Modelos atuais de licitação podem abrir espaço para infiltração do crime organizado no transporte coletivo. Curitiba preocupa, alerta especialista

Em entrevista ao criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Wagner Mesquita defende análise aprofundada de empresas, origem dos recursos, sócios e vínculos dos participantes; especialista também chama atenção para riscos envolvendo bilhetagem eletrônica, biometria e contratos de longa duração

ADAMO BAZANI

Colaborou Vinícius de Oliveira

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Os modelos de licitação utilizados atualmente no transporte coletivo podem facilitar a entrada de empresas ligadas ao crime organizado em serviços públicos, especialmente quando a administração exige apenas regularidade documental, capacidade técnica e menor preço.

O alerta é do especialista em Segurança Pública Wagner Mesquita, que atuou na Polícia Federal e em secretarias da área, entre elas a do Estado do Paraná, e atualmente trabalha como consultor internacional.

Em entrevista ao editor-chefe e criador do Diário do Transporte, Adamo Bazani, Mesquita afirmou que as organizações criminosas deixaram de buscar apenas atividades usadas diretamente para lavagem de dinheiro e passaram a se interessar por empresas formalmente lícitas, com contratos públicos, acesso a informações e capacidade de influência territorial, econômica e política.

Entre os setores de interesse, segundo o especialista, estão o transporte coletivo, postos de combustíveis, sistemas de monitoramento por câmeras, controle de trânsito, empresas financeiras e outras atividades que movimentam grandes volumes de recursos ou informações.

“A gente já passou daquela fase anterior, em que tínhamos apenas o crime por si e a lavagem de dinheiro. Hoje, as organizações criminosas têm interesse também em atividades plenamente lícitas, que podem complementar ou potencializar os resultados das atividades criminosas”, afirmou.

Mesquita citou organizações como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho, ressaltando que facções com atuação nacional e internacional podem buscar empresas regulares não apenas para ocultar recursos, mas também para controlar territórios, acessar dados e ampliar influência.

O especialista deixou claro que a existência de empresas investigadas não permite generalizações sobre o setor de transporte coletivo, formado majoritariamente por operadores regulares e empresários com histórico de prestação de serviços.

A mais recente operação do Ministério Público do Estado de São Paulo, no dia 25 de junho de 2026, cujo alvo foi a empresa Transunião, da zona leste da capital paulista, teve entre os presos, o vereador Senival Moura, como noticiou o Diário do Transporte.  Os trabalhos, liderados pelo promotor Lincoln Gakiya, apuram ligação da direção da companhia de transportes com o PCC.

A Transunião, desde então, está sob intervenção da SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora das linhas municipais, e segundo o prefeito Ricardo Nunes, pode ter o mesmo fim de outras duas empresas que foram alvos de operação do MP também por supostas ligações com o PCC e que, após longo período de intervenção, foram descredenciadas.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2026/06/25/ouca-nunes-diz-que-fim-da-transuniao-pode-ser-semelhante-ao-da-transwolff-e-upbus-gakya-ve-agravante-em-senival-presidir-comissao-de-transportes/

A prisão de um vereador sob a suspeita de ligação com o esquema do PCC nos transportes chama a atenção, segundo Mesquita, mas não surpreende.

A Polícia Federal e as autoridades policiais dos estados bem como os ministérios públicos identificaram o risco de mais sistemas de transportes regulares em outras cidades do País estarem sob o risco de infiltração do crime organizado, inclusive, com os mesmos investigados na capital paulista ou pessoas ligadas a eles. As licitações de transportes estão no radar de grupos criminosos.

Por isso, Wagner Mesquita mostra preocupação e aponta a necessidade para que os editais e os procedimentos de verificação sejam ampliados dentro já das possibilidades previstas em lei.

Serviço público pode ser usado para lavar dinheiro e ampliar influência

Para Wagner Mesquita, o transporte coletivo apresenta características que despertam o interesse do crime organizado.

Além de movimentar grandes quantidades de passageiros e recursos financeiros, as empresas do setor mantêm contratos de longo prazo com o Poder Público, operam em diferentes regiões das cidades e podem ter acesso a informações de bilhetagem, deslocamento e identificação de usuários.

O especialista explicou que, no passado, a lavagem de dinheiro estava mais associada a atividades com grande circulação de dinheiro em espécie e contabilidade de difícil conferência, como motéis e pequenos comércios.

Com o aprimoramento dos mecanismos de fiscalização, as organizações criminosas também passaram a buscar empresas mais estruturadas e setores tecnológicos e financeiros.

“Hoje até os produtos financeiros, as fintechs e empresas da Faria Lima estão sendo objeto de procura pelo crime organizado, seja para potencializar o lucro, seja pela própria operação”, disse.

Segundo Mesquita, o transporte coletivo já não pode ser tratado apenas como uma possibilidade abstrata de infiltração criminosa. Ele mencionou operações realizadas em São Paulo que investigam suspeitas de ligação entre empresas de ônibus, agentes políticos e integrantes de organizações criminosas.

