História

HISTÓRIA ESPECIAL: Torino entra em nova geração em 2026: dos primeiros modelos de 1983 ao Torino 2027, conheça a história de um dos urbanos mais tradicionais da Marcopolo

Modelo nasceu para substituir o Veneza II, atravessou diferentes gerações, recebeu versões articuladas, biarticuladas, low entry e intermunicipais 

ADAMO BAZANI

Quarenta e três anos depois de seu lançamento, o Torino entra em mais um capítulo de sua história.

A Marcopolo apresentou em agosto de 2026, durante a Lat.Bus, em São Paulo, o Torino 2027, nova geração de uma das famílias de ônibus urbanos mais longevas da indústria brasileira. O modelo surgiu oficialmente em 1983 para substituir o Veneza II e, desde então, atravessou mudanças profundas no transporte coletivo: diferentes posições de motor, crescimento das cidades, criação e expansão de corredores, chegada dos articulados e biarticulados, piso baixo, acessibilidade, climatização, eletrônica embarcada e exigências cada vez maiores relacionadas a custos de operação e manutenção.

Em 2016, quando o modelo tinha pouco mais de três décadas, o Diário do Transporte publicou a reportagem especial “Torino, nome forte que vence as décadas”, recuperando a evolução do urbano desde a primeira geração. Dez anos depois, a chegada do Torino 2027 permite atualizar esta história e observar como as prioridades de desenvolvimento também mudaram. Se nas primeiras gerações ganharam destaque área envidraçada, novas dimensões, adaptação a diferentes chassis e crescimento da capacidade, agora a fabricante coloca entre os principais objetivos reduzir tempo de oficina, simplificar diagnósticos, diminuir necessidade de manutenção e melhorar conforto térmico e climatização.

O criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, conheceu o Torino 2027 antes mesmo da abertura da Lat.Bus.

Na semana anterior à feira, a convite da Marcopolo, a reportagem esteve na unidade da fabricante em São Paulo, teve contato direto com o novo ônibus e entrevistou Ricardo Portolan, diretor Comercial e de Marketing da companhia.

Assim, a cobertura realizada posteriormente durante a Lat.Bus reuniu tanto as informações oficiais divulgadas pela fabricante quanto detalhes obtidos diretamente com o executivo responsável pelo posicionamento comercial do produto.

Relembre:

HISTÓRIA: Torino, nome forte que vence as décadas – Diário do Transporte

Novo Torino 2027 e G8 Tech vão além das mudanças estéticas – Diário do Transporte

1982: O PRIMEIRO TORINO É DESENVOLVIDO

ADAMO BAZANI

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Marcopolo Torino antigo

Marcopolo Torino da primeira geração que começou a ser produzida em 1983. Modelo foi uma evolução do bem sucedido Veneza e iniciou uma era de evolução no transporte urbano brasileiro Fotos: ADAMO BAZANI

A história começa, na realidade, antes de 1983.

O Torino foi desenvolvido em 1982 e teve naquele ano sua primeira unidade produzida.

O protótipo foi construído na fábrica da Eliziário, em Porto Alegre, que naquele período já pertencia à Marcopolo.

A produção seriada começou posteriormente em Caxias do Sul, na unidade do bairro Planalto.

Era um momento de transformação na própria Marcopolo.

A companhia reorganizava suas famílias de produtos.

Nos rodoviários, os modelos que levavam diretamente o nome Marcopolo — Marcopolo I, II e III — davam lugar à nova estrutura de famílias Viaggio e Paradiso.

No segmento urbano, o Torino faria parte desta mesma renovação.

Sua responsabilidade era substituir o Veneza II.

A UNIÃO DE VÁRIAS OUTRAS HISTÓRIAS:

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Marcopolo Torino 1983

Qualidade da primeira geração do Torino chama a atenção. Em 2014, ônibus ano 1988 (ainda da primeira geração) ainda prestava serviços regulares em linha intermunicipal na Grande São Paulo.  FOTOS: ADAMO BAZANI

ANTES DO TORINO, HAVIA O VENEZA

Para entender o Torino, é preciso retornar à família que o antecedeu.

O Veneza havia desempenhado papel importante na Marcopolo durante os anos 1970 e início dos anos 1980.

O período coincidia com rápida urbanização brasileira, crescimento populacional das cidades e necessidade de transportar volumes cada vez maiores de passageiros.

Um dos fatos históricos relacionados à família é particularmente relevante.

Em 1974, quando Curitiba implantou o sistema que posteriormente seria reconhecido internacionalmente como precursor do conceito de BRT, havia veículos Marcopolo Veneza Expresso na operação.

O sistema exigia ônibus adequados a corredores estruturais numa época em que soluções de alta capacidade ainda estavam em estágio inicial de desenvolvimento.

Assim, o Torino não nasceu simplesmente para substituir uma carroceria antiga.

Ele surgiu num momento em que o próprio conceito de ônibus urbano brasileiro estava mudando.

1983: NASCE OFICIALMENTE O TORINO

O lançamento comercial ocorreu em 1983.

A primeira geração ainda mantinha algumas características visuais do San Remo II, outro urbano da Marcopolo.

Uma delas estava na área do motorista.

A janela lateral era relativamente pequena quando comparada às gerações posteriores.

Na traseira, a placa de identificação ficava instalada no para-choque.

A carroceria podia ser montada sobre diferentes chassis disponíveis naquele momento.

Este seria um dos elementos permanentes da história do Torino: a capacidade de adaptação a diferentes fabricantes, dimensões, posições de motor e especificações determinadas pelas empresas e sistemas municipais.

TORINO 1983 – PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS HISTÓRICAS

Item Informação
Desenvolvimento 1982
Lançamento comercial 1983
Antecessor Marcopolo Veneza II
Primeiro protótipo Produzido na Eliziário, em Porto Alegre
Produção seriada inicial Caxias do Sul – bairro Planalto
Segmento Urbano
Aplicações Diferentes chassis urbanos
Característica visual inicial Janela do motorista menor
Placa traseira Instalada inicialmente no para-choque
Período da geração 1983 a 1989, considerando a classificação histórica da Marcopolo

A cronologia de produtos divulgada pela própria Marcopolo registra Torino 1983 entre 1983 e 1989 e uma configuração intermunicipal no mesmo período.

