Licitação de ônibus do Rio de Janeiro: Sancetur e Jabour são confirmadas pela prefeitura do Rio de Janeiro em mais uma fase da concorrência dos transportes

Resultado saiu no meio da tarde desta sexta-feira (28). Companhias já atuam na cidade. Grupo Comporte foi vencedor do primeiro lote. Concorrência será por fases até 2028

ADAMO BAZANI, ARTHUR FERRARI, VINÍCIUS DE OLIVEIRA

Na tarde desta sexta-feira, 28 de agosto, a Secretaria Municipal de Transportes anunciou que a Sancetur – Santa Cecília Turismo foi a vencedora dos lotes A1-B6 e C1-C2 na licitação do Sistema Rio, assim como a Auto Viação Jabour foi a selecionada para operar o lote B1-B8.

A sessão na qual foram anunciadas as empresas vencedoras do processo licitatório foi conduzida pela Comissão Especial de Contratação.

Em mais uma etapa da licitação do sistema de ônibus municipais da capital fluminense, o grupo da Sancetur, da família Chedid, do interior paulista, e o Grupo Guanabara, de Jacob Barata Filho, pela Auto Viação Jabour, apresentaram propostas para operar de acordo com o novo sistema proposto pela prefeitura.

Na sessão da concorrência, que ocorreu na manhã desta sexta-feira, 28 de agosto de 2026, também houve lotes sem empresas interessadas.

A Sancetur demonstrou interesse em continuar nos lotes que já está operando.

Hoje, a Sancetur opera no sistema municipal do Rio de Janeiro por meio da marca SOU Rio de Janeiro e integra o Consórcio Santa Cruz. No modelo ainda vigente dos consórcios, ela está identificada pelo lote operacional/prefixo D33000.

No desenho do novo Sistema Rio, porém, a área da Sancetur não corresponde simplesmente ao “D33000”. A operação que serviu de referência para a empresa foi enquadrada principalmente no lote estrutural B1, de Campo Grande. Esse lote não recebeu proposta na primeira etapa da licitação, em fevereiro de 2026, e a Sancetur continuou operando provisoriamente.

Agora, na segunda etapa da licitação, o antigo B1 foi agrupado com outra área e passou a integrar o contrato B1-B8, que reúne Campo Grande e Guaratiba. Portanto, resumindo a situação atual:

No sistema antigo/atual dos consórcios: Sancetur = D33000, no Consórcio Santa Cruz;

Na primeira modelagem do Sistema Rio: sua principal área foi o lote B1, estrutural de Campo Grande;

Na licitação que está ocorrendo agora, em agosto de 2026: o B1 foi incorporado ao novo lote B1-B8.

O B2 de Campo Grande, que é lote local, já foi concedido ao Grupo Comporte e começa a ser implantado agora. As sete linhas da primeira entrada da nova concessionária são 808, 821, 822, 833, 841, 869 e 893; elas não correspondem ao núcleo principal atual da Jabour.

Na sessão da concorrência, a Sancetur apresentou proposta de R$ 10,40 para o lote A1-B6 e de R$ 11,78 para o C1-C2. Já a Auto Viação Jabour apresentou proposta de R$ 10,64 para o lote B1-B8.

Os lotes H1-I3 e H2, por outro lado, não receberam propostas de empresas interessadas.

A definição é mais uma etapa do processo de reorganização do transporte coletivo da capital fluminense, que prevê uma nova divisão operacional para a rede de ônibus. A licitação vem sendo realizada por etapas, com agrupamentos de áreas e linhas que serão submetidos aos novos contratos de concessão.

O interesse da Sancetur nos lotes A1-B6 e C1-C2 ocorre em um momento em que a empresa já possui presença no sistema municipal do Rio de Janeiro. A companhia opera atualmente por meio da marca SOU Rio de Janeiro, integrando o Consórcio Santa Cruz. No modelo ainda vigente dos consórcios municipais, a empresa é identificada pelo lote operacional/prefixo D33000.

A divisão utilizada na nova licitação, porém, não corresponde diretamente à estrutura dos antigos consórcios. A principal área de atuação da Sancetur foi enquadrada inicialmente no lote estrutural B1, de Campo Grande.

O B1 não recebeu proposta na primeira etapa da licitação, realizada em fevereiro de 2026. Desde então, a Sancetur continuou atendendo a região de forma provisória, enquanto a Prefeitura avançava na definição do novo modelo.

