Reino Unido anuncia investimento de £ 3 bilhões (R$ 21,7 bilhões) para reforçar sistema de ônibus
Publicado em: 9 de dezembro de 2025
Aporte bilionário dará autonomia às autoridades locais, impulsionará modelo de franquias, ampliará oferta, modernizará a bilhetagem e busca reverter queda histórica na demanda pelo transporte por ônibus
ALEXANDRE PELEGI
O Governo do Reino Unido — que representa Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, coletivamente conhecidos como o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte — anunciou um pacote de £ 3 bilhões (cerca de R$ 21,7 bilhões) para revitalizar os serviços de ônibus em todas as suas nações. O objetivo é ampliar a frequência, reduzir tarifas, modernizar a bilhetagem e fortalecer a autonomia das autoridades locais. O anúncio foi feito pelo Department for Transport (DfT).
O pacote integra o recém-aprovado Bus Services Act, que transfere aos governos locais o poder de planejar e operar os serviços com mais autonomia — inclusive com possibilidade de adotar o modelo de franchising (franquia), já utilizado em regiões como Greater Manchester. A descentralização, segundo o governo, deve permitir soluções mais adequadas à realidade de cada comunidade.
Segundo o comunicado oficial, “o financiamento plurianual dará às autoridades locais os recursos de que precisam para oferecer tarifas mais baixas, serviços mais frequentes e confiáveis e viagens mais seguras aos passageiros”.
“Depois de anos de declínio, ônibus melhores estão finalmente a caminho”, diz a secretária
A secretária de Transportes, Heidi Alexander, afirmou que o investimento representa uma mudança estrutural na política de mobilidade do Reino Unido:
“Depois de anos de declínio, ônibus melhores estão finalmente a caminho.”
Ela ressaltou que o pacote proporciona estabilidade às autoridades regionais:
“Nosso investimento de £ 3 bilhões dará às autoridades locais o financiamento de longo prazo de que precisam para oferecer tarifas mais baixas, serviços mais frequentes e o transporte confiável do qual as comunidades dependem.”
Alexander lembrou que o governo já adotou medidas emergenciais para aliviar custos aos passageiros:
“Já prorrogamos o limite de £ 3 na tarifa de ônibus para ajudar as pessoas em seus deslocamentos diários, e agora estamos acompanhando isso com o financiamento necessário para que os conselhos transformem seus serviços locais.”
A secretária situou o plano dentro de uma estratégia nacional mais ampla:
“Esta é parte da nossa estratégia para tornar o transporte público mais barato em todo o país — congelamos as tarifas ferroviárias pela primeira vez em 30 anos e estamos implementando a Great British Railways para oferecer melhor valor aos passageiros.”
E reforçou o impacto social do transporte:
“Seja o ônibus para o trabalho, o trem para visitar a família ou a ida a uma consulta médica, transporte acessível é essencial para reduzir o custo de vida e impulsionar nossa economia.”
Modelo de franquia: o que significa e por que o Reino Unido está investindo nele
O pacote está alinhado ao avanço do modelo de franquia (franchising) no transporte público. Nesse sistema, o poder público define rotas, tarifas, níveis de serviço e padrões de qualidade, enquanto empresas privadas operam mediante contratos licitados. A rede deixa de ser fragmentada e passa a funcionar com planejamento centralizado, como serviço público, e não como mercado competitivo entre operadoras.
Greater Manchester: o caso de referência
A Greater Manchester — uma região metropolitana no noroeste da Inglaterra, composta por 10 boroughs e cerca de 2,8 milhões de habitantes — tornou-se, desde 2023, o principal exemplo do novo modelo de franquias fora de Londres.
Trata-se da Bee Network, sistema integrado de transporte público de Greater Manchester, que reúne ônibus, bondes (Metrolink) e futura integração ferroviária sob identidade visual única, planejamento centralizado pela autoridade regional (TfGM) e contratos de franquia. O objetivo é operar toda a rede como um serviço público coordenado, com tarifas padronizadas, metas de qualidade e integração total entre modais.
Desde sua implantação:
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todas as rotas passaram a ser planejadas pela TfGM;
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operadoras privadas concorrem apenas em licitações;
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a rede ganhou frota e comunicação visual padronizadas;
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foram introduzidas metas rígidas de confiabilidade e pontualidade;
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houve maior integração com o Metrolink e futura integração com trens.
O prefeito Andy Burnham defendeu que a mudança devolve ao transporte o caráter de “serviço público”, e resultados iniciais já mostram melhora na satisfação dos passageiros, maior estabilidade operacional e expansão de horários.
Esse modelo é agora citado pelo governo britânico como exemplo do que o novo financiamento pode permitir em outras regiões.
Autonomia local, bilhetagem moderna e flexibilidade
Com o Bus Services Act, autoridades locais ganharam mais poder para planejar e contratar serviços conforme necessidades regionais. Os recursos poderão ser usados para criar novas rotas, reduzir tarifas, modernizar pontos de parada, reforçar segurança e adquirir ônibus de emissão zero.
O plano também prevê a expansão da bilhetagem “tap-in tap-out”, que permite ao passageiro pagar conforme a distância percorrida, tocando o cartão na entrada e na saída do veículo.
Reações do setor
As entidades do setor repercutiram de imediato o anúncio.
A Confederation of Passenger Transport (CPT) — principal associação que representa as empresas operadoras de ônibus e “coaches” no Reino Unido — afirmou que “o momento dos ônibus é agora. Com o financiamento plurianual disponível, as autoridades precisam investir no que realmente importa para os passageiros: mais ônibus, ônibus mais rápidos e serviços mais confiáveis.”
Na outra ponta, representando os passageiros, a Bus Users UK destacou que a previsibilidade financeira permitirá reconstruir a confiança do público no transporte coletivo. A entidade afirmou que “dar às autoridades estabilidade para planejar e investir nos serviços dos quais suas comunidades dependem é essencial para reverter o declínio”.
Já a Urban Transport Group, organização que reúne autoridades metropolitanas e atua na formulação de políticas de mobilidade, afirmou que o pacote e o novo fundo para franquias “mostram a importância do ônibus como espinha dorsal dos sistemas locais de transporte”.
O governo britânico espera que, com novos recursos, expansão das franquias, bilhetagem moderna e autonomia local, seja possível retomar a confiança dos passageiros, aumentar a demanda pelo transporte coletivo e construir uma rede mais integrada, sustentável e acessível em todo o Reino Unido.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes



Está notícia deve de estar um pouco baralhada ou desfasada da realidade. A Escócia tem Governo próprio. São eles que podem decidir e gerir os transportes públicos como tem feito e não a Inglaterra e provavelmente acontece com a Irlanda do Norte porque são autónomos nas decisões.