Confira o histórico completo da nova licitação dos ônibus do Rio de Janeiro
Publicado em: 28 de agosto de 2026
Transição deve chegar ao ponto final em 25 de agosto de 2028, se não houver entraves judiciais. Grupo Comporte, Jabour e Sancetur já garantiram lotes
ADAMO BAZANI
Em primeira-mão, o Diário do Transporte motrou que, nesta sexta-feira, 28 de agosto de 2026, foram conhecidos os vencedeores de mais uma etapa da licitação dos transporte da cidade do Rio de Janeiro.
Sancetur, originalmente do interior paulista, mas que já opera na capital fluminense; e Auto Viação Jabour, do Grupo Guanabara, tradicional na cidade, se somam a TUSE – Transportes Urbanos Sepetiba e GTU – Guaratiba Transportes Urbanos, do Grupo Comporte.
Sancetur – Santa Cecília Turismo foi a vencedora dos lotes A1-B6 e C1-C2 na licitação do Sistema Rio, assim como a Auto Viação Jabour foi a selecionada para operar o lote B1-B8.
Mas ainda ficaram lotes em aberto, sem ofertas, nesta etapa.
Os lotes H1-I3 e H2, por outro lado, não receberam propostas de empresas interessadas.
Mas a implantação do Sistema Rio – Rede Integrada de Ônibus não começou com as concorrências realizadas em 2025 e 2026. O novo modelo é resultado de uma sequência de crises operacionais, mudanças na forma de remuneração das empresas, intervenção no BRT, acordos judiciais e decisões da Prefeitura para desmontar gradualmente o sistema de quatro grandes consórcios criado em 2010.
A transição deve chegar ao ponto final em 25 de agosto de 2028, data prevista para a chamada Rede Plena Expandida e também para o encerramento das concessões atualmente vigentes. Até lá, a Prefeitura pretende substituir progressivamente os contratos antigos por uma rede desenhada em 34 recortes territoriais, que podem ser agrupados em contratos diferentes a cada licitação. As duas primeiras etapas já mostram como esse processo pode mudar durante a implantação.
Veja o histórico detalhado:
2010: Rio troca permissões por quatro grandes consórcios
A origem da estrutura que está sendo substituída está na licitação municipal de 2010.
Naquele processo, a cidade foi dividida entre quatro grandes consórcios: Intersul, Internorte, Transcarioca e Santa Cruz. Os contratos de concessão foram concebidos originalmente com duração até 2030 e concentraram grandes áreas operacionais nas mãos desses grupos.
A configuração também abrangia a operação do BRT pelas concessionárias responsáveis pelas áreas atravessadas pelos corredores.
Nos anos seguintes, o equilíbrio econômico-financeiro desses contratos passou a ser objeto de sucessivas divergências entre as empresas e a Prefeitura. Os operadores sustentam que, desde 2011, ficaram pendentes recomposições integrais das condições econômicas das concessões. O Município apresenta interpretação diferente sobre os cálculos, responsabilidades e desempenho contratual. A controvérsia acompanharia praticamente toda a vida dos contratos e chegaria às discussões judiciais que hoje interferem na implantação do Sistema Rio.
Crise do BRT levou Prefeitura a intervir no sistema
Um dos capítulos mais importantes ocorreu no BRT.
Em março de 2021, diante da deterioração operacional, a Prefeitura decretou intervenção parcial na operação dos corredores. O quadro encontrado pelo Município incluía forte redução da frota e dezenas de estações fechadas.
Em fevereiro de 2022, o Município decretou a caducidade parcial das concessões na parte referente ao BRT. A decisão atingiu os contratos dos consórcios Internorte, Transcarioca e Santa Cruz.
Com a medida, a operação deixou de fazer parte das concessões privadas e passou para a estrutura pública municipal, por meio da Mobi-Rio.
A intervenção e a posterior caducidade do BRT anteciparam uma característica que voltaria a aparecer na remodelação do sistema convencional: a Prefeitura buscou ampliar seu controle sobre a operação, a frota, a bilhetagem e os dados do transporte.
