Novo Torino 2027 e G8 Tech vão além das mudanças estéticas: Marcopolo promete redução de consumo e tempo de parada, mais tecnologia e conforto
Publicado em: 11 de agosto de 2026
Lançamentos foram conhecidos antecipadamente pelo criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, que esteve com os veículos na semana anterior à Lat.Bus e entrevistou diretores da fabricante. Attack 10 Híbrido, com tração elétrica e geração de energia a etanol, inicia comercialização; Attivi mais baixo para operações especiais e câmbio automático na linha Volare estão entre outras novidades
ADAMO BAZANI/ARTHUR FERRARI/VINÍCIUS DE OLIVEIRA/YURI SENA
A Marcopolo apresenta na Lat.Bus 2026 uma série de lançamentos para os segmentos urbano, rodoviário e de micro-ônibus, mas parte importante das novidades já havia sido conhecida de perto pelo Diário do Transporte antes da abertura da feira.
Na semana anterior ao evento, o criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, esteve na unidade da Marcopolo em São Paulo, a convite da fabricante, para conhecer antecipadamente os veículos e soluções que seriam apresentados ao mercado.
A cobertura foi além das informações divulgadas em releases. O Diário do Transporte teve contato direto com os veículos e realizou entrevistas no local com executivos responsáveis pelos produtos, buscando detalhar aspectos técnicos e operacionais e as razões das mudanças adotadas pela fabricante.
Na ocasião, a reportagem já havia antecipado novidades como uma configuração de menor altura do ônibus elétrico Attivi, voltada inclusive para operações com restrição de gabarito, como aeroportos; versões com transmissão automática para a linha Volare; o Attack híbrido com etanol e eletricidade; mudanças nas poltronas e soluções de engenharia voltadas à redução de custos, manutenção e conforto.
Relembre:
VÍDEO: Marcopolo terá diversas novidades para a Lat.Bus 2026; Diário do Transporte confere
Agora, com a apresentação oficial dos produtos na Lat.Bus, novos dados divulgados pela Marcopolo complementam o que a reportagem apurou nas entrevistas e na apresentação antecipada.
Entre os principais lançamentos estão o urbano Torino 2027 e a evolução da Geração 8 de rodoviários, denominada G8 Tech.
Apesar das diferenças de aplicação, a estratégia apresentada pela Marcopolo para os dois produtos tem pontos em comum: reduzir custos ao longo da operação, diminuir períodos de imobilização, ampliar recursos eletrônicos e de segurança e melhorar as condições para motoristas e passageiros.
No Torino 2027, isso se traduz principalmente em manutenção simplificada, nova arquitetura eletroeletrônica, materiais diferentes, climatização e isolamento térmico.
No G8 Tech, aparecem mudanças aerodinâmicas desenvolvidas com o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), monitoramento por câmeras, registro de informações da operação e sistema automático de supressão de incêndio.
DIÁRIO DO TRANSPORTE CONHECEU OS LANÇAMENTOS ANTES DA FEIRA
O contato antecipado permitiu à reportagem não apenas observar os veículos, mas questionar diretamente os responsáveis pelo desenvolvimento e posicionamento dos produtos.
Adamo Bazani entrevistou Ricardo Portolan, diretor Comercial e de Marketing da Marcopolo, sobre o Torino 2027, e Luciano Resner, diretor de Tecnologia e Mobilidade Sustentável, sobre o G8 Tech.
As entrevistas permitiram detalhar soluções que não são necessariamente percebidas apenas olhando a carroceria.
No caso do Torino, por exemplo, a fabricante diz que o projeto foi desenvolvido a partir da rotina das empresas, motoristas e passageiros. O modelo surgiu em 1983 e já superou 120 mil unidades produzidas ao longo de mais de quatro décadas.
Já no G8 Tech, a decisão foi preservar a identidade visual básica da Geração 8, lançada em 2021, concentrando parte das alterações em tecnologia, eficiência e segurança.
TORINO 2027: REDUZIR TEMPO DE ÔNIBUS PARADO É UM DOS OBJETIVOS

O Torino 2027 ganhou nova dianteira, conjunto óptico e traseira, mas a Marcopolo diz que a reformulação não ficou restrita à aparência.
Segundo Ricardo Portolan, houve mudanças também no processo produtivo, materiais e componentes.
“É um produto totalmente novo. É um momento histórico para a Marcopolo. O Torino tem uma história dentro do setor, não só no mercado brasileiro, mas também no mercado internacional”, disse.

