Plano CNT reúne R$ 2,03 trilhões em projetos e São Paulo tem a maior carteira; veja Estado por Estado corredores de ônibus, metrôs, trens e obras propostas
Publicado em: 9 de setembro de 2026
Estado paulista concentra R$ 493,7 bilhões; levantamento nacional reúne 2.837 projetos e o Diário do Transporte detalha exemplos concretos das intervenções previstas para as 27 unidades da Federação
ADAMO BAZANI
O Plano CNT de Transporte e Logística 2026 reúne 2.837 projetos e estima em aproximadamente R$ 2,03 trilhões os investimentos necessários para enfrentar gargalos de transporte no Brasil, mas as necessidades são muito diferentes de um Estado para outro. São Paulo lidera com folga a carteira, com R$ 493,7 bilhões, e o Diário do Transporte detalha nesta reportagem, Estado por Estado, o que aparece para mobilidade e infraestrutura, com atenção especial aos corredores e sistemas de prioridade para ônibus, metrôs, trens, VLTs e monotrilhos e exemplos concretos das obras que ajudam a compor esse planejamento.
No recorte urbano nacional, são 207 projetos de implantação ou adequação de sistemas de prioridade aos ônibus, que somam 2.726,83 quilômetros e cerca de R$ 87,35 bilhões, além de 83 projetos ferroviários urbanos, com 1.411,9 quilômetros e aproximadamente R$ 410,54 bilhões entre metrôs, trens, VLTs, monotrilhos, aeromóveis e recuperação de ferrovias. A carteira, entretanto, não significa que todas essas obras estejam contratadas ou tenham dinheiro garantido: há desde propostas e estudos até licitações, obras em andamento e intervenções paralisadas. E há uma diferença importante para o setor de ônibus: o Plano de 2026 não individualiza uma carteira de compra ou renovação de frota, nem permite dizer quantos ônibus elétricos, a gás ou a diesel estariam associados aos valores apresentados para os corredores.
O relatório nacional de 2026 traz, nas páginas dedicadas aos Estados, principalmente os números consolidados por categoria.
A CNT explica que a edição de 2026 partiu dos projetos não concluídos de seu Plano de 2018, que foram mantidos, atualizados ou complementados, e acrescentou empreendimentos oriundos de programas como o Novo PAC, planos nacionais e setoriais e, na mobilidade urbana, o ENMU (Estudo Nacional de Mobilidade Urbana). O levantamento foi fechado com informações disponíveis entre fevereiro e maio de 2026.
O relatório não individualiza a obra, os nomes apresentados abaixo são identificados como exemplos da carteira nominal que serviu de base para a atualização. Isso é diferente de afirmar que o projeto preservou em 2026 exatamente o mesmo traçado, custo ou estágio que possuía anteriormente.
ÔNIBUS: BRT, BRS, CORREDORES E FAIXAS EXCLUSIVAS ENTRAM NA MESMA FAMÍLIA
Para a CNT, “sistema de priorização” é uma classificação abrangente. Pode significar BRT, BRS, VLP, corredor exclusivo ou faixa exclusiva para ônibus.
Também entram como adequação obras de recuperação ou modernização de BRTs existentes, sistemas operacionais, pavimento e sinalização. O objetivo é separar ou priorizar os ônibus em relação ao trânsito geral para elevar velocidade, regularidade e capacidade do transporte coletivo.
A CNT identifica justamente a insuficiência de corredores e faixas destinadas ao transporte público como um dos problemas das cidades brasileiras, ao lado da dificuldade financeira e institucional para expandir metrôs e trens.
NORTE
RONDÔNIA: FAIXAS EXCLUSIVAS EM PORTO VELHO (RO)
Rondônia possui 15,6 quilômetros de implantação de sistemas de priorização ao transporte coletivo, estimados em R$ 241,5 milhões. A extensão é particularmente interessante porque a carteira nominal anterior da CNT já relacionava exatamente 15,6 quilômetros de faixas exclusivas para ônibus em Porto Velho (RO), além de intervenções viárias na capital. Assim, é um dos casos em que a dimensão da proposta urbana reaparece integralmente no consolidado de 2026.
O Estado não possui, na tabela atual, projeto urbano de metrô, trem ou VLT. A carteira maior é formada por rodovias, hidrovias, ferrovia de integração e terminais.