As referências feitas pelo especialista são relacionadas a investigações em andamento e não representam condenação definitiva das empresas ou pessoas citadas nos respectivos processos.

Menor preço pode criar concorrência desleal

Um dos principais problemas apontados por Mesquita está na utilização do menor preço como critério central de seleção das empresas.

Segundo o especialista, uma companhia idônea precisa formular sua proposta considerando custos operacionais, investimentos em frota, manutenção, funcionários e uma margem que garanta a continuidade da atividade.

Já uma empresa abastecida por recursos provenientes de atividades criminosas pode apresentar preços artificialmente baixos, porque não depende exclusivamente da receita do contrato para sustentar a operação.

“Para uma empresa idônea, o preço que ela vai cobrar para prestar o serviço é calculado por matemática. Ela precisa sustentar a operação e ter uma margem. A empresa que eventualmente já tem o suporte do crime organizado pode considerar o preço até irrelevante, porque o recurso já foi obtido por meio da atividade criminosa ou da corrupção”, afirmou.

Nesse cenário, segundo Mesquita, o certame pode gerar uma concorrência desigual, prejudicando operadores regulares e permitindo que grupos com capital de origem ilícita conquistem contratos públicos.

O especialista destacou que empresas ligadas ao crime organizado podem apresentar boa frota, capacidade técnica e qualidade operacional. Esses elementos, entretanto, não afastam a necessidade de investigação sobre a origem dos recursos e os beneficiários efetivos da atividade.

“Uma empresa pode ter aparência de licitude, estrutura e qualidade, mas estar sendo usada para outras finalidades. A prestação adequada do serviço não legitima eventual lavagem de dinheiro ou vínculo criminoso”, explicou.

Licitações deveriam incorporar mecanismos de “due diligence”

Para dificultar a entrada de organizações criminosas, Wagner Mesquita defende a inclusão de mecanismos de due diligence nos processos licitatórios.

A expressão se refere a uma investigação aprofundada sobre o histórico das empresas, dos sócios, administradores, financiadores e demais pessoas físicas ou jurídicas envolvidas no contrato.

Na avaliação do especialista, não basta exigir certidões negativas e comprovação formal de capacidade técnica.

Seria necessário analisar:

  • a origem dos recursos utilizados para aquisição da frota e implantação da estrutura operacional;
  • o histórico dos sócios, administradores e beneficiários efetivos;
  • vínculos com processos administrativos, cíveis e criminais;
  • mudanças societárias ocorridas antes e depois da licitação;
  • movimentações financeiras relacionadas ao contrato;
  • destino das receitas obtidas com a prestação do serviço;
  • relações entre empresas participantes, fornecedores e financiadores.

Mesquita também defendeu a adoção de programas de compliance mais rigorosos e mecanismos permanentes de fiscalização durante toda a duração dos contratos.

“Não é somente verificar se a empresa está apta naquele momento. É preciso mapear os recursos, acompanhar para onde o dinheiro vai e permitir que os órgãos de controle fiscalizem o contrato ao longo dos anos”, disse.

Esse acompanhamento, segundo o especialista, deveria envolver o Ministério Público, os Tribunais de Contas, o Poder Legislativo e os órgãos responsáveis pela gestão do transporte.

Contratos de 15 anos exigem controle permanente

Wagner Mesquita chamou atenção para licitações de longa duração, como a prevista para o sistema de transporte coletivo de Curitiba.

De acordo com o especialista, contratos de aproximadamente 15 anos ampliam a necessidade de análise prévia e fiscalização contínua, porque mudanças societárias e vínculos suspeitos podem surgir depois da assinatura.

Mesquita afirmou que o processo de Curitiba representa uma oportunidade para que a administração municipal aperfeiçoe os critérios de integridade exigidos das empresas.

“É um momento muito importante para o gestor público. Não se trata de influenciar a decisão da administração, mas de trazer um alerta para que sejam criadas garantias de que os participantes não tenham envolvimento com o crime organizado”, declarou.

Na avaliação do especialista, o município precisa conciliar a continuidade do transporte público com a necessidade de evitar que um contrato de longa duração seja utilizado para lavagem de dinheiro, influência política ou controle territorial.

Mesquita também destacou que uma grande operadora de transporte pode adquirir peso político relevante no município, pela dimensão econômica do contrato, pela quantidade de trabalhadores e pela presença cotidiana em toda a cidade.

“Uma empresa com contrato de 15 anos tem peso político, participa das discussões do município e se relaciona com diferentes estruturas públicas. Isso vai muito além da lavagem de dinheiro”, afirmou.

Bilhetagem, biometria e dados dos passageiros também preocupam

Outro risco apontado pelo especialista está relacionado ao acesso a dados dos passageiros.

Os sistemas de transporte coletivo armazenam informações de bilhetagem eletrônica, deslocamentos, recargas, gratuidades e perfis de utilização. Com o avanço tecnológico, também podem incorporar reconhecimento facial e biometria.

