Iveco Bus de quatro cilindros e 210 cv foi desenvolvido com a participação de operadores de transportes, garante fabricante

Modelo de motor dianteiro é aposta para ampliar participação da marca, em especial nos segmentos de urbanos e fretamento contínuo. Veículo entrega robustez do BUS 17-280, mas é mais econômico

ADAMO BAZANI

A Iveco Bus apresenta ao mercado um chassi de ônibus de 17 toneladas, com 210 cavalos de potência e motor de quatro cilindros, o BUS 17-210.

O lançamento ocorreu na Lat.Bus 2026, feira especializada do setor, em São Paulo, como mostrou o Diário do Transporte.

Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2026/08/11/iveco-bus-lanca-novo-17-210-com-motor-de-quatro-cilindros-e-amplia-gama-de-chassis-para-onibus/

O modelo era praticamente uma exigência de operadores que já possuem veículos da marca e de frotistas que têm boas referências dos modelos da marca, mas que achavam o “irmão maior e mais velho”, o BUS-17.280, de seis cilindros, que continua no mercado.

Em entrevista ao criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, o coordenador de marketing da Iveco Bus, Paulo Kazuto, disse que o modelo teve participação de operadores de transportes em toda a fase de desenvolvimento, desde antes da fabricação dos protótipos, durante o processo de produção até os primeiros testes já com chassis encarroçados.

“Isso foi muito bom porque nasce já um veículo que atende sob medida às mais diferentes necessidades de operação. Tanto é que o modelo chamou muito a atenção dos clientes nos primeiros testes, em especial pelo torque na retomada, mesmo com ar-condicionado. Ele entrega a robustez do 17-280, com a economia de consumo de diesel e facilidade de manutenção de um quatro cilindros” – explicou

Segundo a fabricante, o BUS 17-210 foi desenvolvido no Centro de Desenvolvimento de Produtos (CDP), em Sete Lagoas (MG), a partir da experiência acumulada com o BUS 17-280 e de consultas aos operadores. A intenção foi desenvolver um veículo de 17 toneladas que mantivesse características de robustez, mas apresentasse menor custo operacional.

O desenvolvimento conjunto entre as áreas de engenharia e produto e os operadores levou em consideração, segundo a Iveco Bus, aspectos como disponibilidade do veículo, robustez estrutural, consumo, manutenção e desempenho em serviços urbanos de maior demanda.

QUATRO CILINDROS, 210 CV E 720 NM

O BUS 17-210 é equipado com motor FPT N45, da família NEF, de quatro cilindros. O propulsor desenvolve 210 cv de potência e torque de 720 Nm.

De acordo com a Iveco Bus, o conjunto formado por motor, transmissão e relação de diferencial foi calibrado para manter força disponível nas rodas e respostas nas retomadas, inclusive em serviços urbanos severos, com alta lotação e utilização contínua do ar-condicionado.

É justamente um dos aspectos destacados por Kazuto na entrevista ao Diário do Transporte. O objetivo não foi simplesmente retirar dois cilindros em relação ao BUS 17-280, mas adequar o conjunto mecânico a operações mais indicadas para quatro cilindros.

FICHA TÉCNICA – IVECO BUS 17-210

Característica BUS 17-210
Peso bruto total 17 toneladas
Motor FPT N45, família NEF
Número de cilindros 4
Potência 210 cv
Torque 720 Nm
Suspensão Metálica ou pneumática Full Air
Suspensão Full Air 2 bolsões pneumáticos dianteiros e 4 traseiros
Aplicações Urbano, fretamento e rodoviário de curta e média distância
Desenvolvimento CDP – Sete Lagoas (MG)
Testes do conjunto motriz Mais de 80 mil km
Ciclos completos de durabilidade Mais de 10
Início previsto das vendas 2027

Fonte: Iveco Bus – Diário do Transporte

MAIS DE 80 MIL QUILÔMETROS EM TESTES

Antes da apresentação na Lat.Bus, o novo chassi passou por testes de desenvolvimento e validação em diferentes condições de operação.

