BYD vai apresentar SkyShuttle, transporte sobre trilhos só com baterias, como adiantado pelo Diário do Transporte
Publicado em: 1 de setembro de 2026
Novidade será destaque da marca na Semana de Tecnologia Metroferroviária 2026, que acontece em São Paulo entre 1º e 4 de setembro. Experiência do monotrilho da Linha 17-Ouro também é tema da fabricante
ADAMO BAZANI
Um sistema leve sobre trilhos, mais flexível e que não depende de infraestrutura de trajeto para alimentação elétrica, tendo baterias.
O sistema é uma das apostas da divisão de trilhos da BYD e será um dos destaques da marca na Semana de Tecnologia Metroferroviária 2026, que acontece em São Paulo entre 1º e 4 de setembro no Nikkey Palace Hotel (Rua Galvão Bueno, 425, Liberdade, São Paulo – SP). A programação oficial da 32ª edição confirma os quatro dias de evento.
A novidade foi adiantada pelo Diário do Transporte, em 15 de junho de 2026, em entrevista do diretor-técnico da BYD, Alexandre Barbosa. Na ocasião, durante a Conferência de Cooperação Econômica e Comercial 2026 China (Shenzhen) – Brasil (São Paulo), o executivo também falou dos planos da marca de ampliar a oferta de tecnologia e equipamentos para sinalização e controle de trens.
Relembre:
Em termos simples, o BYD SkyShuttle é uma espécie de “metrô leve elevado sobre pneus”. Em vez de o veículo andar sobre trilhos de aço como um metrô ou VLT tradicional, ele usa rodas de borracha e circula por uma via exclusiva, normalmente construída em elevado. O sistema é elétrico, automatizado e foi pensado principalmente para trajetos de média ou menor demanda, como ligações entre bairros, estações, aeroportos, centros empresariais ou como alimentador de sistemas de metrô e trem. É importante não confundir o SkyShuttle com o SkyRail da própria BYD. O SkyRail é efetivamente um monotrilho do tipo straddle, de maior carregamento. Já o SkyShuttle é um sistema mais leve e de menor capacidade. A própria BYD classifica mundialmente o SkyRail como uma solução de média capacidade e o SkyShuttle como uma alternativa de menor capacidade, destinada também a ramais, conexões com grandes sistemas de transporte, grandes conjuntos urbanos e áreas em que uma infraestrutura mais pesada pode não ser necessária.
A experiência do monotrilho da Linha 17-Ouro também é tema da fabricante.
BYD quer mostrar atuação que vai além de carros e ônibus elétricos
Embora seja mais conhecida no Brasil atualmente pelos automóveis e ônibus elétricos, a BYD possui uma divisão específica de sistemas de transporte guiado e vem tentando ampliar essa presença no mercado brasileiro e latino-americano.
O portfólio é baseado principalmente em duas famílias. O SkyRail é o sistema de monotrilho de média capacidade, com veículos sobre pneus que se apoiam e são guiados por uma viga elevada. Já o SkyShuttle foi concebido como uma solução mais leve, automatizada e de menor capacidade, para complementar redes estruturais e atender corredores em que a demanda não justificaria necessariamente um metrô pesado.
Segundo a própria fabricante, sua atuação no segmento não se restringe ao fornecimento dos veículos. A companhia diz deter tecnologias relacionadas aos trens, aparelhos de mudança de via, vigas-guia, sistemas automáticos de controle da circulação, bogies, acoplamento entre carros e outros componentes necessários à implantação e operação dos sistemas.
Essa característica é relevante para os planos que a empresa vem apresentando para o Brasil. Além de oferecer SkyRail e SkyShuttle, a BYD pretende disputar espaço em equipamentos e sistemas que podem ser aplicados também a projetos ferroviários convencionais, como sinalização, controle e gerenciamento da circulação.
Na entrevista publicada pelo Diário do Transporte em junho, Alexandre Barbosa já havia explicado que a estratégia não estaria limitada aos sistemas de monotrilho ou people mover. A intenção é aumentar a participação em diferentes componentes tecnológicos de projetos metroferroviários, inclusive de trens de maior capacidade.
Linha 17-Ouro tornou-se a principal vitrine ferroviária da BYD no Brasil
É justamente a Linha 17-Ouro do Metrô de São Paulo que representa hoje a principal aplicação da divisão ferroviária da BYD no País.