Na atual etapa, o antigo B1 foi incorporado ao contrato B1-B8, que reúne as áreas de Campo Grande e Guaratiba. A Sancetur, entretanto, não apresentou interesse por eesse contrato. A proposta foi apresentada pela Auto Viação Jabour.

A documentação será analisada e as vencedoras serão anunciadas até às 15h desta sexta-feira (28).

Dessa forma, a situação da empresa passa a ter três referências diferentes. No modelo atual, a Sancetur permanece associada ao D33000, dentro do Consórcio Santa Cruz. Na primeira configuração do Sistema Rio, sua principal área estava relacionada ao B1. Já na licitação atual, essa área passou a fazer parte do B1-B8.

A empresa também ampliou sua atuação em 2025 ao assumir diversas linhas que pertenciam à Transportes Barra, especialmente em regiões como Campo Grande, Bangu, Realengo, Santa Cruz e Sepetiba. Em janeiro de 2026, a operação havia alcançado cerca de 30 linhas sob o prefixo D33000.

O B1-B8, vencido pela Auto Viação Jabour, reúne Campo Grande e Guaratiba e prevê uma frota de 291 ônibus no novo modelo.

A área também possui forte relação com a operação atual da Jabour, que concentra parte importante de suas linhas em regiões como Campo Grande, Rio da Prata, Pedra de Guaratiba, Magarça, Ilha de Guaratiba e Barra de Guaratiba.

A empresa também está diretamente relacionada ao lote C1-C2, de Bangu, que acabou sendo vencido pela Sancetur. A rede colocada em licitação nesse contrato inclui linhas atualmente associadas à operação da Jabour, como a 802 Campo Grande–Bangu, 864 Campo Grande–Terminal Sulacap e 918 Bangu–Bonsucesso.

O C1-C2 prevê 404 ônibus para a operação no novo sistema.

A reorganização, contudo, não significa que toda a operação atual da Jabour esteja concentrada nos dois contratos. Há linhas da empresa que alcançam regiões que serão reorganizadas em outras fases do processo, incluindo áreas como Realengo e Barra da Tijuca.

A reorganização da região de Campo Grande também envolve o lote B2, de caráter local, que já foi concedido ao Grupo Comporte.

A implantação dessa concessão começou com sete linhas: 808, 821, 822, 833, 841, 869 e 893.

Essas linhas não correspondem ao núcleo principal da operação atualmente associada à Jabour, que permanece abrangida por diferentes áreas no redesenho do sistema.

Com a sessão desta sexta-feira, portanto, a licitação acrescenta mais três contratos definidos ao processo de implantação do novo Sistema Rio. Ao mesmo tempo, os lotes H1-I3 e H2 permanecem sem empresas interessadas, exigindo novas providências da Prefeitura para a definição dessas áreas.

Em comunicado divulgado ao Diário do Transporte, a Secretaria Municipal de Transportes informou que a frota de ônibus nos bairros de Guaratiba, Santa Cruz, Campo Grande e Bangu será ampliada de 654 para 1.006 ônibus.

Confira as informações na íntegra:

Licitação da segunda etapa do Sistema RIO amplia em 54% a frota de ônibus na Zona Oeste

Certame define empresas vencedoras para operar mais de mil veículos em Santa Cruz, Campo Grande, Guaratiba e Bangu

A Prefeitura do Rio realizou com sucesso, nesta sexta-feira (28/08), na sede da Procuradoria Geral do Município (PGM), no Centro, a licitação da segunda etapa do Sistema RIO – Rede Integrada de Ônibus, que definiu as propostas vencedoras de três lotes do novo modelo de concessão do transporte municipal por ônibus nos bairros de Guaratiba, Santa Cruz, Campo Grande e Bangu. A frota nesses bairros saltará de 654 para 1.006 veículos a serviço dos cariocas.

O novo modelo de licitação representa um feito histórico e inédito na cidade, porque o poder público passa a ter controle total e mecanismos para evitar que a população seja prejudicada pelas empresas privadas na prestação dos serviços. As empresas Jabour e Sancetur foram as vencedoras do certame. A Jabour apresentou proposta de R$ 10,64 por quilômetro para o Lote B1-B8 – Campo Grande e Guaratiba, enquanto a Sancetur venceu os Lotes A1-B6 – Santa Cruz e Guaratiba, com proposta de R$ 10,40 por quilômetro, e C1-C2 – Bangu, pelo valor de R$ 11,78 por quilômetro.

