TIC Trens planeja nova estrutura no CCO do Brás para gestão operacional da linha 7-Rubi e Trem Intercidades para Campinas
Publicado em: 16 de setembro de 2026
Projeto prevê ampliação do painel de telas, instalação de equipamentos e novas salas técnicas
ADAMO BAZANI
A circulação dos futuros trens entre São Paulo, Jundiaí e Campinas será acompanhada pelo CCO (Centro de Controle Operacional) localizado no Brás, na capital paulista. A TIC Trens começou a planejar a ampliação do local para controlar o Trem Intercidades, o Trem Intermetropolitano e a Linha 7-Rubi.
O projeto prevê novas salas técnicas, mais de 200 quilômetros de fibra óptica e a ampliação do videowall, uma grande parede formada por várias telas. Nesse painel, os controladores conseguem visualizar a localização dos trens, os intervalos, as condições da energia e da sinalização e os avisos de problemas na ferrovia.
O CCO funciona como uma central de comando da ferrovia. É do local que as equipes acompanham a circulação dos trens e verificam se a operação ocorre dentro do planejamento.
Os profissionais conseguem visualizar onde cada composição está, quanto tempo falta para o próximo trem e se há problemas em equipamentos, estações, vias ou instalações elétricas.
Quando ocorre uma falha, o CCO reúne as informações necessárias para decidir o que será feito. A central pode determinar a redução da velocidade, a mudança de plataforma, a retenção de um trem ou o envio de equipes de manutenção.
Também partem do centro de controle informações utilizadas nos avisos das estações, painéis eletrônicos, aplicativos e comunicados aos passageiros.
Já videowall é o nome dado a um conjunto de monitores instalados lado a lado para formar uma grande parede de imagens.
Em vez de cada funcionário acompanhar somente uma pequena tela de computador, o painel permite que as equipes vejam ao mesmo tempo o mapa da ferrovia, a posição dos trens, os intervalos, as imagens das câmeras e os alarmes dos equipamentos.
O CCO do Brás já possui uma estrutura desse tipo. O projeto da TIC Trens prevê acrescentar uma nova fileira de telas para incluir as informações do Trem Intercidades, do Trem Intermetropolitano e da Linha 7-Rubi.
A ampliação será acompanhada pela construção de salas destinadas aos computadores, servidores e equipamentos que receberão e processarão os dados da operação.
TIC será o trem expresso entre São Paulo e Campinas
O TIC, sigla para Trem Intercidades, será um serviço expresso entre a Estação Palmeiras-Barra Funda, em São Paulo, e Campinas, com parada em Jundiaí.
A previsão é percorrer aproximadamente 101 quilômetros em cerca de 64 minutos. Os trens poderão alcançar até 140 quilômetros por hora e deverão transportar cerca de 860 passageiros por viagem.
O projeto prevê assentos marcados e espaços para bagagens e bicicletas. A operação está programada para começar em 2031, mas o cronograma poderá mudar durante as obras e os testes.
TIM fará paradas entre Jundiaí e Campinas
O TIM, sigla para Trem Intermetropolitano, será um serviço parador entre Jundiaí e Campinas.
Diferentemente do TIC, que será expresso, o TIM também atenderá Louveira, Vinhedo e Valinhos. O trajeto terá aproximadamente 44 quilômetros e deverá ser realizado em cerca de 33 minutos.
O início da operação está previsto para 2029.
Jundiaí terá papel central no novo sistema. A cidade será o ponto final da Linha 7-Rubi, uma parada do Trem Intercidades e o início do Trem Intermetropolitano em direção a Campinas.
Linha 7-Rubi também será acompanhada pela nova estrutura
A Linha 7-Rubi liga atualmente a Estação Palmeiras-Barra Funda a Jundiaí, passando por municípios como Caieiras, Franco da Rocha, Francisco Morato, Campo Limpo Paulista e Várzea Paulista.
A concessão reúne a operação e a modernização da Linha 7 e a implantação dos dois novos serviços regionais.
Quando TIC e TIM começarem a operar, o CCO precisará coordenar três tipos de atendimento. A Linha 7 continuará com características metropolitanas e maior número de paradas; o TIM fará o serviço parador no interior; e o TIC oferecerá uma viagem expressa entre São Paulo, Jundiaí e Campinas.
O que pode mudar na rotina dos passageiros
A nova estrutura não provocará mudanças imediatas nas viagens da Linha 7-Rubi porque ainda está em planejamento.
