? O senhor esperou um ano e três meses para deflagrar essa operação. O senhor não apresentou nada de novo. O senhor não tem uma conversa minha com nenhum desses membros aí. O senhor não tem uma conversa do presidente Milton Leite com ninguém desse inquérito. O senhor não tem uma conversa do Levi de Araújo com ninguém desse inquérito.
Como o senhor não tem nenhuma conversa do Júlio Salvador Filho com ninguém desse inquérito. Portanto, o senhor se baseia em falas únicas e laterais do Daniel. O senhor não tem uma prova que nos ligue a esses fatos.
No seu experimento político, o senhor explodiu tudo isso, nos colocando numa situação como essa, colocando o presidente da casa, o verdadeiro Milton Leite, como eu já citei anteriormente, que quando conversamos assuntos de categoria, foi como ele estava como prefeito, no momento que tanto o Bruno Covas se ausentou, e depois, com a morte do Bruno, o Ricardo assume. E quando o Ricardo se ausentava por algum motivo de viagem, ele era o presidente da casa, ele era o prefeito naquela época. E por conta dessa relação, o senhor diz que ele tem uma ligação com o PCC.
Eu quero afirmar a todos vocês, não existe um único real dessa fintech citada que entrou o dinheiro na conta da empresa ou do Água Santa. Nem entrou e nem eu paguei essa fintech, nenhum real. Eu quero que ele apresente o dia que teve algum depósito das fintechs ou que recebi dessas fintechs nas contas do Água Santa ou da A2 Transportes.
Então, portanto, nunca existiu nenhum tipo de lavagem de dinheiro na conta da A2 e muito menos na conta da Água Santa. Então, pra mim, é muito duro ver tudo isso acontecer. Eu sei que alguns estão se questionando, mas por que ele não se entregou até agora se ele é inocente? Primeiro, porque eu esperei esse momento e eu vou me entregar.
Só que eu quero o ministério público e a corregedoria, porque eu quero garantias de vida, porque foi muito duro tomar essa decisão, porque eu sei que eu passo a correr risco de vida. Mas, ao mesmo tempo, foi duro também pra mim ver o sofrimento da minha família, o sofrimento da minha mãe e ter que ver tudo isso. Então, pra mim, fica muito claro de uma coisa, tudo o que eu falei aqui pra vocês, eu já relatei ontem à Folha, acredito que amanhã deve estar saindo, ou no dia de hoje.
E é uma forma de eu mostrar a minha indignação, a minha insatisfação com tudo isso e deixar claro a cada um de vocês que eu não tenho envolvimento com crime organizado, que eu não faço parte de nenhuma facção, e que vocês bastam, qualquer pessoa que conhece, e aí fica aqui uma dica pra vocês da imprensa, que vocês antes de julgarem as pessoas, porque a forma que eu saí na matéria, eu sou o líder máximo do PCC. Vocês olhem primeiro, coloque os jurídicos das empresas que vocês têm, vocês têm bons jurídicos, né? Pra olhar o inquérito num todo e ver como as pessoas foram colocadas, inseridas dentro de um processo para serem prejudicadas, para que elas fiquem com uma imagem totalmente denegrida por quem está conhecendo. Então eu peço isso a vocês.
Que olhem, que verifiquem. Se eu tiver que postar os autos, eu estou disposto. Eu não tenho medo de nenhuma fala que eu coloquei aqui. Meu medo, sim, é só com a minha vida, mas eu tenho que enfrentar isso porque eu sei o que eu estou passando. E eu sou inocente nessa história. Eu não cometi os crimes que estão sendo citados pelo senhor delegado e muito menos pelo que a imprensa fala.
Mas eu tenho certeza que isso vai ser demonstrado nos autos, não tenho dúvida. Então eu ratifico. Eu já coloquei o advogado doutor Roberto Vasco pra que ele procure a corregedoria, que eu quero me entregar à corregedoria, acompanhamento do Ministério Público, porque eu só quero uma coisa na minha entrega.
Eu quero que me dê a garantia de vida, que eu não vou ser perseguido pelo que eu estou aqui apresentando. Porque eu vou até o final. Eu não tenho medo de enfrentar, até porque eu sei que eu não fiz o que está sendo falado.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Yuri Sena para o Diário do Transporte