O critério da concorrência foi o menor valor por quilômetro rodado. Após o certame, a sessão foi suspensa para análise de documentação de habilitação jurídica e técnica.

Mais oferta nas regiões contempladas

A segunda etapa prevê aumento expressivo da frota e ampliação da oferta de linhas nas áreas licitadas:

A1-B6 – Santa Cruz e Guaratiba: de 17 para 19 linhas e de 207 para 311 ônibus;
B1-B8 – Campo Grande e Guaratiba: de 21 para 23 linhas e de 174 para 291 ônibus;
C1–C2 – Bangu: de 28 para 29 linhas e de 273 para 404 ônibus;

No conjunto das três áreas, a frota passará de 654 para 1.006 veículos, um aumento de aproximadamente 54%.

O edital foi elaborado a partir de consulta pública realizada entre abril e maio deste ano, que recebeu mais de 905 contribuições da população. A previsão é que os novos ônibus desta etapa comecem a operar no primeiro trimestre de 2027.

As novas concessionárias são responsáveis pela aquisição e operação da frota, manutenção dos veículos, implantação e gestão das garagens públicas e instalação dos Sistemas Inteligentes de Transporte (ITS).

O novo modelo também muda a relação entre o município e os operadores. A prestação do serviço deixa de ser organizada exclusivamente por consórcios e passa a contar com empresas responsáveis por lotes específicos, sem exclusividade permanente na operação.

Frota nova, acessível e monitorada

A nova frota será 100% zero quilômetro e acessível. Os veículos básicos terão piso baixo e rampas de acesso. Toda a frota contará com ar-condicionado, sensores de temperatura, carregadores USB e USB-C, GPS integrado ao Centro de Controle Operacional, botão de emergência para o motorista, painéis eletrônicos de informação aos passageiros e câmeras internas de segurança.

Os veículos seguirão o padrão ambiental Euro VI, capaz de reduzir em até 80% a emissão de poluentes, além de permitir a utilização de tecnologias de energia limpa, como gás natural, biometano e ônibus elétricos.

Os Sistemas Inteligentes de Transporte (ITS) permitirão o acompanhamento da frota em tempo real, oferecendo à Prefeitura mais instrumentos para fiscalizar a operação, acompanhar indicadores de desempenho e cobrar a qualidade prevista nos contratos.

O novo modelo prevê ainda remuneração por quilômetro rodado e avaliação da qualidade da operação por meio do Índice de Qualidade do Transporte (IQT).

Primeira etapa já está em implantação

O Sistema RIO está sendo implantado gradualmente, começando pela Zona Oeste, onde os contratos de concessão para as regiões de Campo Grande e Santa Cruz foram assinados em março deste ano.

Nessas duas regiões, a frota será ampliada de 104 para 316 ônibus. Em Santa Cruz, os primeiros 115 novos veículos já estão em circulação. A partir deste domingo (30/8), outros 54 ônibus começam a operar em Campo Grande. Os 147 veículos restantes serão incorporados à operação até dezembro, de acordo com o cronograma de implantação.

Histórico completo da nova licitação dos ônibus do Rio de Janeiro

A implantação do Sistema Rio – Rede Integrada de Ônibus não começou com as concorrências realizadas em 2026. O novo modelo é resultado de uma sequência de crises operacionais, mudanças na forma de remuneração das empresas, intervenção no BRT, acordos judiciais e decisões da Prefeitura para desmontar gradualmente o sistema de quatro grandes consórcios criado em 2010.

A transição deve chegar ao ponto final em 25 de agosto de 2028, data prevista para a chamada Rede Plena Expandida e também para o encerramento das concessões atualmente vigentes. Até lá, a Prefeitura pretende substituir progressivamente os contratos antigos por uma rede desenhada em 34 recortes territoriais, que podem ser agrupados em contratos diferentes a cada licitação. As duas primeiras etapas já mostram como esse processo pode mudar durante a implantação.

2010: Rio troca permissões por quatro grandes consórcios

A origem da estrutura que está sendo substituída está na licitação municipal de 2010.