ACRE: FERROVIA TRANSCONTINENTAL, CONTORNO DE BRASILÉIA E POLO LOGÍSTICO
O Acre é uma exceção no enfoque desta reportagem porque o quadro de 2026 não relaciona corredor de ônibus ou sistema ferroviário urbano. Mas há projetos concretos de grande porte.
A plataforma da CNT relaciona a construção da Ferrovia Transcontinental entre Acrelândia (AC) e Rodrigues Alves (AC), o Contorno de Brasiléia (AC) na BR-317, intervenções na BR-364 e BR-317, o Polo Logístico de Rio Branco (AC), melhorias nos aeroportos de Tarauacá (AC) e Marechal Thaumaturgo (AC) e terminais hidroviários em diferentes municípios.
No quadro consolidado do relatório, a carteira acreana é predominantemente de integração nacional, sem projeto urbano de sistema de priorização.
AMAZONAS: PRIORIDADE PARA ÔNIBUS E PROJETO SOBRE TRILHOS EM MANAUS (AM)
O Amazonas possui 47,9 quilômetros de sistemas de priorização ao transporte coletivo, com necessidade estimada de R$ 2,89 bilhões, e 19,9 quilômetros classificados como monotrilho, VLT ou aeromóvel, avaliados em R$ 3,47 bilhões.
O exemplo concreto sobre trilhos vem de longa data na carteira da CNT: o planejamento para Manaus (AM) já relacionava um monotrilho com aproximadamente 20 quilômetros. A dimensão praticamente coincide com os 19,9 quilômetros consolidados na edição de 2026. Também já apareceram na carteira sistemas de prioridade aos ônibus de Manaus (AM), que foram ampliados e reformulados nas sucessivas versões do planejamento.
RORAIMA: FAIXAS E PRIORIDADE PARA ÔNIBUS EM BOA VISTA (RR)
Roraima aparece com 39 quilômetros de sistemas de priorização e R$ 23,7 milhões em investimentos estimados. O principal exemplo urbano da linhagem de projetos da CNT são intervenções de prioridade e faixas destinadas ao transporte coletivo em Boa Vista (RR).
Não há no quadro de 2026 metrô, trem urbano, VLT ou monotrilho para o Estado.
PARÁ: PRIORIDADE AOS ÔNIBUS E FERROVIA PARAENSE
O Pará tem 27,8 quilômetros de sistemas de priorização ao transporte coletivo, estimados em R$ 1,31 bilhão, além de dez terminais classificados como urbanos.
O PDF não discrimina nessa tabela o nome de cada corredor. Entre os empreendimentos concretos destacados pela própria CNT na carteira atual está a construção da Ferrovia Paraense, apontada pela entidade como uma das intervenções de destaque da Região Norte.
No caso dos ônibus, Belém (PA) e sua região metropolitana são o principal núcleo de projetos urbanos do Estado, mas não é tecnicamente correto transformar os 27,8 quilômetros agregados em um único corredor sem consultar cada ficha individual do painel.
AMAPÁ: SEM CORREDOR URBANO NA TABELA, MAS COM INTERVENÇÕES NA BR-156 E INFRAESTRUTURA PORTUÁRIA
O Amapá não tem projeto urbano de prioridade para ônibus ou sistema sobre trilhos na tabela estadual de 2026.
A carteira concentra-se em rodovias, porto, hidrovia, aeroporto e terminais. Entre os exemplos recorrentes da base de planejamento estão intervenções na BR-156, eixo que atende Macapá (AP), Calçoene (AP) e Oiapoque (AP), e melhorias na infraestrutura portuária ligada a Santana (AP).
O quadro atual soma projetos de adequação e pavimentação rodoviária, acessos terrestres ao porto, área portuária e terminais.
TOCANTINS: BRT PALMAS NORTE E BRT PALMAS SUL AJUDAM A EXPLICAR OS 30,4 KM
O Tocantins possui 30,4 quilômetros de implantação de sistemas de prioridade aos ônibus, avaliados em R$ 911,3 milhões.