1984: PRIMEIRAS ALTERAÇÕES JÁ NO SEGUNDO ANO

O Torino não permaneceu inalterado durante toda a primeira geração.

Em 1984, a Marcopolo modificou a região do motorista.

A janela lateral ganhou maior dimensão, ampliando o campo de visão.

Na traseira, a placa deixou o para-choque e passou para a área localizada entre as lanternas.

O aumento progressivo da área envidraçada acompanhava uma questão operacional que se tornaria cada vez mais importante: visibilidade.

As cidades cresciam, o trânsito ficava mais intenso e aumentava a necessidade de fornecer ao motorista melhores condições de observação do entorno.

TORINO FOI ATÉ ÔNIBUS DE AEROPORTO

Marcopolo Torino

Desde as primeiras gerações, o produto também recebeu aplicações especiais.

Registros históricos da Marcopolo recuperados pelo Diário do Transporte mostram exemplares do Torino utilizados em transporte aeroportuário já em 1984.

A aplicação demonstra a flexibilidade da carroceria, que não permaneceu restrita às linhas municipais convencionais.

1986: PRODUÇÃO PASSA PARA ANA RECH

Logo depois do lançamento, Torino passou por reestilização

Logo depois do lançamento, Torino passou por reestilização

Em 1986, ocorreu outra mudança.

A fabricação do Torino foi transferida para a unidade de Ana Rech, também em Caxias do Sul.

O desenho da grade dianteira foi alterado.

Os frisos passaram a ter maior espaçamento, aumentando a passagem de ar.

Era uma mudança funcional particularmente importante para ônibus de motor dianteiro, nos quais ventilação e refrigeração do conjunto mecânico influenciam diretamente a operação.

Curiosamente, mais de quatro décadas depois, a ventilação do motor aparece novamente entre as preocupações do Torino 2027.

Segundo Ricardo Portolan informou ao Diário do Transporte, a nova dianteira possui uma abertura para entrada de ar de maior amplitude justamente para aumentar a refrigeração das configurações com motor dianteiro.

1989: NOVO VISUAL E MAIS VISIBILIDADE PARA O MOTORISTA

Em 1989, o Torino recebeu nova estilização.

A janela do motorista ganhou características próprias e aumentou novamente a área de visão.

A evolução tinha componentes estéticos, mas também de segurança e ergonomia.

Com cidades mais congestionadas e crescimento do número de carros, motocicletas e pedestres, melhorar a visibilidade do motorista passou a ser requisito cada vez mais importante.

A cronologia histórica da Marcopolo registra o Torino 1989 entre 1989 e 1994 e uma versão intermunicipal produzida entre 1989 e 1993.

TORINO 1989

Item Informação
Lançamento 1989
Segmento principal Urbano
Versão adicional Intermunicipal
Mudança importante Maior área envidraçada na região do motorista
Produção urbana 1989 a 1994
Intermunicipal 1989 a 1993

1990: TORINO LN

No início dos anos 1990 surgiu outra evolução, conhecida como Torino LN.

A carroceria ganhou dimensões maiores, assim como a área envidraçada.

O letreiro de destino também foi modernizado.

O sistema de abertura das portas acompanhou a renovação.

Na reportagem histórica de 2016, o Diário do Transporte destacou esta etapa como uma das mudanças que ajudaram o modelo a acompanhar novas exigências das cidades.

1989 – MAIS UM PASSO

1989

Em 1909, Torino entrava numa nova geração, com alterações estéricas e funcionais

Em 1989, Torino entrava numa nova geração, com alterações estéricas e funcionais

No ano de 1989, o Torino recebia mais uma estilização. A janela do motorista começava a ganhar identidade própria. Não só por aspectos estéticos. O trânsito e os acidentes cresciam nas cidades e as indústrias tinham de oferecer veículos com visibilidade melhor para o motorista, o que significava maior área de envidraçamento.
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A geração de 1989 também teve versão intermunicipal

A geração de 1989 também teve versão intermunicipal

Entre 1989 e 1990, entrava uma nova versão, Torino LN (época do Torino Geração IV como era popularmente chamado). Além de a área envidraçada e o tamanho da carroceria ganharem maiores dimensões, o letreiro e o sistema de abertura de portas foram modernizados.

A geração do Torino 1989 entra na era dos biarticulados para grande capacidade de passageiros. Biarticulado sobre chassi Volvo B58

A geração do Torino 1989 entra na era dos biarticulados para grande capacidade de passageiros. Biarticulado sobre chassi Volvo B58

Visualmente, ele era parecido com o Torino da primeira geraçã

1994/1995: TORINO GV LEVA A FAMÍLIA A OUTRA FASE

A metade da década de 1990 trouxe uma das mudanças mais reconhecidas pelos admiradores de ônibus.

Surgia o Torino GV.

A cronologia histórica de modelos da Marcopolo registra o Torino GV entre 1994 e 1999.

Na história publicada pelo Diário do Transporte, 1995 aparece como o período em que a família entrou efetivamente nesta nova fase de mercado.

O nome GV acompanhava a identidade visual adotada naquele momento por diferentes produtos da Marcopolo.

O Torino ganhou novo conjunto óptico dianteiro e traseiro, alterações de grade e maior espaço interno.

O objetivo não era apenas modernizar o desenho.

A concorrência no mercado de ônibus urbanos havia aumentado significativamente.

A Caio tinha no Vitória um produto de forte presença.

Outras fabricantes também ampliavam participação.

A Marcopolo intensificou pesquisas com empresas e passageiros para definir características do novo urbano.

TORINO GV

Item Informação
Período 1994/1995 a 1999
Identidade Família GV da Marcopolo
Segmento Urbano
Principais mudanças Dianteira, traseira, conjunto óptico e espaço interno
Aplicações Diferentes chassis e configurações urbanas
Contexto Aumento da concorrência entre encarroçadoras

ARTICULADO E BIARTICULADO: TORINO GANHA TAMANHO

A década de 1990 também ampliou radicalmente as dimensões do Torino.