Naquele processo, a cidade foi dividida entre quatro grandes consórcios: Intersul, Internorte, Transcarioca e Santa Cruz. Os contratos de concessão foram concebidos originalmente com duração até 2030 e concentraram grandes áreas operacionais nas mãos desses grupos.

A configuração também abrangia a operação do BRT pelas concessionárias responsáveis pelas áreas atravessadas pelos corredores.

Nos anos seguintes, o equilíbrio econômico-financeiro desses contratos passou a ser objeto de sucessivas divergências entre as empresas e a Prefeitura. Os operadores sustentam que, desde 2011, ficaram pendentes recomposições integrais das condições econômicas das concessões. O Município apresenta interpretação diferente sobre os cálculos, responsabilidades e desempenho contratual. A controvérsia acompanharia praticamente toda a vida dos contratos e chegaria às discussões judiciais que hoje interferem na implantação do Sistema Rio.

Crise do BRT levou Prefeitura a intervir no sistema

Um dos capítulos mais importantes ocorreu no BRT.

Em março de 2021, diante da deterioração operacional, a Prefeitura decretou intervenção parcial na operação dos corredores. O quadro encontrado pelo Município incluía forte redução da frota e dezenas de estações fechadas.

Em fevereiro de 2022, o Município decretou a caducidade parcial das concessões na parte referente ao BRT. A decisão atingiu os contratos dos consórcios Internorte, Transcarioca e Santa Cruz.

Com a medida, a operação deixou de fazer parte das concessões privadas e passou para a estrutura pública municipal, por meio da Mobi-Rio.

A intervenção e a posterior caducidade do BRT anteciparam uma característica que voltaria a aparecer na remodelação do sistema convencional: a Prefeitura buscou ampliar seu controle sobre a operação, a frota, a bilhetagem e os dados do transporte.

Acordo de 2022 antecipou fim dos contratos de 2030 para 2028

Em 19 de maio de 2022, depois de quatro audiências de mediação na 8ª Vara de Fazenda Pública, Prefeitura, consórcios operadores e Ministério Público chegaram ao primeiro grande acordo judicial relacionado ao sistema convencional de ônibus.

O pacto alterou pontos centrais do modelo.

A Prefeitura passou a complementar a remuneração das empresas de acordo com a quilometragem efetivamente realizada e monitorada por GPS. As concessionárias renunciaram à retomada do BRT e à participação na nova licitação da bilhetagem digital. E o término dos contratos, originalmente previsto para 2030, foi antecipado em dois anos, para 2028.

A bilhetagem também começou a ser separada das empresas de ônibus, preparando o terreno para o sistema público digital que posteriormente seria implantado.

Esse acordo é fundamental para entender a licitação atual. Foi ele que definiu 2028 como o horizonte para o fim do sistema contratado em 2010.

Segundo acordo, em 2025, permitiu antecipar a troca dos operadores

A Prefeitura não quis esperar até 2028 para começar a substituir o modelo.

Em 30 de abril de 2025 foi firmado o Segundo Acordo Judicial entre o Município e os consórcios.

O novo pacto abriu possibilidade de encerrar antecipadamente partes das concessões e transferir serviços para novos operadores antes do vencimento definitivo dos contratos. A estratégia permitiria começar a remodelação pelas áreas em que a Prefeitura identificasse necessidade mais urgente de recuperação operacional.

Foi a partir desse ambiente jurídico que começou a ser estruturado o Sistema Rio.

Sistema Rio nasceu com 31 lotes e depois passou para 34

O desenho apresentado pela Prefeitura em 2025 previa inicialmente 31 lotes: 22 estruturais e nove locais.

Posteriormente, o número de lotes locais foi elevado para 12. O planejamento completo passou, assim, para 34 recortes: 22 estruturais e 12 locais.

Os lotes estruturais concentram linhas de maior alcance e importância na rede, enquanto os locais têm atuação mais concentrada dentro das respectivas regiões.

Os 34 lotes territoriais não significam necessariamente 34 contratos independentes. A Prefeitura pode combinar áreas na mesma concorrência, como fez na segunda etapa com A1-B6, B1-B8, C1-C2 e H1-I3.

O novo modelo muda remuneração e controle da operação

No Sistema Rio, a concessão é definida como comum e sem exclusividade. Na Etapa 2, os contratos têm prazo de dez anos, prorrogáveis por até igual período conforme as condições previstas contratualmente.