Na base nominal da CNT aparecem dois projetos muito claros em Palmas (TO): o BRT Palmas Norte, com aproximadamente 14,9 quilômetros, e o BRT Palmas Sul, com cerca de 15,5 quilômetros. Somados, chegam justamente a aproximadamente 30,4 quilômetros, dimensão apresentada pelo relatório de 2026.
Além disso, a nova carteira inclui 15 quilômetros de corredor urbano aquaviário, estimados em R$ 23,3 milhões.
NORDESTE
MARANHÃO: CORREDOR SÃO LUÍS–RAPOSA E BRT PARA PAÇO DO LUMIAR
O Maranhão soma 51,2 quilômetros em projetos de priorização dos ônibus, com R$ 2,03 bilhões.
Entre os exemplos concretos da carteira que originou a atualização estão o corredor exclusivo pela Avenida Metropolitana entre São Luís (MA) e Raposa (MA), originalmente projetado com 26,5 quilômetros, e o BRT Metropolitano entre São Luís (MA) e Paço do Lumiar (MA), com 7,2 quilômetros na configuração anterior.
A soma atual de 51,2 quilômetros mostra que a carteira de 2026 é maior que esses dois projetos originais, indicando inclusão, ampliação ou atualização de intervenções.
PIAUÍ: CORREDORES EM TERESINA (PI) E RECUPERAÇÃO FERROVIÁRIA URBANA
O Piauí tem 51,6 quilômetros de sistemas de priorização, com R$ 1,36 bilhão, além de 2,5 quilômetros classificados como metrô ou trem urbano e 13,5 quilômetros de recuperação ferroviária urbana.
Na trajetória da carteira de Teresina (PI) já aparecem corredores como Norte II, Sul I, Leste–Sudeste e ligações estruturais entre as zonas Norte e Leste, além de intervenções no sistema ferroviário urbano. Assim, os projetos sobre pneus e a recuperação dos trilhos da capital continuam sendo os dois grandes eixos de mobilidade contemplados pelo Plano.
CEARÁ: CORREDORES DE FORTALEZA (CE), METRÔ E VLT
O Ceará apresenta uma das carteiras urbanas mais diversificadas: são 6,3 quilômetros de adequação de sistemas de prioridade, por R$ 319,8 milhões, e 36,8 quilômetros de novas implantações, por R$ 2,05 bilhões.
Nos trilhos, aparecem 12,4 quilômetros de metrô ou trem urbano, com R$ 5,89 bilhões, 8,9 quilômetros de VLT, monotrilho ou aeromóvel, por R$ 1,25 bilhão, e 19,5 quilômetros de recuperação ferroviária urbana, com R$ 6,89 bilhões.
Na carteira de projetos de Fortaleza (CE), os exemplos incluem corredores estruturais de ônibus em eixos como Perimetral/Juscelino Kubitschek e outras avenidas de grande fluxo, além da expansão e modernização das linhas do Metrofor e dos VLTs metropolitanos. O desenho individual mudou ao longo dos planejamentos, mas a versão 2026 mantém claramente tanto a prioridade ao ônibus quanto a ampliação dos trilhos.
RIO GRANDE DO NORTE: BRT E CORREDORES NA GRANDE NATAL
O Rio Grande do Norte tem 88,4 quilômetros de sistemas de priorização, estimados em R$ 2,63 bilhões.
A carteira nominal anterior já previa implantação de BRT e corredores estruturantes na Região Metropolitana de Natal (RN). A dimensão consolidada de 2026 é significativamente maior do que algumas propostas iniciais, mostrando que o planejamento foi ampliado.
Não há, no quadro estadual atual, uma nova linha de metrô ou trem urbano classificada como construção.
PARAÍBA: BRT DE JOÃO PESSOA (PB) É EXEMPLO DE UMA CARTEIRA DE 116,1 KM
A Paraíba apresenta 116,1 quilômetros de implantação de sistemas de prioridade ao transporte coletivo, no valor estimado de R$ 2,19 bilhões.
Um dos exemplos concretos que já compunham a carteira é o sistema de BRT de João Pessoa (PB), inicialmente estruturado em vários eixos da capital e de sua área de influência.
A edição atual não registra construção de metrô ou trem urbano no Estado, concentrando o componente de mobilidade coletiva nos corredores sobre pneus.