A Marcopolo passou a utilizar o nome em ônibus articulados e biarticulados destinados a sistemas de alta capacidade.

O Torino LS tornou-se particularmente conhecido.

Curitiba recebeu veículos da família em suas operações estruturais.

São Paulo também testou Torino LS biarticulado em 1995.

Mais tarde, o Torino voltaria a aparecer nos biarticulados curitibanos.

Um exemplo preservado historicamente é um Volvo B10M com carroceria Torino 1999 LS, utilizado no sistema da capital paranaense.

Assim, a história do Torino não ficou limitada ao ônibus convencional de aproximadamente 12 metros que se tornou comum nas ruas brasileiras.

O nome também esteve associado a algumas das maiores carrocerias urbanas produzidas naquele período.

TORINO E O PISO BAIXO

Outra transformação importante foi a adaptação a chassis com piso mais baixo.

Durante os anos 1990, o transporte coletivo brasileiro começava a receber, ainda em pequena escala, plataformas que buscavam reduzir a altura de embarque.

A evolução seria determinante posteriormente para acessibilidade.

O Torino acompanhou este processo em diferentes configurações e, nas gerações seguintes, recebeu versões Low Entry.

A família, portanto, foi atravessando praticamente todas as principais arquiteturas mecânicas do ônibus urbano brasileiro: motor dianteiro, central e traseiro, convencionais, articulados, biarticulados e modelos de acesso rebaixado.

1995 – A ERA DO GV

O ano de 1995 foi marcante para a família de ônibus Torino. O veículo ganhava ares mais modernos, maior espaço interno e possibilidades de encarroçamento sobre mais chassis. Surgia o Torno GV. Nesta época, a concorrência com outras marcas de carrocerias era grande.

A Caio se destaca desde 1988/1989 com o modelo Vitória. A Thamco também no início dos anos de 1980, com o Scorpion e posteriormente o Dinamus marcava presença no mercado.

Para atender às novas necessidades de mercado e para fazer frente à concorrência que o Torino anterior vivia, a Geração V teve de ser pensada em diversos aspectos. As pesquisas de campo se intensificam e in loco a Marcopolo teve de mais uma vez saber do que as empresas e os passageiros de ônibus precisavam.

Participou da elaboração do modelo o designer italiano Giorgetto Giugiaro, que atuou em projetos automobilísticos famosos como gerações do Palio e Fiat Punto.

Torino GV

A geração V da Marcopolo trouxe inovações para os transportes urbanos e rodoviários, como novos conceitos de produção. Em 1995, o Torino passou a integrar esta geração. FOTO: ADAMO BAZANI

No mesmo ano, em 1995, o Torino respondia a outra necessidade de mercado. A dos ônibus de grande porte para atender a demandas cada vez mais altas. Surgiam o Torino LS Articulado e o Torno LS Biarticulado, que atenderam ao mercado de BRT de Curitiba. Algumas unidades usadas de Curitiba circularam em Manaus e em São Paulo.

 

O Torino LS era resposta para necessidade de veículos que atendessem a demanda de passageiros que não parava de crescer nas cidades

O Torino LS biarticulado era resposta para necessidade de veículos que atendessem a demanda de passageiros que não parava de crescer nas cidades

O Torino LS biarticulado era resposta para necessidade de veículos que atendessem a demanda de passageiros que não parava de crescer nas cidades

Torino LS articulado

Torino LS articulado

Com possibilidade de ser encarroçado sobre chassis de motor traseiro, o Torino dos anos de 1990 correspondeu à busca por veículos de transportes urbanos mais qualificados. FOTO: DIVULGAÇÃO MARCOPOLO

Com possibilidade de ser encarroçado sobre chassis de motor traseiro, o Torino dos anos de 1990 correspondeu à busca por veículos de transportes urbanos mais qualificados. FOTO: DIVULGAÇÃO MARCOPOLO

O Torno GV tinha novo estilo no conjunto óptico tanto na frente como atrás e a grade no caso dos motores dianteiros foi reformulada. Na traseira havia como opcional a lanterna de freio de emergência, brake-light e o nome Marcopolo em baixo relevo.

Marcopolo Torno entra na era da acessibilidade com o piso baixo.

Marcopolo Torno entra na era da acessibilidade com o piso baixo.

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Geração V do Torino teve diversas unidades feitas para trólebus

Geração V do Torino teve diversas unidades feitas para trólebus

O brake-ligth se tornou item de série no Torino Geração V em 1987. No ano seguinte, foi um Torino desta geração, em 1988, um dos primeiros ônibus em série do Brasil a ser encarroçado sobre um chassi de piso baixo – low entry.

1999 – UM NOVO TORINO OU UM GV II ?

O ano de 1999 foi marcante também para o Torino, que entrava numa nova geração.

1999

Geração de 1999 do Torino tentou dar um ar mai moderno ao GV, com linhas mais arredondadas e novo conjunto ótico traseiro

Geração de 1999 do Torino tentou dar um ar mai moderno ao GV, com linhas mais arredondadas e novo conjunto ótico traseiro

1999: NOVA GERAÇÃO E PRODUÇÃO NO RIO DE JANEIRO

O ano de 1999 é outro marco.

O Torino ganhou nova geração e passou a ser produzido também na fábrica da antiga Ciferal em Xerém, no Rio de Janeiro.

A Marcopolo havia adquirido naquele ano a operação da tradicional encarroçadora fluminense.

Fundada em 1955, a Ciferal teve longa trajetória na indústria brasileira, passou por crises financeiras e chegou a ser administrada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro antes de retornar à iniciativa privada.

Com a aquisição pela Marcopolo, a planta de Xerém tornou-se um dos principais centros de fabricação de ônibus urbanos da companhia.

A cronologia histórica registra o Torino 1999 produzido de 1999 a 2007.

O produto conviveu durante parte deste período com carrocerias ainda comercializadas com a marca Ciferal, como Turquesa e Citimax.