Mesquita afirmou que esses dados possuem elevado valor econômico e podem ser utilizados para abertura fraudulenta de contas, produção de documentos falsos, movimentações financeiras e outras atividades criminosas.

“Em breve teremos mais reconhecimento facial e uso de biometria nos ônibus de Curitiba. Esses metadados valem muito dinheiro. Se isso não for devidamente tratado, a biometria e a imagem das pessoas podem ser usadas em fraudes”, alertou.

O especialista ressaltou que a preocupação não representa uma crítica às empresas de bilhetagem eletrônica ou de tecnologia, que vêm aprimorando seus sistemas de criptografia e proteção de dados.

A questão, segundo ele, é impedir que grupos criminosos se aproximem da estrutura empresarial e tecnológica que concentra essas informações.

“O cidadão utiliza o serviço de forma inocente, no dia a dia, e não consegue enxergar todo o potencial que aquela ferramenta pode ter para o crime organizado”, explicou.

Dinheiro público pode acabar abastecendo atividades criminosas

Durante a entrevista, o editor-chefe e criador do Diário do Transporte , Adamo Bazani, destacou que a lavagem de dinheiro não deve ser tratada apenas como uma operação contábil abstrata.

Os valores que entram em empresas ligadas ao crime organizado podem ter origem no tráfico de drogas, em extorsões, corrupção, violência e outras atividades que provocam mortes e desestruturam famílias.

Além disso, quando uma empresa suspeita recebe subsídios ou remunerações do Poder Público, há o risco de recursos públicos contribuírem, direta ou indiretamente, para o fortalecimento de organizações criminosas.

Mesquita mencionou como exemplo uma investigação em São Paulo na qual, de acordo com ele, uma empresa envolvida havia recebido aproximadamente R$ 180 milhões em recursos públicos no primeiro semestre de 2026.

O especialista ressaltou, no entanto, que contratos celebrados formalmente e pagamentos públicos regulares não significam, por si só, participação criminosa. A responsabilidade depende de investigação e comprovação pelas autoridades competentes.

Fluxo de recursos pode ocorrer nos dois sentidos

A entrevista também abordou situações em que a atividade empresarial lícita deixa de ser apenas um instrumento para receber dinheiro ilegal e passa a gerar receitas próprias para financiar organizações criminosas.

Ou seja, o fluxo não ocorre necessariamente apenas do crime para a empresa. Uma atividade formalmente regular e lucrativa também pode transferir recursos para o grupo criminoso.

Mesquita afirmou que esse modelo é observado com frequência nas milícias do Rio de Janeiro, que passaram a controlar atividades como venda de gás, internet, transporte e outros serviços.

“As milícias encontraram atividades formalmente lícitas que podem dar tanto retorno quanto o tráfico. Isso dificulta muito o trabalho da polícia, porque a atividade, em si, apresenta aparência de legalidade”, disse.

Segundo ele, a investigação se torna mais complexa quando não há drogas, armas ou outros elementos materiais facilmente identificáveis, mas empresas, contratos e operações aparentemente regulares.

“Hoje, licitar somente já não basta”

Ao concluir a entrevista, Wagner Mesquita afirmou que o Brasil possui empresários sérios e empresas com longo histórico de prestação de serviços à sociedade.

Para o especialista, o combate à infiltração criminosa não deve ser utilizado para deslegitimar todo o setor, mas para proteger operadores regulares, passageiros, trabalhadores, empresas de tecnologia e o próprio Poder Público.

“O nosso País é formado por empresários sérios, que têm uma história de prestação de serviços. Existe solução. Precisamos tomar medidas legislativas e dar ao gestor público ferramentas para aplicar esses controles no dia a dia”, afirmou.

Mesquita resumiu o principal alerta da entrevista:

“Hoje, licitar somente já não basta.”  – disse

Curitiba pode perder oportunidade:

Licitações em andamento, como de Curitiba, lotes operacionais do Rio de Janeiro e outras em revisão, como de Campinas, poderiam também acrescentar mecanismos de melhor apuração e mais exigências aos participantes antes da assinatura dos contratos.

“Em relação ao processo de Curitiba, vendo a possibilidade de que, ou damos andamento à situação do jeito que ela está, e aí corre-se o risco de realmente termos um apagão, ou executar a licitação da forma com que ela está, sem que haja garantia de que os participantes não tenham participação nenhuma com o crime organizado, ou partir para um contrato novo, em que haja garantia de melhoria de qualidade de serviço para o cidadão, e que aí, dando tempo para que a administração possa, aí, sim, aprimorar os seus critérios dentro do procedimento da licitação, e fazerem as medidas necessárias para que, garantir que os que venham a participar, ali, sim, tenham uma, entre aspas, ficha limpa, enfim, que possa se garantir que, durante os próximos 15 anos, nós vamos ter um serviço de qualidade, e sem que ele esteja sendo usado como ferramenta do crime organizado”. – exemplifica.

A licitação de Curitiba é alvo de um imbróglio judicial entre a prefeitura, que em vez de renovar os atuais contratos por mais 10 anos, como era previsto na assinatura original, decidiu lançar o edital.

