Eletromobilidade

Grupo Hexing e Bemol firmam parceria para avançar na eletrificação fluvial da Amazônia

Acordo amplia a oferta de motores elétricos para embarcações e prevê produção em Manaus a partir de 2027, aliando redução de custos, desenvolvimento regional e benefícios socioambientais

ALEXANDRE PELEGI

O Grupo Hexing dá mais um passo em sua estratégia de eletrificação na Amazônia ao firmar um novo acordo comercial com a Bemol para a distribuição de motores elétricos destinados a embarcações. A parceria abre uma nova frente para ampliar o acesso à mobilidade fluvial elétrica em uma região na qual os rios desempenham papel fundamental na infraestrutura de transporte, na atividade econômica e na rotina das comunidades.

A iniciativa vai além da relação comercial e pretende contribuir para a formação de um ecossistema regional de eletrificação, reunindo tecnologia, canais de distribuição, assistência técnica e, em uma etapa futura, produção local. A perspectiva é que a parceria seja ampliada conforme o mercado evolua e as soluções de eletrificação ganhem escala na região.

Eletrificação conectada à realidade amazônica

Na Amazônia, as embarcações fazem parte do cotidiano e são essenciais para o deslocamento de pessoas, o transporte de mercadorias, o trabalho e a geração de renda. Nesse cenário, a forte dependência de motores a combustão cria dificuldades importantes, especialmente em localidades remotas, onde obter combustível pode representar custos elevados, além de desafios logísticos e de segurança.

Em algumas comunidades, o combustível precisa percorrer grandes distâncias até chegar ao destino e, muitas vezes, seu transporte ou armazenamento ocorre em condições inadequadas. Isso aumenta o risco de acidentes e também de perdas por evaporação. A propulsão elétrica surge como uma alternativa para diminuir essa dependência e tornar os custos de operação das embarcações mais previsíveis.

Os benefícios da tecnologia não se limitam à redução das emissões. A navegação elétrica diminui de forma significativa o nível de ruído e elimina os riscos de vazamentos de óleo e combustível relacionados ao funcionamento dos motores convencionais, características especialmente importantes para populações cuja vida econômica e social está diretamente ligada aos rios.

“Quando falamos em eletrificação na Amazônia, não estamos falando apenas de substituir uma fonte de energia por outra. Estamos falando de uma tecnologia com potencial para transformar a economia cotidiana das comunidades, reduzir a dependência do combustível e melhorar a experiência de quem utiliza os rios todos os dias. É a eletrificação aplicada a uma necessidade real da região”, afirma Flávio Pimenta, Diretor de Negócios para a América Latina do Grupo Hexing.

Projeto Pixundé avalia impacto econômico no Rio Solimões

O potencial dessa tecnologia já está sendo analisado em situações reais de operação por meio do Projeto Pixundé, iniciativa de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) realizada no Rio Solimões. O Grupo Hexing forneceu motores elétricos para utilização no projeto, permitindo avaliar na prática os benefícios da solução para a realidade da região.

Entre os resultados identificados está um potencial de redução de mais de R$ 1.000 mensais nos custos de operação de uma embarcação equipada com propulsão elétrica. Em comunidades onde o barco também funciona como instrumento de trabalho e geração de renda, diminuir as despesas recorrentes com combustível pode representar ganho direto na renda disponível e maior autonomia financeira para as famílias.

ESG: benefícios ambientais, sociais e para a saúde

A eletrificação da mobilidade fluvial também está diretamente relacionada à agenda ESG. Sob a perspectiva ambiental, contribui para diminuir as emissões locais e os riscos de contaminação provocados por combustíveis e óleos. No campo social, pode reduzir os custos de deslocamento e favorecer maior autonomia econômica para as populações ribeirinhas.

Outro aspecto importante é a diminuição do ruído. Em localidades onde o funcionamento dos motores de embarcações integra permanentemente a rotina, tecnologias mais silenciosas ajudam a reduzir a exposição contínua de operadores e passageiros a níveis elevados de ruído, além de diminuir a poluição sonora nos rios e nas comunidades.

A modernização das embarcações também coloca em evidência a questão da segurança. O escalpelamento, acidente relacionado principalmente ao contato dos cabelos com eixos ou componentes móveis desprotegidos, permanece como um problema grave enfrentado historicamente pelas comunidades ribeirinhas, atingindo sobretudo mulheres e meninas. A renovação tecnológica da frota, portanto, precisa avançar acompanhada de padrões cada vez mais rigorosos de segurança e proteção aos usuários.

Produção em Manaus prevista para 2027

A estratégia deverá ganhar também uma dimensão industrial. A previsão é que, a partir de 2027, os motores elétricos sejam produzidos na fábrica da Livoltek, empresa pertencente ao Grupo Hexing, localizada em Manaus.

A fabricação regional permitirá aproximar a tecnologia do mercado em que será efetivamente utilizada, além de gerar valor local e fortalecer uma cadeia de soluções de eletrificação desenvolvida a partir da própria Amazônia.

Para o Grupo Hexing, essa iniciativa está inserida em uma estratégia mais abrangente de “eletrificação das coisas”, conceito que busca levar a energia elétrica a aplicações tradicionalmente dependentes de combustíveis fósseis, integrando geração de energia, armazenamento, carregamento e novas soluções de mobilidade.

“A Amazônia reúne uma combinação única: enorme dependência do transporte aquático e desafios importantes de acesso e custo de combustível. Queremos construir um ecossistema de eletrificação pensado para essa realidade. O acordo com a Bemol é um passo comercial importante e a produção desses motores em Manaus, prevista para 2027, reforça nosso compromisso de desenvolver essa transformação a partir da própria região”, complementa Pimenta.

Estratégia regional e assistência técnica

A expansão das operações comerciais será acompanhada pela implantação de uma rede de suporte técnico, inicialmente concentrada nos estados do Amazonas, Pará e Amapá. A proposta é assegurar maior controle sobre o atendimento, os serviços de manutenção e a experiência dos clientes, estabelecendo uma estrutura capaz de sustentar o crescimento da mobilidade elétrica fluvial.

Com a parceria firmada com a Bemol, os testes da tecnologia em condições reais de utilização, a organização da estrutura de pós-venda e a futura produção em Manaus, o Grupo Hexing busca participar de uma nova fase da eletrificação da mobilidade fluvial brasileira, combinando inovação tecnológica, desenvolvimento regional e benefícios socioambientais.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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