O modelo mostrado antecipadamente ao Diário do Transporte tinha configuração urbana, motor dianteiro e chassi Volkswagen.
Uma das prioridades do projeto é reduzir o tempo de permanência do ônibus nas oficinas.


O sistema de portas, por exemplo, foi redesenhado. Dados divulgados posteriormente pela Marcopolo mostram que as folhas simétricas ficaram 30% mais leves. O novo acionamento também foi desenvolvido para reduzir desalinhamentos, vazamentos de ar e necessidade de regulagens.
“O sistema de portas também é uma inovação. É um sistema totalmente novo, testado exaustivamente, que traz um mecanismo mais simples para manutenção e mais leve, contribuindo para a redução do nível de manutenção”, explicou Portolan.
O executivo relaciona diretamente essas alterações à disponibilidade da frota.
“O Torino foi desenvolvido principalmente olhando para o nosso cliente, para o operador, visando a evolução da eficiência operacional. Menos tempo de manutenção do ônibus, manutenção mais fácil.”
Portolan também citou a dificuldade das empresas para encontrar mão de obra especializada.
“Um dos grandes desafios do setor é a mão de obra. Então, a gente reduziu o nível de necessidade de manutenção. Com essa redução da necessidade de o ônibus ficar parado para manutenção, diminui também a necessidade da quantidade de veículos reserva”, afirmou.
EVIA, APLICATIVO DE DIAGNÓSTICO E CENTRAL ELÉTRICA MAIOR

Uma das mudanças que ficaram mais claras a partir das informações técnicas divulgadas depois da visita é a extensão da reformulação elétrica.
O Torino 2027 utiliza a arquitetura EVIA – Equipment for Vehicle Interface Architecture –, desenvolvida para integrar os sistemas e facilitar diagnósticos.


A Marcopolo informa ainda que o veículo passa a ter novo painel de indicadores e aplicativo de diagnóstico para identificação de falhas. A central elétrica foi redimensionada para aumentar o espaço destinado à instalação e manutenção dos componentes.
Apesar da maior presença da eletrônica, os comandos utilizados pelo motorista permanecem predominantemente físicos.
“Por trás dela, existe toda essa evolução tecnológica que vai facilitar e reduzir bastante a manutenção, além de oferecer sistemas de identificação de falhas em um nível muito melhor”, afirmou Portolan.
MENOS FIBRA DE VIDRO

A Marcopolo também alterou os materiais utilizados na fabricação.
Segundo Portolan, houve redução superior a 30% no emprego de fibra de vidro.
“Começando pelo desenho e passando por novos materiais, a gente reduziu em mais de 30% o uso da fibra de vidro, trazendo materiais mais nobres, mais duráveis e mais sustentáveis”, disse.
O conjunto óptico dianteiro pode receber faróis em LED ou halógenos, DRL em LED e farol de neblina também em LED como opção. O acesso aos faróis foi redesenhado para facilitar substituições. Na traseira, as lanternas são de LED e também têm acesso simplificado para manutenção.
ATÉ 5°C A MENOS PARA O MOTORISTA
Outra preocupação do desenvolvimento foi o posto de condução, especialmente nas configurações com motor dianteiro.
Segundo a Marcopolo, o novo isolamento térmico pode proporcionar redução de até 5°C na temperatura na região do motorista.
“O conforto do motorista foi algo muito pensado para o Torino 2027. Ele traz um nível de isolamento que permite uma redução de até 5 graus na temperatura do posto do motorista”, disse Portolan.

O espaço do condutor também foi redimensionado, com maior área interna, mudanças ergonômicas, espaços para objetos e garrafas e novos retrovisores.
Há quatro difusores direcionáveis de ar para o motorista e possibilidade de sistema Twin com defroster refrigerado e desembaçador específico para o para-brisa.
AR-CONDICIONADO: VELOCIDADE DO AR ATÉ 40% MAIOR

