Justiça manda soltar vereador Senival Moura, investigado em operação sobre suposto esquema de lavagem de dinheiro do PCC na Transunião
Publicado em: 5 de agosto de 2026
Desembargadora do TJ-SP entendeu que prazo da prisão temporária deveria ser de cinco dias, e não de 30
ADAMO BAZANI
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) determinou a soltura do vereador Senival Moura, investigado por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da capital paulista.
A decisão foi proferida pela desembargadora Carla Rahal Benedetti, da 11ª Câmara Criminal do TJ-SP, que concedeu habeas corpus ao parlamentar ao entender que o prazo aplicado para a prisão temporária não deveria ser de 30 dias, mas de cinco dias. Com esse entendimento, foi determinada a revogação da medida.
Senival Moura foi preso no âmbito da Operação Última Parada, deflagrada em 25 de junho de 2026 pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na empresa de ônibus Transunião, que opera na zona Leste da cidade e, desde a data dos trabalhos do MP e da Polícia Civil, está sob intervenção da prefeitura por determinação da Justiça. Na ocasião, diretores da empresa de ônibus, que surgiu de cooperativa de transportes, também foram presos.
A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC envolvendo o setor de transporte coletivo da cidade de São Paulo.
Segundo o Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil, as apurações têm como foco um suposto núcleo financeiro da organização criminosa que teria utilizado empresas de ônibus para ocultação e movimentação de recursos.
A Transunião Transportes S.A., operadora do sistema municipal de ônibus da capital paulista. A empresa nega envolvimento com atividades ilícitas e afirma colaborar com as autoridades.
Após a prisão, Senival Moura pediu afastamento do Partido dos Trabalhadores (PT), legenda à qual era filiado.
Segundo a defesa do vereador, a decisão do TJ-SP reconheceu a inexistência de fundamentos atuais, concretos e individualizados que justificassem a manutenção da prisão cautelar.
Em nota, os advogados afirmaram que o inquérito policial tramita desde 2022 e que, durante esse período, Senival Moura permaneceu à disposição das autoridades. A defesa sustenta que ele manteve residência e endereço funcional conhecidos, exerceu normalmente o mandato parlamentar e não há registros de tentativa de fuga, descumprimento de determinações judiciais, ameaça a testemunhas, destruição de provas ou interferência nas investigações.
Os defensores também informaram que receberam a decisão com serenidade e respeito institucional, reafirmando confiança no Poder Judiciário e nas garantias constitucionais. Segundo a nota, Senival Moura continuará à disposição das autoridades para colaborar com o esclarecimento dos fatos e exercer seu direito de defesa.
Prisão havia sido prorrogada
Antes da decisão do Tribunal de Justiça, a prisão temporária havia sido prorrogada por determinação do juiz Nelson Augusto Bernardes de Souza, da Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens.
A prorrogação atendeu a pedido da Polícia Civil, com parecer favorável do Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
Na mesma decisão, também tiveram a prisão temporária prorrogada Jair Ramos de Freitas, conhecido como “Cachorrão”, e Devanil de Souza Nascimento, o “Sapo”.
Os investigados Lourival de França Monário, conhecido como “Orelha”, e Leonel Moreira Martins, o “Cabeça Branca”, também tiveram as prisões renovadas, mas permanecem foragidos, como mostrou o Diário do Transporte.
Relembre:
Operação Última Parada
A Operação Última Parada foi deflagrada pelo Deic e pelo Gaeco para apurar suspeitas de infiltração do crime organizado em empresas ligadas ao transporte coletivo paulistano.
Segundo o Ministério Público, as investigações buscam identificar um suposto esquema de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e utilização de empresas do setor de ônibus para movimentação de recursos atribuídos ao PCC. A Transunião figura entre as empresas mencionadas nas investigações, mas a apuração segue em andamento e ainda não há decisão judicial de mérito sobre eventual responsabilidade criminal dos investigados ou das pessoas jurídicas.
As investigações continuam, e todos os envolvidos têm assegurado o direito ao contraditório e à ampla defesa.
