Scania reage para recuperar espaço no mercado de ônibus e aposta em biometano, nova geração de rodoviários e pós-venda para voltar a crescer

Após perder a liderança mundial de vendas para o México, fabricante sueca mira expansão de 20% na América Latina nos próximos cinco anos. Adamo Bazani acompanhou, em São Bernardo do Campo, a apresentação das novas estratégias e lançamentos

ADAMO BAZANI – Especial de São Bernardo do Campo (SP)

Depois de alguns anos perdendo participação em segmentos importantes do mercado brasileiro de ônibus, a Scania iniciou um novo ciclo para tentar recuperar espaço.

A estratégia da fabricante sueca passa por três frentes consideradas essenciais: a ampliação da oferta de produtos movidos a biometano e gás natural, a chegada da nova geração de chassis rodoviários Super — especialmente com os inéditos motores de 11 litros com a nova tecnologia no Brasil — e um reforço da estrutura de pós-venda, conectividade e serviços, áreas nas quais a empresa pretende aumentar a fidelização dos clientes e reduzir o custo operacional das frotas.

Os anúncios foram feitos nesta quarta-feira 29 de julho de 2026, na unidade industrial da Scania em São Bernardo do Campo (SP), onde o criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, acompanhou a apresentação dos novos produtos e da estratégia comercial da fabricante para os próximos anos.

A avaliação da empresa é que este é o momento de responder ao mercado.

Embora mantenha forte presença entre operadores rodoviários e urbanos, a Scania reconhece mudanças importantes no cenário latino-americano. Um dos indicadores apresentados durante o evento mostra que o Brasil perdeu a liderança mundial nas vendas de ônibus da marca para o México.

Segundo dados divulgados pela fabricante, foram entregues globalmente 3.172 chassis de ônibus em 2025. O México tornou-se o principal mercado da Scania no mundo, com 837 unidades comercializadas, enquanto o Brasil ficou em segundo lugar, com 760. Argentina (526), Espanha (454), Colômbia (345), Chile (317), Peru (313), Austrália (305), Reino Unido (296) e Taiwan (265) completam os dez maiores mercados da marca.

Durante a apresentação, executivos atribuíram esse resultado principalmente ao forte programa de renovação da frota mexicana, especialmente nos sistemas urbanos.

Apesar disso, a América Latina continua sendo estratégica para a fabricante.

Em 2025, a região respondeu por 48% de todas as vendas globais de ônibus da Scania, superando com folga a participação da Europa, de 28%.

Crescimento de 20%

A empresa acredita que há espaço para uma expansão significativa.

A expectativa apresentada durante o encontro é de crescimento de aproximadamente 20% nas vendas da Scania na América Latina e México nos próximos cinco anos, impulsionado pela renovação de frotas, pela descarbonização do transporte coletivo e pela ampliação dos serviços agregados ao produto.

A aposta no biometano

Uma das principais novidades é o lançamento do novo ônibus urbano Scania K 280 4×2 equipado para operar com gás natural e biometano.

Desenvolvido em parceria com a Caio, o modelo está em fase final de homologação junto à SPTrans e deverá iniciar testes em operação comercial na cidade de São Paulo até setembro.

O novo veículo possui motor de 280 cavalos, transmissão automática ZF Ecolife 2, autonomia entre 300 e 350 quilômetros e capacidade para transportar até 88 passageiros.

Entre os diferenciais estão quatro cilindros de fibra de carbono instalados no teto, cerca de 70% mais leves que os modelos convencionais, permitindo maior capacidade de armazenamento de gás com elevado padrão de segurança.

Segundo a Scania, abastecido exclusivamente com biometano, o veículo pode reduzir em até 90% as emissões de CO₂ quando comparado ao diesel.

Segundo o diretor de Desenvolvimento de Negócios da Scania, Marcelo Gallão, em entrevista a Adamo Bazani, um grande grupo empresarial de transportes da capital paulista já demonstrou interesse na compra de uma quantidade considerada “relativamente grande” do novo ônibus urbano a biometano da marca, desenvolvido em parceria com a Caio para atender às especificações operacionais da SPTrans (São Paulo Transporte).