As informações técnicas apresentadas para a Lat.Bus acrescentam outro número ao que o Diário do Transporte havia conhecido durante a entrevista.
Os dutos do sistema de climatização foram desenvolvidos com auxílio de simulações virtuais de fluxo. Segundo a Marcopolo, a velocidade média do ar pode ser até 40% superior à da geração anterior, com a proposta de reduzir diferenças de temperatura dentro do salão.
Portolan explicou à reportagem por que a velocidade da climatização é relevante em um urbano.
“Isso é importante no ônibus urbano, porque muitas vezes o passageiro entra e logo desce. A sensação de temperatura agradável precisa ser imediata.”
As poltronas também são novas, com diferentes níveis de acabamento, opções de encosto alto e apoio de cabeça e possibilidade de tomadas USB, incluindo USB-C.
TORINO SERÁ PRODUZIDO EM DUAS FÁBRICAS
Outra informação divulgada pela Marcopolo é que o Torino 2027 será produzido nas fábricas de Caxias do Sul (RS) e São Mateus (ES).
A unidade capixaba já produziu mais de 20 mil veículos desde sua inauguração e recebeu investimentos em modernização e ampliação da capacidade.
FICHA TÉCNICA RESUMIDA – TORINO 2027
| Item | Informação |
|---|---|
| Aplicação | Transporte urbano |
| Geração | Torino 2027 |
| Modelo conhecido pelo Diário do Transporte | Motor dianteiro, chassi Volkswagen |
| Comprimento da configuração apresentada | A partir de 12 metros |
| Arquitetura elétrica | EVIA |
| Diagnóstico | Novo painel + aplicativo de diagnóstico |
| Portas | Folhas simétricas 30% mais leves |
| Climatização | Velocidade média do ar até 40% maior que na geração anterior |
| Isolamento do motorista | Redução de temperatura anunciada de até 5°C |
| Iluminação dianteira | LED ou halógena; DRL em LED; neblina LED opcional |
| Lanternas traseiras | LED |
| Poltronas | Nova família, diferentes configurações e opção de USB/USB-C |
| Produção | Caxias do Sul (RS) e São Mateus (ES) |
Os dados são os divulgados pela Marcopolo e os obtidos nas entrevistas do Diário do Transporte.





G8 TECH: MUDANÇA MENOS VISUAL E MAIS TECNOLÓGICA

No segmento rodoviário, a estratégia foi diferente.
A Marcopolo decidiu preservar a identidade visual da Geração 8 e concentrar a evolução em eficiência aerodinâmica, eletrônica, segurança e conforto.
Luciano Resner resumiu à reportagem os três pilares do projeto:
“Tecnologia embarcada, eficiência para o operador e mais conforto para o passageiro.”

Uma das mudanças mais importantes está justamente em uma peça relativamente discreta na dianteira.
São os chamados slats, elementos aerodinâmicos desenvolvidos pela Marcopolo em conjunto com o ITA.
“Talvez a principal inovação, desenvolvida em conjunto com o ITA, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica, sejam os slats dianteiros, que melhoram muito a performance aerodinâmica do veículo”, explicou Resner.
Segundo a Marcopolo, a solução reduz em 15% o arrasto aerodinâmico e resulta em economia de 3,5% no consumo de combustível.
Os componentes são feitos de polímero de engenharia e parafusados à estrutura, o que permite a substituição individual em caso de danos.
MARCOPOLO DIZ QUE DIFERENÇA DE PREÇO SE PAGA EM MENOS DE DOIS ANOS

As novas tecnologias aumentam o preço de aquisição do G8 Tech.
Resner disse ao Diário do Transporte que, pelas contas da fabricante, a economia de combustível seria suficiente para recuperar a diferença em menos de dois anos.
“Essa atualização traz um aumento no custo de aquisição do veículo, mas somente com a redução de 3,5% no consumo de combustível esse investimento adicional se paga muito rapidamente, em menos de dois anos”, afirmou.
A estimativa considera apenas a economia atribuída pela Marcopolo às alterações aerodinâmicas.
“CAIXA-PRETA”, CÂMERA 360° E MONITORAMENTO DO MOTORISTA
Outra frente do G8 Tech é a geração e armazenamento de informações sobre a viagem.
O Black Box funciona, segundo a definição utilizada pela fabricante, como uma “caixa-preta” do ônibus.
O equipamento pode armazenar imagens das câmeras-espelho, câmeras externas e da câmera de visão 360 graus.
A câmera 360° passa a ser item de série e também auxilia o motorista durante manobras.
O ônibus pode receber ainda DMS – Driver Monitoring System –, que utiliza câmera para acompanhar o motorista durante a operação. O recurso integra o pacote Performance.
Há também câmera junto à porta principal para contagem automática de embarques e desembarques.
SUPRESSÃO AUTOMÁTICA DE INCÊNDIO DE SÉRIE
A Marcopolo acrescentou ao G8 Tech um sistema automático de supressão de incêndio na região do motor.
O equipamento monitora o compartimento e pode ser acionado automaticamente ao detectar aumento excessivo de temperatura ou presença de fogo.
O objetivo é iniciar o combate ao princípio de incêndio sem depender de uma primeira intervenção manual.
CONFORTO NO RODOVIÁRIO
As mudanças chegam também ao interior.
O G8 Tech recebeu novos acabamentos, iluminação ambiente indireta, nova iluminação de teto e alterações nas poltronas.
Em determinadas configurações, a quantidade de espuma do assento foi ampliada e foram adotados novos tecidos e recortes.
Na unidade conhecida antecipadamente pelo Diário do Transporte, o piso inferior tinha configuração Premium, com poltronas de maior reclinação, iluminação individual e espaços para objetos.
O veículo utilizado na apresentação também reuniu sanitário no piso inferior, diferentes tipos de poltronas, cadeira infantil e cafeteira para demonstrar possibilidades de configuração.