As empresas de ônibus questionam o fato de a prefeitura decidir encerrar os contratos, apenas prorrogando emergencialmente as atuais operações até 31 de dezembro de 2026, sem antes a conclusão dos estudos que já estavam em andamento e definiriam que se seria mais vantajosa a prorrogação dos atuais contratos de transportes ou a publicação da licitação. Os trabalhos são conduzidos pela FipeCafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras), ligada a professores da USP (Universidade de São Paulo).

No último dia 13 de julho de 2026, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) manteve a decisão da justiça estadual do Paraná que determinou a continuidade dos estudos, mas tirou o prazo dado de até 180 dias para suspensão da licitação.

A concorrência, assim, se mantém suspensa, mas a 5ª Câmara Cível do TJ-PR (Tribunal de Justiça do Paraná), deverá estipular um novo prazo.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2026/07/14/stj-encontra-solucao-intermediaria-para-licitacao-de-onibus-de-curitiba-e-mantem-ordem-de-conclusao-de-estudos-mas-suspende-proibicao-de-180-dias-para-edital/

Para o vice-Presidente, no exercício da Presidência do STJ, ministro Luís Felipe Salomão, os estudos são fundamentais e eram previstos pela administração, porém estipular este prazo pode trazer riscos à continuidade dos serviços de transportes para os passageiros.

É que os contratos de 2010 tinham a validade de 15 anos, mas poderiam ser prorrogados por até mais 10 anos, caso fosse vantajoso para a cidade.

Mas em agosto de 2025, a prefeitura decidiu encerrar os contratos e fazer um aditivo prorrogando a permanência da atual contratação até 31 de dezembro de 2026 para a conclusão da licitação.

Mesquita acredita que a concorrência ser lançada já com mecanismos de verificação dos concorrentes que dificultem o acesso de grupos criminosos ao comando do transporte curitibano.

CONFIRA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA:

ADAMO BAZANI: O Diário do Transporte conversa com o especialista Wagner Mesquita, em Segurança Pública, atua hoje como consultor, atuou na Polícia Federal, atuou em secretarias voltadas à área de Segurança Pública, como no Estado do Paraná, e a gente tem acompanhado no Diário do Transporte a preocupação das autoridades em relação aos indícios de infiltrações do crime organizado no transporte coletivo. São Paulo é o epicentro de todas essas investigações mais avançadas, a gente tem um contato direto com o promotor Lincoln Gakiya, ele que acompanha toda essa questão da facção criminosa, PCC, Primeiro Comando da Capital, com suspeitas de grande participação em empresas de ônibus, a gente tem acompanhado operações que inclusive resultaram nas intervenções do Poder Público sobre essas empresas. Doutor Wagner, na visão de um especialista, qual o cenário hoje que você vê do crime organizado? A gente pode dizer, sim, que o crime organizado já faz parte da rotina do transporte coletivo?

WAGNER MESQUITA: Cumprimentando o Adamo, toda a equipe do Diário, não tenha dúvida, Adamo. A gente já passou daquela fase anterior, que nós tínhamos só o crime por si e a lavagem de dinheiro. Hoje, as organizações criminosas, quanto mais em São Paulo, Primeiro Comando da Capital, Comando Vermelho, essas que já atingiram o nível internacional, elas têm o interesse também de outras atividades que vão complementar a atividade deles ou potencializar o resultado das atividades criminosas, e que são atividades plenamente lícitas. Então, o transporte coletivo é uma delas, da mesma forma que, por exemplo, o monitoramento de câmeras, o controle do trânsito, também são atividades que são exercidas por empresas que, formalmente, podem ter uma aparência de licitude e, por trás, pode existir um interesse do crime organizado, tanto na operação dessas atividades, quanto na lavagem de dinheiro que é possível obter com essas atividades, e, eventualmente, com o controle de territórios, domínio, enfim, atividades paralelas que vão contribuir com a atividade criminosa.

ADAMO BAZANI: A gente percebe, nas investigações que a gente tem acompanhado, um certo, não digo padrão, mas uma certa predileção de algumas facções criminosas por alguns determinados tipos de atividades, não que eles não estejam nas mais insuspeitas, mas a gente percebe muito em relação a postos de combustíveis, transporte coletivo, e aí a gente se depara no seguinte, ou é serviço público direto, ou é serviço de atendimento direto ao público, não é? Por que isso? É mais fácil de pulverizar o dinheiro?