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2026/07/30/exclusivo-video-onibus-biometano-scania-padrao-sptrans-ja-tem-um-grande-lote-pre-encomendado-e-vai-para-as-ruas-em-setembro-entrevista-e-fotos/

Super chega ao Brasil

Outra aposta da fabricante é a chegada da linha Super para ônibus.

Lançada há menos de um ano na Europa, a nova geração estreia no Brasil com motores de 11 e 13 litros destinados às operações rodoviárias, oferecendo potência entre 350 e 500 cavalos. As vendas começam durante a Lat.Bus 2026.

O grande destaque técnico é o novo trem de força, formado por motor, transmissão, eixo cardã e diferencial completamente redesenhados.

Segundo a Scania, o consumo de combustível será até 8% menor em relação à atual geração Euro 6.

A novidade considerada mais importante é justamente o novo motor de 11 litros.

A fabricante acredita que esse propulsor permitirá ampliar a presença em aplicações rodoviárias de curta e média distância, segmento no qual a disputa entre fabricantes é bastante intensa.

Além da economia, a nova geração incorpora câmbio G25, novo diferencial, sistema de otimização de combustível (FOU), painel digital, arquitetura eletrônica de sétima geração e novos sistemas de segurança ativa.

O Diretor de Desenvolvimento de Negócios da Scania, Marcelo Gallão, também falou a Adamo Bazani sobre as principais características destes veículos, que ampliam as opções no mercado. Os modelos são o K350 4×2, K390 4×2 e 6×2, K430 e 460 6×2, K460 e K500 8×2.

Os três primeiros modelos desta nova linha possuem motores de 11 litros, que eram uma exigência por parte dos operadores, e que agora contam com esta alternativa. Mas os motores de 13 litros, para os modelos de potência maior, também são opções. A linha atual de ônibus rodoviários da Scania é mantida para, de acordo com o diretor, haver mais flexibilidade do operador escolher.

Entre as características da linha de modelos estão manutenções mais facilitadas, com menos equipamentos, inclusive com o implemento de tecnologia em relação aos motores de 11 litros dos anos 1990, que foram descontinuados na ocasião. Além disso, de acordo com Marcelo Gallão, o consumo 8% menor em média, mas que pode chegar a 11% menos de óleo diesel, justifica o valor mais alto de aquisição, que gira em torno de 7%.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2026/07/29/entrevista-em-video-entenda-as-principais-caracteristicas-dos-lancamentos-dos-onibus-rodoviarios-da-scania/

Serviços passam a ser parte da estratégia

Se os produtos representam uma frente da ofensiva comercial, o pós-venda forma a outra.

Executivos da Scania afirmam que o objetivo é vender uma solução completa, combinando veículo, conectividade, manutenção e suporte operacional.

Entre as novidades estão o lançamento do comércio eletrônico oficial de peças, um novo plano de manutenção denominado PRO Start e a ampliação da rede nacional de concessionárias.

A fabricante informou que investirá R$ 110 milhões entre 2025 e 2026 na expansão da rede, que passará de 250 para 276 pontos de atendimento, cobrindo integralmente o território nacional.

Hoje, cerca de 100 mil veículos Scania estão conectados no Brasil, dos quais aproximadamente 6 mil são ônibus.

Segundo a empresa, os serviços conectados já permitem reduzir em até 47% as paradas inesperadas para manutenção, utilizando inteligência de dados para gestão preventiva das frotas.

Investimentos em São Bernardo

A estratégia também passa pelo fortalecimento da operação industrial brasileira.

Para preparar a produção da nova linha Super, a Scania investiu R$ 120 milhões em engenharia, atualização da linha de montagem e desenvolvimento da cadeia de fornecedores, além de aproximadamente mil horas de treinamento para os colaboradores da fábrica de São Bernardo do Campo.

Um novo momento

Os anúncios mostram que a Scania pretende disputar espaço de forma mais agressiva em um mercado que mudou nos últimos anos.