A companhia forneceu os 14 trens destinados ao trecho implantado e participa de uma série de sistemas associados à operação, incluindo portas de plataforma, alimentação elétrica, aparelhos de mudança de via e tecnologias relacionadas ao Centro de Controle Operacional. O trabalho também envolveu etapas de instalação, integração entre equipamentos, testes e certificações.
O monotrilho utiliza tecnologia diferente do SkyShuttle. Na Linha 17, os trens circulam sobre pneus em uma viga de concreto elevada, no sistema conhecido como straddle monorail, no qual o veículo se apoia sobre a viga e é guiado lateralmente.
A Linha 17-Ouro está atualmente em operação transitória, de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h, ainda sem cobrança de tarifa, segundo o Metrô de São Paulo. O trecho conta com oito estações, entre Morumbi e Washington Luís, passando pelo Aeroporto de Congonhas e permitindo integração com outros sistemas de transporte da capital paulista.
O próprio Metrô define o monotrilho como um sistema de média capacidade, operado sobre pneus em via elevada e com tecnologia driverless, ou seja, sem a necessidade de condutor dentro do trem.
Para a BYD, a entrada em operação permite agora levar à discussão do setor não apenas uma proposta tecnológica, mas a experiência acumulada desde as etapas de projeto e implantação até testes, integração e funcionamento efetivo do sistema.
BYD terá duas apresentações durante a Semana Metroferroviária
A fabricante programou duas apresentações técnicas para a 32ª Semana de Tecnologia Metroferroviária.
A primeira, “Tecnologia BYD SkyShuttle: conectando cidades ao futuro”, está prevista para 2 de setembro, às 14h50, e será apresentada por Luan Meneses, gerente de Novos Negócios da BYD SkyRail.
De acordo com o material divulgado pela companhia, a apresentação vai detalhar como o SkyShuttle pode ser utilizado em trajetos que necessitam de sistemas mais flexíveis e integráveis à infraestrutura urbana existente.
No dia seguinte, 3 de setembro, também às 14h50, José Junior, gerente de Material Rodante da BYD SkyRail, participa da palestra “Da implantação à operação: a tecnologia por trás da Linha 17-Ouro”.
A proposta é apresentar aspectos técnicos e a experiência acumulada durante a implantação do monotrilho paulistano.
SkyRail, SkyShuttle, trens e sistemas: veja onde a BYD atua no transporte coletivo
A presença da BYD no transporte público é, portanto, mais abrangente do que a fabricação de ônibus elétricos.
No segmento metroferroviário e de transporte guiado, a empresa possui o SkyRail, de média capacidade; o SkyShuttle, de menor capacidade; material rodante; aparelhos de mudança de via; sistemas de controle automático; alimentação elétrica; portas de plataforma; tecnologias de controle operacional e componentes de infraestrutura dos sistemas guiados.
No SkyRail, a BYD informa que desenvolve o conjunto completo do sistema, incluindo veículos, estruturas de via, estações e sistemas de comunicação. A fabricante indica capacidade de aproximadamente 10 mil a 30 mil passageiros por hora e sentido para essa família, dependendo da configuração do projeto.
Já o SkyShuttle ocupa uma faixa inferior de demanda. A própria empresa o apresenta internacionalmente como alternativa para ramais de grandes cidades, ligações com terminais de transporte, grandes conjuntos residenciais, áreas de renovação urbana e outras situações nas quais sistemas de menor porte podem fazer a conexão com redes estruturais. Entre as características divulgadas estão operação automatizada, baixo consumo de energia e menor nível de ruído.
Além dos sistemas ferroviários, a BYD mantém no Brasil atividades relacionadas a chassis de ônibus elétricos, baterias, veículos de passeio eletrificados, módulos fotovoltaicos e armazenamento de energia. O release da empresa destaca justamente essa combinação entre eletrificação, baterias, veículos e soluções sobre trilhos como parte da estratégia de ampliar sua atuação em mobilidade.
A apresentação do SkyShuttle em São Paulo, portanto, ocorre em um momento no qual a fabricante tenta transformar a experiência adquirida com a Linha 17-Ouro em porta de entrada para uma atuação mais ampla no mercado metroferroviário brasileiro, tanto com novos sistemas completos de transporte como com equipamentos, sinalização, controle e componentes tecnológicos para outras redes.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


