Retração do sistema de ônibus interestaduais gerido pela ANTT atingiu mais forte quem já era maior, não quem era menor, diz analista de mercado, que cita Guanabara e Comporte
Publicado em: 26 de julho de 2026
De acordo com Ilo Löbel da Luz, os dois conglomerados caíram 26,66% e 42,73%, respectivamente, enquanto retração média geral foi de 9,42%.
ADAMO BAZANI
Em primeira mão, o Diário do Transporte mostrou que pelo terceiro ano consecutivo, depois do pico de 2023, quando o segmento de ônibus rodoviários estava em recuperação dos efeitos econômicos da pandemia de covid-19, o número de passageiros das linhas interestaduais caiu.
Os dados fazem parte do TRIIP – Transporte Rodoviário Interestadual e Internacional de Passageiros mais recente, referente ao ano de 2025.
Foram transportados 36,7 milhões de passageiros em 2025, o terceiro ano seguido de queda após o pico de 43,1 milhões em 2023. A retração acumulada 2023-2025 foi de aproximadamente 15%.
Entre 2024 e 2025, a queda média foi um pouco menor, mas ainda relevante. Somente o mercado nacional do TRIP transportou 40,5 milhões de passageiros em 2024 e 36,7 milhões em 2025, uma retração agregada de 9,42%.
Segundo o advogado especialista em regulação do mercado de ônibus rodoviários e analista de mercado, Ilo Löbel da Luz, em artigo para o Diário do Transporte, ao contrário de muitos discursos por aí, foram os grandes grupos empresariais que mais teriam perdido demanda.
A análise foi feita com base nos próprios dados oficiais das estatísticas consolidadas mais recentes da ANTT.
Ilo citou os exemplos grupos Guanabara, da família de Jacob Barata Filho, e Comporte, da família de Constantino de Oliveira, tiveram retração de demanda de 26,66% e 42,73%, respectivamente.
Mas o especialista faz uma ressalva: os resultados estão longe de significar que o mercado está deixando de ser concentrado.
Quatro dos grandes grupos empresariais: Comporte, Guanabara, JCA e Garcia/Brasil-Sul, continuam concentrando, isoladamente, mais participação de mercado do que qualquer empresa independente. O Grupo JCA (que reúne empresas como Viação Cometa, 1001, Catarinense e Rápido Ribeirão Preto, por exemplo) sozinho, mesmo após a retração, responde por 15,30% da demanda nacional, quase o dobro da maior empresa isolada do país.
“O achado relevante não é que os grandes grupos estão enfraquecendo. É que a suposição de que escala protege automaticamente contra retração de demanda não se sustenta nos dados. Dois dos quatro grupos analisados, Guanabara e Comporte, tiveram desempenho pior que a média do próprio setor independente no mesmo período. Isso indica que a resiliência de um grupo econômico depende de como ele distribui risco entre suas marcas e regiões, não do tamanho agregado que ele carrega”. – disse Ilo.
VEJA O ARTIGO COMPLETO:
A hipótese mais intuitiva diante de uma retração de mercado é que ela castiga primeiro quem tem menos escala para absorver o choque, as empresas independentes, e fortalece relativamente os grandes grupos econômicos. Os dados oficiais do biênio 2024-2025 do Transporte Rodoviário Interestadual de Passageiros mostram o contrário. Os quatro maiores grupos econômicos identificados neste estudo recuaram 13,93% no período, quase o dobro da retração de 6,70% registrada pelo restante do mercado.
A hipótese e o teste
O mercado nacional do TRIP transportou 40.566.159 passageiros em 2024 e 36.743.098 em 2025, uma retração agregada de 9,42%. A pergunta relevante não é o percentual agregado, é como essa perda se distribuiu entre operadores. Se a queda tivesse se concentrado entre empresas independentes, o efeito esperado seria o fortalecimento relativo dos grandes grupos, que ganhariam participação de mercado mesmo transportando menos passageiros em termos absolutos.
Não foi o que aconteceu. Consolidando os quatro grupos econômicos com composição societária confirmada nesta análise, JCA, Guanabara, GBS e Comporte, o conjunto caiu de 15.286.454 para 13.157.146 passageiros, uma retração de 13,93%. O restante do mercado, formado por empresas sem grupo econômico identificado nesta análise, caiu de 25.279.705 para 23.585.952, uma retração de 6,70%, menos da metade da taxa dos quatro grupos e também abaixo da média nacional.
Por que isso não significa desconcentração
Esse resultado poderia sugerir, à primeira vista, que o mercado caminha para desconcentração, com os grandes grupos perdendo mais espaço que o restante do setor. A leitura correta é mais específica. Dentro dos próprios quatro grupos, o comportamento é heterogêneo: o grupo JCA recuou apenas 5,43%, o grupo GBS cresceu 18,23%, enquanto Guanabara e Comporte caíram 26,66% e 42,73%, respectivamente. A média de 13,93% do conjunto é puxada por dois grupos com desempenho muito abaixo do restante do mercado, não por uma tendência uniforme de perda de posição dos grandes conglomerados.
Além disso, os quatro grupos aqui identificados continuam concentrando, isoladamente, mais participação de mercado do que qualquer empresa independente. O grupo JCA sozinho, mesmo após a retração, responde por 15,30% da demanda nacional, quase o dobro da maior empresa isolada do país. Uma queda percentual maior, num grupo que já parte de uma base de mercado muito superior, não converte automaticamente vantagem competitiva em fragilidade.
O que o dado realmente prova
O achado relevante não é que os grandes grupos estão enfraquecendo. É que a suposição de que escala protege automaticamente contra retração de demanda não se sustenta nos dados. Dois dos quatro grupos analisados, Guanabara e Comporte, tiveram desempenho pior que a média do próprio setor independente no mesmo período. Isso indica que a resiliência de um grupo econômico depende de como ele distribui risco entre suas marcas e regiões, não do tamanho agregado que ele carrega.
Essa constatação importa para quem avalia risco de crédito, para investidores e para o próprio regulador. Pertencer a um grupo grande deixou de ser, sozinho, garantia suficiente de estabilidade diante de oscilação de demanda. É necessário observar o comportamento interno de cada conglomerado, não apenas seu tamanho agregado.
Um limite metodológico se impõe aqui. Esta análise identifica com segurança apenas quatro grupos econômicos, a partir de composição societária confirmada. O mercado brasileiro do TRIP comporta outros conglomerados ainda não mapeados, e nada garante que eles tenham se comportado da mesma forma que os quatro aqui analisados. O resultado descrito vale para os grupos identificados, não para a totalidade da concentração econômica do setor.
Ilo Löbel da Luz — Especialista em Regulação da ANTT para o Transporte Rodoviário Interestadual de Passageiros (TRIP) lobeldaluz@gmail.com
Fonte dos dados: GEMON/SUPAS/ANTT, Processo Administrativo SEI/ANTT xxxxxxxxxx
Texto Introdutório: Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



Se a ganância deles fosse menor e baixassem o valor absurdo das passagens, talvez não perdessem tanto ou talvez até ganhassem.
Pobre não viaja mais de avião, e agora, nem de ônibus. Aperta o 13 e confirma o grosso entrando. F-A-Z-U-É-L-I
Muuuuu, muuuuuu.
Um mu escrevendo outro mu, não pense que é especial e que o Brasil está indo só progresso.
Avião faz tempo isso, e ônibus nunca foi barato só aumenta o valor dos dois.