Acordo de 2022 antecipou fim dos contratos de 2030 para 2028
Em 19 de maio de 2022, depois de quatro audiências de mediação na 8ª Vara de Fazenda Pública, Prefeitura, consórcios operadores e Ministério Público chegaram ao primeiro grande acordo judicial relacionado ao sistema convencional de ônibus.
O pacto alterou pontos centrais do modelo.
A Prefeitura passou a complementar a remuneração das empresas de acordo com a quilometragem efetivamente realizada e monitorada por GPS. As concessionárias renunciaram à retomada do BRT e à participação na nova licitação da bilhetagem digital. E o término dos contratos, originalmente previsto para 2030, foi antecipado em dois anos, para 2028.
A bilhetagem também começou a ser separada das empresas de ônibus, preparando o terreno para o sistema público digital que posteriormente seria implantado.
Esse acordo é fundamental para entender a licitação atual. Foi ele que definiu 2028 como o horizonte para o fim do sistema contratado em 2010.
Segundo acordo, em 2025, permitiu antecipar a troca dos operadores
A Prefeitura não quis esperar até 2028 para começar a substituir o modelo.
Em 30 de abril de 2025 foi firmado o Segundo Acordo Judicial entre o Município e os consórcios.
O novo pacto abriu possibilidade de encerrar antecipadamente partes das concessões e transferir serviços para novos operadores antes do vencimento definitivo dos contratos. A estratégia permitiria começar a remodelação pelas áreas em que a Prefeitura identificasse necessidade mais urgente de recuperação operacional.
Foi a partir desse ambiente jurídico que começou a ser estruturado o Sistema Rio.
Sistema Rio nasceu com 31 lotes e depois passou para 34
O desenho apresentado pela Prefeitura em 2025 previa inicialmente 31 lotes: 22 estruturais e nove locais.
Posteriormente, o número de lotes locais foi elevado para 12. O planejamento completo passou, assim, para 34 recortes: 22 estruturais e 12 locais.
Os lotes estruturais concentram linhas de maior alcance e importância na rede, enquanto os locais têm atuação mais concentrada dentro das respectivas regiões.
Os 34 lotes territoriais não significam necessariamente 34 contratos independentes. A Prefeitura pode combinar áreas na mesma concorrência, como fez na segunda etapa com A1-B6, B1-B8, C1-C2 e H1-I3.
O novo modelo muda remuneração e controle da operação
No Sistema Rio, a concessão é definida como comum e sem exclusividade. Na Etapa 2, os contratos têm prazo de dez anos, prorrogáveis por até igual período conforme as condições previstas contratualmente.
A empresa deixa de depender exclusivamente da quantidade de passageiros que pagam tarifa.
A remuneração considera principalmente a quilometragem efetivamente realizada, a programação cumprida e os indicadores de qualidade. A tarifa paga pelo usuário continua sendo arrecadada pelo sistema público de bilhetagem e, se essa receita não cobrir a remuneração contratual, a Prefeitura complementa a diferença por subsídio. O risco de demanda, segundo a modelagem municipal, fica com o poder concedente.
A Prefeitura também mantém poder para redefinir linhas, redistribuir serviços entre lotes e interferir em sobreposições. A gestão deve utilizar o Plano Operacional, o CCO Rio e o Comitê de Integração Operacional.
Primeira etapa começou pela Zona Oeste
A primeira consulta pública começou em julho de 2025 e foi concentrada inicialmente em Campo Grande e Santa Cruz.
O primeiro edital foi publicado em 17 de outubro de 2025, mas acabou sendo substituído. Houve nova versão em 1º de dezembro, também revogada, e o edital que efetivamente chegou à sessão foi publicado em 8 de dezembro de 2025.
Foram colocados em disputa três lotes: A2, B1 e B2.
A sessão pública ocorreu em 6 de fevereiro de 2026.
O Grupo Comporte foi o único grupo interessado e apresentou propostas para A2, em Santa Cruz, e B2, em Campo Grande. O lote estrutural B1, também de Campo Grande, não recebeu proposta.
Etapa 1
| Lote / região | Resultado | Situação |
|---|---|---|
| A2 – Santa Cruz | Comporte – R$ 9,94/km | TUSE em operação |
| B1 – Campo Grande | Sem proposta | Voltou no B1-B8 |
| B2 – Campo Grande | Comporte – R$ 11,53/km | GTU em implantação |
A Comporte criou duas empresas específicas para o Rio: TUSE – Transportes Urbanos Sepetiba e GTU – Guaratiba Transportes Urbanos.