PERNAMBUCO: CORREDORES DO GRANDE RECIFE E MODERNIZAÇÃO DO SISTEMA SOBRE TRILHOS
Pernambuco soma 104,6 quilômetros de sistemas de prioridade para ônibus, com R$ 4,34 bilhões. Há ainda 87,8 quilômetros na categoria de VLT, monotrilho ou aeromóvel, estimados em R$ 11,37 bilhões.
Entre os exemplos históricos da carteira aparecem o Corredor III Perimetral, o Corredor Radial Sul, o BRT da Avenida Norte/Miguel Arraes, o Corredor IV Perimetral entre Abreu e Lima (PE) e Jaboatão dos Guararapes (PE) e intervenções na Avenida Agamenon Magalhães.
A própria apresentação do Plano CNT de 2026 voltou a citar a Região Metropolitana do Recife (PE) entre as áreas contempladas e relacionou os investimentos à modernização do sistema metroferroviário e a corredores com potencial para BRT ou VLT.
ALAGOAS: 23,8 KM SOBRE TRILHOS COINCIDEM COM EIXOS HISTÓRICOS DE MACEIÓ (AL) E RIO LARGO (AL)
Alagoas tem 2,6 quilômetros de adequação e 39,8 quilômetros de implantação de sistemas para priorizar ônibus.
Nos trilhos, a carteira atual aponta 23,8 quilômetros de VLT, monotrilho ou aeromóvel, estimados em R$ 2,30 bilhões.
A dimensão chama atenção porque a carteira ferroviária urbana alagoana historicamente contempla a ligação de Maceió (AL) com Rio Largo (AL), além de intervenções no próprio sistema urbano da capital. É um exemplo em que o transporte sobre trilhos permanece como uma das soluções estruturantes do Estado.
SERGIPE: SEM NOVO CORREDOR URBANO NA TABELA, MAS COM RECUPERAÇÃO FERROVIÁRIA
Sergipe não possui sistema de priorização aos ônibus classificado como projeto urbano na tabela de 2026, nem construção de metrô, VLT ou trem urbano.
Há, entretanto, 40 quilômetros de recuperação ferroviária. A dimensão coincide com um projeto que já aparecia nominalmente na carteira da CNT para recuperação do trecho ferroviário entre São Cristóvão (SE) e Laranjeiras (SE).
O Estado também possui intervenções rodoviárias, aeroportuárias e de terminal.
BAHIA: CORREDORES DE SALVADOR (BA), METRÔ E UMA GRANDE CARTEIRA DE VLT
A Bahia tem 20,4 quilômetros de sistemas de priorização aos ônibus, estimados em R$ 671,7 milhões, além de 12,4 quilômetros de adequação de vias urbanas.
Nos trilhos, são três quilômetros classificados como metrô ou trem urbano e nada menos que 100,9 quilômetros de VLT, monotrilho ou aeromóvel, com R$ 9,53 bilhões.
Entre os exemplos concretos que ajudam a entender esta carteira estão os corredores estruturantes de Salvador (BA) e a transformação do antigo eixo ferroviário do Subúrbio em sistema de VLT, além de ampliações e integrações da rede sobre trilhos da Região Metropolitana de Salvador (BA). O projeto do Subúrbio passou por diferentes configurações ao longo dos anos e, por isso, o valor agregado atual não deve ser confundido com o custo de uma única obra.
SUDESTE
MINAS GERAIS: BRTs EM BELO HORIZONTE (MG), EXPANSÃO DO METRÔ E 363,7 KM DE PRIORIDADE AOS ÔNIBUS
Minas Gerais possui 363,7 quilômetros de sistemas de priorização, com R$ 8,08 bilhões, uma das maiores extensões do país.
Entre as referências concretas estão expansões dos corredores do Move e novos eixos de BRT na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG), como intervenções no eixo da Avenida Amazonas, além de corredores e sistemas de transporte coletivo previstos em cidades do interior.
Nos trilhos, a carteira é ainda mais expressiva: 93 quilômetros de metrô ou trem urbano, estimados em R$ 68,97 bilhões, e outros 69 quilômetros de VLT, monotrilho ou aeromóvel, por R$ 7,81 bilhões. Entre os projetos relacionados a esse conjunto estão expansões da rede metroviária de Belo Horizonte (MG) e novas ligações metropolitanas.