A empresa deixa de depender exclusivamente da quantidade de passageiros que pagam tarifa.

A remuneração considera principalmente a quilometragem efetivamente realizada, a programação cumprida e os indicadores de qualidade. A tarifa paga pelo usuário continua sendo arrecadada pelo sistema público de bilhetagem e, se essa receita não cobrir a remuneração contratual, a Prefeitura complementa a diferença por subsídio. O risco de demanda, segundo a modelagem municipal, fica com o poder concedente.

A Prefeitura também mantém poder para redefinir linhas, redistribuir serviços entre lotes e interferir em sobreposições. A gestão deve utilizar o Plano Operacional, o CCO Rio e o Comitê de Integração Operacional.

Primeira etapa começou pela Zona Oeste

A primeira consulta pública começou em julho de 2025 e foi concentrada inicialmente em Campo Grande e Santa Cruz.

O primeiro edital foi publicado em 17 de outubro de 2025, mas acabou sendo substituído. Houve nova versão em 1º de dezembro, também revogada, e o edital que efetivamente chegou à sessão foi publicado em 8 de dezembro de 2025.

Foram colocados em disputa três lotes: A2, B1 e B2.

A sessão pública ocorreu em 6 de fevereiro de 2026.

O Grupo Comporte foi o único grupo interessado e apresentou propostas para A2, em Santa Cruz, e B2, em Campo Grande. O lote estrutural B1, também de Campo Grande, não recebeu proposta.

Etapa 1

Lote / região Resultado Situação
A2 – Santa Cruz Comporte – R$ 9,94/km TUSE em operação
B1 – Campo Grande Sem proposta Voltou no B1-B8
B2 – Campo Grande Comporte – R$ 11,53/km GTU em implantação

A Comporte criou duas empresas específicas para o Rio: TUSE – Transportes Urbanos Sepetiba e GTU – Guaratiba Transportes Urbanos.

Os contratos foram assinados em 12 de março de 2026. A divulgação oficial dessa data fixou a expansão conjunta da frota de Campo Grande e Santa Cruz de 104 para 316 ônibus.

A primeira etapa de implantação corresponde a 169 veículos: 115 da TUSE em Santa Cruz e 54 da GTU em Campo Grande. Outros 147 ônibus devem completar a frota até dezembro de 2026.

A TUSE começou a operar em Santa Cruz em 24 de agosto. A entrada inicial dos 54 ônibus da GTU em Campo Grande foi programada para 30 de agosto. A Prefeitura voltou a confirmar em 28 de agosto que o total final previsto para os dois contratos é de 316 veículos.

Frota da primeira etapa

Implantação Ônibus
TUSE – início 115
GTU – início 54
Etapa posterior 147
Total previsto 316

A quantidade de 316 também era a programação acompanhada pelo Diário do Transporte na fábrica da Caio, em Botucatu, em 23 de julho de 2026. A primeira leva reúne micro-ônibus, midiônibus e ônibus básicos de piso baixo.

Piso baixo volta a ganhar espaço no sistema convencional

A nova concessão também introduz requisitos diferentes de frota.

Para a categoria básica, o piso baixo é obrigatório. Os veículos têm previsão de ar-condicionado, acessibilidade, câmeras, localização e monitoramento, informações aos usuários e sistemas inteligentes de transporte.

A volta do ônibus básico de piso baixo é relevante porque esta configuração havia perdido espaço no sistema convencional carioca.

Etapa 2 cresceu para cinco contratos

Enquanto a primeira etapa começava a ser implantada, a Prefeitura preparou a segunda concorrência.

A consulta pública ocorreu entre abril e maio de 2026 e recebeu mais de 905 contribuições.

O edital definitivo foi publicado em 10 de julho de 2026. Foram formados cinco contratos: A1-B6, B1-B8, C1-C2, H1-I3 e H2.

O valor estimado conjunto alcançou R$ 1,399 bilhão e a frota de referência das cinco áreas passaria de 907 para aproximadamente 1.420 ônibus.

Cinco contratos oferecidos na Etapa 2

Contrato / região Frota Referência
A1-B6 – Santa Cruz/Guaratiba 207 → 311 R$ 10,40/km
B1-B8 – Campo Grande/Guaratiba 174 → 291 R$ 10,70/km
C1-C2 – Bangu 273 → 404 R$ 11,78/km
H1-I3 – Ilha/Vila Isabel 160 → 241 R$ 13,02/km
H2 – Ilha do Governador 93 → 173 R$ 11,71/km

Os contratos somam R$ 1.399.937.350 em valores estimados.