TORINO 1999

Item Informação
Lançamento 1999
Produção Até 2007
Fábricas Rio de Janeiro e estruturas industriais da Marcopolo
Marco industrial Início da produção na planta da antiga Ciferal em Xerém
Configurações Convencional e aplicações de maior capacidade
Destaque Torino LS em articulados/biarticulados

RIO DE JANEIRO SE TORNA UMA DAS CASAS DO TORINO

A importância da unidade fluminense aparece nos números.

Em 2013, a Marcopolo comemorou a produção de 50 mil unidades do Torino somente no Rio de Janeiro desde o início das atividades da marca na antiga planta da Ciferal em 1999.

Naquela ocasião, o Diário do Transporte destacou que o veículo já era um dos modelos urbanos de maior longevidade do mercado.

A unidade comemorativa tinha ar-condicionado, cortinas, lanternas traseiras de LED e letreiros eletrônicos e seria utilizada em linhas alimentadoras de BRT.

O número de 50 mil unidades somente numa fábrica ajuda a dimensionar a presença do Torino em sistemas urbanos brasileiros.

Em 1999, porém, a planta da Ciferal foi adquirida pela Marcopolo, que aos poucos passava a produção de veículos urbanos para o Rio de Janeiro.

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Ciferal Turquesa. Linhas muito semelhantes às do Torino, com mais diferenças apenas no conjunto ótico

Ciferal Turquesa. Linhas muito semelhantes às do Torino, com mais diferenças apenas no conjunto ótico

O Torino conviveu com dois modelos de marca Ciferal: o Ciferal Turquesa e o último a receber a denominação Ciferal, o Citimax.

Esta nova geração de Torino  tinha base na Geração V.

Modelo da geração de 1999 também encarroçou chassi articulado

Modelo da geração de 1999 também encarroçou chassi articulado

Modelo da geração de 1999 também encarroçou chassi articulado

Carroceria tinha opção para chassi com motor traseiro

Carroceria tinha opção para chassi com motor traseiro

A frente e a traseira foram alteradas, assim como painel do motorista e balaústres, que tinham a opção de serem curvados na parte superior quando na posição vertical.

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A versão de 1999 do Torino LS marcou os transportes em Curitiba

A versão de 1999 do Torino LS marcou os transportes em Curitiba

Especialmente para o sistema de corredores de ônibus de Curitiba, em 1999 surgira também a nova geração de Torino LS – Long Size. O modelo biarticulado era sobre chassi da Volvo.

2007: OUTRA GERAÇÃO

Em 2007 chegou uma nova geração.

As linhas ficaram menos quadradas em relação ao modelo de 1999 e o aproveitamento interno foi revisto.

A Marcopolo procurava responder ao crescimento das demandas de passageiros e à necessidade de acomodar diferentes layouts internos.

O Torino 2007 permaneceria durante vários anos em produção e se tornaria uma das imagens mais conhecidas da família.

TORINO 2007

Item Informação
Lançamento 2007
Segmento Urbano
Mudanças Novo desenho externo e revisão do aproveitamento interno
Aplicações Diferentes chassis urbanos
Produção A partir de 2007 até a substituição pela geração seguinte

 

2007 – UM TORINO NA ERA DO LED E DAS INOVAÇÕES INFORMATIZADAS:

O Torino LS biarticulado era resposta para necessidade de veículos que atendessem a demanda de passageiros que não parava de crescer nas cidades

Robustez é uma das marcas do modelo. Foto: Adamo Bazani

Em 2007 foi lançada mais uma versão do Torino, com novas linhas, mais sóbrias e ao mesmo tempo harmoniosas e marcantes. Além dos ganhos estéticos, com janelas e conjuntos óticos mais avançados, mesclando linhas arredondadas e hexagonais, o Torino se tornou mais moderno para uma gama maior de aplicações urbanas.

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O Torino assumiu tamanha importância no transporte urbano brasileiro, que algumas empresas o elegeram como único modelo a fazer parte de suas frotas de ônibus convencionais: Foto ADAMO BAZANI

O Torino assumiu tamanha importância no transporte urbano brasileiro, que algumas empresas o elegeram como único modelo a fazer parte de suas frotas de ônibus convencionais: Foto ADAMO BAZANI

O modelo também trazia área interna com melhor aproveitamento pela engenharia industrial para dar conta da demanda crescente de passageiros.

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A geração que surgiu em 2007 manteve uma das características históricas do Torino: a flexibilidade para diversos tipos de chassis

A geração que surgiu em 2007 manteve uma das características históricas do Torino: a flexibilidade para diversos tipos de chassis

De acordo com a Marcopolo, a planta do Rio de Janeiro recebeu entre 2010 e 2014 investimentos de R$ 30 milhões para ampliar e modernizar a produção. Entre as novidades um novo lay out produtivo, equipamentos mais avançados e uma área de pintura renovada, com quatro cabines.

: Com mais de 20 mil unidades exportadas, como esta para o Uruguai, o Torino teve diferentes configurações: DIVULGAÇÃO MARCOPOLO

: Com mais de 20 mil unidades exportadas, como esta para o Uruguai, o Torino teve diferentes configurações: DIVULGAÇÃO MARCOPOLO

“Nosso objetivo é ser reconhecida como centro de excelência na produção de ônibus urbanos no Brasil. Os investimentos realizados nos últimos anos permitiram que atingíssemos elevados padrões de qualidade e produtividade e hoje estamos com produção de 28 unidades por dia”, enfatiza Alberto Calcagnotto, diretor da Marcopolo Ciferal, em nota à imprensa especializada.

Em 2014, a planta da Marcopolo no Rio de Janeiro conseguiu ter capacidade para produzir anualmente 7 mil ônibus , empregando aproximadamente 2 mil 600 pessoas.

“A Marcopolo Ciferal é responsável por mais de 30% da produção de ônibus da Marcopolo. Também vale lembrar a sua importância histórica para o Estado do Rio de Janeiro, como a primeira empresa a produzir carrocerias de ônibus naquele Estado, em 1955, e continuar a ser uma das principais companhias do polo automotivo local, em razão do elevado volume de unidades fabricadas, investimentos realizados e utilização de mão de obra intensiva” – complementa Alberto Calcagnotto, diretor da Marcopolo Ciferal, em nota à imprensa especializada.

