CPTM amplia contrato de apoio técnico à TrensRJ em R$ 1,1 milhão para novos trabalhos na malha ferroviária do Rio de Janeiro
Publicado em: 27 de agosto de 2026
Aditivo inclui novos produtos e mais itens no inventário do sistema que era operado pela SuperVia; estatal paulista já havia sido contratada por até R$ 10,15 milhões para diagnóstico técnico dos ativos e passivos ambientais
ADAMO BAZANI
A CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) ampliou os serviços técnicos prestados à PY13 Participações S.A., permissionária do sistema de trens metropolitanos do Rio de Janeiro e ligada à operação da TrensRJ, que sucedeu a SuperVia. Um aditivo de R$ 1.125.920,18 foi publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo desta quinta-feira, 27 de agosto de 2026, para a inclusão de novos produtos e o acréscimo de itens que deverão ser inventariados pela estatal paulista.
O novo serviço é uma ampliação do contrato firmado em 22 de maio entre a CPTM e a PY13. Como o Diário do Transporte mostrou na ocasião, a contratação original tem vigência de 180 dias e foi estruturada para que especialistas da companhia paulista façam um amplo diagnóstico da infraestrutura ferroviária transferida à nova operadora, verificando ativos, condições operacionais e passivos ambientais. A remuneração-base era de R$ 9,009 milhões, podendo chegar a R$ 10,150 milhões com serviços adicionais previstos originalmente. O extrato do aditivo desta quinta-feira não apresenta o novo valor global consolidado do contrato depois da ampliação.
Aditivo inclui novos produtos e aumenta quantidade de bens que a CPTM terá de verificar
O objeto original está diretamente relacionado à troca de operadores no sistema ferroviário da Região Metropolitana do Rio.
De acordo com a publicação paulista, os serviços são de “apoio técnico especializado em sistemas ferroviários” e foram inicialmente direcionados à fase pré-operacional, particularmente ao inventário e à identificação de passivos ambientais que não estavam anteriormente identificados.
O aditivo assinado em 20 de agosto acrescenta dois elementos ao trabalho: novos produtos técnicos e mais itens a serem inventariados.
O valor atribuído à ampliação é de R$ 1.125.920,18, registrado pela CPTM como previsão de receita.
A publicação não relaciona individualmente quais são os novos produtos nem quantos ativos foram acrescentados ao inventário. Também não informa, no extrato, se o acréscimo altera o prazo inicialmente previsto de 180 dias.
A importância do inventário está no momento de transição do sistema: é necessário identificar exatamente quais bens, instalações, equipamentos e condições foram recebidos pela nova permissionária e quais situações já existiam antes de sua entrada.
Isso também ajuda a delimitar responsabilidades futuras entre o Estado, a antiga operadora e a nova permissionária.
Contrato original previa 34 produtos técnicos
O Diário do Transporte revelou em 4 de junho de 2026 que a CPTM havia sido contratada para realizar o diagnóstico técnico da malha que, até o fim de maio, estava sob responsabilidade da SuperVia.
Naquele momento, a CPTM informou que o contrato previa 34 produtos técnicos.
O valor-base era de R$ 9.009.804,43 e estava relacionado principalmente à verificação da existência dos ativos constantes do Inventário Preliminar anexado ao contrato de permissão e à análise de suas condições operacionais.
Havia ainda a possibilidade de o montante chegar a R$ 10.150.284,53 mediante contratação de serviços adicionais sob demanda, entre eles análises laboratoriais, medições de ruído e levantamentos de custos necessários para licenciamento ambiental.
Um dos 34 produtos já havia sido entregue logo após a assinatura: a análise da aptidão da nova permissionária para entrar na fase de operação comercial.
O trabalho também contemplava conferência física e técnica dos bens registrados no inventário preliminar, além de avaliações de equipamentos, sistemas e infraestrutura.
CPTM passou de operadora paulista a prestadora de serviços para outros sistemas
A contratação também faz parte de uma mudança de atuação da própria estatal paulista.
A CPTM criou a CPTM Serviços para transformar a experiência acumulada em operação, manutenção, engenharia e sistemas ferroviários em serviços oferecidos a outros operadores públicos e privados.
Quando anunciou o contrato com a empresa fluminense, a CPTM informou que já somava 13 contratos de prestação de consultoria e apoio técnico.
O presidente da companhia, Michael Cerqueira, disse na ocasião que a unidade de serviços busca levar a experiência ferroviária da empresa para além de São Paulo e transformar o conhecimento acumulado pela estatal em produtos oferecidos ao mercado.
Há outros exemplos dessa atuação. Em fevereiro de 2026, a CPTM firmou contrato de R$ 216,5 mil com a TIC Trens, responsável pela Linha 7-Rubi e pelo futuro Trem Intercidades, para apoio técnico por meio de simulador de trens.
No caso fluminense, porém, a dimensão é bem maior e envolve uma rede metropolitana completa em processo de mudança de operador.
PY13 é a permissionária; operação é apresentada ao público como TrensRJ
A estrutura societária pode gerar alguma confusão porque aparecem diferentes nomes nos documentos.
