Desapropriações da Ponte Graúna-Gaivotas, na Zona Sul de São Paulo, recebem mais R$ 262 mil
Publicado em: 2 de setembro de 2026
Valores publicados nesta quarta-feira (2) são depósitos para pedidos de imissão na posse; obra contratada por R$ 347,5 milhões prevê ponte de 960 metros sobre a Billings, prioridade para ônibus, ciclovia e ligação entre Grajaú e Cidade Dutra
ADAMO BAZANI
A Prefeitura de São Paulo autorizou dois depósitos que somam R$ 262.001,10 para avançar na obtenção de imóveis necessários à implantação do sistema viário Cocaia e da Ponte Graúna-Gaivotas, na zona sul. Os atos publicados no Diário Oficial desta quarta-feira, 2 de setembro de 2026, permitem empenhos de R$ 155.736,10 e R$ 106.265 para ofertas judiciais destinadas à imissão na posse das áreas.
As desapropriações fazem parte de uma obra de grande porte já em execução entre Grajaú e Cidade Dutra. O contrato principal, assinado com a Construtora A. Gaspar, é de R$ 347,499 milhões e tem vigência de 39 meses. O projeto inclui uma ponte de 960 metros sobre o Braço do Cocaia, na Represa Billings, intervenções viárias, prioridade ao transporte coletivo, ciclovia e infraestrutura para pedestres. A Prefeitura estima atendimento direto a cerca de um milhão de pessoas.
R$ 262 mil são depósitos judiciais e não o custo total das desapropriações
O primeiro despacho autoriza R$ 155.736,10 para depósito da oferta relacionada a um imóvel necessário ao melhoramento público denominado “Viário Cocaia – Ponte Graúna Gaivotas”.
O segundo libera outros R$ 106.265 para a mesma finalidade. Os dois atos foram assinados em 1º de setembro e publicados nesta quarta-feira.
Os valores não representam o custo total das desapropriações nem necessariamente a indenização definitiva dos proprietários. São depósitos das ofertas apresentados pela Prefeitura nas ações expropriatórias para possibilitar o pedido de imissão na posse, etapa que permite o avanço sobre áreas necessárias ao empreendimento enquanto as ações seguem seus trâmites.
Os dois processos judiciais tramitam na 12ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo.
Contrato das obras é de R$ 347,5 milhões
A execução da Ponte Graúna-Gaivotas e de seus acessos foi contratada pela Prefeitura com a Construtora A. Gaspar S/A.
O contrato foi assinado em 14 de maio de 2025, publicado cinco dias depois e tem vigência de 39 meses a partir de 2 de junho daquele ano. O valor contratado é de R$ 347.499.111.
Na fase de licitação, em 2024, a Prefeitura havia divulgado uma estimativa de investimento de R$ 450 milhões. O número, portanto, correspondia à estimativa anterior ao resultado da contratação e não deve ser confundido com os R$ 347,5 milhões do contrato efetivamente celebrado para as obras.
Uma prestação de contas parcial da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras, referente a abril de 2026, classifica a Ponte Graúna-Gaivotas como “em execução”, informa início em maio de 2025 e previsão de término em maio de 2028. Naquele demonstrativo, haviam sido empenhados R$ 36,61 milhões e pagos R$ 26,25 milhões.
Além do contrato de construção, há despesas separadas relacionadas à fiscalização e assistência técnica das obras. Em maio de 2026, por exemplo, a Prefeitura formalizou um contrato de R$ 34,75 milhões para serviços técnicos especializados de apoio à fiscalização.
Ponte terá 960 metros sobre a Represa Billings
O projeto atual prevê uma ponte de 960 metros sobre o Braço do Cocaia, na Represa Billings.
A estrutura deverá contar com duas faixas de circulação em cada sentido, além de ciclovia, iluminação e passeios para pedestres. O empreendimento inclui ainda a implantação e requalificação do sistema viário nos acessos.
O estudo técnico da contratação também prevê faixa preferencial para ônibus, além da ciclovia e do passeio para pedestres.
O traçado envolve a região das avenidas Lourenço Cabreira e Manuel Alves Soares, Praça Ramires Ferreira, Estrada Canal da Cocaia, Rua Rubens de Oliveira e Rua Pedro Escobar até a Avenida Dona Belmira Marin.
Objetivo é criar nova ligação e aliviar a Dona Belmira Marin
A obra pretende criar uma alternativa de deslocamento numa região em que grande parte das viagens depende atualmente da Avenida Dona Belmira Marin.
Segundo a Prefeitura, a nova ligação deverá beneficiar Jardim das Gaivotas, Chácara das Gaivotas, Parque Cocaia, Jardim Toca e Cantinho do Céu e melhorar o acesso da população do extremo sul às regiões mais centrais.
Para o transporte coletivo, o projeto tem uma função que vai além da própria travessia da Billings. O sistema viário foi planejado para se articular com corredores e faixas de ônibus das avenidas Teotônio Vilela, Atlântica, Olívia Guedes Penteado, Interlagos, Nossa Senhora de Sabará e Dona Belmira Marin, além do Terminal Grajaú e da Linha 9-Esmeralda.
É justamente neste contexto que os dois novos depósitos publicados nesta quarta-feira ganham importância: são etapas patrimoniais necessárias para liberar áreas e permitir a continuidade da implantação do novo eixo viário.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