O Estado também concentra 425,6 quilômetros de TAV, avaliados em R$ 42,69 bilhões.
ESPÍRITO SANTO: CORREDORES NA GRANDE VITÓRIA
O Espírito Santo possui 86,2 quilômetros de sistemas de prioridade para o transporte coletivo, estimados em R$ 4,82 bilhões.
A Região Metropolitana da Grande Vitória é o foco evidente dessa carteira. Entre os exemplos atuais de infraestrutura dedicada ao ônibus está o eixo ExpressoGV na Avenida Carlos Lindenberg, entre Vila Velha (ES) e Cariacica (ES), além de outros corredores estruturantes da rede metropolitana.
O quadro da CNT não apresenta construção de metrô, trem urbano ou VLT no Estado.
RIO DE JANEIRO: BRTs, VLT, METRÔ E TAV RIO–SÃO PAULO
O Rio de Janeiro possui 175,5 quilômetros de sistemas de prioridade ao ônibus, estimados em R$ 6,91 bilhões.
O Estado já tem uma rede importante de corredores BRT, e a carteira de planejamento historicamente reúne ampliações e adequações de eixos como TransBrasil, TransOeste e TransCarioca, além de novas ligações estruturais.
Nos trilhos urbanos, o Plano de 2026 reserva 21,8 quilômetros para metrô ou trem, por R$ 14,77 bilhões, e 70,7 quilômetros para VLT, monotrilho ou aeromóvel, por R$ 17,39 bilhões. Há ainda 72,9 quilômetros de recuperação ferroviária urbana.
Um projeto nominal confirmado entre os destaques da carteira atual é o Trem de Alta Velocidade Rio de Janeiro (RJ)–São Paulo (SP), que atravessa os dois Estados. A CNT atribui 189,7 quilômetros e R$ 27,63 bilhões ao trecho contabilizado no Rio de Janeiro.
SÃO PAULO: R$ 493,7 BILHÕES, BRT RADIAL LESTE, NOVAS LINHAS DE METRÔ E TAV
São Paulo possui a maior carteira estadual do Plano CNT de Transporte e Logística 2026: aproximadamente R$ 493,7 bilhões.
Só para sistemas de prioridade aos ônibus são 430,93 quilômetros, estimados em R$ 9,62 bilhões. Entre os exemplos concretos desse tipo de intervenção está o BRT Radial Leste, na capital paulista, projeto que voltou a receber encaminhamentos de financiamento em 2026. Também fazem parte da trajetória de planejamento corredores como Aricanduva, Leste–Itaquera e ligações metropolitanas para Guarulhos (SP) e outras áreas da Grande São Paulo.
Nos trilhos urbanos, o volume é ainda maior: 269 quilômetros de metrô ou trem, estimados em R$ 173,25 bilhões, 170,3 quilômetros de monotrilho, VLT ou aeromóvel, por R$ 20,76 bilhões, e 35,2 quilômetros de recuperação ferroviária urbana.
Entre as obras e projetos que se encaixam nesta agenda estão a extensão da Linha 4-Amarela até Taboão da Serra (SP), a expansão da Linha 2-Verde, projetos de novas linhas como a 19-Celeste e a 20-Rosa e ampliações da malha de trens metropolitanos. A carteira histórica da CNT já relacionava várias dessas ligações ou eixos equivalentes, embora traçados e estágios tenham sido atualizados ao longo dos anos.
Há ainda um empreendimento de escala nacional: o TAV entre São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ). Para São Paulo, o Plano contabiliza 849,6 quilômetros associados à categoria de Trem de Alta Velocidade e R$ 96,02 bilhões. A CNT destacou nominalmente o TAV Rio–São Paulo entre os principais projetos do Sudeste.
A carteira paulista inclui ainda adequação de 37 estações, por R$ 1,04 bilhão, e quatro terminais urbanos, por R$ 1,16 bilhão.
SUL
PARANÁ: BRTs DE CURITIBA (PR) E PROJETO METROFERROVIÁRIO
O Paraná possui 23,7 quilômetros de adequação de sistemas de prioridade existentes e 115,1 quilômetros de novas implantações, que juntos representam aproximadamente R$ 4,57 bilhões.