No futuro, o funcionamento do CCO poderá interferir diretamente nos intervalos, na regularidade das viagens e no tempo de resposta a problemas.
Se um trem da Linha 7 chegar atrasado a Jundiaí, por exemplo, o centro de controle poderá acompanhar a posição do TIM e do TIC e avaliar como a ocorrência afeta plataformas, conexões e circulação.
Quando houver falha de energia, sinalização ou equipamento, os controladores poderão identificar o problema e adotar medidas para reorganizar a operação.
A estrutura também poderá melhorar a produção de informações para os passageiros. Para isso, os dados do centro de controle precisarão chegar rapidamente aos painéis das estações, aplicativos e sistemas de avisos sonoros.
A instalação dos equipamentos, entretanto, não garante que atrasos e falhas deixarão de ocorrer. O resultado dependerá da manutenção, do treinamento das equipes, da qualidade das comunicações e dos procedimentos adotados durante cada ocorrência.
Fibra óptica levará informações ao centro de controle
A TIC Trens prevê instalar mais de 200 quilômetros de fibra óptica ao longo da ferrovia.
A fibra funcionará como uma rede de comunicação entre trens, estações, equipamentos e o CCO. Por ela circularão dados sobre posição das composições, sinalização, energia, câmeras e funcionamento das instalações.
Essa comunicação permite que o centro de controle saiba o que está acontecendo em diferentes pontos da ferrovia.
A concessionária informou que a estrutura será protegida contra vandalismo e interferências externas, mas não detalhou quais sistemas de reserva serão utilizados caso um cabo seja rompido ou a comunicação seja interrompida.
Tecnologia ajudará a controlar velocidade e distância entre trens
O projeto também prevê um sistema chamado ETCS Nível 2. A tecnologia acompanha a velocidade e a localização dos trens e transmite as autorizações de circulação diretamente para a cabine.
O sistema verifica se a composição está dentro da velocidade permitida e mantém uma distância segura em relação aos demais trens. Se houver uma situação de risco ou o limite for ultrapassado, o equipamento pode interferir na condução.
O ETCS deverá trabalhar em conjunto com o ATO, sistema que auxilia funções como aceleração, frenagem e parada nas estações.
Isso não significa, necessariamente, que os trens circularão sem profissionais. A concessionária informa que a operação será assistida pela tecnologia.
Para o passageiro, esses sistemas podem ajudar a tornar as paradas e os intervalos mais regulares. O resultado dependerá dos testes, da integração com os trens e da manutenção dos equipamentos.
Instalações elétricas poderão ser controladas a distância
Outra tecnologia prevista é o SCADA, um sistema que permite acompanhar remotamente equipamentos distribuídos ao longo da ferrovia.
Pelo CCO, as equipes poderão verificar o funcionamento de subestações de energia e outras instalações. Em algumas situações, também será possível realizar comandos sem enviar imediatamente um funcionário ao local.
Se uma instalação elétrica apresentar problema, por exemplo, os operadores poderão visualizar o alarme, identificar o trecho afetado e executar os procedimentos permitidos pelo sistema.
O controle remoto pode reduzir o tempo de resposta, mas não substitui o trabalho presencial quando houver necessidade de conserto ou inspeção dos equipamentos.
Jundiaí também terá posto de comando
Além do CCO do Brás, o planejamento prevê um posto de comando local em Jundiaí.
A estrutura deverá apoiar o início da operação do TIM e acompanhar o trecho entre Jundiaí e Campinas.
A instalação também poderá servir como apoio ao CCO principal em situações que exijam acompanhamento mais próximo da operação no interior.
A TIC Trens não informou o valor da modernização nem o cronograma detalhado para a instalação das novas telas, salas técnicas e equipamentos no Brás.
Obras e testes poderão afetar a Linha 7 antes dos novos serviços
O TIM está previsto para 2029 e o TIC para 2031. Antes disso, serão necessárias obras na ferrovia, adaptações em estações, instalação de sistemas e períodos de testes.
Essas intervenções poderão provocar mudanças temporárias na Linha 7-Rubi, como alterações de plataformas, redução de velocidade, mudanças nos intervalos ou interrupções programadas.
Cada impacto deverá ser comunicado antecipadamente pela concessionária. Os prazos dos novos serviços também poderão sofrer alterações durante a execução do projeto.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