Os contratos foram assinados em 12 de março de 2026. A divulgação oficial dessa data fixou a expansão conjunta da frota de Campo Grande e Santa Cruz de 104 para 316 ônibus.
A primeira etapa de implantação corresponde a 169 veículos: 115 da TUSE em Santa Cruz e 54 da GTU em Campo Grande. Outros 147 ônibus devem completar a frota até dezembro de 2026.
A TUSE começou a operar em Santa Cruz em 24 de agosto. A entrada inicial dos 54 ônibus da GTU em Campo Grande foi programada para 30 de agosto. A Prefeitura voltou a confirmar em 28 de agosto que o total final previsto para os dois contratos é de 316 veículos.
Frota da primeira etapa
| Implantação | Ônibus |
|---|---|
| TUSE – início | 115 |
| GTU – início | 54 |
| Etapa posterior | 147 |
| Total previsto | 316 |
A quantidade de 316 também era a programação acompanhada pelo Diário do Transporte na fábrica da Caio, em Botucatu, em 23 de julho de 2026. A primeira leva reúne micro-ônibus, midiônibus e ônibus básicos de piso baixo.
Piso baixo volta a ganhar espaço no sistema convencional
A nova concessão também introduz requisitos diferentes de frota.
Para a categoria básica, o piso baixo é obrigatório. Os veículos têm previsão de ar-condicionado, acessibilidade, câmeras, localização e monitoramento, informações aos usuários e sistemas inteligentes de transporte.
A volta do ônibus básico de piso baixo é relevante porque esta configuração havia perdido espaço no sistema convencional carioca.
Etapa 2 cresceu para cinco contratos
Enquanto a primeira etapa começava a ser implantada, a Prefeitura preparou a segunda concorrência.
A consulta pública ocorreu entre abril e maio de 2026 e recebeu mais de 905 contribuições.
O edital definitivo foi publicado em 10 de julho de 2026. Foram formados cinco contratos: A1-B6, B1-B8, C1-C2, H1-I3 e H2.
O valor estimado conjunto alcançou R$ 1,399 bilhão e a frota de referência das cinco áreas passaria de 907 para aproximadamente 1.420 ônibus.
Cinco contratos oferecidos na Etapa 2
| Contrato / região | Frota | Referência |
|---|---|---|
| A1-B6 – Santa Cruz/Guaratiba | 207 → 311 | R$ 10,40/km |
| B1-B8 – Campo Grande/Guaratiba | 174 → 291 | R$ 10,70/km |
| C1-C2 – Bangu | 273 → 404 | R$ 11,78/km |
| H1-I3 – Ilha/Vila Isabel | 160 → 241 | R$ 13,02/km |
| H2 – Ilha do Governador | 93 → 173 | R$ 11,71/km |
Os contratos somam R$ 1.399.937.350 em valores estimados.
Elétricos e biometano entram na modelagem
Em julho de 2026, o Diário do Transporte mostrou que a nova licitação prevê remuneração de incentivo para ônibus elétricos, com valor 12% superior ao parâmetro dos veículos a diesel nas condições previstas pela modelagem.
Em 27 de agosto, a Prefeitura também detalhou um mecanismo próprio para ônibus movidos a biometano.
Nesse caso, não se trata de acrescentar simplesmente 8% à remuneração final. O modelo permite modificar em até oito pontos percentuais a composição entre CAPEX, ligado ao investimento, e OPEX, relacionado à operação, proporcionalmente à quantidade de ônibus a biometano efetivamente em serviço.
Sancetur e Jabour aparecem na segunda etapa
A sessão pública da Etapa 2 ocorreu em 28 de agosto de 2026.
A Sancetur – Santa Cecília Turismo apresentou as propostas vencedoras para os contratos A1-B6, de Santa Cruz e Guaratiba, e C1-C2, de Bangu.
A Auto Viação Jabour apresentou a melhor proposta para B1-B8, de Campo Grande e Guaratiba.