Elétricos e biometano entram na modelagem

Em julho de 2026, o Diário do Transporte mostrou que a nova licitação prevê remuneração de incentivo para ônibus elétricos, com valor 12% superior ao parâmetro dos veículos a diesel nas condições previstas pela modelagem.

Em 27 de agosto, a Prefeitura também detalhou um mecanismo próprio para ônibus movidos a biometano.

Nesse caso, não se trata de acrescentar simplesmente 8% à remuneração final. O modelo permite modificar em até oito pontos percentuais a composição entre CAPEX, ligado ao investimento, e OPEX, relacionado à operação, proporcionalmente à quantidade de ônibus a biometano efetivamente em serviço.

Sancetur e Jabour aparecem na segunda etapa

A sessão pública da Etapa 2 ocorreu em 28 de agosto de 2026.

A Sancetur – Santa Cecília Turismo apresentou as propostas vencedoras para os contratos A1-B6, de Santa Cruz e Guaratiba, e C1-C2, de Bangu.

A Auto Viação Jabour apresentou a melhor proposta para B1-B8, de Campo Grande e Guaratiba.

Dois contratos não receberam propostas: H1-I3, que reúne Ilha do Governador e Vila Isabel, e H2, da Ilha do Governador.

Depois da abertura das propostas, a sessão foi suspensa para a análise da documentação de habilitação jurídica e técnica. Portanto, o resultado anunciado em 28 de agosto ainda deve cumprir as etapas seguintes do procedimento administrativo.

Resultado da Etapa 2 em 28 de agosto

Contrato / região Frota Resultado
A1-B6 – Santa Cruz/Guaratiba 207 → 311 Sancetur – R$ 10,40/km
B1-B8 – Campo Grande/Guaratiba 174 → 291 Jabour – R$ 10,64/km
C1-C2 – Bangu 273 → 404 Sancetur – R$ 11,78/km
H1-I3 – Ilha/Vila Isabel 160 → 241 Sem proposta
H2 – Ilha do Governador 93 → 173 Sem proposta

Nos três contratos que receberam propostas vencedoras, a frota deverá passar de 654 para 1.006 ônibus, aumento de aproximadamente 54%. O número de linhas previsto nessas áreas sobe de 66 para 71.

Resumo da frota da Etapa 2

Situação Atual Prevista
Cinco contratos 907 1.420
Com propostas 654 1.006
Sem propostas 253 414

Os três contratos com propostas vencedoras têm valor estimado conjunto de R$ 982,55 milhões. Os dois que ficaram sem interessados representam aproximadamente R$ 417,39 milhões.

Sancetur já opera no sistema atual

A Sancetur não é uma empresa nova no transporte carioca.

A companhia opera atualmente sob a marca SOU Rio de Janeiro, integra o Consórcio Santa Cruz e utiliza o prefixo operacional D33000. Em 2025, ampliou sua presença ao assumir linhas anteriormente operadas pela Transportes Barra. No início de 2026, sua operação havia chegado a aproximadamente 30 linhas.

No primeiro desenho da licitação, sua principal área havia sido relacionada ao B1 estrutural de Campo Grande, que ficou sem interessado em fevereiro.

Na segunda etapa, o B1 passou a fazer parte do B1-B8. Mas quem apresentou a proposta vencedora nesse contrato foi a Jabour.

A Sancetur, por sua vez, apresentou as melhores propostas para A1-B6 e C1-C2.

Jabour vence área relacionada à sua própria operação, mas perde serviços de Bangu para a Sancetur

A Jabour também já é uma das empresas tradicionais do sistema carioca.

Sua operação tem forte presença em Campo Grande e Guaratiba, incluindo regiões como Rio da Prata, Pedra de Guaratiba, Magarça, Ilha de Guaratiba e Barra de Guaratiba.

Por isso, o resultado do B1-B8 mantém a empresa diretamente vinculada a parte importante de sua área histórica.

Ao mesmo tempo, o C1-C2 de Bangu, vencido pela Sancetur, contém serviços atualmente associados à Jabour, entre eles 802 Campo Grande–Bangu, 864 Campo Grande–Terminal Sulacap e 918 Bangu–Bonsucesso.

