Eletromobilidade

Fraude desviou milhões de euros em programa de subsídios para ônibus elétricos na França

Foto: RATP - França (Divulgação)

Tradicional jornal Le Monde revelou a farsa; Ministério da Ecologia reconheceu a ocorrência do esquema criminoso, mas garante que conseguiu impedir prejuízos maiores

ALEXANDRE PELEGI

Um escândalo abalou o setor de transportes da França, envolvendo registros fraudulentos de ônibus elétricos para desviar milhões de euros em bônus ecológicos.

A fraude se aproveitou de falhas no sistema de registro estadual, criando centenas de “ônibus fantasmas”.

A investigação, do tradicional jornal francês Le Monde, revelou que mais da metade dos cerca de 600 ônibus elétricos registrados entre novembro de 2022 e janeiro de 2023 provavelmente não existiam. Esses registros fictícios tinham como objetivo obter subsídios concedidos pelo governo para a eletrificação da frota de veículos pesados.

Estima-se que até 12 milhões de euros podem ter sido desviados das finanças públicas por meio dessa fraude. O Ministério da Ecologia reconheceu a ocorrência da fraude, mas afirmou que os serviços estatais a detectaram rapidamente, limitando o prejuízo a um valor “bastante abaixo dos 10 milhões de euros”.

A fraude teve origem no plano France Relance, implementado em 2020 para relançar a economia após a pandemia. O plano previa a liberação de 100 milhões de euros para financiar um bônus ecológico na compra de veículos pesados de mercadorias e ônibus elétricos, com subsídios de até 30 mil euros por veículo.

Inicialmente, a agência de serviços e pagamentos (ASP) processou os pedidos de subsídios sem problemas. No entanto, o número de pedidos disparou no final de 2022, com empresas alegando ter adquirido ônibus elétricos em quantidades suspeitas e em curtos períodos de tempo.

Esse aumento repentino nos registros, que elevou a média mensal de compras de 50 para 300 ônibus elétricos em janeiro de 2023, chamou a atenção das autoridades.

A investigação do Le Monde, intitulada “Escândalo cadastral: por trás das garagens fictícias, milhares de fraudadores e um Estado falido”, detalha o esquema fraudulento.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Santiago disse:

    Não é só aqui…

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