Dois contratos não receberam propostas: H1-I3, que reúne Ilha do Governador e Vila Isabel, e H2, da Ilha do Governador.
Depois da abertura das propostas, a sessão foi suspensa para a análise da documentação de habilitação jurídica e técnica. Portanto, o resultado anunciado em 28 de agosto ainda deve cumprir as etapas seguintes do procedimento administrativo.
Resultado da Etapa 2 em 28 de agosto
| Contrato / região | Frota | Resultado |
|---|---|---|
| A1-B6 – Santa Cruz/Guaratiba | 207 → 311 | Sancetur – R$ 10,40/km |
| B1-B8 – Campo Grande/Guaratiba | 174 → 291 | Jabour – R$ 10,64/km |
| C1-C2 – Bangu | 273 → 404 | Sancetur – R$ 11,78/km |
| H1-I3 – Ilha/Vila Isabel | 160 → 241 | Sem proposta |
| H2 – Ilha do Governador | 93 → 173 | Sem proposta |
Nos três contratos que receberam propostas vencedoras, a frota deverá passar de 654 para 1.006 ônibus, aumento de aproximadamente 54%. O número de linhas previsto nessas áreas sobe de 66 para 71.
Resumo da frota da Etapa 2
| Situação | Atual | Prevista |
|---|---|---|
| Cinco contratos | 907 | 1.420 |
| Com propostas | 654 | 1.006 |
| Sem propostas | 253 | 414 |
Os três contratos com propostas vencedoras têm valor estimado conjunto de R$ 982,55 milhões. Os dois que ficaram sem interessados representam aproximadamente R$ 417,39 milhões.
Sancetur já opera no sistema atual
A Sancetur não é uma empresa nova no transporte carioca.
A companhia opera atualmente sob a marca SOU Rio de Janeiro, integra o Consórcio Santa Cruz e utiliza o prefixo operacional D33000. Em 2025, ampliou sua presença ao assumir linhas anteriormente operadas pela Transportes Barra. No início de 2026, sua operação havia chegado a aproximadamente 30 linhas.
No primeiro desenho da licitação, sua principal área havia sido relacionada ao B1 estrutural de Campo Grande, que ficou sem interessado em fevereiro.
Na segunda etapa, o B1 passou a fazer parte do B1-B8. Mas quem apresentou a proposta vencedora nesse contrato foi a Jabour.
A Sancetur, por sua vez, apresentou as melhores propostas para A1-B6 e C1-C2.
Jabour vence área relacionada à sua própria operação, mas perde serviços de Bangu para a Sancetur
A Jabour também já é uma das empresas tradicionais do sistema carioca.
Sua operação tem forte presença em Campo Grande e Guaratiba, incluindo regiões como Rio da Prata, Pedra de Guaratiba, Magarça, Ilha de Guaratiba e Barra de Guaratiba.
Por isso, o resultado do B1-B8 mantém a empresa diretamente vinculada a parte importante de sua área histórica.
Ao mesmo tempo, o C1-C2 de Bangu, vencido pela Sancetur, contém serviços atualmente associados à Jabour, entre eles 802 Campo Grande–Bangu, 864 Campo Grande–Terminal Sulacap e 918 Bangu–Bonsucesso.
O novo desenho, portanto, não preserva necessariamente os atuais territórios empresariais.
Os 34 lotes do planejamento completo
A seguir está a situação atualizada dos 34 recortes territoriais previstos no planejamento do Sistema Rio.
Fase 1
| Lote / região | Tipo | Situação |
|---|---|---|
| B1 – Campo Grande | Estrutural | Jabour no B1-B8 |
| B2 – Campo Grande | Local | Comporte / GTU |
| A2 – Santa Cruz | Local | Comporte / TUSE |
O B1 aparece originalmente nesta fase porque fez parte da primeira licitação. Como não recebeu proposta, foi reconfigurado e incorporado ao contrato B1-B8 da segunda etapa.
Fase 2
| Lote / região | Tipo | Situação |
|---|---|---|
| C1 – Bangu | Estrutural | Sancetur no C1-C2 |
| H1 – Ilha | Estrutural | H1-I3 sem proposta |
| A1 – Santa Cruz | Estrutural | Sancetur no A1-B6 |
| I3 – Vila Isabel | Estrutural | H1-I3 sem proposta |
| C2 – Bangu | Local | Sancetur no C1-C2 |
| H2 – Ilha | Local | Sem proposta |
A Etapa 2 mostra que a sequência das fases e os recortes territoriais podem ser reorganizados em contratos combinados.