Segundo a fabricante, foram mais de dez ciclos completos de durabilidade e mais de 80 mil quilômetros somente nos testes de validação do conjunto motriz. Também foram realizados ensaios específicos para calibração do motor, consumo de combustível e desempenho.

Os veículos de testes circularam por diferentes regiões do Brasil, enfrentando condições variadas de relevo e operação.

A participação dos operadores ocorreu também nesta etapa. De acordo com a Iveco Bus, as retomadas estiveram entre as características mais elogiadas pelos clientes que tiveram contato com o veículo durante o desenvolvimento. A avaliação foi especialmente importante porque um dos desafios de um chassi de quatro cilindros para aplicações urbanas é manter desempenho em situações de maior exigência, como aclives, veículo carregado e ar-condicionado ligado.

ECONOMIA NÃO SE RESUME AO DIESEL

A aposta da Iveco Bus com o BUS 17-210 não está apenas na redução do consumo de combustível.

A fabricante diz ter desenvolvido o conjunto mecânico pensando também na facilidade de manutenção, disponibilidade e relação peso-potência. São aspectos que interferem no TCO, sigla em inglês para custo total de propriedade, cálculo que leva em consideração não apenas quanto o operador paga pelo ônibus, mas os gastos durante sua vida útil.

Paulo Kazuto explica que estes fatores têm peso cada vez maior na decisão de compra das empresas de transporte.

“Essas características são extremamente valorizadas pelos operadores porque impactam diretamente a rentabilidade da operação e o cálculo de aquisição do veículo”, disse o executivo.

A proposta é justamente posicionar o 17-210 abaixo do 17-280 nas aplicações em que a potência do modelo de seis cilindros não é necessária, sem retirar o BUS 17-280 do portfólio.

SUSPENSÃO METÁLICA OU FULL AIR

Outro ponto da estratégia para ampliar o campo de atuação é a oferta de duas configurações de suspensão.

O BUS 17-210 poderá ser adquirido com suspensão metálica ou pneumática Full Air. Com isso, a Iveco Bus pretende atender desde o transporte urbano convencional até fretamento e serviços rodoviários de curta e média distância.

Na configuração Full Air, a arquitetura é derivada do BUS 17-280. São dois bolsões pneumáticos no eixo dianteiro e quatro no traseiro, associados a amortecedores telescópicos de dupla ação, barras estabilizadoras e batentes auxiliares.

A suspensão pneumática amplia principalmente as possibilidades do novo chassi no fretamento contínuo, segmento no qual conforto dos passageiros e características de rodagem têm peso maior na escolha do veículo.

Segundo a Iveco Bus, o sistema também foi projetado para facilitar o encarroçamento e manter a confiabilidade já obtida com a arquitetura empregada no 17-280.

VENDAS COMEÇAM EM 2027

A previsão da Iveco Bus é iniciar as vendas do BUS 17-210 em 2027.

Com o lançamento, a fabricante passa a disputar de forma mais direta o segmento de chassis dianteiros de quatro cilindros e 17 toneladas, uma faixa importante principalmente para ônibus urbanos e de fretamento.

O modelo também amplia o portfólio sem substituir o BUS 17-280. A estratégia é oferecer alternativas para diferentes condições operacionais: o 17-210 para serviços em que economia, manutenção simplificada e dimensionamento do motor de quatro cilindros sejam suficientes, enquanto o 17-280 permanece como opção de maior potência para aplicações mais exigentes.

Para Mauricio Yamamoto, head da Iveco Bus para a América Latina, a chegada do novo produto permite à marca atender diferentes perfis de clientes e aplicações e aumentar sua competitividade no mercado brasileiro.

A aposta da fabricante é que justamente a combinação entre o que foi solicitado pelos operadores durante o desenvolvimento e uma configuração mecânica mais adequada a determinados tipos de serviço ajude a Iveco Bus a ampliar sua participação nos segmentos urbano e de fretamento.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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