WAGNER MESQUITA: Eu acredito, e a experiência tem demonstrado para a gente, que no primeiro momento, eram aquelas atividades que você tinha manuseio de dinheiro vivo, em pequenos valores, então era possível ali fazer uma maquiagem, uma lavagem, e atividades que poderiam ser, ou ter a contabilidade maquiada, então você tinha motel, você tinha isso lá atrás, há 20 anos atrás, mas as coisas foram se aprimorando para o lado do crime organizado, e hoje até os produtos financeiros, as Fintechs, a Faria Lima, todas essas empresas também estão sendo objeto de procura por crime organizado, seja para potencializar seu lucro ou pela operação em si. Então, hoje nós temos, principalmente, e aí já passou da fase da especulação, como você mesmo disse, Adamo, nós tivemos agora recentemente, há menos de 30 dias atrás, a deflagração da terceira operação no estado de São Paulo, envolvendo transporte urbano, então já ficou demonstrado que é uma situação atual e premente, a utilização do serviço com contratos públicos, aí nós temos empresas que passaram pelo processo licitatório da forma com que ele está hoje, em que o ente público só pede a emissão de certidão e exige a menor tarifa, então isso abre a porta, a possibilidade de que uma empresa, que até ontem era uma empresa aparentemente lícita, ela seja utilizada para outras finalidades, favorecendo o crime organizado.

ADAMO BAZANI: Você falou um detalhe curioso, que vem até ao encontro do que o promotor Lincoln Gakiya falou ali, sem atribuir a administração a, b, c ou d, mas ele, em todas as suas denúncias e declarações públicas, ele se mostra bastante preocupado em relação à falta de preparo e de mecanismos em editais de licitações, e em contratos para, se não evitar completamente, dificultar ou minimizar isso, e aí é dinheiro público que acaba, de alguma maneira, subsidiando o crime organizado. Haveria maneiras de você, num contrato, numa licitação, já se precaver, dificultar esse acesso do crime organizado ao sistema de transportes?

WAGNER MESQUITA: Sem a menor dúvida, Adamo. Eu corroboro com a posição do Dr. Lincoln nesse sentido, o conheço, trabalhei com ele em diversas operações, é uma pessoa extremamente experiente, e é isso que nós precisamos agora. A lei de licitação, isso é um preceito constitucional, e a lei de licitação, temos que reforçar a aplicação da ferramenta da licitação, no entanto, ela foi feita para uma realidade de décadas atrás, ela precisa se modernizar e precisa estar atualizada nessas situações envolvendo o crime organizado. Então, nós precisamos trazer. Hoje em dia, você querer somente que a empresa tenha todas as certidões e pratique um menor preço, isso não atende mais. Por quê? Para uma empresa idônea, o preço que ela vai cobrar para prestar o serviço é calculado por matemática. Ela vai ter que sustentar o serviço, ter uma margem que sustente a sua atividade e ela vai ter o seu limite. Aquela empresa que, eventualmente, já tem o suporte do crime organizado e só quer operação, para ela o preço é até irrelevante, porque o recurso ela já tem obtido através da atividade criminosa ou da corrupção. O que ela quer, muitas vezes, é somente a operação ou a possibilidade de lavar dinheiro com aquela operação. Então, a concorrência torna-se desleal se você for exigir somente o menor preço. O que nós temos que fazer hoje é trazer para dentro do processo licitatório elementos de ‘due diligence’, ou seja, de uma pesquisa profunda de todo o histórico das pessoas físicas, pessoas jurídicas envolvidas nesse processo. Não somente as certidões, para saber se elas estão aptas, mas fazer toda uma pesquisa de antecedentes, tanto pessoas físicas quanto jurídicas, os vínculos dessas pessoas com eventuais processos administrativos, cíveis ou criminais, e identificar claramente a origem dos recursos que vão ser utilizados na compra da estrutura para prestar aquele serviço, o mapeamento dos recursos que vão ser obtidos com o retorno daquela atividade, para onde esses recursos vão, e da mesma forma, para e passo, em paralelo, também a imposição dentro do contrato de acordos de cooperação com compliance muito forte. Ou seja, permitir com que ferramentas de acompanhamento daquele contrato, por exemplo, na situação de Curitiba, que é uma situação que nós devemos tratar em breve, é uma proposta de licitação para 15 anos, ou seja, nós vamos ter muito tempo pela frente, e durante esse tempo é necessário que haja um acordo de cooperação permitindo com que os órgãos de fiscalização, Tribunal de Contas, Ministério Público, Poder Legislativo, possa acompanhar o desenrolar desse contrato, dessa movimentação financeira, para que acontecendo amanhã, depois, daqui um, dois, três anos, se descubra um vínculo, a gente possa tomar as medidas. Então, hoje, o que se quer é prevenção, e hoje nós temos oportunidade de fazer essa prevenção.

ADAMO BAZANI: Doutor Wagner, então, a gente pode dizer que mesmo sem essa intenção, mas abrindo essa brecha, hoje os modelos de licitação por todo o Brasil, até pela lei de licitação, mais favorecem o crime organizado, a impedir, porque uma vez tendo o critério do preço, e se você tem um subsídio oculto, indireto, do crime organizado, você pode jogar um preço lá para baixo, vencer essa licitação, deixando no chinelo qualquer empresa idônea, e aí, pelo próprio modelo atual de licitação, você favorece o crime organizado no transporte.