Fase 3
| Região | Tipo | Situação |
|---|---|---|
| Barra da Tijuca | Estrutural | Previsto |
| Freguesia | Estrutural | Previsto |
| Realengo | Estrutural | Previsto |
| Recreio | Estrutural | Previsto |
| São Cristóvão | Estrutural | Previsto |
| Taquara | Estrutural | Previsto |
| Barra da Tijuca | Local | Previsto |
| Jacarepaguá | Local | Previsto |
| Penha | Local | Previsto |
Fase 4
| Região | Tipo | Situação |
|---|---|---|
| Campo Grande Sul | Estrutural | Previsto |
| Irajá | Estrutural | Previsto |
| Méier Norte | Estrutural | Previsto |
| Pavuna | Estrutural | Previsto |
| Penha | Estrutural | Previsto |
| Praça Seca | Estrutural | Previsto |
| Campo Grande Sul | Local | Previsto |
| Guaratiba Leste | Local | Previsto |
Etapa final
| Região | Tipo | Situação |
|---|---|---|
| Madureira | Estrutural | Previsto |
| Tijuca | Estrutural | Previsto |
| Anchieta | Estrutural | Previsto |
| Méier Sul | Estrutural | Previsto |
| Zona Sul | Estrutural | Previsto |
| Guaratiba Oeste | Local | Previsto |
| Madureira | Local | Previsto |
| Centro Sul | Local | Previsto |
O cronograma-base previa a Fase 3 entre abril de 2026 e abril de 2027, a Fase 4 entre novembro de 2026 e novembro de 2027 e a etapa final entre setembro de 2027 e agosto de 2028.
As duas primeiras concorrências, entretanto, já tiveram mudanças de configuração, agrupamentos de lotes, ausência de interessados, erratas, impugnações e efeitos da disputa judicial com os atuais concessionários. Por isso, essas janelas devem ser entendidas como planejamento, e não como garantia de que cada licitação será concluída exatamente nessas datas.
Disputa judicial continua paralela à licitação
A Prefeitura continua fazendo as licitações, mas a substituição antecipada das empresas atuais está ligada a uma disputa judicial sobre o Segundo Acordo de 2025.
As concessionárias sustentam que o Município descumpriu obrigações econômico-financeiras, especialmente relacionadas aos subsídios e à remuneração da quilometragem após alterações no sistema de bilhetagem.
A Prefeitura discorda e afirma que as diferenças de valores decorrem, entre outros fatores, da quilometragem programada e efetivamente realizada, dos índices de cumprimento de operação, dos reajustes e de regras de desempenho.
Em junho de 2026, a 8ª Vara da Fazenda Pública reconheceu provisoriamente indícios de descumprimento de obrigações pelo Município e suspendeu a exigibilidade de determinadas cláusulas. Posteriormente, decisões em recursos acrescentaram novas discussões processuais.
Na prática, isso criou uma situação em que a Prefeitura pode continuar licitando e selecionando empresas, mas novas transferências antecipadas das concessões antigas podem depender da evolução judicial.
Os contratos A2 e B2 do Grupo Comporte ficaram fora da restrição posterior porque já haviam sido homologados anteriormente.