Como mostrou o Diário do Transporte, no dia da operação, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, a Transunião, que opera em dois lotes de ônibus na zona Leste da cidade de São Paulo, pode ter um fim semelhante ao que ocorreu com a Transwolff, na zona Sul, e UPBus, na zona Leste, que também foram alvos de operação do Ministério Público e autoridades policiais que investigam possíveis ligações do transporte público da capital paulista com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).
A companhia opera 50 linhas e transporta 262 mil usuários por dia.
A Justiça, atendendo a pedido do Ministério Público, determinou a intervenção da prefeitura administrativa e operacional, por meio da SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora das linhas municipais, sobre a Transunião, a exemplo do que ocorreu com a UPBus e com a Transwolff.
A depender da Prefeitura, eu faria a intervenção. Lembrando que em 2024, nós já fizemos a intervenção da Transwolff e da UpBus. A UpBus já concluiu, ela já não está mais no sistema. A Transwolff é a mesma coisa, eu fiz a caducidade. Infelizmente, até agora, a gente não teve uma decisão, um enredo com relação à questão judicial desses dois processos, de condenação ou não. Não seria bom se tivesse que ter uma celeridade nisso. Mas, por parte da Prefeitura, vamos continuar dentro dessa linha de muito rigor e de não aceitar, em hipótese alguma, qualquer tipo de vinculação de uma concessionária, de uma empresa que seja ligada à Prefeitura, tenha qualquer relação com atividade criminosa. – disse Nunes.
A UPBus teve as linhas transferidas para a Alfa Rodobus, que também surgiu de cooperativas de transportes coletivos e já atuava na cidade, e a Transwolff teria os serviços assumidos pela Sancetur, da família Chedid, do interior de São Paulo, que diante das dificuldades justamente de transição por haver correntes e grupos heterogêneos e até rivais dentro da companhia, acabou desistindo do negócio.
Como noticiou a reportagem do Diário do Transporte, a prefeitura vai lançar um processo para licitar as linhas da Transwolff após reorganizar a malha e repassar alguns serviços para empresas que atuam na região, como MobiBrasil, Grajaú, Transkuba, Campo Belo e Metrópole Paulista.
Nunes também garantiu que todos os pagamentos a funcionários, fornecedores e credores bancários da Transunião serão honrados, a exemplo do que ocorreu com a Transwolff e a UPBus.
A nossa preocupação maior é manter o serviço sendo prestado. Nós temos, dentro dessa empresa, um volume bastante grande de pessoas que são transportadas, mais de 200 mil por dia. É uma empresa que tem mais de 600 ônibus que operam dentro do sistema de transporte coletivo. Então, eu garanto que todos os colaboradores terão sua remuneração garantida, os fornecedores podem continuar fornecendo, porque nós vamos honrar os pagamentos, os trabalhadores podem continuar trabalhando, porque nós vamos honrar o pagamento dessas pessoas. A Prefeitura tomará, então, agora a administração se confirmada a intervenção e aí entra no processo de a gente poder ver readequação de linha ou a transferência dessa empresa para uma outra empresa fazer aquisição ou a caducidade. Mas a Prefeitura garante que o serviço se mantém de forma natural e normal. – prosseguiu Nunes.
Com mostrou o Diário do Transporte ainda nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira, a Transunião foi alvo da Operação “Última Parada”, que resultou na prisão de diretores da empresa e do vereador Senival Moura (PT), quem, segundo o MP, tem fortes ligações com a empresa de ônibus, sendo um articulador de verbas públicas para a organização.
Segundo o promotor Lincoln Gakiya, que coordena as operações contra o PCC pelo Ministério Público, o fato de Senival Moura ser presidente da Comissão de Transportes da Câmara Municipal é um agravante.