WAGNER MESQUITA: Perfeitamente, Adamo, e o modelo que se põe hoje, em que a gente exige somente esses dois fatores, ele, de fato, favorece quem não precisa, quem não precisa do retorno. É lógico, aqui não estamos falando de qualidade de serviço, qualidade de serviço é sempre a mesma, estamos falando do modelo da exigência de participação. Então, a gente cansou de ver, no passado, na época ainda, da primeira fase de lavagem de dinheiro do crime organizado, que nós tínhamos consultórios que nunca teve clientes, que o cara precisava somente da estrutura física para dizer que atendia, não precisava atender ninguém, não precisava prestar o serviço, enfim, e hoje, agora, isso chegou ao ponto de estarmos à beira do serviço público. Então, por exemplo, essa operação que foi deflagrada agora, essa última parada, neste ano, em que houve a prisão do vereador, inclusive, com envolvimento do PCC, constatou-se que, no primeiro semestre de 2026, a empresa já tinha recebido 180 milhões em verba pública. Então, ou seja, ela participou de uma maneira lícita, formalmente lícita, daquele certame.

ADAMO BAZANI: E tinha uma capacitação técnica, a gente conhece, a gente acompanha o sistema de segurança em São Paulo, a gente conhece, por exemplo, a qualidade da frota, não é uma qualidade ruim, isso até eu nem deixo para o senhor falar, que o senhor é um aspecto mais voltado à segurança, mas eu que vejo, por exemplo, o lado operacional, tem algumas empresas em investigação que tem uma qualidade de serviço até melhor, só que isso não legitima que é o fato do crime organizado estar lavando dinheiro. E quando a gente fala lavagem de dinheiro, acho que, às vezes, fica até abstrato, que talvez seja uma culpa até mesmo da gente, da imprensa, de não trazer isso mais para a realidade, ou talvez ao próprio tempo mesmo que a gente tem tantas notícias que tem que dar, quando a gente fala em lavagem de dinheiro, a gente não está falando só de dinheiro mesmo de empresa rica. Não. A gente está falando de pessoas que morrem por causa do tráfico de drogas, pessoas que morrem por causa do crime organizado, a gente está falando de sangue, a gente está falando de dinheiro sujo de sangue, eu não estou falando nenhuma demagogia aqui, o senhor sabe que é uma realidade, famílias que se destroem por causa de drogas, às vezes jovens, adolescentes que são brilhantes, tem um futuro pela frente, a gente precisa tanto de jovens brilhantes hoje, e que às vezes tem um futuro jogado no lixo, quando não em uma vala de cemitério, por causa de drogas, por causa do crime organizado.

ADAMO BAZANI: Doutor, Curitiba, o senhor citou o exemplo de Curitiba, a gente também já ia citar mesmo, porque é uma das licitações que mais tem chamado a atenção, de grandes sistemas, Rio de Janeiro também invoga licitações por lotes. Curitiba, doutor, o senhor observa que está tendo essa preocupação, qual a oportunidade que Curitiba pode ter para evitar isso, e há alguma notícia de algum grupo, até que tenha sido investigado em outra região, que de certa maneira se interessou em Curitiba?