Cronologia completa da transição
| Data | Marco |
|---|---|
| 2010 | Prefeitura licita o SPPO e cria Intersul, Internorte, Transcarioca e Santa Cruz |
| 2011 em diante | Começam disputas sobre equilíbrio econômico-financeiro |
| Mar/2021 | Prefeitura intervém na operação do BRT |
| Fev/2022 | Caducidade retira BRT das concessões privadas |
| Mai/2022 | Primeiro acordo judicial muda remuneração e antecipa fim dos contratos para 2028 |
| 30/04/2025 | Segundo acordo permite antecipar transferências de linhas |
| 2025 | Sistema Rio nasce com 31 lotes e depois passa para 34 |
| Jul-Ago/2025 | Consulta pública da primeira etapa |
| 17/10/2025 | Primeiro edital da Etapa 1 |
| 01/12/2025 | Nova versão do edital, posteriormente revogada |
| 08/12/2025 | Edital definitivo da Etapa 1 |
| 06/02/2026 | Comporte disputa A2 e B2; B1 fica vazio |
| 12/03/2026 | Prefeitura assina contratos de TUSE e GTU |
| Abr-Mai/2026 | Consulta da Etapa 2 recebe mais de 905 contribuições |
| 03/06/2026 | STF determina tentativa de acordo sobre subsídios |
| Jun/2026 | Justiça interfere nas transferências antecipadas |
| 10/07/2026 | Edital definitivo da Etapa 2 |
| 13/07/2026 | É revelado incentivo de 12% aos ônibus elétricos |
| 23/07/2026 | Primeiros ônibus do Grupo Comporte são vistoriados na Caio |
| Fim de jul/2026 | Novas transferências ficam condicionadas à disputa judicial |
| 24/08/2026 | TUSE começa a operar em Santa Cruz |
| 27/08/2026 | Prefeitura detalha remuneração do biometano |
| 28/08/2026 | Sancetur vence dois contratos e Jabour um; dois ficam vazios |
| 30/08/2026 | Previsto início da GTU em Campo Grande |
| Até dez/2026 | Primeira etapa deve alcançar 316 ônibus |
| 1º tri/2027 | Prefeitura prevê início da operação dos contratos da Etapa 2 com propostas |
| 25/08/2028 | Data prevista para a Rede Plena Expandida e fim das concessões atuais |
A cronologia mostra que a nova licitação não é apenas uma renovação de frota. Ela muda a organização empresarial, a distribuição territorial das linhas, a remuneração, a bilhetagem, a fiscalização e a relação entre receita tarifária e subsídio público.
De quatro grandes consórcios para uma rede fragmentada
O objetivo declarado pela Prefeitura é evitar que uma única concessionária ou um pequeno grupo controle áreas excessivamente grandes da cidade.
No modelo de 2010, quatro grandes consórcios concentram praticamente todo o transporte convencional municipal.
No Sistema Rio, o planejamento territorial tem 34 lotes. A administração argumenta que uma divisão maior facilita a concorrência, permite comparar desempenho entre operadores e torna possível retirar linhas de uma concessionária problemática sem desorganizar uma parcela muito grande da rede.
Isso, entretanto, não impede que uma mesma empresa conquiste diversos contratos.
Na Etapa 2, a Prefeitura confirmou que não estabeleceu número máximo de lotes que uma mesma empresa ou consórcio pode vencer. A Sancetur demonstrou isso já na primeira sessão ao apresentar as propostas vencedoras de dois dos três contratos que tiveram interessados.
Transição vai continuar até 2028
Depois da assinatura de cada contrato, a Prefeitura prevê uma implantação gradual.
A Ordem de Início deve ser emitida em até 30 dias. Pode haver período de transição de até quatro meses, seguido pela Operação Assistida. A Rede Plena deve estar implantada em até nove meses após a Ordem de Início.
O marco definitivo é a Rede Plena Expandida, prevista para 25 de agosto de 2028.
É nessa data que o Município pretende concluir a substituição da estrutura contratada em 2010.
Até lá, dois sistemas convivem: as concessões antigas continuam operando grande parte das linhas da cidade, enquanto novas empresas e novos contratos vão sendo implantados gradualmente.
Comporte, Sancetur e Jabour são, até 28 de agosto de 2026, os grupos empresariais que avançaram nas duas primeiras etapas.
O Grupo Comporte já tem contratos assinados e operação iniciada por meio da TUSE, com a GTU em fase de entrada. Sancetur e Jabour tiveram propostas vencedoras anunciadas na segunda etapa, mas a documentação ainda está em análise.
H1-I3 e H2, na Ilha do Governador e Vila Isabel, permanecem sem interessados.
E outras grandes áreas da cidade — Barra da Tijuca, Realengo, Recreio, Tijuca, Méier, Madureira, Pavuna, Zona Sul e outras — ainda dependem das próximas fases para saber quem vai operá-las no sistema que deverá substituir integralmente as concessões atuais em 2028.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
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