“Estamos vendo com muita preocupação a infiltração do crime organizado, sobretudo do PCC, na economia formal, aqui no setor de transportes metropolitanos urbanos. Só no primeiro semestre essa empresa recebeu mais de 180 milhões de subvenção do Poder Público Municipal, uma empresa cuja direção foi capturada pelo crime organizado, pelo PCC e também com um abraço dentro do Poder Legislativo Municipal, infelizmente tivemos um vereador preso hoje, é claro que nós não estamos atacando o Poder Legislativo, mas dizendo que o crime organizado está se infiltrando em todos os poderes. O vereador tinha uma função, inclusive, de ser o presidente da Comissão de Transportes, por mais de um mandato, então isso demonstra que o crime organizado realmente se sofisticou na lavagem de dinheiro e a Polícia Civil e o Ministério Público vão permanecer emanados desse combate.” – explicou em coletiva.
A Transunião, empresa que presta serviços de ônibus na zona Leste de São Paulo, é alvo da Operação Última Parada do Ministério Público e Polícia Civil, nesta quinta-feira, 25 de junho de 2026.
São cumpridos mandados de prisão e busca e apreensão.
Entre os presos está o vereador Senival Moura, do PT da capital paulista.
Também foi preso Jair Ramos de Freitas, vulgo “Cachorrão”, considerado um dos diretores ocultos da companhia.
Investigação é sobre supostas lavagem de dinheiro e fraudes em contratos e licitações
Há suspeitas também de ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital).
A Justiça determinou intervenção da prefeitura sobre a empresa, como ocorreu com a UPBus, na zona Leste, e Transwolff, na zona Sul.
O judiciário também decretou o sequestro e bloqueio de R$ 194 milhões de contas bancárias ligadas aos investigados e à companhia, bem como 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações. O Poder Judiciário também determinou o afastamento dos diretores da Transunião
Desde quando ocorreu a operação em 2024 na zona Transwolff, da zona Sul, e UPBus, da Zona Leste, o Ministério Público já havia sinalizado a continuidade de apurações sobre outras empresas. Isso muda a vida do cidadão e a estrutura dos transportes de São Paulo. As linhas da Transwolff sertão licitadas confoirnme confirmou o prefeito Nunes no domingo. A UPBus foi assumida por outra empresa. A Transunião deve seguir pelo mesmo caminho.
Relembre:
Um dos aspectos levantados pela investigação é que Senival atuava no sentido de viabilizar transferências de recursos públicos para a Transunião, usando sua influência e prerrogativas como parlamentar.

Além da intervenção operacional da SPTrans (São Paulo Transporte), o MP pediu e a Justiça concedeu o afastamento do quadro de diretores para a prefeitura também gerir financeiramente a empresa, ou seja, são medidas operacionais (ônibus nas ruas, manutenção, abastecimento de diesel ou carga de baterias) e também administrativas, de gestão em si.
Os caminhos nestas situações são:
- Gestão pública local, neste caso, a SPTrans, recebe a notificação judicial para intervenção que pode ser somente operacional, somente de gestão ou ambas. Nesta determinação sobre a Transunião, foi para ambas já que a Justiça determinou a suspensão da atividade econômica. Exemplo de intervenção operacional: colocar os ônibus nas ruas. Exemplo de intervenção administrativa: gerir os recursos dos créditos do bilhete único devidos pelas operações
- A intervenção pode ser de até 180 dias, prorrogáveis pelo mesmo período
- Ao fim de todo o processo legal, dependendo do modelo contratual, a prefeitura pode: a) devolver a operação e a gestão à diretoria original da empresa; b) redistribuir as linhas entre as empresas que já operam na cidade; c) Fazer chamamento publicou o possibilitar a transferência do contrato (foi o caso da UPBus para a Alfa Rodobus; d) caso chamamento ou transferência sejam fracassados, licitar as linhas (caso da Transwolff).

Por meio de nota, a prefeitura informou que as linhas operam normalmente e que, assim que for notificada, vai cumprir as determinações da Justica.