2013/2014: TORINO É NOVAMENTE REDESENHADO

A geração seguinte foi apresentada entre 2013 e 2014.

A Marcopolo passou a utilizar comercialmente a denominação Torino 2014.

O modelo trouxe uma nova linguagem visual, modificações estruturais, revisão de componentes internos e maior aproximação estética com outros produtos da marca daquele período.

A família ganhou ainda derivações.

Em 2014 surgiu o Torino Express, voltado a aplicações de maior capacidade.

Em 2015 foi apresentada a configuração Torino Low Entry.

Estas versões mostram novamente a capacidade do nome Torino de ser utilizado em ônibus bastante diferentes entre si.

TORINO LOW ENTRY

O Low Entry possui parte do piso rebaixada para reduzir degraus na região de embarque.

A solução busca facilitar acesso de idosos, pessoas com mobilidade reduzida, usuários com carrinhos e passageiros em geral.

É uma arquitetura intermediária entre ônibus de piso alto convencional e veículos totalmente low floor.

A Marcopolo passou a oferecer oficialmente esta configuração dentro da família Torino a partir de 2015.

2017: SURGE O TORINO S

Em maio de 2017, a Marcopolo apresentou uma versão simplificada denominada Torino S.

O “S” correspondia a Soluzione.

O objetivo era reduzir complexidade de determinados componentes e facilitar limpeza, manutenção e substituição de peças.

Entre as características estavam saias laterais retas, lanternas traseiras redondas substituíveis individualmente, faróis e sinaleiras dianteiras intercambiáveis e para-choque traseiro dividido em três partes.

A placa de identificação passou para a área acima do para-choque.

A procura pela configuração aumentou e, em 2018, a Marcopolo decidiu retirar comercialmente a denominação Torino S.

Os dois padrões continuaram sendo oferecidos, mas passaram a utilizar simplesmente o nome Torino.

O episódio ajuda a compreender uma característica importante do desenvolvimento do Torino 2027.

A busca pela simplificação de manutenção não começou agora.

Mas no novo produto este conceito passa a atingir simultaneamente portas, arquitetura elétrica, central de componentes, conjunto óptico, materiais e diagnóstico eletrônico.

2013 – O ANO DE UM NOVO TORINO:

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Em 2013, foi lançado o New Torino. O painel multiplex tem acionamento de funções com apenas um toque numa tela de 3,5 polegadas, motorista controla de forma mais fácil a operação do veículo. Novos conjuntos óticos, estética modernizada fazem parte de um pacote de mudanças que também na forma de produção e de elementos novos empregados na carroceria

Em 2013, foi lançado o New Torino. O painel multiplex tem acionamento de funções com apenas um toque numa tela de 3,5 polegadas, motorista controla de forma mais fácil a operação do veículo. Novos conjuntos óticos, estética modernizada fazem parte de um pacote de mudanças que também na forma de produção e de elementos novos empregados na carroceria

A marca Torino foi consagrada no mercado de ônibus brasileiro e também em parte do mundo.

Descontinuar este nome, no mínimo, não seria uma boa estratégia.

Assim, em 10 de dezembro de 2013, a Marcopolo lança oficialmente o novo Torino, ou New Torino, como chamam alguns funcionários da empresa.

O aspecto geral do modelo continua, mas com novas propostas e mudanças tanto estéticas como de projeto.

O Torino passou a contar com materiais mais leves e modernos que aumentam a funcionalidade do veículo.

Os conjuntos ópticos dianteiro e traseiro contam agora com luzes diurnas, permitindo com que os outros motoristas notem o ônibus numa distância maior, aumentando a segurança.

O sistema multiplex, que permite o gerenciamento das funções da carroceria e do chassi, podendo mostrar preventivamente eventuais problemas, foi renovado. O painel de instrumentos conta com uma tela LCD de 3,5 polegadas que informa os principais dados de funcionamento do ônibus. O novo Torino pode ter como opcional sistema de ar condicionado.

Torino da nova geração ao lado de dois "irmãos mais velhos" da geração de 2007

Torino da nova geração ao lado de dois “irmãos mais velhos” da geração de 2007

Para facilitar a manutenção, algumas peças foram redesenhadas e ganharam novos conceitos, como os para-choques dianteiro e traseiro divididos cada um em três partes. Assim, dependendo da colisão, não é necessário trocar toda a peça.

A Marcopolo diz também que os novos-parachoques absorvem melhor os impactos.

O assoalho do ônibus também é dividido, formado por painéis que podem ser removidos, o que facilita a manutenção interna. A remoção dos painéis do assoalho para manutenção pode ser feita sem a necessidade de retirar as poltronas do ônibus.

O tamanho da carroceria é de até 13 metros e 28 centímetros, com capacidade para 47 passageiros sentados mais motorista, cobrador e espaço para cadeira de rodas ou cão guia, conforme determina legislação brasileira.

A altura máxima é de altura de 3.285 mm (com sistema de ar-condicionado no teto) e largura de 2.545 mm

Em 21 de outubro de 2014, a Marcopolo informava à imprensa na área de transportes o New Torino chegava a uma marca de mil unidades vendidas, ou seja, menos de um ano após a apresentação desta geração.

TORINO ARTICULADO:

Em 2014, o Maropolo Torino voltava a era dos articulados. O modelo traz as inovações do Marcopolo Viale, mas com uma configuração mais simples, trazendo resultados considerados positivos na relação custo/benefício: FOTO DIVULGAÇÃO MARCOPOLO

Em 2014, o Maropolo Torino voltava a era dos articulados. O modelo traz as inovações do Marcopolo Viale, mas com uma configuração mais simples, trazendo resultados considerados positivos na relação custo/benefício: FOTO DIVULGAÇÃO MARCOPOLO

Pouco menos de um ano depois, em 13 de outubro de 2014, a Marcopolo que se concentrava há quase dez anos na produção apenas do modelo Viale Articulado, apresentou uma geração deTorino nesta configuração.