A carteira nominal historicamente inclui intervenções na Rede Integrada de Transporte de Curitiba (PR), como modernizações dos corredores BRT, o eixo Leste–Oeste, Linha Verde, Inter 2 e outras ligações estruturais.
Nos trilhos, a versão 2026 apresenta 20,4 quilômetros de metrô ou trem urbano, com R$ 17,08 bilhões. Há ainda 91,4 quilômetros de TAV, com R$ 9,08 bilhões.
SANTA CATARINA: CORREDORES DE BLUMENAU (SC), JOINVILLE (SC) E 139,2 KM DE PRIORIDADE
Santa Catarina possui 139,2 quilômetros de sistemas de priorização, estimados em R$ 4,17 bilhões.
Entre os exemplos concretos que já integram a linhagem de planejamento estão os corredores estruturais Norte e Sul de Blumenau (SC). Outros projetos de prioridade vêm sendo desenvolvidos em Joinville (SC) e Florianópolis (SC), cidades que concentram boa parte da demanda urbana estadual.
Não há construção de metrô, trem urbano, VLT ou monotrilho na tabela estadual de 2026.
RIO GRANDE DO SUL: CORREDORES DE PORTO ALEGRE (RS), METRÔ/TREM E AEROMÓVEL OU VLT
O Rio Grande do Sul reúne R$ 125,8 bilhões na carteira geral.
São 271,3 quilômetros de sistemas de prioridade ao transporte coletivo, estimados em R$ 10,19 bilhões. A carteira nominal anterior já relacionava corredores em Porto Alegre (RS) em eixos como Protásio Alves, Bento Gonçalves, João Pessoa, Voluntários da Pátria e Padre Cacique/Edvaldo Pereira Paiva, além de sistemas estruturais em outras cidades, como Santa Maria (RS) e Pelotas (RS).
Nos trilhos, são 21,4 quilômetros de metrô ou trem urbano, com R$ 14,38 bilhões, 18 quilômetros de VLT, monotrilho ou aeromóvel, estimados em R$ 3,31 bilhões, e 44,6 quilômetros de recuperação ferroviária urbana.
A carteira, portanto, comporta tanto a ampliação e modernização do sistema metropolitano de Porto Alegre (RS) quanto alternativas de média capacidade sobre trilhos ou tecnologias semelhantes.
CENTRO-OESTE
MATO GROSSO DO SUL: CORREDORES EM CAMPO GRANDE (MS)
Mato Grosso do Sul possui 32,9 quilômetros de implantação de sistemas de prioridade ao transporte coletivo, avaliados em R$ 541,4 milhões.
A principal referência urbana é Campo Grande (MS), que já teve diferentes corredores estruturantes incluídos na carteira de mobilidade, entre eles intervenções no eixo Sudoeste.
O Plano não apresenta nova linha de metrô, VLT ou trem urbano, mas inclui dois terminais urbanos, com R$ 303,2 milhões.
MATO GROSSO: 71,9 KM DE PRIORIDADE PARA ÔNIBUS E FERROGRÃO NA CARTEIRA MAIOR
Mato Grosso possui 71,9 quilômetros de sistemas de prioridade ao transporte coletivo, estimados em R$ 832,3 milhões.
Na carteira nominal anterior de Cuiabá (MT), já apareceram propostas como BRT no eixo da Avenida Dante de Oliveira e sistemas BRS. O consolidado de 2026 é maior, com 71,9 quilômetros, mas não apresenta projeto urbano de metrô, VLT ou trem na tabela atual.
Na infraestrutura de integração nacional, um exemplo concreto destacado pela própria CNT para o Centro-Oeste é a Ferrogrão.
GOIÁS: 164,7 KM DE CORREDORES E RECUPERAÇÃO FERROVIÁRIA NO EIXO DO ENTORNO
Goiás aparece com 164,7 quilômetros de sistemas de priorização, estimados em R$ 5,93 bilhões.
Entre os exemplos estão corredores estruturantes de Goiânia (GO) e da Região Metropolitana, além de ligações de ônibus de maior capacidade na região do Entorno do Distrito Federal.