FICHA TÉCNICA RESUMIDA – G8 TECH
| Item | Informação |
|---|---|
| Segmento | Rodoviário |
| Base | Evolução da Geração 8, lançada em 2021 |
| Aerodinâmica | Slats dianteiros desenvolvidos com o ITA |
| Redução de arrasto anunciada | 15% |
| Redução de consumo anunciada | 3,5% |
| Retorno do custo adicional | Menos de dois anos, segundo cálculo da Marcopolo baseado na economia de combustível |
| Black Box | Registro de imagens e informações da operação |
| Câmera 360° | Item de série |
| DMS | Monitoramento do motorista no pacote Performance |
| Contagem de passageiros | Câmera junto à porta |
| Supressão de incêndio | Automática na região do motor, item de série |
| Interior | Novos acabamentos, iluminação e alterações nas poltronas |
ATTIVI MAIS BAIXO AMPLIA POSSIBILIDADES DE OPERAÇÃO

Torino 2027 e G8 Tech são dois dos principais lançamentos, mas não são os únicos.
Na visita realizada na semana anterior à Lat.Bus, o Diário do Transporte também antecipou que o Attivi, ônibus 100% elétrico da Marcopolo, ganharia uma configuração de menor altura.
A alteração permite ampliar as possibilidades de uso em locais com restrições de gabarito, entre eles operações aeroportuárias. A fabricante também mostrou mudanças ergonômicas nas poltronas.
Foi uma das informações obtidas pela reportagem antes da divulgação dos lançamentos na feira.
ATTACK 10 HÍBRIDO ENTRA EM COMERCIALIZAÇÃO