O novo desenho, portanto, não preserva necessariamente os atuais territórios empresariais.

Os 34 lotes do planejamento completo

A seguir está a situação atualizada dos 34 recortes territoriais previstos no planejamento do Sistema Rio.

Fase 1

Lote / região Tipo Situação
B1 – Campo Grande Estrutural Jabour no B1-B8
B2 – Campo Grande Local Comporte / GTU
A2 – Santa Cruz Local Comporte / TUSE

O B1 aparece originalmente nesta fase porque fez parte da primeira licitação. Como não recebeu proposta, foi reconfigurado e incorporado ao contrato B1-B8 da segunda etapa.

Fase 2

Lote / região Tipo Situação
C1 – Bangu Estrutural Sancetur no C1-C2
H1 – Ilha Estrutural H1-I3 sem proposta
A1 – Santa Cruz Estrutural Sancetur no A1-B6
I3 – Vila Isabel Estrutural H1-I3 sem proposta
C2 – Bangu Local Sancetur no C1-C2
H2 – Ilha Local Sem proposta

A Etapa 2 mostra que a sequência das fases e os recortes territoriais podem ser reorganizados em contratos combinados.

Fase 3

Região Tipo Situação
Barra da Tijuca Estrutural Previsto
Freguesia Estrutural Previsto
Realengo Estrutural Previsto
Recreio Estrutural Previsto
São Cristóvão Estrutural Previsto
Taquara Estrutural Previsto
Barra da Tijuca Local Previsto
Jacarepaguá Local Previsto
Penha Local Previsto

Fase 4

Região Tipo Situação
Campo Grande Sul Estrutural Previsto
Irajá Estrutural Previsto
Méier Norte Estrutural Previsto
Pavuna Estrutural Previsto
Penha Estrutural Previsto
Praça Seca Estrutural Previsto
Campo Grande Sul Local Previsto
Guaratiba Leste Local Previsto

Etapa final

Região Tipo Situação
Madureira Estrutural Previsto
Tijuca Estrutural Previsto
Anchieta Estrutural Previsto
Méier Sul Estrutural Previsto
Zona Sul Estrutural Previsto
Guaratiba Oeste Local Previsto
Madureira Local Previsto
Centro Sul Local Previsto

O cronograma-base previa a Fase 3 entre abril de 2026 e abril de 2027, a Fase 4 entre novembro de 2026 e novembro de 2027 e a etapa final entre setembro de 2027 e agosto de 2028.

As duas primeiras concorrências, entretanto, já tiveram mudanças de configuração, agrupamentos de lotes, ausência de interessados, erratas, impugnações e efeitos da disputa judicial com os atuais concessionários. Por isso, essas janelas devem ser entendidas como planejamento, e não como garantia de que cada licitação será concluída exatamente nessas datas.

Disputa judicial continua paralela à licitação

A Prefeitura continua fazendo as licitações, mas a substituição antecipada das empresas atuais está ligada a uma disputa judicial sobre o Segundo Acordo de 2025.

As concessionárias sustentam que o Município descumpriu obrigações econômico-financeiras, especialmente relacionadas aos subsídios e à remuneração da quilometragem após alterações no sistema de bilhetagem.

A Prefeitura discorda e afirma que as diferenças de valores decorrem, entre outros fatores, da quilometragem programada e efetivamente realizada, dos índices de cumprimento de operação, dos reajustes e de regras de desempenho.

Em junho de 2026, a 8ª Vara da Fazenda Pública reconheceu provisoriamente indícios de descumprimento de obrigações pelo Município e suspendeu a exigibilidade de determinadas cláusulas. Posteriormente, decisões em recursos acrescentaram novas discussões processuais.

Na prática, isso criou uma situação em que a Prefeitura pode continuar licitando e selecionando empresas, mas novas transferências antecipadas das concessões antigas podem depender da evolução judicial.

Os contratos A2 e B2 do Grupo Comporte ficaram fora da restrição posterior porque já haviam sido homologados anteriormente.