O modelo foi produzido inicialmente para os sistemas de corredores para trânsito rápido de ônibus (BRT – Bus Rapid Transit).

Estas primeiras unidades foram encarroçadas sobre chassis Volvo B340 MA de comprimento total de 20,39 metros, o Novo Torino Articulado foi desenvolvido para atender o padrão definido para o município do Rio de Janeiro. O modelo apresenta visual moderno e tecnologia aplicada a favor da funcionalidade, conforto e segurança, com sistema multiplex redesenhado, painel de instrumentos com tela colorida de LCD de 3,5 polegadas e sistema de ar-condicionado opcional. Também conta com novos conjuntos ópticos traseiro e frontal que incluem luz diurna, que agrega mais segurança no trânsito urbano.

MAIS DE 120 MIL TORINOS

A longevidade veio acompanhada de escala.

Em 2018, o Diário do Transporte já registrava aproximadamente 120 mil unidades produzidas ao longo da história da família.

Na apresentação do Torino 2027, a Marcopolo voltou a informar que o modelo já superou a marca de 120 mil unidades em mais de quatro décadas.

Os veículos foram utilizados não apenas no Brasil.

A família também teve presença internacional.

Em 2016, o levantamento histórico do Diário do Transporte apontava mais de oito mil unidades exportadas até aquele período.

2026: CHEGA O TORINO 2027

Mais de quatro décadas depois da estreia, a Marcopolo decidiu realizar outra renovação significativa.

O Torino 2027 foi lançado oficialmente na Lat.Bus 2026.

A primeira diferença percebida é visual.

Dianteira, conjunto óptico e traseira foram redesenhados.

Mas a fabricante procura enfatizar que o desenvolvimento não foi simplesmente uma reestilização.

Segundo Ricardo Portolan, houve mudanças em processo produtivo, materiais, sistemas elétricos, portas, climatização, posto do motorista e manutenção.

NOVA FRENTE TEM MAIOR ABERTURA PARA REFRIGERAÇÃO

No veículo de motor dianteiro conhecido antecipadamente pelo Diário do Transporte, sobre chassi Volkswagen, chama atenção a abertura frontal destinada à refrigeração.

Segundo Portolan, o projeto ampliou a área de entrada de ar para o conjunto mecânico.

A mudança mostra como um desafio das primeiras gerações ainda permanece presente.

Em 1986, a Marcopolo já havia aumentado o espaçamento da grade dianteira do Torino para melhorar o resfriamento do motor.

Em 2026, o mesmo princípio reaparece num projeto completamente novo, com materiais, aerodinâmica e arquitetura diferentes.

MAIS DE 30% MENOS FIBRA DE VIDRO

Uma das alterações de fabricação está nos materiais.

Segundo a Marcopolo, o Torino 2027 reduziu em mais de 30% o uso de fibra de vidro.

A empresa diz ter substituído parte das peças por materiais considerados mais duráveis e adequados aos processos atuais de fabricação e manutenção.

O objetivo é também simplificar reparos.

Em ônibus urbanos, pequenos danos externos são frequentes devido ao tipo de operação, proximidade com outros veículos, terminais e objetos urbanos.

PORTAS FICARAM 30% MAIS LEVES

O sistema de portas foi completamente redesenhado.

As folhas simétricas ficaram 30% mais leves, segundo números divulgados pela Marcopolo.

O mecanismo de acionamento também foi revisto para tentar diminuir desalinhamentos, vazamentos de ar e necessidade de regulagens.

Para uma empresa de ônibus, esta mudança é particularmente importante porque portas estão entre os componentes submetidos ao maior número de ciclos diários.

Um ônibus urbano pode abrir e fechar suas portas centenas de vezes durante uma jornada.

Assim, uma falha aparentemente pequena pode retirar o veículo da operação.

MENOS TEMPO NA OFICINA É UM DOS PRINCIPAIS OBJETIVOS

A ideia de disponibilidade operacional aparece repetidamente no desenvolvimento do Torino 2027.

Portolan explicou ao Diário do Transporte que a fabricante procura diminuir tanto a frequência quanto a complexidade das intervenções.

A lógica é simples: ônibus parado para manutenção não transporta passageiros.

Também pode obrigar a empresa a manter maior quantidade de veículos reserva.

A questão ganhou importância adicional diante da dificuldade do setor para contratar profissionais especializados em manutenção.

Por isso, a Marcopolo relaciona as soluções diretamente a custo operacional e disponibilidade de frota.

EVIA MUDA A ARQUITETURA ELETROELETRÔNICA

Uma das transformações menos visíveis externamente está na eletrônica.

O Torino 2027 utiliza a arquitetura EVIA, sigla para Equipment for Vehicle Interface Architecture.

O sistema integra equipamentos da carroceria e foi desenvolvido também para facilitar diagnóstico de falhas.

Há um novo painel de indicadores e um aplicativo de diagnóstico.

A central elétrica também aumentou de tamanho para melhorar acesso aos componentes durante montagem e manutenção.

Apesar do avanço eletrônico, a Marcopolo decidiu manter grande parte dos comandos do motorista em teclas físicas.

Portolan afirmou que a opção levou em consideração a preferência de profissionais que operam o veículo diariamente.

FARÓIS PODEM SER LED OU HALÓGENOS

O conjunto óptico é completamente novo.

A Marcopolo permite configurações com faróis de LED ou halógenos.

O DRL é de LED.

Farol de neblina em LED pode ser especificado como opcional.

Os acessos foram redesenhados para facilitar a substituição de componentes.

Na traseira, as lanternas também utilizam LED e possuem acesso simplificado.

ATÉ 5°C A MENOS NO POSTO DO MOTORISTA

Nas configurações com motor dianteiro, temperatura e ruído próximos ao motorista sempre foram desafios importantes.

O motor fica ao lado ou muito próximo do posto de condução.

No Torino 2027, a Marcopolo informa ter desenvolvido novo isolamento térmico.

Segundo a fabricante, a solução pode reduzir em até 5°C a temperatura na região do motorista.

