Greve na CPTM: 67% do efetivo previsto nas linhas afetadas; três maquinistas comparecem, diz estatal

No pico da manhã, três dos 126 maquinistas escalados compareceram ao trabalho. Operação foi mantida com 24 supervisores na condução de 19 trens nas linhas 11-Coral e 12-Safira; Linha 13-Jade permaneceu sem circulação

ADAMO BAZANI

A CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) informou que 67% do efetivo operacional previsto nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, no horário de pico da manhã desta terça-feira, 04 de agosto de 2026, em meio a greve da categoria.

O percentual informado pela estatal é inferior aos 80% determinados pela Justiça, como contingente mínimo para a greve.

Segundo a CPTM, dos 126 maquinistas escalados para o período da manhã nas três linhas atingidas pela greve, apenas três compareceram ao trabalho. Para manter parte da circulação, a empresa escalou 24 supervisores para conduzir os trens, sendo 18 na Linha 11-Coral e seis na Linha 12-Safira.

Com esse efetivo, a Linha 11 operou com 15 trens e a Linha 12 com quatro composições. Em condições normais, a oferta prevista seria de 31 trens na Linha 11, 24 na Linha 12 e cinco na Linha 13-Jade, que permaneceu totalmente paralisada, assim como o serviço Expresso Aeroporto.

A paralisação atinge justamente as três linhas administradas diretamente pela CPTM que permanecem sob responsabilidade do Estado. As linhas concedidas à iniciativa privada — 7-Rubi, 8-Diamante e 9-Esmeralda operaram normalmente, assim como a Linha 10-Turquesa, que é estatal, mas os trabalhadores são representados por outro sindicato.

Na segunda-feira (03), o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou que o sindicato mantivesse pelo menos 80% do efetivo nos horários de pico e 60% nos demais períodos. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 400 mil ao Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil.

Os ônibus municipais da SPTrans e o sistema Paese, organizados pela Artesp, voltaram a ter papel fundamental para reduzir os impactos aos passageiros, mesmo que insuficientes.

O Diário do Transporte mostrou nesta manhã quais linhas de ônibus foram reforçadas e como funciona a operação especial de apoio durante a paralisação:

https://diariodotransporte.com.br/2026/08/04/confira-as-linhas-de-onibus-da-sptrans-reforcadas-e-como-esta-a-operacao-paese-da-artesp-durante-a-greve-na-cptm-nesta-terca-feira-04/

Plano de contingência

Desde as 4h desta terça-feira, o Governo de São Paulo colocou em prática um plano de contingência envolvendo CPTM, Metrô, Artesp e empresas de ônibus.

O Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese) foi acionado com 128 ônibus para atender os passageiros afetados.

Na Linha 11-Coral, os veículos fazem o atendimento entre Estudantes e Corinthians-Itaquera. Na Linha 12-Safira, o serviço ocorre entre São Miguel Paulista e Calmon Viana. Já na Linha 13-Jade, os ônibus operam entre Aeroporto-Guarulhos e Engenheiro Goulart.

Além do Paese, a SPTrans reforçou linhas municipais que atendem os principais corredores utilizados pelos passageiros das linhas ferroviárias afetadas.

Operação do Metrô

O Metrô antecipou a abertura das linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata para as 4h.

A Linha 3-Vermelha, principal alternativa para parte dos usuários das linhas 11 e 12, recebeu reforço de frota e iniciou a operação com maior oferta de trens. Também foram realizadas manobras operacionais em pontos estratégicos para ampliar a capacidade de transporte.

Segundo o Governo do Estado, trens reservas permaneceram disponíveis para atendimento em estações com maior concentração de passageiros, enquanto equipes operacionais foram reforçadas em locais como Corinthians-Itaquera, Tatuapé, Brás e Palmeiras-Barra Funda.

Governo e sindicato

Na segunda-feira, o Governo de São Paulo informou ter reiterado ao sindicato compromissos relacionados à preservação dos postos de trabalho e à análise de projetos de lei de interesse da categoria, entre eles propostas envolvendo a absorção de empregados por outros órgãos estaduais, a incorporação da Estrada de Ferro Campos do Jordão pela CPTM e a inclusão dos ferroviários no Iamspe.

Em nota, o governo afirmou lamentar a continuidade da paralisação e destacou que a greve afeta o deslocamento diário de milhares de passageiros.

Segurança

A Polícia Militar informou que reforçou o policiamento no entorno das estações ferroviárias, terminais de transporte e demais locais de grande circulação. Também houve intensificação da fiscalização de trânsito nas regiões impactadas pela redução da oferta ferroviária.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Rodrigo de Freitas Andrade disse:

    O que dizer de uma greve política, com objetivo claro de denegrir o governador Tarcísio de Freitas?
    Todos sabem que pelas pesquisas, Tarcísio ganha no primeiro turno, com larga vantagem sobre Haddad, um ser que destruiu o transporte por ônibus na cidade de São Paulo e agora quer voltar a um cargo executivo, pior ainda, a nível estadual, para destruir o sistema metro-ferroviário e dar o sistema para seus parceiros e empresários aliados, e vocês sabem quem são: Sindicalistas, Policiais de esquerda de alto escalão, empresários da mobilidade ligados so Foro de São Paulo, todos com as bençãos e proteção do crime organizado.
    E aí, os sindicalistas, massas de manobra da esquerda “acham” que vão recuperar seus cargos públicos numa eventual gestão Haddad, lógico, que no meio, tem os grandões, líderes sindicais que vão abocanhar uma parte do sistema, assim como aconteceu na mobilidade urbana por ônibus na cidade de SP.
    Estes senhores acham que, fazendo o povo sofrer, colocarão a opinião pública contra o Tarcísio de Freitas, mas o nível de estudo do trabalhador e também o nível de consciência aumentou na população economicamente ativa do Estado, sobretudo, na região metropolitana.
    Sobram, as minorias, as bolhas defendidas pelo Foro de SP, que militam nas redes sociais e em blogs especializados, que não têm o mínimo humanismo que tanto alegam ter, e não sabem conviver com opiniões divergentes, sem ofender ou humilhar o próximo.
    O povo já entendeu que é forçadamente usado, através de caos e sofrimento, por centrais sindicais — todas de esquerda — para atingir governadores e prefeitos que não são de esquerda, quando estão ativos em cargos executivos.
    As falhas durante a operação da Trivia Trens ainda estão sendo investigadas — inclusive por suposta sabotagem política — e mesmo assim, nosso honrado governador, de modo correto, disse que descredenciará a mesma se não provar condições de cumprir o contrato, como todo bom administrador faz.
    E ainda vemos mais: A CPTM e o sindicato, conluiados, mentem ao público sobre a percentagem de operadores nas linhas, descumprindo determinação judicial, uma vergonha!

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