Outra novidade que ganhou uma definição importante com a Lat.Bus é o Volare Attack 10 Híbrido.
O modelo, que combina eletricidade e etanol, deixou a fase exclusivamente de desenvolvimento e validação e teve sua comercialização iniciada pela Volare.
A tecnologia é do tipo Range Extender, ou REX.
Isso significa que a tração nas rodas é 100% elétrica. O motor a etanol não movimenta mecanicamente o veículo: funciona exclusivamente como gerador de eletricidade.
O sistema utiliza motor elétrico WEG e bateria de alta tensão de até 120 kWh. Um motor HORSE H10 1.0 Turbo abastecido com etanol gera eletricidade para complementar a energia armazenada.
A autonomia informada fica entre 500 km e 650 km.
O Attack também pode ser conectado à tomada quando houver infraestrutura disponível, ampliando as possibilidades de utilização da energia elétrica.
O primeiro cliente é a Sertran Transportes, que realiza operação assistida na unidade Monteverde da bp bioenergy, em Ponta Porã (MS). Os testes em condições reais ocorrem desde o segundo trimestre de 2026.
A aplicação inicial é direcionada principalmente a operações com grandes percursos e alta disponibilidade, como fretamento corporativo, transporte de trabalhadores, atividades industriais, agronegócio e setor sucroenergético.
FICHA TÉCNICA RESUMIDA – VOLARE ATTACK 10 HÍBRIDO
| Item | Informação |
|---|---|
| Tecnologia | Híbrido Range Extender (REX) |
| Tração | 100% elétrica |
| Motor elétrico | WEG |
| Bateria | Até 120 kWh |
| Gerador | HORSE H10 1.0 Turbo |
| Combustível do gerador | Etanol |
| Ligação do motor a etanol às rodas | Não há |
| Autonomia anunciada | 500 km a 650 km |
| Recarga externa | Sim |
| Primeiro cliente | Sertran Transportes |
| Operação assistida | bp bioenergy – unidade Monteverde, Ponta Porã (MS) |
| Situação comercial | Comercialização iniciada |
| Aplicações destacadas | Fretamento, indústria, agronegócio, transporte de trabalhadores e setor sucroenergético |
A Marcopolo é responsável pela tecnologia e coordenação técnica do projeto; Horse Powertrain e WEG desenvolveram os principais sistemas de propulsão, enquanto Sertran e bp bioenergy participam da validação em operação real.
CÂMBIO AUTOMÁTICO PARA A LINHA VOLARE
Outra informação antecipada pelo Diário do Transporte durante a visita à Marcopolo foi a ampliação da transmissão automática na linha Volare.
Segundo as informações apresentadas à reportagem, os modelos das famílias Fly e Attack passam a contar com versões com câmbio automático.
A medida acompanha a estratégia da fabricante de oferecer diferentes tecnologias conforme o perfil de cada operação.
No caso da Volare, o portfólio de baixa emissão já inclui também o Fly 10 GV, preparado para GNV e biometano.
LANÇAMENTOS E DISCUSSÃO SOBRE O SETOR
A presença da Marcopolo na Lat.Bus 2026 não se restringe aos veículos.
A fabricante programou no próprio estande discussões sobre financiamento da mobilidade, renovação de frota, Reforma Tributária, transição energética, sustentabilidade econômica e novos mecanismos de investimento.
Estão previstas participações de representantes de instituições e organizações como BNDES, IPT, ITA, SAE Brasil e C.A.S.E., além de operadores, especialistas, agentes públicos e representantes da indústria.
A Marcopolo possui atualmente 11 fábricas distribuídas por Brasil, Argentina, Colômbia, México, África do Sul, Austrália e China, e seus veículos circulam em mais de 140 países.
Para o Diário do Transporte, a apresentação oficial na Lat.Bus complementa um trabalho iniciado antes da feira. A visita realizada na semana anterior permitiu que Adamo Bazani conhecesse os veículos, observasse as soluções e entrevistasse diretamente os responsáveis pelos lançamentos.
Assim, as informações dos releases divulgados para a Lat.Bus foram incorporadas à apuração feita no local, acrescentando números e especificações às entrevistas e observações obtidas antecipadamente pela reportagem.
No Torino 2027, essa combinação revela uma renovação concentrada não apenas no desenho, mas na tentativa de reduzir manutenção, tempo de parada e melhorar as condições do motorista e dos passageiros.
No G8 Tech, a Marcopolo mantém a identidade da Geração 8 e aposta principalmente em aerodinâmica, redução de consumo, segurança e monitoramento eletrônico.
E, paralelamente, Attivi, Attack 10 Híbrido e a ampliação das opções da Volare mostram uma estratégia multitecnologia que inclui ônibus elétricos a bateria, híbridos com etanol, GNV e biometano.
Entrevista – Ricardo Portolan, diretor comercial e de Marketing da Marcopolo