O contrato de permissão do sistema ferroviário foi formalmente celebrado pelo Estado do Rio de Janeiro com a PY13 Participações S.A. A empresa foi criada no processo de alienação da UPI SPTF, a Unidade Produtiva Isolada que reuniu ativos, direitos e obrigações relacionados ao sistema ferroviário anteriormente explorado pela SuperVia.
O processo competitivo foi vencido pelo Consórcio Nova Via Mobilidade, único participante do leilão realizado em fevereiro de 2026. O consórcio era formado pelos fundos Magna e Nova Via.
Para os passageiros, a nova operação passou a ser apresentada como TrensRJ.
A SuperVia encerrou suas atividades em 29 de maio de 2026 e, no dia seguinte, 30 de maio, a TrensRJ assumiu oficialmente a operação do sistema ferroviário metropolitano, sob fiscalização da Agetransp.
Mudança encerrou ciclo de quase três décadas da SuperVia
A troca de operador foi resultado de um processo longo.
A SuperVia entrou em recuperação judicial em 2021 e passou os anos seguintes enfrentando dificuldades financeiras, disputas sobre equilíbrio contratual, perdas de passageiros e problemas operacionais.
Em novembro de 2024, Governo do Rio e SuperVia chegaram a um acordo para permitir a substituição da concessionária.
O leilão para a nova operação ocorreu em 10 de fevereiro de 2026. O Consórcio Nova Via Mobilidade foi o único participante. O modelo estabeleceu uma permissão inicial de cinco anos, prorrogável por outros cinco.
A homologação judicial ocorreu em fevereiro e o contrato de permissão foi assinado em 12 de março. A partir daí, iniciou-se uma transição assistida com duração prevista de até 90 dias.
A nova estrutura também modificou a forma de remuneração do operador. Em vez de depender diretamente da quantidade de passageiros transportados, o pagamento passou a considerar a quilometragem ferroviária realizada, segundo os parâmetros definidos no contrato.
O Governo do Estado anunciou ainda investimentos públicos de R$ 652 milhões ao longo de cinco anos para intervenções consideradas críticas, como substituição de postes, trilhos e dormentes, recuperação de transformadores e modernização da rede aérea.
CPTM ajuda a estabelecer retrato técnico do sistema recebido pela nova operadora
É nesse cenário que o contrato paulista ganha importância.
Ao inventariar ativos, conferir condições operacionais e identificar passivos ambientais, a CPTM ajuda a produzir um retrato técnico da infraestrutura que a PY13/TrensRJ recebeu no início da nova permissão.
O serviço pode servir como referência para manutenção, investimentos, planejamento e definição de responsabilidades sobre problemas encontrados no sistema.
A ampliação publicada nesta quinta-feira indica que, já durante a execução, surgiram necessidades adicionais de levantamento e produtos técnicos que não estavam contemplados da mesma maneira no escopo inicial.
A contratação também ocorre num momento em que a TrensRJ enfrenta o desafio de recuperar uma rede de aproximadamente 270 quilômetros, com mais de 100 estações e atendimento a 12 municípios da Região Metropolitana do Rio. Cerca de 300 mil passageiros utilizam diariamente o sistema, segundo dados apresentados pelo Governo do Estado no período da transição.
Mais recentemente, a nova operadora informou avanços em ações de conservação dos trens, enquanto também alertou o Governo do Rio sobre possíveis impactos de débitos deixados pela SuperVia com fornecedores de serviços essenciais. Como mostrou o Diário do Transporte, a TrensRJ sustenta que, pelas regras da nova permissão, não responde pelos passivos financeiros da concessionária anterior.
Assim, o novo aditivo da CPTM vai além de uma relação comercial entre uma estatal paulista e uma empresa fluminense: ele integra o processo de identificação, organização e recuperação de uma das maiores redes de trens metropolitanos do país após a substituição de sua operadora de quase três décadas.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



Ótima essa parceria da TrensRJ firmada com a CPTM!!!
É importante que se mantenha a estrutura e o pessoal técnico da CPTM, mesmo estando ela atualmente desprovida das suas próprias linhas.
Chegará o dia em se haverá de reverter a privataria e o desmonte ao qual a empresa foi submetida, e aí haverá ao menos pessoal qualificado para a missão de reerguê-la.
Lembremo-nos q a onda neoliberal de privatizar o Estado começou na Inglaterra dirigida por Mme, Tatcher. E q foi seguida no Chile pelo Gal. Pinochet. No Chile, resultou em desastre. Na Inglaterra, TODAS as concessões privadas (PPPs) foram devolvidas para o Estado com prejuízos monumentais. Esse modelo não se expandiu no mundo, exceto no Brasil. Mas os paulistas governados por um carioca q nunca dirigiu nenhum programa de sucesso enquanto esteve no governo de Brasília, insiste em levar adiante o desmonte camuflado das PPPs.
Aliás no Chile de hoje (país tão cantado por nossos privatistas em verso e prosa) as suas duas grandes operadoras ferroviárias de passageiros são essencialmente ESTATAIS!.
Daí que há décadas ambas (Metrô de Santiago e EFE-Trenes de Chile) recebem constantes investimentos em expansão, modernização e melhorias, com ampla aprovação dos seus serviços pela população.