“Metronização” do BRT Norte Sul é entregue nesta sexta (11) em Goiânia e ônibus recebem visual comemorativo de 93 anos da cidade

Segundo prefeitura da capital e governo de Goiás, com prioridade nos cruzamento e ajuste semafórico, velocidade média subiu 31%

ADAMO BAZANI

A chamada “metronização” do BRT Norte-Sul é entregue nesta sexta-feira, 11 de setembro de 2026, em Goiânia (GO), completando a implantação do sistema de prioridade aos ônibus nos dois principais corredores de BRT da capital. São 17 quilômetros no eixo Norte-Sul, entre os terminais Recanto do Bosque e Isidória, que se somam aos 14 quilômetros do BRT Leste-Oeste. Com isso, Goiânia passa a ter 31 quilômetros de corredores equipados com a tecnologia. Segundo dados divulgados pelo poder público, a velocidade média dos ônibus nos trechos já tratados passou de aproximadamente 16 km/h para mais de 21 km/h, aumento de pelo menos 31%.

A entrega também é marcada por uma mudança visual nos veículos. Ônibus do sistema receberam caracterização especial alusiva aos 93 anos de Goiânia, que serão completados em 24 de outubro. A identidade comemorativa não representa alteração no padrão operacional dos veículos, mas passa a circular pelas ruas junto com a conclusão da prioridade semafórica dos BRTs, associando a frota às comemorações do aniversário da capital.

O QUE É A “METRONIZAÇÃO”

Apesar do nome, metronização não significa transformar o BRT em metrô nem implantar trilhos.

O termo é usado em Goiânia para identificar um conjunto de medidas operacionais e tecnológicas destinado a fazer o ônibus perder menos tempo nos cruzamentos e se aproximar de uma operação mais contínua.

Na prática, sensores e sistemas de comunicação acompanham a aproximação dos ônibus. Essas informações chegam ao controle semafórico, que pode ajustar os tempos dos sinais para favorecer a passagem do transporte coletivo.

Isso pode ocorrer, por exemplo, prolongando por alguns segundos o sinal verde quando um ônibus está chegando ou reduzindo uma fase que faria o coletivo permanecer parado no vermelho.

O sistema combina prioridade semafórica, sincronização dos sinais, monitoramento em tempo real e recursos de controle do tráfego. A Prefeitura também informa o emprego de inteligência artificial na operação.

É importante diferenciar prioridade de preferência absoluta. A lógica não é simplesmente deixar todos os semáforos permanentemente verdes para o BRT, o que desorganizaria os demais movimentos do cruzamento. O sistema tenta compatibilizar os diferentes fluxos e, dentro dessa programação, reduzir as paradas desnecessárias do transporte coletivo.

POR QUE UM BRT EXCLUSIVO AINDA PODE PERDER TEMPO EM SEMÁFOROS

Ter uma faixa ou canaleta exclusiva resolve apenas uma parte do problema.

Ao ser separado dos automóveis, o ônibus deixa de enfrentar diretamente grande parte dos congestionamentos. Mas, se o corredor atravessa dezenas de cruzamentos em nível e o veículo encontra sucessivos sinais vermelhos, uma parcela importante do ganho obtido com a segregação da via é perdida.

Cada parada acrescenta o tempo do semáforo e também o período necessário para o ônibus frear, permanecer imobilizado e voltar a acelerar.

Em sistemas com veículos articulados, grande número de passageiros e intervalos pequenos, sucessivas retenções também podem provocar aproximação entre ônibus que deveriam circular separados. O resultado são comboios, intervalos irregulares e aumento do tempo de espera nas estações.

Por isso, a prioridade nos cruzamentos é um dos elementos técnicos associados a BRTs de melhor desempenho. Levantamento da NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), já mostrado pelo Diário do Transporte, inclui o tratamento das interseções para diminuir interferências entre os atributos importantes de um sistema deste tipo.

VELOCIDADE PASSOU DE 16 KM/H PARA MAIS DE 21 KM/H, DIZ PREFEITURA

Os resultados divulgados anteriormente no BRT Leste-Oeste dão uma dimensão do impacto pretendido.

Antes da implantação, segundo a Prefeitura de Goiânia, os ônibus encontravam sinal verde em aproximadamente 48% dos cruzamentos. Com a tecnologia, este índice chegou a cerca de 90%.

O número de paradas em semáforos teria caído de mais de 30 para uma média de sete em todo o percurso.

A velocidade média passou de cerca de 16 km/h para mais de 21 km/h. Considerando exatamente 21 km/h, o crescimento é de 31,25%. Como o resultado divulgado é superior a 21 km/h, o ganho informado é de pelo menos 31%.

