Eletromobilidade

ENTREVISTA: BYD vai investir em People Mover e sinalização de trens pesados no Brasil e nos vizinhos da América Latina

Diretor-técnico da empresa, Alexandre Barbosa, a Adamo Bazani, revelou ainda que último trem do monotrilho da linha 17 -Ouro chega ao Brasil no dia 11 de julho de 2026

ADAMO BAZANI / VINÍCIUS DE OLIVEIRA

A experiência da BYD no monotrilho da linha 17-Ouro, na região do Aeroporto de Congonhas, na zona Sul da capital paulista, vai dar outros frutos para o segmento metroferroviário da empresa no Brasil e na América Latina.

Quem garante é o diretor-técnico da BYD, Alexandre Barbosa, em conversa com o editor-chefe e criador do Diário do Transporte, Adamo Bazani, na tarde desta segunda-feira, 15 de junho de 2026.

Além dos próprios monotrilhos, a empresa já desenvolve para outros estados propostas como sistemas de “aeromóveis”, denominados pela marca de SkyShuttle, com o diferencial de serem 100% a bateria, o que segundo Barbosa, reduz de forma significativa os custos de implantação e manutenção de infraestruturas mais complexas.

Segundo o executivo, tais sistemas não precisam ser destinados necessariamente a pequenas trajetos, como em aeroportos, mas também esta é uma das indicações.

Outra aposta da marca para o Brasil e os vizinhos da América Latina são os sistemas de sinalização e controle de trens e metrôs pesados de alta capacidade.

O executivo ainda revelou que o último trem do monotrilho da linha 17-Ouro chega ao Porto de Santos no dia 11 de julho de 2026, completando assim toda a frota.

A entrevista ocorreu na Conferência de Cooperação Econômica e Comercial 2026 China (Shenzhen)-Brasil (São Paulo), que ocorre na sede paulista da BYD.

Acompanhe na íntegra:

ADAMO BAZANI: O Diário do Transporte está aqui nesse evento especial com a participação do Governo Brasileiro, Governo de São Paulo, Governo Chinês e da BYD nessa conferência especial que acontece nesta segunda-feira na capital paulista e nosso contato é com o diretor técnico da BYD vai contar pra gente sobre monotrilho, primeiro, linha 17, falta ainda um trem?

ALEXANDRE BARBOSA: Falta um trem, nosso último trem chega agora no dia 11 de julho no Porto de Santos e, aparentemente, em 15 dias entregamos ele no pátio de Águas Espraiadas.

ADAMO BAZANI: 11 de julho, portanto, é a previsão de chegar aqui no Brasil, em torno de 15 dias. Como está sendo a experiência da BYD com o monotrilho aqui na América Latina? Quais são as lições de São Paulo?

ALEXANDRE BARBOSA: Olha, São Paulo, a gente entende que é um dos metrôs mais importantes do mundo. Um metrô com uma característica técnica muito importante. Estamos implementando um sistema que está sendo operado de forma muito satisfatória. Poucas fases, tivemos uma operação muito boa até agora. Estamos seguindo para as próximas fases, temos mais duas fases. Inauguramos a estação Washington Luiz e mais fazer o carrossel, de acordo com o nosso contrato. Então, essa é a nossa meta para entregar para o Metrô. Além disso, estamos visando, acho que o metrô da linha 17 foi um metrô que deu uma visibilidade muito grande para o modal. Então, nós implementamos, é um trem bonito, um trem que se adaptou muito bem ao paisagismo da cidade. São Paulo é uma região muito próxima e agora a gente está com outros projetos na América Latina, buscando, desenvolvendo, mostrando a importância desse sistema.

ADAMO BAZANI: Projeto Brasil e América Latina, não é só o monotrilho como a gente conhece, né? Tem a questão também do shuttle.