WAGNER MESQUITA: Então, Adamo, a questão de Curitiba, na minha posição hoje, na qualidade de profissional de segurança pública, tem um estudo histórico no Paraná, em Curitiba especificamente, é o timing da situação, nós estamos hoje à beira do segundo semestre de 2026, e o maior prejuízo seria termos um apagão no transporte público de Curitiba, a partir de 1º de janeiro de 2027, e no mesmo ano, e no mesmo local, a deflagração de mais uma operação do Ministério Público de São Paulo, da Polícia de São Paulo, envolvendo o transporte público em São Paulo, e agora também, sabendo que, da modalidade que nós estamos praticando, a licitação exigindo somente o menor preço, então é um momento muito propício, e até agora o edital não prevê essas ferramentas de garantia de integridade dos participantes. Então, é um momento em que é necessário que a administração pública, que eu não estou aqui em nenhum momento querendo tomar a decisão ou influenciar a decisão da administração pública, mas eu estou trazendo um alerta, para que, agora, nas próximas semanas, nos próximos meses, nós vamos ter esse ponto de decisão, esse momento em que vai ser necessário agir, atuar, em relação ao processo de Curitiba, vendo a possibilidade de que, ou damos andamento à situação do jeito que ela está, e aí corre-se o risco de realmente termos um apagão, ou executar a licitação da forma com que ela está, sem que haja garantia de que os participantes não tenham participação nenhuma com o crime organizado, ou partir para um contrato novo, em que haja garantia de melhoria de qualidade de serviço para o cidadão, e que aí, dando tempo para que a administração possa, aí, sim, aprimorar os seus critérios dentro do procedimento da licitação, e fazerem as medidas necessárias para que, garantir que os que venham a participar, ali, sim, tenham uma, entre aspas, ficha limpa, enfim, que possa se garantir que, durante os próximos 15 anos, nós vamos ter um serviço de qualidade, e sem que ele esteja sendo usado como ferramenta do crime organizado. Porque, você imagine, Adamo, é lógico que a lavagem de dinheiro é o maior objetivo da organização criminosa, mas, nesse caso específico, nós temos, também, a participação territorial, nós temos, ali, a população se movimentando, nós temos a movimentação de veículos de grande porte pela cidade inteira, e nós temos, ali, a participação próxima, agora, na operação de São Paulo, nós tivemos a prisão de um vereador. Então, por óbvio, a empresa que tenha esse contrato de 15 anos com o município é uma empresa que tem um peso político grande dentro do município, ela vai ter uma participação na Câmara de Vereadores, ela vai ter uma participação grande nas discussões daquele município. Então, isso vai até muito além. As pessoas, o usuário que frequenta o serviço de transporte público, que, eventualmente, usa o seu cartão, os seus dados financeiros estão ali. Então, amanhã, depois, são milhares e milhares de contas e de dados pessoais que podem ser usados, também, amanhã, depois, para lavar dinheiro para operações financeiras gigantescas que venham favorecer o crime organizado. Ou seja, é um momento, nós estamos muito próximos de um momento de decisão muito importante para o gestor público municipal em Curitiba. E, aí, o meu papel aqui é trazer, como profissional de segurança, é trazer esse alerta, né? É trazer esse elemento e dizer que, como eu já tenho dito em outras oportunidades, agradeço a oportunidade que você está me dando agora, hoje, licitar somente já não basta. A gente está vendo, aí, portos, terminais portuários sendo terceirizados, ali, a gente tem que terceirizar, é justo terceirizar, vamos fazer, mas sendo adquiridos por grupos com envolvimento no tráfico de drogas, que tem todo o interesse nesses terminais portuários. Estamos vendo empresas de controle de trânsito, com câmeras, até com um preço lá embaixo, que eu te garanto que até de graça fariam esse tipo de trabalho, sem ganhar nada, só pelo fato de ter acesso aos dados de movimentação dos carros, dos carros da polícia, da população, dos alertas para atendimento policial, porque tem o domínio das câmeras, do OCR, das placas, enfim, nós temos aí uma geração nova de interesse do crime organizado, que hoje bate às portas das fintechs, até dos aplicativos que nós temos nos nossos celulares, porque a gente, como cidadão de bem, a gente não consegue enxergar o potencial que essa ferramenta pode trazer para o crime organizado. Eles têm, eles sabem o que eles podem tirar de proveito com essa atividade, mas o cidadão em si, ele só está acostumado a ver realmente o serviço em si, né? Ele não consegue enxergar de que forma aquele serviço pode ser usado contra ele próprio, inclusive, né? Então, vale essa, trazermos sempre esse alerta aos nossos administradores públicos, aos administradores públicos, também ao Ministério Público, ao Tribunal de Contas, ao Poder Judiciário.

ADAMO BAZANI: O professor falou um dado interessante, quando as pessoas falam em transportes por ônibus, não é só ônibus na rua, tem o dado da bilhetagem eletrônica, que por mais que sejam confiáveis as empresas de bilhetagem eletrônica, por mais que elas estejam próximas, tenham seus sistemas de criptografias, é o crime organizado mais próximo desses dados, né? Se ele vai acessar ou não esses dados, mas é o fato de não deixá-lo próximo a esses dados, com o caminho a menos para ser percorrido para chegar a esses dados, né? E aquela coisa, né, doutor, quando a gente falava em financiar o crime organizado, a gente falava, a gente pensava 15, 20 anos da pessoa que ia lá na boca e comprava a droga. Hoje, o cidadão pode estar financiando o crime organizado andando de ônibus, pagando uma passagem.

WAGNER MESQUITA: Sem dúvida. Fora assim, você vê, Adamo, em breve nós vamos ter o reconhecimento facial nos ônibus, nós vamos ter uso de biometria. Esses metadados valem muito dinheiro. Amanhã depois nós vamos ter documentos sendo feitos, utilizando, se isso não for devidamente tratado, não tiver alguma forma de prevenção, nós vamos ter nossa biometria, a população vai ter biometria, vai ter a sua face aí, sendo utilizada para abertura de contas, movimentação, fazer documentos falsos, enfim. Volto a dizer, o crime, ele sabe o ganho que ele vai ter com essas ferramentas. A gente, como pessoa física, quem não é envolvido com segurança, ele vai usar aquela atividade de uma forma inocente, do dia a dia dele. Mas, ao fundo, não sabe toda aquela questão criminal que ele está sujeito.

ADAMO BAZANI: Eu digo o seguinte também, né, doutor, são atividades lícitas, que tem tanto retorno financeiro, tão lucrativo, como transporte coletivo, câmeras, postos de combustíveis, que em alguns momentos, isso já se detectou em São Paulo, que ao invés do crime organizado financiar a empresa de ônibus lavando o dinheiro, a empresa de ônibus acaba financiando, o caminho é o inverso, não é só o dinheiro, só do crime para a empresa, é da empresa para o crime, porque às vezes o lucro é tão, que às vezes a empresa fechou mais no azul do que o crime naquele determinado mês.