O posto também ficou mais largo.

Há novos espaços para objetos e garrafas, alterações ergonômicas e novos retrovisores.

Quatro difusores direcionáveis fornecem ventilação ao condutor.

Pode haver ainda sistema Twin, com defroster refrigerado e equipamento específico para desembaçamento do para-brisa.

AR-CONDICIONADO TEM FLUXO ATÉ 40% MAIS RÁPIDO

O sistema de climatização do salão também foi revisto.

A engenharia utilizou simulações virtuais de fluxo de ar no desenvolvimento dos dutos.

Segundo a Marcopolo, a velocidade média do ar pode ser até 40% maior em comparação com a geração anterior.

A intenção é reduzir diferenças de temperatura ao longo do salão.

No ônibus urbano, este fator possui uma característica particular.

Ao contrário de uma viagem rodoviária, o passageiro pode permanecer poucos minutos no veículo.

Por isso, a fabricante considera importante que a sensação térmica proporcionada pelo ar-condicionado ocorra rapidamente após o embarque.

NOVA GERAÇÃO DE POLTRONAS

As poltronas também foram redesenhadas.

Há diferentes padrões destinados às necessidades de cada operador.

Podem ser especificadas versões mais simples para serviços urbanos de alta rotatividade ou configurações com encosto mais alto e apoio de cabeça.

Também podem receber tomadas USB e USB-C.

A Marcopolo afirma ter trabalhado simultaneamente em ergonomia e redução de peso.

PRODUÇÃO EM DUAS FÁBRICAS

O Torino 2027 será produzido em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, e São Mateus, no Espírito Santo.

A produção em duas unidades é outro capítulo da história industrial do modelo.

O primeiro protótipo nasceu na Eliziário, em Porto Alegre.

Depois vieram Caxias do Sul, Planalto e Ana Rech.

Em 1999, a antiga planta Ciferal de Xerém passou a ter grande importância para o Torino.

Agora a nova geração terá Caxias do Sul e São Mateus como bases produtivas anunciadas pela fabricante.

FICHA TÉCNICA RESUMIDA – TORINO 2027

Item Informação
Modelo Marcopolo Torino 2027
Lançamento Agosto de 2026
Aplicação Transporte urbano
Família Torino
Origem da família 1983
Unidades produzidas da família Mais de 120 mil, segundo a Marcopolo
Configuração vista antecipadamente pelo Diário do Transporte Motor dianteiro, chassi Volkswagen
Comprimento da configuração apresentada A partir de 12 metros
Arquitetura eletroeletrônica EVIA
Diagnóstico Novo painel e aplicativo
Portas Folhas simétricas 30% mais leves
Materiais Redução superior a 30% no uso de fibra de vidro
Faróis LED ou halógenos
DRL LED
Farol de neblina LED opcional
Lanternas traseiras LED
Isolamento do motorista Redução anunciada de até 5°C
Climatização Velocidade média do ar até 40% superior à geração anterior
Poltronas Nova família com diferentes configurações
Conectividade para passageiro Opções USB e USB-C
Produção Caxias do Sul (RS) e São Mateus (ES)

Os percentuais e ganhos apresentados são dados anunciados pela Marcopolo para o novo produto.

CRONOLOGIA DO MARCOPOLO TORINO

Ao longo de mais de quatro décadas, a família atravessou diferentes denominações e atualizações.

Ano/período Modelo ou fase Principal característica
1982 Protótipo Torino Primeiro veículo desenvolvido na fábrica da Eliziário
1983 Torino primeira geração Lançamento comercial; sucessor do Veneza II
1984 Atualização Janela do motorista maior e alteração da placa traseira
1986 Atualização Produção em Ana Rech e nova grade para refrigeração
1989 Torino 1989 Novo desenho e maior área de visão para o motorista
1989 Torino Intermunicipal Configuração para serviços intermunicipais
1990 Torino LN Maiores dimensões, novo letreiro e alterações nas portas
1994/1995 Torino GV Nova identidade visual e ampliação das configurações
1995 Torino LS Articulado Aplicação de alta capacidade
1995 Torino LS Biarticulado Versões para BRT e testes em São Paulo
1999 Torino 1999 Nova geração e expansão da produção em Xerém
anos 2000 Torino LS Aplicações articuladas e biarticuladas
2007 Torino 2007 Nova geração estética e interna
2013/2014 Torino 2014 Redesenho completo da família
2014 Torino Express Configuração voltada a maior capacidade
2015 Torino Low Entry Versão com embarque rebaixado
2017 Torino S Soluções simplificadas para manutenção
2018 Torino Marcopolo elimina comercialmente o “S”, mantendo diferentes configurações
2026 Torino 2027 Nova geração com EVIA, manutenção simplificada, nova climatização e materiais

A cronologia combina os registros históricos publicados pelo Diário do Transporte e a relação de produtos da Marcopolo.

O TORINO E AS MUDANÇAS DAS CIDADES

A evolução do Torino permite observar mudanças que vão muito além do desenho de uma carroceria.

Quando o modelo surgiu, em 1983, a preocupação estava em substituir o Veneza por um urbano mais adequado a cidades que cresciam rapidamente.

A área de visão do motorista aumentou.

As carrocerias ficaram maiores.

Surgiram versões para diferentes chassis.

Depois vieram articulados e biarticulados para corredores de alta capacidade.

O piso baixo entrou na pauta.

A acessibilidade passou a determinar características construtivas.

Ar-condicionado, iluminação de LED, letreiros eletrônicos e eletrônica embarcada deixaram de ser exceções.

Hoje, muitos destes recursos já são esperados ou exigidos pelos sistemas.

A discussão avança agora para disponibilidade operacional, diagnóstico eletrônico, tempo de manutenção, eficiência dos componentes, climatização e ergonomia.

DE UMA JANELA MAIOR AO DIAGNÓSTICO POR APLICATIVO

Há uma comparação interessante entre o Torino de 1983 e o Torino 2027.

Nas primeiras atualizações, uma das mudanças mais importantes era simplesmente aumentar a janela do motorista.