ALEXANDRE BARBOSA: Nós temos o shuttle, a BYD tem dois modelos de negócios. Nós temos o Skyrail, que é o monotrilho e nós temos o SkyShuttle, que a gente chama de PeopleMover por uma capacidade um pouco menor que o Skyrail e que tem o diferencial da BYD, ele roda 100% a bateria. O que isso ajuda? Diminui o capex, então a gente não tem que instalar terceiro, quarto trilho ou catenária, ele roda totalmente na bateria e a gente tem muito mais facilidade, muito menor tempo de implementação do que um sistema convencional.

ADAMO BAZANI: Mas são para trajetos menores?

ALEXANDRE BARBOSA: Não, ele consegue fazer trajetos, nós estamos trabalhando com alguns projetos, 40 quilômetros, 24 quilômetros de linha. Uma autonomia de 200 a 250 quilômetros na bateria. Então, a gente consegue adaptar o sistema a várias cidades e vários estados do Brasil.

ADAMO BAZANI: Algum plano para trens pesados?

ALEXANDRE BARBOSA: Não, a BYD não tem trens pesados, mas nós temos a sinalização. No sistema de sinalização, que é o mesmo sistema que nós implementamos aqui na linha 17.

ADAMO BAZANI: Inclusive, Brasil e América Latina.

ALEXANDRE BARBOSA: Brasil, América Latina, tem vários outros projetos que estamos desenvolvendo.

ADAMO BAZANI: Essa questão do trem leve como solução de mobilidade. Aí a gente vê aquela velha conversa de pneu rivalizando com trilho, a gente vê, por exemplo, a BYD atuando nos dois segmentos, no BRT, nos trilhos de média e baixa capacidade. Como fazer essa união entre essas soluções?

ALEXANDRE BARBOSA: Olha, eu acho que são características diferentes. Então, o monotrilho, o SkyShuttle, ele atende muito bem na demanda específica para uma determinada região. Por exemplo, existem vários estados que nós temos avenidas bem largas, que a gente tem muitos ônibus nessas avenidas, que podem ser substituídos por um monotrilho, por um SkyShuttle, que consegue atender a capacidade da população, consegue atender a demanda que tiraria alguns outros ônibus da região. Lógico, você nunca vai acabar com os ônibus, porque os ônibus são alimentadores, mas você consegue ter uma agilidade muito mais fácil com o monotrilho, com o SkyShuttle em determinadas áreas da região. Como, por exemplo, você vê a Roberto Marinho. A Roberto Marinho, na linha 17 hoje, é uma avenida larga, uma avenida que adaptou muito bem ao monotrilho, que você consegue hoje fazer uma viagem até o Aeroporto de Congonhas.

ADAMO BAZANI: O BRT nesse caso seria uma solução onde não é possível, por exemplo, um trem de média capacidade.

ALEXANDRE BARBOSA: Mas o BRT, por exemplo, na linha 17. Se você colocasse um BRT, o que iria acontecer em uma avenida importante como a Roberto Marinho? Você iria consumir uma faixa de cada lado. E ali o monotrilho se adaptou muito bem. Então, tem outros projetos, em vários outros estados, que a gente está vendo da mesma forma. A gente está fazendo alguns estudos. Por que não colocar? E um detalhe, se a gente pegar hoje o SkyShuttle da BYD, o próprio Skyrail, o custo do OPEX deles é muito bom. É um trem autônomo, que não tem condutor, que leva passageiros, e tem um custo de manutenção e operação muito baixo. Hoje, na China, no SkyShuttle, a gente opera com cinco funcionários por quilômetro, inclusive manutenção.

ADAMO BAZANI: Hoje em dia, é um funcionário por ônibus. Cinco funcionários por ônibus por período.

ALEXANDRE BARBOSA: Então, hoje, por exemplo, você vai numa linha de SkyShuttle na China, você pega o celular, você consegue saber toda a previsibilidade de manutenção pelo celular. Então, isso facilita muito. Sai mais caro? Não mais caro. Mas em quanto tempo se paga o OPEX? Então, é isso que a gente está fazendo hoje.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Vinícius de Oliveira, para o Diário do Transporte

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