Cronologia completa da transição

Data Marco
2010 Prefeitura licita o SPPO e cria Intersul, Internorte, Transcarioca e Santa Cruz
2011 em diante Começam disputas sobre equilíbrio econômico-financeiro
Mar/2021 Prefeitura intervém na operação do BRT
Fev/2022 Caducidade retira BRT das concessões privadas
Mai/2022 Primeiro acordo judicial muda remuneração e antecipa fim dos contratos para 2028
30/04/2025 Segundo acordo permite antecipar transferências de linhas
2025 Sistema Rio nasce com 31 lotes e depois passa para 34
Jul-Ago/2025 Consulta pública da primeira etapa
17/10/2025 Primeiro edital da Etapa 1
01/12/2025 Nova versão do edital, posteriormente revogada
08/12/2025 Edital definitivo da Etapa 1
06/02/2026 Comporte disputa A2 e B2; B1 fica vazio
12/03/2026 Prefeitura assina contratos de TUSE e GTU
Abr-Mai/2026 Consulta da Etapa 2 recebe mais de 905 contribuições
03/06/2026 STF determina tentativa de acordo sobre subsídios
Jun/2026 Justiça interfere nas transferências antecipadas
10/07/2026 Edital definitivo da Etapa 2
13/07/2026 É revelado incentivo de 12% aos ônibus elétricos
23/07/2026 Primeiros ônibus do Grupo Comporte são vistoriados na Caio
Fim de jul/2026 Novas transferências ficam condicionadas à disputa judicial
24/08/2026 TUSE começa a operar em Santa Cruz
27/08/2026 Prefeitura detalha remuneração do biometano
28/08/2026 Sancetur vence dois contratos e Jabour um; dois ficam vazios
30/08/2026 Previsto início da GTU em Campo Grande
Até dez/2026 Primeira etapa deve alcançar 316 ônibus
1º tri/2027 Prefeitura prevê início da operação dos contratos da Etapa 2 com propostas
25/08/2028 Data prevista para a Rede Plena Expandida e fim das concessões atuais

A cronologia mostra que a nova licitação não é apenas uma renovação de frota. Ela muda a organização empresarial, a distribuição territorial das linhas, a remuneração, a bilhetagem, a fiscalização e a relação entre receita tarifária e subsídio público.

De quatro grandes consórcios para uma rede fragmentada

O objetivo declarado pela Prefeitura é evitar que uma única concessionária ou um pequeno grupo controle áreas excessivamente grandes da cidade.

No modelo de 2010, quatro grandes consórcios concentram praticamente todo o transporte convencional municipal.

No Sistema Rio, o planejamento territorial tem 34 lotes. A administração argumenta que uma divisão maior facilita a concorrência, permite comparar desempenho entre operadores e torna possível retirar linhas de uma concessionária problemática sem desorganizar uma parcela muito grande da rede.

Isso, entretanto, não impede que uma mesma empresa conquiste diversos contratos.

Na Etapa 2, a Prefeitura confirmou que não estabeleceu número máximo de lotes que uma mesma empresa ou consórcio pode vencer. A Sancetur demonstrou isso já na primeira sessão ao apresentar as propostas vencedoras de dois dos três contratos que tiveram interessados.

Transição vai continuar até 2028

Depois da assinatura de cada contrato, a Prefeitura prevê uma implantação gradual.

A Ordem de Início deve ser emitida em até 30 dias. Pode haver período de transição de até quatro meses, seguido pela Operação Assistida. A Rede Plena deve estar implantada em até nove meses após a Ordem de Início.

O marco definitivo é a Rede Plena Expandida, prevista para 25 de agosto de 2028.

É nessa data que o Município pretende concluir a substituição da estrutura contratada em 2010.

Até lá, dois sistemas convivem: as concessões antigas continuam operando grande parte das linhas da cidade, enquanto novas empresas e novos contratos vão sendo implantados gradualmente.

Comporte, Sancetur e Jabour são, até 28 de agosto de 2026, os grupos empresariais que avançaram nas duas primeiras etapas.

O Grupo Comporte já tem contratos assinados e operação iniciada por meio da TUSE, com a GTU em fase de entrada. Sancetur e Jabour tiveram propostas vencedoras anunciadas na segunda etapa, mas a documentação ainda está em análise.

H1-I3 e H2, na Ilha do Governador e Vila Isabel, permanecem sem interessados.

E outras grandes áreas da cidade — Barra da Tijuca, Realengo, Recreio, Tijuca, Méier, Madureira, Pavuna, Zona Sul e outras — ainda dependem das próximas fases para saber quem vai operá-las no sistema que deverá substituir integralmente as concessões atuais em 2028.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

 

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