A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e da SPTrans, informa que a operação dos ônibus da empresa Transunião segue funcionando, com a frota atendendo normalmente as linhas sob sua responsabilidade e sem prejuízo ao atendimento da população. A Administração Municipal aguarda a notificação oficial da decisão judicial para avaliar seus termos e definir as providências necessárias a partir de agora.
O prefeito Ricardo Nunes relembra o romprimento de contrato com a Transwolff e UPBus, confirmando a apuração do Diário do Transporte que o mesmo pode ocorrer com a Transunião
“Estamos acompanhando o desdobramento da operação ao mesmo tempo em que temos toda a atenção para que o serviço funcione plenamente, o que tem ocorrido normalmente desde as primeiras horas da manhã. Gostaria de lembrar que assinei dois decretos em 2024 para romper contratos com uma empresa de ônibus que teria relação com o crime organizado. Nossa gestão mantém o compromisso de oferecer o melhor serviço para os 7 milhões de passageiros diariamente na cidade. As medidas cabíveis em relação à empresa Transunião serão tomadas assim que a administração for notificada pelos órgãos competentes”.
Em nota, o Ministério Público e SSP (Secretaria de Segurança Pública) do Estado de São Paulo trazem mais detalhes:
Desde as primeiras horas desta quinta-feira (25/6), centenas de
agentes públicos de uma força-tarefa constituída pela Polícia Civil, por meio do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), e pelo MPSP, por intermédio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), estão cumprindo mandados judiciais em endereços da capital, da Grande São Paulo e do município de Extrema (MG) expedidos no âmbito da Operação Última Parada, que resultou na prisão de cinco alvos, dentre eles um vereador da maior cidade do país, integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do presidente da empresa de transporte coletivo Transunião.
A investigação, iniciada a partir do assassinato de Adauto Soares Jorge (até então presidente da companhia), em 2020, coligiu provas robustas no tocante à utilização da concessionária, que só em 2025 auferiu mais de R$ 300 milhões do sistema de transportes paulistano, pela organização criminosa Primeiro Comando da Capital para a prática de lavagem de capitais. A Justiça decretou o sequestro e bloqueio de R$ 194 milhões de contas bancárias ligadas aos investigados e à companhia, bem como 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações. O Poder Judiciário também determinou o afastamento dos diretores da Transunião e a comunicação à prefeitura para adoção das providências administrativas, regulatórias e contratuais cabíveis, incluindo intervenção administrativa, garantindo assim a regularidade do atendimento à população.
De acordo com o MPSP e a Polícia Civil, no curso da investigação comprovou-se a existência de um núcleo paralelo que toma as decisões relativas à empresa, incluindo a transferência de valores para criminosos ligados ao PCC. Além disso, a própria mudança societária da companhia, segundo a investigação, teve origem delituosa, havendo um salto em seu capital social de pouco mais de R$ 100 mil para uma cifra superior a R$ 50 milhões sem que a origem desses novos recursos ficasse clara. Outro fator que chamou a atenção do MPSP e da Polícia Civil foi o fato de o circuito econômico usado para a lavagem de capitais detectado na Operação Última Parada ter pontos de contato com os dos esquemas investigados nas operações Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi, esta última deflagrada pela Polícia Federal com foco no tráfico internacional de drogas envolvendo o PCC e a ‘Ndrangheta, grupo mafioso sediado na Itália.
Em 2024, o GAECO deflagrou a Operação Fim da Linha, desarticulando duas organizações criminosas que lavavam recursos ilícitos do PCC provenientes de tráfico de drogas, roubos e outros delitos por intermédio da UPBUS e da Transwolff, duas empresas de ônibus responsáveis pelo transporte de cerca de quase 700 mil passageiros diariamente na maior cidade do país. Elas receberam mais de R$ 800 milhões de remuneração da Prefeitura de São Paulo em 2023.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



É impressionante como o Diário do Transporte gosta de citar a Transwolff, já imaginou ter que fazer retratação se a Justiça entender que não há ilícitos nela? É necessário muita cautela, porque o bom jornalismo deve ouvir as duas partes, porque não faz uma matéria com os Advogados de defesa.