No Leste-Oeste, a administração municipal também informa redução entre 15 e 20 minutos no tempo de viagem ao longo dos 14 quilômetros entre os terminais Novo Mundo e Padre Pelágio.

Esses números são dados apresentados pela Prefeitura e não significam que todas as viagens terão exatamente o mesmo ganho. Tempo de percurso e velocidade variam conforme horário, demanda nas estações, condições do trânsito nos cruzamentos, operação dos ônibus e ocorrências no sistema.

NORTE-SUL TEM 17 KM ENTRE RECANTO DO BOSQUE E ISIDÓRIA

A etapa concluída nesta sexta-feira compreende os 17 quilômetros do BRT Norte-Sul entre os terminais Recanto do Bosque e Isidória.

Parte do corredor, entre o Terminal Isidória e a Praça Cívica, já estava operando com a tecnologia. Os equipamentos foram posteriormente ampliados em direção ao Recanto do Bosque até completar o trecho.

Com os 17 quilômetros do Norte-Sul e os 14 quilômetros do Leste-Oeste, a capital chega aos 31 quilômetros anunciados com prioridade semafórica nos dois eixos de BRT.

O Norte-Sul é um corredor estrutural da Rede Metropolitana de Transportes Coletivos e conecta regiões de grande concentração de viagens. Documentos técnicos da própria Prefeitura estimam demanda de aproximadamente 112 mil passageiros por dia no eixo e potencial para cerca de 120 mil com a consolidação das melhorias de infraestrutura e operação.

GANHO NÃO É APENAS PARA O TEMPO DO PASSAGEIRO

Aumentar a velocidade comercial produz efeitos que vão além de chegar mais rápido ao destino.

Quanto menos tempo um ônibus leva para completar uma viagem, maior pode ser a produtividade do mesmo veículo ao longo do dia. Em determinadas condições, uma frota consegue realizar mais viagens sem aumentar proporcionalmente o número de ônibus.

Há também reflexos potenciais sobre consumo de combustível ou energia, utilização da mão de obra, regularidade dos intervalos e desgaste provocado pelo ciclo repetitivo de aceleração e frenagem.

Isso não significa que a prioridade semafórica, isoladamente, resolva todos os problemas de um sistema de ônibus.

O desempenho continua dependendo de fatores como qualidade das faixas exclusivas, pavimento, funcionamento das estações, rapidez nos embarques e desembarques, fiscalização, quantidade adequada de veículos, manutenção da frota e regularidade da operação.

A vantagem da metronização é atuar justamente sobre uma interferência que continuava existindo mesmo onde os ônibus já tinham espaço exclusivo: o tempo perdido nos cruzamentos.

LESTE-OESTE FOI CONCLUÍDO EM AGOSTO

O BRT Leste-Oeste foi o primeiro dos dois corredores a ter o sistema concluído de ponta a ponta.

Em 21 de agosto de 2026 foram entregues os últimos cinco quilômetros entre a Praça A e o Terminal Padre Pelágio. O corredor possui 14 quilômetros entre os terminais Novo Mundo e Padre Pelágio.

Naquela etapa, o trecho final recebeu 22 semáforos integrados ao sistema e equipamentos de alimentação ininterrupta nos cruzamentos, os chamados nobreaks, destinados a manter os dispositivos funcionando diante de oscilações ou interrupções do fornecimento de energia.

Com a conclusão agora do Norte-Sul, a implantação alcança os dois BRTs de Goiânia.

ÔNIBUS GANHAM VISUAL DOS 93 ANOS DE GOIÂNIA

Além da mudança operacional, passageiros passam a encontrar nas ruas ônibus caracterizados para os 93 anos de Goiânia.

A capital foi fundada em 1933 e completa 93 anos em 24 de outubro de 2026. A adesivação especial integra a identidade comemorativa preparada para o período de aniversário da cidade.

O destaque visual ocorre num momento em que a frota da Região Metropolitana passa por uma transformação mais ampla, com renovação de veículos e entrada de tecnologias diferentes de propulsão.

O Diário do Transporte mostrou que o sistema de BRT de Goiânia já reúne ônibus convencionais, articulados e veículos de tecnologias mais recentes, inclusive elétricos e unidades movidas a biometano. A pesquisa nacional de BRTs da NTU também registra a presença dessas duas alternativas energéticas no sistema goiano.

Assim, a caracterização pelos 93 anos é temporária e comemorativa, enquanto a metronização representa uma mudança permanente na forma de administrar a circulação dos ônibus pelos corredores.

Para o passageiro, o resultado técnico esperado é bastante concreto: menos tempo parado diante dos semáforos, maior velocidade média e viagens mais regulares.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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