Adamo Bazani: O Diário do Transporte está com o diretor comercial e de Marketing da Marcopolo, Ricardo Portolan. É um dos lançamentos da Lat.Bus. A gente está adiantando, mas traz essa matéria bem no dia mesmo da coletiva: o Torino 2027.É um novo Torino, um novo conceito de ônibus. Quais são as novidades desse veículo?
Ricardo Portolan: É sempre um prazer falar contigo e com a tua audiência.
Sim, é um produto totalmente novo. É um momento histórico para a Marcopolo. O Torino tem uma história dentro do setor, não só no mercado brasileiro, mas também no mercado internacional.
E a gente está aqui trazendo, então, o novo Torino, o Torino 2027, que é uma evolução, enfim, um novo produto.
E não só um novo produto: é também uma evolução no processo produtivo e nos materiais que estão incorporados nele.
Então, é realmente uma evolução no modelo Torino que a gente está trazendo para o mercado.
Adamo Bazani: Perfeito. Primeiro, uma evolução estética. A gente vê aqui, por exemplo, o conjunto óptico dianteiro.
Ricardo Portolan: Sim. O desenho dele é totalmente novo. É um desenho inovador, muito alinhado com as tendências atuais e futuras. A própria frente dele traz esse desenho inovador e, já falando das inovações, um sistema de abertura para refrigeração do motor com uma amplitude maior. É a maior do mercado para essa entrada de ar.
O Torino traz uma série de inovações. Eu talvez não consiga, em um curto espaço de tempo, falar de todas, mas vou destacar algumas.
Começando pelo desenho e passando por novos materiais, a gente reduziu em mais de 30% o uso da fibra de vidro, trazendo materiais mais nobres, mais duráveis e mais sustentáveis.
O sistema de portas também é uma inovação. É um sistema totalmente novo, testado exaustivamente, que traz um mecanismo mais simples para manutenção e mais leve, contribuindo para a redução do nível de manutenção.
Adamo Bazani: E quanto ao controle e diagnóstico de falhas:
Ricardo Portolan: O sistema EVIA, que é o sistema de controle eletroeletrônico do ônibus, é outra inovação importante.
Na interface do motorista, ele foi pensado para oferecer uma operação muito física, vamos dizer assim, que é como os motoristas gostam. É uma interface de teclas intuitiva. Ela não tem uma interface, vamos dizer, eletrônica, mas, por trás dela, existe toda essa evolução tecnológica que vai facilitar e reduzir bastante a manutenção, além de oferecer sistemas de identificação de falhas em um nível muito melhor.
Adamo Bazani: é uma das evoluções tecnológicas, inclusive também para redução do custo operacional?
Ricardo Portolan: Exatamente. Isso foi pensado não só em termos de produto, mas de toda a solução para o mercado.
O Torino foi desenvolvido principalmente olhando para o nosso cliente, para o operador, visando a evolução da eficiência operacional.
Menos tempo de manutenção do ônibus, manutenção mais fácil. Um dos grandes desafios do setor é a mão de obra.
Então, a gente reduziu o nível de necessidade de manutenção. Com essa redução da necessidade de o ônibus ficar parado para manutenção, diminui também a necessidade da quantidade de veículos reserva.
Foi esse o conceito pensado para o novo Torino.
Adamo Bazani: As poltronas dos passageiros também são novas, né?
Ricardo Portolan: Poltronas totalmente novas, mais confortáveis, mais leves, com uma ergonomia projetada, pensada e desenvolvida para proporcionar um conforto maior.
Elas atendem às diferentes opções do mercado, desde uma poltrona mais simples até uma mais sofisticada, com encosto alto e apoio para a cabeça, oferecendo um nível de conforto muito maior ao passageiro.
Adamo Bazani: E tem toda uma questão também de refrigeração, um isolamento melhor no motor?
Ricardo Portolan: Tem o posto do motorista também. O conforto do motorista foi algo muito pensado para o Torino 2027.Ele traz um nível de isolamento que permite uma redução de até 5 graus na temperatura do posto do motorista. O conforto térmico é uma inovação, e a solução adotada é muito relevante.
Adamo Bazani; E quanto ao ar-condicionado?
Ricardo Portolan: No compartimento dos passageiros, todo o sistema de ar-condicionado foi reprojetado, com novos dutos que não só aumentam a vazão de ar e reduzem a temperatura, mas também proporcionam uma melhor sensação térmica.
Isso é importante no ônibus urbano, porque muitas vezes o passageiro entra e logo desce. A sensação de temperatura agradável precisa ser imediata.
Com esses novos dutos, a distribuição do ar ficou mais uniforme e o fluxo de ar é maior.
ENTREVISTA – LUCIANO RESNER, DIRETOR DE TECNOLOGIA E MOBILIDADE SUSTENTÁVEL DA MARCOPOLO
Adamo Bazani: Agora, o diretor de Tecnologia e Mobilidade Sustentável da Marcopolo, Luciano Resner, vai explicar para a gente o G8 Tech, outro importante lançamento da Lat.Bus. A gente está trazendo essa cobertura no dia da feira, mas alguns dias antes veio conhecer o veículo com todos os detalhes. Não queimamos a largada e agora, no dia da feira, estamos trazendo tudo ao público. Luciano, o que é o G8 Tech? É um G9 disfarçado?