A tabela também chama atenção para 35,7 quilômetros de recuperação ferroviária urbana, com R$ 3,71 bilhões. A extensão está associada à trajetória de estudos para utilização de infraestrutura ferroviária no transporte de passageiros no eixo entre municípios do Entorno, como Valparaíso de Goiás (GO) e Luziânia (GO).
Fora da mobilidade urbana, a CNT cita como exemplo concreto da carteira regional a construção de uma plataforma logística em Anápolis (GO).
DISTRITO FEDERAL: BRT SUL, NOVOS EIXOS DE ÔNIBUS, METRÔ E VLT
O Distrito Federal apresenta uma das maiores concentrações de projetos urbanos do Centro-Oeste.
São 173,2 quilômetros de sistemas de prioridade ao transporte coletivo, estimados em R$ 9,29 bilhões. A linhagem de planejamento inclui o BRT Sul e expansões dos sistemas de alta capacidade para os eixos Oeste, Norte e Sudoeste, além das conexões com as cidades do Entorno.
Nos trilhos, a CNT contabiliza 14,2 quilômetros de metrô ou trem urbano, por R$ 6,93 bilhões; 123,2 quilômetros de VLT, monotrilho ou aeromóvel, por R$ 11,27 bilhões; e 40,3 quilômetros de recuperação ferroviária urbana, estimados em R$ 4,19 bilhões.
Entre os projetos que ajudam a explicar essa carteira estão expansões do Metrô-DF, o VLT no eixo Aeroporto–Plano Piloto/W3 e estudos de utilização de linhas ferroviárias para passageiros entre Brasília (DF) e o Entorno.
FROTAS: R$ 87 BILHÕES EM CORREDORES NÃO SIGNIFICAM R$ 87 BILHÕES EM ÔNIBUS
Há uma distinção essencial para o mercado fabricante e para as empresas operadoras.
O Plano CNT de Transporte e Logística 2026 não separa, dentro dos R$ 87,35 bilhões relacionados à prioridade aos ônibus, quanto seria destinado à aquisição de veículos. O relatório não apresenta uma categoria nacional própria de “renovação de frota”, “aquisição de ônibus” ou “ônibus elétricos”.
Assim, um BRT de R$ 1 bilhão pode exigir novos ônibus articulados, elétricos ou convencionais para funcionar, mas não é possível assumir que o valor dos veículos esteja incluído no número do Plano sem verificar a ficha de cada empreendimento.
A discussão sobre frota aparece de maneira mais ampla na agenda do setor. Na apresentação do Plano durante a LAT.BUS, a CNT tratou da modernização do transporte coletivo e da necessidade de financiamento; paralelamente, programas públicos como Novo PAC e Refrota vêm financiando ônibus de baixa emissão. Mas essas compras não podem ser somadas automaticamente aos valores de infraestrutura desta carteira.
SÃO PAULO CONCENTRA QUASE UM QUARTO DO VALOR DA CARTEIRA
O peso de São Paulo no Plano fica evidente ao comparar os valores. Dos aproximadamente R$ 2,03 trilhões de todo o país, R$ 493,7 bilhões estão associados a projetos que alcançam o Estado paulista — cerca de um quarto do montante nacional.
São 232 Projetos de Integração Nacional e 80 Projetos Urbanos. Nos trilhos, somando TAV, novas ferrovias, metrôs, trens metropolitanos, VLTs, monotrilhos e recuperação, a necessidade de recursos supera com folga a destinada às intervenções rodoviárias estaduais.
Isso não significa, porém, que São Paulo receberá R$ 493,7 bilhões. Assim como no restante do país, o Plano é uma carteira de necessidades e oportunidades de investimento, e não uma autorização orçamentária.
A CNT afirma que o objetivo é oferecer ao poder público e à iniciativa privada um planejamento de longo prazo. Segundo a diretora executiva Fernanda Rezende, a análise regional permite identificar onde estão as oportunidades de investimento e quais intervenções podem reduzir custos, aumentar a eficiência e melhorar a integração entre os mercados.
No caso da mobilidade cotidiana, o diagnóstico deixa dois desafios particularmente evidentes: o Brasil ainda precisa multiplicar a infraestrutura que permita aos ônibus escapar dos congestionamentos e, simultaneamente, encontrar recursos de longo prazo para expandir redes de metrô e trens que custam dezenas ou centenas de bilhões de reais.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
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