BYD lidera emplacamentos de ônibus elétricos em julho. No acumulado de 2026, todo o mercado cresce 43,95%, aponta Fenabrave
Publicado em: 5 de agosto de 2026
BYD lidera emplacamentos de ônibus elétricos em julho. No acumulado de 2026, todo o mercado cresce 43,95%, aponta Fenabrave
ADAMO BAZANI
Os emplacamentos de ônibus elétricos no Brasil continuam acima do desempenho registrado no ano passado, mas apresentaram forte retração em julho. De acordo com levantamento divulgado nesta semana pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), o segmento acumula crescimento de 43,95% entre janeiro e julho de 2026 na comparação com o mesmo período de 2025. Já no mês de julho, houve queda de 67,99% em relação a junho e retração de 44,38% na comparação com julho do ano passado.
Entre as marcas, em julho, a BYD liderou. A Federação aponta que dos 89 veículos registrados no período, 66 foram da marca chinesa, o equivalente a 74,16% de participação.
“Os números de julho mostram que a eletrificação do transporte coletivo entrou em uma nova fase no Brasil. Quando três em cada quatro ônibus elétricos emplacados no País são da BYD, vemos não apenas a força da companhia, mas a consolidação de um mercado que ganha escala, atrai investimentos e fortalece a indústria nacional”, disse, por meio de nota ao Diário do Transporte, o diretor de Veículos Comerciais e Solar da BYD Brasil, Marcello Schneider.
Já no acumulado do ano, ainda de acordo com a Fenabrave, a Induscar (Caio + Eletra) aparece na liderança do mercado de ônibus eletrificados, com 244 unidades emplacadas e participação de 35,99%.
A BYD aparece em segundo no ano e a Mercedes-Benz em terceiro (VEJA OS NÚMEROS COMPLETOS MAIS ABAIXO – AO FIM DA REPORTAGEM).
Segundo a Fenabrave, foram licenciados 678 ônibus elétricos entre janeiro e julho de 2026, contra 471 no mesmo intervalo de 2025. Apenas em julho foram registrados 89 emplacamentos, ante 278 em junho e 160 em julho do ano passado.
Embora os números mensais apresentem grande oscilação, o crescimento do acumulado reflete a continuidade da eletrificação gradual do transporte coletivo brasileiro, impulsionada principalmente por contratos firmados por grandes sistemas urbanos.
É o que também entende Schneider.
“Se junho mostrou que o Brasil tinha capacidade para acelerar a eletrificação do transporte coletivo, julho indicou que esse movimento está ganhando tração e consistência. A liderança da BYD no segmento, os dados da Fenabrave mostram que a mobilidade de emissão zero avança de forma cada vez mais estruturada e se consolida como parte da transformação do transporte público brasileiro” – continuou.
A cidade de São Paulo representa cerca de 80% do mercado de ônibus elétricos do Brasil.
O impulsionamento do mercado neste ano ocorreu principalmente em razão de uma entrega de 500 unidades pelas empresas de ônibus da cidade de São Paulo, em 21 de junho de 2026.
O Diário do Transporte esteve na cerimônia de entrega. Deste total, na ocasião, a chinesa BYD, que possui planta em Campinas, no interior de São Paulo, forneceu em torno de 60% da frota apresentada, 265 veículos. Em seguida, aparece a fabricante nacional Eletra, de São Bernardo do Campo, com 142 unidades.
Em terceiro lugar, figura a Mercedes-Benz com o modelo EO500U, de piso baixo, com tecnologia pura da marca alemã, também com planta em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.
Relembre:
A entrega para a capital paulista foi destaca pela BYD na nota.
Poucas vezes um único indicador retratou com tanta clareza o momento vivido pela eletrificação do transporte coletivo brasileiro. Em julho, quase três em cada quatro ônibus elétricos emplacados no País foram da BYD. Mas o desempenho registrado em julho não surgiu de forma isolada. Poucas semanas antes, a BYD realizou a maior entrega de ônibus elétricos da história do Brasil, com 265 veículos destinados à cidade de São Paulo. Em sequência, os dois marcos ajudam a contar uma transformação que vai além dos números e mostram que a eletrificação passa a integrar, de forma cada vez mais concreta, o planejamento da mobilidade urbana nas cidades brasileiras.
Diferentemente do mercado de ônibus movidos a diesel, que costuma apresentar um fluxo mais regular de licenciamentos ao longo do ano, os elétricos dependem, em grande parte, da entrega de grandes lotes vinculados a contratos específicos. Isso faz com que alguns meses concentrem um número elevado de emplacamentos, enquanto outros registrem retrações significativas, sem necessariamente indicar uma desaceleração estrutural do mercado.
Outro fator que influencia esse comportamento é o cronograma de produção dos fabricantes, a liberação de financiamentos e a conclusão das etapas de homologação e entrega dos veículos aos operadores.
“A eletrificação avança quando deixa de ser uma iniciativa pontual e passa a fazer parte do planejamento de longo prazo das cidades. Cada novo ônibus elétrico nas ruas significa menos emissões, menos ruído e mais qualidade de vida para a população. É essa transformação concreta que queremos acelerar no Brasil”, acrescentou Schneider.
Confira os números:
Emplacamentos de ônibus elétricos – Janeiro a julho de 2026
| Fabricante | Unidades | Participação |
| Induscar (Caio + Eletra) | 244 | 35,99% |
| BYD | 175 | 25,81% |
| Mercedes-Benz | 116 | 17,11% |
| CRRC | 91 | 13,42% |
| Volkswagen Truck & Bus | 20 | 2,95% |
| Higer | 15 | 2,21% |
| Marcopolo | 12 | 1,77% |
| Volvo | 4 | 0,59% |
| Agrale | 1 | 0,15% |
Emplacamentos de ônibus elétricos – Julho de 2026
| Fabricante | Unidades | Participação |
| BYD | 66 | 74,16% |
| Induscar (Caio +Eletra) | 20 | 22,47% |
| Mercedes-Benz | 3 | 3,37% |
Resultado do mercado de ônibus elétricos
| Indicador | Resultado |
| Janeiro a julho de 2026 | 678 unidades |
| Janeiro a julho de 2025 | 471 unidades |
| Variação do acumulado | +43,95% |
| Julho de 2026 | 89 unidades |
| Junho de 2026 | 278 unidades |
| Julho de 2025 | 160 unidades |
| Julho/26 x Junho/26 | -67,99% |
| Julho/26 x Julho/25 | -44,38% |
Os dados indicam que a eletrificação do transporte coletivo continua avançando no Brasil, mas ainda depende da execução de contratos públicos e privados de grande porte, o que mantém elevada a volatilidade dos emplacamentos mensais. O crescimento de quase 44% no acumulado do ano demonstra que, apesar das oscilações de curto prazo, o segmento segue em expansão.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