A combinação entre motores mais eficientes, maior oferta de soluções movidas a biometano, reforço dos serviços e expansão da rede de concessionárias forma a principal aposta da fabricante para recuperar participação em segmentos onde perdeu terreno e ampliar sua presença tanto no Brasil quanto na América Latina.

Para a empresa, a transição energética do transporte coletivo e a busca dos operadores por redução do custo operacional criam um ambiente favorável para essa nova fase.

Ranking dos maiores mercados da Scania em ônibus – 2025

Posição País Entregas de chassis
México 837
Brasil 760
Argentina 526
Espanha 454
Colômbia 345
Chile 317
Peru 313
Austrália 305
Reino Unido 296
10º Taiwan 265

Dados gerais apresentados pela Scania:

  • Entregas globais de chassis de ônibus em 2025: 3.172 unidades
  • A América Latina responde por 48% das vendas globais de ônibus da Scania.
  • O Brasil perdeu a liderança mundial da marca para o México, impulsionado pelo forte programa de renovação da frota mexicana.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Santiago disse:

    O grande dilema no mercado brasileiro, especialmente dos urbanos, é que mesmo nas cidades maiores e mais ricas a escolha técnica dos ônibus é deixada exclusivamente a cargo dos frotistas.
    E aí impera somente o conceito do “mais barato”: Marcas que ofertem o menor valor de aquisição, e chassis rígidos com motor dianteiro.
    Se as prefeituras lavam as mãos na definição dos padrões técnicos dos ônibus, e deixam que o concessionário/frotista decida isso sozinho, a tendência é que os passageiros sejam percebidos como gado, os ônibus como ferramentas descartáveis, e as condições de trabalho do motorista como um mero detalhe. Infelizmente!
    Daí que Scania e Volvo encontrem mais dificuldade em emplacar maiores vendas nas cidades brasileiras, a despeito da qualidade superior dos seus produtos.

    1. ZéTros disse:

      A Mercedes e a VW tbm tem produtos de qualidade superior em seus portifólios, porém, vendem mais os antiquados chassis com motor dianteiro, porque deixa nas mãos dos frotistas a escolha dos ônibus comprados como vc citou. Por outro lado, se as prefeituras exigirem ônibus melhores, as empresas vão exigir tarifas mais altas para compensar o investimento e que termina sobrando para o bolso da população.

      E tenho a impressao que a Volvo se perdeu no entendimento do mercado brasileiro, porque deixou de produzir seus articulados a diesel, focando somente em elétricos no segmento urbano. Enfim.

      1. Santiago disse:

        Concordo! E também é um tanto irônico que em várias dessas mesmas cidades as respectivas prefeituras ensaiem discursos de tarifa-zero e aquisições de carissimos ônibus elétricos. De onde pode-se concluir que existem sim recursos financeiros nessas prefeituras, porém falta vontade política em se adquirir coisa melhor para o atual dia-a-dia.

  2. Maria de Fátima Dos Santos Assumpção disse:

    Quero um ônibus para Turismo G8 LD

  3. Juan disse:

    A Scania do Brasil decidiu passar de protagonista para mera figurante no segmento de articulados no novo século, pois oferece um chassi que nunca conseguiu emplacar no mercado por ter um motor de 5 cilindros e a menor potência de todos, sendo que ela tem motores maiores que dariam certíssimo no segmento de articulados

    1. ZéTros disse:

      A verdade que nessa categoria a Scania nunca foi protagonista, posição que era da Volvo até a entrada da Mercedes no segmento. Agora com o motor de 11 litros, que mesmo ainda tendo 5 cilindros, tem numa das faixas de potência 390 cv e 2000 Nm de torque e deveria ser considerado pela Scania nos articulados.

  4. Rodrigo Zika! disse:

    Aqui em SP tirando a VCB que pode se interessar e tem uma das maiores frotas na ZS e na cidade, e Metrópole Paulista que fica em segundo infelizmente só compra Mercedes.

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