Luciano Resner: Não, Adamo, obrigado.
Na verdade, nós lançamos o G8 em 2021 e vimos a necessidade, agora, cinco anos depois, de fazer uma atualização no produto.
O nosso design e a nossa estética ainda são muito atuais e modernos. Então, quisemos trazer três elementos-chave para o G8: tecnologia embarcada, eficiência para o operador e mais conforto para o passageiro.
Trabalhando nesses três pilares, o G8 Tech traz várias novidades.
Talvez a principal inovação, desenvolvida em conjunto com o ITA, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica, sejam os slats dianteiros, que melhoram muito a performance aerodinâmica do veículo.
Com eles, conseguimos uma redução de 15% no arrasto aerodinâmico do ônibus, o que se traduz em uma economia de 3,5% no consumo de combustível.
Isso é um número fantástico para os operadores e representa muita receita adicional para os nossos clientes.
Adamo Bazani: Como é a manutenção dessa peça? Ela pesa? É fixada? É soldada?
Luciano Resner: Importante.
É uma peça produzida em um polímero de engenharia. Ela precisa ser muito resistente justamente para manter o formato de asa.
É uma peça injetada em um polímero bastante resistente e fixada por parafusos na estrutura do veículo.
Isso garante estabilidade durante toda a vida útil, mesmo em altas velocidades. E, em caso de acidente ou colisão, o reparo é bastante simples: basta remover as fixações e instalar uma peça nova.
Adamo Bazani: Em relação ao G8 que está atualmente em linha, o que passa a ser item de série? Vamos começar pelo que já vem de fábrica.
Luciano Resner: Primeiro, na dianteira, incorporamos as luzes de posição, que acompanham os faróis.
No para-choque, há uma luz de presença que aumenta muito a visibilidade do veículo para os demais motoristas, tanto na dianteira quanto na traseira.
Também atualizamos o desenho das lanternas traseiras.
No interior, o veículo foi totalmente remodelado. Temos novos acabamentos internos, iluminação ambiente indireta, nova iluminação de teto e poltronas com novos tecidos e novos recortes, proporcionando mais conforto e um visual mais atraente.
Também revisamos as poltronas semelhantes às da linha Master, aumentando a espuma do assento e oferecendo ainda mais conforto aos passageiros.
O veículo incorpora diversos itens de tecnologia embarcada, como o DMS (Driver Monitoring System), uma câmera que monitora o motorista durante toda a viagem.
Adamo Bazani: Essa é opcional?
Luciano Resner: Ela faz parte do pacote Performance.
Também temos uma câmera na porta principal do veículo que realiza a contagem automática de passageiros.
Ela permite ao operador controlar exatamente quantas pessoas embarcaram e desembarcaram durante a viagem, proporcionando um controle operacional muito maior.
Desenvolvemos ainda um sistema Black Box, uma caixa-preta semelhante à utilizada na aviação.
Ela armazena as imagens das câmeras-espelho, das câmeras externas e também da câmera 360 graus, que é item de série e facilita bastante as manobras.
Adamo Bazani: E a proteção contra incêndio? Essa não é opcional, é item de série?
Luciano Resner: Sim, é item de série.
É um sistema supressor de incêndio instalado na região do motor, onde estão as maiores temperaturas do veículo.
Ele detecta aumento excessivo de temperatura ou presença de fogo e faz automaticamente o acionamento do sistema de supressão, protegendo o veículo.
Adamo Bazani: É um veículo um pouco mais caro, mas vale mais a pena?
Luciano Resner: Sim, com certeza.
Essa atualização traz um aumento no custo de aquisição do veículo, mas somente com a redução de 3,5% no consumo de combustível esse investimento adicional se paga muito rapidamente, em menos de dois anos.
Além disso, proporciona mais conforto ao passageiro, uma sensação mais agradável e aconchegante dentro do veículo e também mais segurança, graças aos sistemas de monitoramento do motorista.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



10 anos para a Marcopolo lançar novo Torino, muito frio a frente desse ônibus, poltronas feia, muito esquisito esse novo Torino, pode esperar que o Horizonte da Mascarello, vai vender muito mais do que esse novo Torino, inclusive o Vip 5 vai disparar mais ainda nas vendas.😡
Também achei sem sal o design frontal do novo Torino. Acho que faltou uma máscara nos faróis pra dar mais vida. O Horizon da Mascarello concorre com o Attivi da Marcopolo, carrocerias produzidas para chassis elétricos. O Torino 2027 vai concorrer com o Gran Via.
O Vip 6 também