Prefeitura de São Paulo acrescenta R$ 14,16 milhões para bilheterias e postos do Bilhete Único; verba específica sobe 27,2%
Publicado em: 11 de setembro de 2026
Aditivo eleva de R$ 52 milhões para R$ 66,16 milhões os recursos previstos para esta finalidade em 2026; convênio mais amplo entre SMT e SPTrans passa de R$ 389,69 milhões para R$ 403,85 milhões
ADAMO BAZANI
A Prefeitura de São Paulo acrescentou R$ 14,16 milhões aos recursos destinados em 2026 à manutenção e operação das bilheterias e postos de atendimento do Bilhete Único. O plano havia começado o ano com R$ 52 milhões e, com o primeiro aditamento ao convênio firmado entre a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte e a SPTrans, passa a contar com R$ 66,16 milhões, aumento de 27,2%. O reforço é destinado a serviços relacionados ao atendimento aos passageiros e não às compensações tarifárias pagas às empresas pela operação dos ônibus.
O valor total do convênio aumenta de R$ 389,69 milhões para R$ 403,85 milhões, mas os R$ 403,85 milhões não são destinados integralmente às bilheterias ou ao Bilhete Único. O acordo entre Prefeitura e SPTrans abrange diferentes obras, instalações e serviços do sistema municipal de transporte. O aditamento publicado nesta sexta-feira, 11 de setembro de 2026, informa expressamente que o acréscimo de R$ 14.158.813,75 ocorre no plano de trabalho denominado “Manutenção e Operação de Bilheterias e Postos de Atendimento do Bilhete Único”.
Verba específica passa de R$ 52 milhões para R$ 66,16 milhões
O convênio entre a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte e a SPTrans tem duração de 12 meses. O primeiro aditamento foi assinado em 09 de setembro de 2026.
No plano original, R$ 52 milhões estavam previstos especificamente para manutenção e operação de bilheterias e postos de atendimento do Bilhete Único.
Com os R$ 14.158.813,75 acrescentados agora, esta parcela passa para R$ 66.158.813,75.
| Bilhete Único | Valor |
|---|---|
| Previsão original | R$ 52,00 mi |
| Acréscimo | R$ 14,16 mi |
| Novo valor | R$ 66,16 mi |
| Aumento | 27,2% |
Já o valor global do convênio passa de R$ 389.687.662 para R$ 403.846.475,75, alta de aproximadamente 3,6%.
R$ 403,85 milhões não são somente para o Bilhete Único
É importante fazer essa diferenciação porque a publicação do Diário Oficial traz lado a lado o objeto específico do aditamento e o valor global atualizado do convênio.
O acordo entre a Prefeitura de São Paulo e a SPTrans tem como finalidade mais ampla viabilizar recursos para “execução das obras, instalações e serviços voltados ao Sistema de Transporte Coletivo de Passageiros” da cidade.
Dentro desse convênio existem diferentes planos de trabalho.
Entre eles estão manutenção e operação de bilheterias e postos de atendimento do Bilhete Único, terminais de ônibus, corredores e outros serviços relacionados ao sistema de transporte coletivo.
Portanto, não seria correto afirmar que a Prefeitura passou a gastar R$ 403,85 milhões somente com bilheterias e atendimento do Bilhete Único.
O que aumenta em R$ 14,16 milhões é especificamente este plano de trabalho.
Acréscimo é uma “readequação de recursos”
A própria Prefeitura classifica a mudança como uma “readequação de recursos” do plano de trabalho de manutenção e operação das bilheterias e postos de atendimento do Bilhete Único.
O extrato, entretanto, não apresenta a memória de cálculo que levou ao acréscimo nem discrimina individualmente quais despesas ficaram maiores.
O documento também não informa quantos postos ou bilheterias adicionais serão mantidos, se houve reajuste de contratos, crescimento de custos com mão de obra, ampliação do atendimento, aumento das despesas operacionais ou combinação destes fatores.
Assim, o que está documentalmente comprovado nesta publicação é que a necessidade financeira estimada para esta atividade aumentou de R$ 52 milhões para R$ 66,16 milhões.
Não é possível afirmar pelo extrato, isoladamente, qual componente provocou esse crescimento.
Para que servem os recursos
O plano de trabalho citado no aditamento é destinado à “Manutenção e Operação de Bilheterias e Postos de Atendimento do Bilhete Único”.
Dessa forma, a verba é voltada ao custeio da estrutura necessária para o atendimento presencial relacionado ao sistema de bilhetagem da cidade.
Os postos prestam serviços ligados às diferentes modalidades do Bilhete Único, como emissão e substituição de cartões, regularização, benefícios e atendimento de usuários.
O recurso não se confunde com a compensação tarifária paga às concessionárias para cobrir a diferença entre a arrecadação tarifária e os custos da operação dos ônibus.
Também não significa, por si só, compra de novos ônibus, implantação de corredores ou eletrificação da frota.
Uma elevação de R$ 14,16 milhões sobre uma previsão inicial de R$ 52 milhões representa crescimento de aproximadamente 27,2% apenas neste plano de trabalho.
Apesar disso, o extrato publicado pela Prefeitura não explica a causa operacional deste aumento.
O documento diz apenas que houve uma “readequação de recursos” e informa o novo valor.
Por isso, para identificar exatamente para onde irão os R$ 14,16 milhões adicionais, são necessários o plano de trabalho atualizado e a respectiva memória de cálculo.
O Diário do Transporte pode questionar a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte e a SPTrans sobre quais despesas motivaram a necessidade de aumentar em 27,2% a verba de bilheterias e postos, quantas unidades são abrangidas pelo convênio, quem executa atualmente esses serviços e como serão distribuídos os R$ 66,16 milhões previstos para 2026.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