Era necessário enxergar melhor uma cidade cada vez mais complexa.

Quatro décadas depois, visibilidade continua importante, mas o ônibus passou a acumular outra camada de complexidade.

Agora, uma central elétrica integra sistemas eletrônicos.

Um aplicativo identifica falhas.

A carroceria precisa dialogar com sensores e módulos.

O ar-condicionado é desenvolvido com simulação computacional.

Portas são redesenhadas para diminuir peso e necessidade de regulagens.

Materiais são substituídos para simplificar manutenção.

É uma dimensão bastante diferente daquela enfrentada pelos engenheiros que desenharam o primeiro Torino.

MAS A PREOCUPAÇÃO CONTINUA SENDO COLOCAR O ÔNIBUS NA RUA

Existe, entretanto, um ponto de continuidade.

Um ônibus urbano é uma ferramenta de trabalho intensivo.

Pode operar durante muitas horas por dia, parar centenas de vezes, transportar grandes volumes de passageiros e enfrentar buracos, calor, chuva, congestionamentos e condições bastante distintas entre cidades.

Por isso, boa parte da história do Torino está relacionada menos a itens de aparência e mais à capacidade de permanecer em operação.

É neste aspecto que o Torino 2027 procura estabelecer sua principal diferença em relação às gerações anteriores.

A Marcopolo afirma que o produto foi concebido olhando a rotina das garagens.

Reduzir o tempo de manutenção significa tentar colocar mais rapidamente o ônibus novamente na linha.

Também pode reduzir a necessidade de frota reserva.

É uma preocupação que assume maior peso num cenário em que empresas enfrentam dificuldades para contratar mão de obra técnica especializada.

TORINO ATRAVESSOU DIFERENTES FASES DA PRÓPRIA MARCOPOLO

O modelo também ajuda a contar a história industrial da fabricante.

Nasceu quando a empresa reorganizava suas famílias de produtos nos anos 1980.

Acompanhou a expansão da Marcopolo no mercado urbano.

Passou pela aquisição das operações da Ciferal.

Foi fabricado em diferentes plantas.

Conviveu com produtos como Viale e Gran Viale.

Teve versões para ônibus convencionais, intermunicipais, articulados, biarticulados e low entry.

E chega a 2026 num portfólio no qual o transporte urbano também inclui ônibus integralmente elétricos, como o Attivi.

O Torino permanece ligado principalmente à lógica tradicional de carroceria sobre chassis de diferentes fabricantes, preservando justamente a flexibilidade que esteve presente em sua história desde 1983.

43 ANOS DEPOIS, O NOME CONTINUA

Poucos nomes comerciais permanecem durante tanto tempo na indústria de ônibus.

Designações costumam desaparecer quando uma nova geração chega.

O Torino seguiu caminho diferente.

Mudou de formato, tamanho, conjunto óptico, arquitetura interna, materiais e aplicações, mas a Marcopolo manteve o nome.

Em alguns momentos, surgiram complementos: LN, GV, LS, Express, Low Entry e S.

Mas Torino permaneceu.

Isso ajuda a explicar por que a apresentação da nova geração possui peso maior do que uma simples troca de desenho.

Para operadores, motoristas, passageiros e admiradores de transportes, diferentes Torinos estão associados a diferentes épocas das cidades brasileiras.

O modelo de 1983 pertence ao período em que o País se urbanizava rapidamente.

O Torino GV remete à renovação das frotas dos anos 1990.

O Torino 1999 marcou a expansão industrial da Marcopolo no Rio de Janeiro.

O 2007 circulou intensamente durante o crescimento dos investimentos em ônibus na década seguinte.

A geração 2014 atravessou períodos de retração, retomada e mudanças nas exigências de acessibilidade, climatização e emissões.

Agora, o Torino 2027 chega num momento no qual reduzir custo e tempo de manutenção passou a ter tanta importância quanto renovar o desenho.

TORINO 2027: UMA NOVA GERAÇÃO PARA UM ÔNIBUS QUE JÁ VIU MUITAS

Quando o Diário do Transporte publicou, em 2016, a reportagem “Torino, nome forte que vence as décadas”, o ônibus já tinha atravessado mais de 30 anos de história.

Na época, chamar atenção para a longevidade do nome já fazia sentido.

Dez anos depois, esta característica fica ainda mais evidente.

O Torino passou dos 40 anos.

Superou 120 mil unidades.

Foi urbano convencional, intermunicipal, articulado, biarticulado, low entry e ônibus de aplicações especiais.

Circulou em diferentes países.

Foi fabricado em diferentes unidades industriais.

E atravessou várias gerações de chassis, motores e sistemas eletrônicos.

O Torino 2027 acrescenta agora outra camada a esta trajetória.

Exteriormente, é mais uma mudança de geração.

Tecnicamente, representa também a tentativa de adaptar um nome nascido em 1983 a um dos maiores desafios atuais das empresas de transporte: manter o ônibus disponível para operar com menor tempo de oficina e menor complexidade de manutenção.

É uma história que começou com alterações aparentemente simples, como aumentar uma janela para melhorar a visão do motorista.

Quarenta e três anos depois, chega a uma carroceria capaz de diagnosticar eletronicamente as próprias falhas.

O nome, porém, continua o mesmo.

Torino.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. ADRIANO MARCOS DE ARRUDA disse:

    Tive o prazer de trabalhar com um Torino 1990 três portas,motor MB 355/5 no transporte de funcionários de um curtume,haviam ainda outros do mesmo modelo com motorização Volvo B52.

  2. Santiago disse:

    Mesmo com o Viale tendo aparecido depois pra ser o “primo-rico”, o Torino ainda continua a manter o reinado.

  3. Sérgio Luiz Marcomini disse:

    Reportagem sensacional. Parabéns!!! Pergunta pra galera: Quem nunca andou num Torino? Eu tinha 15 anos quando tomava o Torino da Viação Parque das Nações, depois o da Viação Príncipe de Gales de Santo André até o SENAI em São Caetano. A linha ia até a fábrica da Trol, em SBC. Bons tempos.

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