WAGNER MESQUITA: Perfeitamente, e essa sua leitura, ela é muito aplicável nas milícias do Rio de Janeiro. Então, o crescimento das milícias que se antagonizou ao tráfico de drogas, ele achou atividades lícitas, que naquele momento, não, a gente não trafica droga, mas a gente atua como máfia aqui, vendendo gás, vendendo internet, vendendo, enfim, elementos que em tese são lícitos e que dão tanto retorno quanto.

ADAMO BAZANI: Sem vender um papelote sequer, sem vender uma grama sequer de droga.

WAGNER MESQUITA: Exatamente, isso dificulta muito a atividade da polícia, porque durante muitos anos eu trabalhei combatendo a atividade de tráfico de drogas, e o que a gente queria sempre era materializar o tráfico, e daí, na consequência, materializar a lavagem. Agora, você investigar uma atividade que ela é formalmente lícita, isso traz uma dificuldade muito grande.

ADAMO BAZANI: Doutor, a gente agradece bastante sua participação aqui no Diário do Transporte, a gente espera colaborar com esse debate, né? Vale ressaltar, mais uma vez, alguns pontos importantes que a gente fala, tanto para o gestor público, como para o passageiro, e também para o mercado de transportes, né? Uma, ninguém está generalizando empresas de ônibus, cooperativas, etc. Esse é um ponto. O outro ponto, para o poder público, que age licitamente, é melhor ter esses mecanismos, porque no final, depois uma improbidade administrativa, ou até um descrédito à imagem política, eleitoral, vai pesar, né? E a gente fala também muito aos empresários de ônibus, e para o bom empresário de ônibus, ele não quer, ele quer competir, talvez, com alguém de igual para ele, mas ele não quer competir, e é ruim para o setor de ônibus, essa infiltração, até para o grande empresário. Para as empresas de bilhetagem, de dados, a gente também não traz nenhuma crítica, muito pelo contrário, elas avançam muito em relação a criptografias, proteções de dados, mas a gente sabe que o crime organizado sempre está tentando brechas, e o que a gente está falando aqui, é justamente proteger, inclusive, esses tais players de mercado, como se diz, que é justamente contra isso, é fazer com que essas essas organizações criminosas não se aproximem do ecossistema deles.

WAGNER MESQUITA: Exatamente.

ADAMO BAZANI: Doutor, muito obrigado pela sua participação aqui no Diário do Transporte.

WAGNER MESQUITA: Eu que agradeço, sempre que tiver oportunidade, estou aqui para colaborar, e corroboro com todos os aspectos que você demonstrou. O nosso país é um país de empresários sérios, de empresários que têm toda uma história de prestação de serviço para a sociedade, e nesse momento que a gente precisa, existe solução. Nós só temos que agora tomar as medidas legislativas, para que fazer com que o gestor público tenha ferramentas para aplicá-la no dia a dia.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Rômulo Thomé disse:

    Prezados Senhores,

    O Tema ora apresentado é de tamanha relevância para a sociedade como um todo. O processo licitatório possui em seu bojo jurídico condições as quais devem ser encaradas com estrito respeito e diligência. Em Curitiba presencia-se esse cenário, há discussão pró e contra, sobre uma nova licitação ou prorrogar. Fato é que o Brasil inteiro foi tomado por esse câncer chamado corrupção, crime organizado, que tem não somente, mas como principais representantes o PCC e CV, além de outros. Essas facções ao longo de vários anos, tem investido na preparação de juízes, deputados, senadores, ministros, presidentes, procuradores, advogados, empresários que lavam dinheiro. Digo isso com tristeza, porque tenho a certeza que em todas essas classes existem profissionais sérios, de conduta ilibada e NUNCA faria um menção genérica. Quanto a licitação em voga, se prorroga ou licita, precisamos analisar, que qualquer empresa poderá se habilitar no processo, cabendo aos órgãos gestores, inclusive MP a averiguação desses players, através de due diligence, entre outras formas. Prorrogar seria a melhor opção? Pensemos, o transporte coletivo de Curitiba se encontra há décadas nas mãos da família Gulin, isso não seria também uma forma de cartel? O que tem havido de desenvolvimento nesses anos todos que proporcionem à sociedade melhores condições, vemos ônibus sujos, atendimento de péssima qualidade, e em quais condições os ilustres trabalhadores, motoristas, cobradores entre outros funcionários dessas empresas estão trabalhando, Fato é que, de uma lado levanta-se a bandeira de não deixar que outras empresas participem da licitação, como se TODAS fossem ligadas a facções criminosas, Curitiba precisa crescer, não é mais uma cidade provinciana, e todo crescimento necessita de gestão, estrutura, segurança, responsabilidade administrativa, respeito para com a população, requisitos estes que não vejo no atual prefeito, na minha concepção apenas um “fantoche”. Vejamos cidades de primeiro mundo, como Oslo, Viena, Copenhague, entre outras.

    Atenciosamente

    Dr. Rômulo Thomé
    Rodrigues Thomé Advocacia

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