Eletromobilidade

EXCLUSIVO: Emplacamentos de ônibus elétricos crescem 5.100% em outubro de 2024 em comparação com o mesmo mês de 2023, diz Fenabrave

Caio com Eletra responde por mais de 50% deste mercado, mas Mercedes-Benz encosta e ocupa segundo lugar. Veja o ranking de todas as marcas

ADAMO BAZANI

Colaborou Vinícius de Oliveira

Apesar do volume ainda baixo em relação aos modelos a diesel, o mercado de ônibus elétricos registra em 2024 o melhor ano até o momento da história.

Os dados são da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) e são divulgados com exclusividade pelo Diário do Transporte nesta quinta-feira, 07 de novembro de 2024. Veja o ranking de todas as marcas ao fim da reportagem.

De acordo com a entidade, que reúne as concessionárias e representantes de distribuidores de veículos em todo o País, em outubro de 2024, foram emplacados 52 ônibus elétricos no Brasil: “Quase nada” perto do número total de 3.139 ônibus no mês, mas o número representa uma alta de 5.100% em comparação com outubro de 2023, que teve um emplacamento.

No acumulado do ano, entre janeiro e outubro de 2024, os emplacamentos de ônibus elétricos somaram 271 unidades, muito pouco ainda se for levado em consideração o fato de que, neste período, os emplacamentos gerais de ônibus somaram 22.770 unidades, mas o resultado revela crescimento de 271,23% sobre o intervalo entre janeiro e outubro de 2023, que teve 73 emplacamentos.

Entre setembro de 2024, com 16 ônibus elétricos, e as 52 unidades de outubro, a alta é de 225%.

É um mercado ainda quer engatinha e está muito atrasado frente a outros países da própria América Latina, como Chile e Colômbia. Isso para não comparar com Europa e Ásia, por exemplo.

O sistema de ônibus urbanos da capital paulista é o maior e um exemplo clássico, tanto positivo como negativo.

Do ponto de vista positivo, tem uma política pública, uma legislação firmada e definiu o modelo de financiamento e subsídio para a eletrificação. A prefeitura, além de subsidiar a operação habitual dos ônibus, está arcando com a diferença de preço entre os veículos a diesel e os modelos elétricos, que custam até três vezes mais. Para isso, conseguiu linhas de financiamentos nacionais e internacionais que, somadas, chegam a R$ 5,75 bilhões. A gerenciadora SPTrans (São Paulo Transporte) também participa ativamente nos testes e aprovações dos modelos bem como elaboração dos manuais técnicos, não deixando o encargo somente com as empresas. O poder público, assim, tem participado do processo.

Mas no aspecto negativo, a administração municipal não resolveu a questão da infraestrutura necessária, tanto em das redes de distribuição (que são de baixa tensão e não dão conta de vários ônibus carregando ao mesmo tempo) e dos carregadores nas garagens. Além disso, ainda não estão liberados pela gerenciadora do sistema de transportes paulistanos (SPTrans – São Paulo Transporte) todos os tipos de ônibus necessários para a cidade, faltando micro-ônibus, mídis e articulados elétricos, pouco disponíveis na indústria. Mesmo com estas indefinições, proibiu “na canetada” a compra de ônibus zero quilômetro a diesel desde 17 de outubro de 2022, com exceção de micro-ônibus e mids (micrões). Isso tem levado a um envelhecimento da frota, tanto é que a SPTrans aumentou em dois anos a vida útil dos ônibus da cidade. A meta de 2,6 mil ônibus elétricos firmada para até o fim de 2024 não deve ser cumprida. Hoje são pouco mais de 200 a bateria e 201 trólebus (tecnologia presente desde 1949 na cidade).

Apesar das limitações do País, as estimativas são, ao menos, positivas.

O Governo Federal, por meio do PAC Seleções (Programa de Aceleração do Crescimento), abriu a possibilidade de financiamento de cerca de 2,5 mil ônibus elétricos.

As cidades aguardam os recursos e ajustam as propostas para a liberação do financiamento, mas, ainda há dúvidas dos prefeitos como conduzir a aquisição e depois o repasse destas frotas para as concessionárias de transportes, que são as empresas de ônibus privadas.

MARCAS:

Em relação às marcas, a Fenabrave mostra que a Induscar lidera o mercado de ônibus elétricos, com mais da metade dos emplacamentos acumulados do ano entre janeiro e outubro de 2024 (54,61%), com 148 unidades.

A Induscar, que é a encarroçadora Caio, não fabrica ônibus elétricos, mas integra uma cadeia fornada por Caio (carroceroia), Eletra (que faz a integração do sistema), WEG (que fornece os motores e baterias) e Mercedes-Benz ou Scania (que fornecem os chassis). Ocorre que o faturamento sai pela Caio.

A diretora executiva da Eletra, Iêda Oliveira, anunciou em 06 de agosto de 2024, ao Diário do Transporte que vai equipar um chassi com marca própria e, assim, faturar o ônibus e, com isso, deve aparecer nos licenciamentos.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2024/08/06/eletra-lanca-neste-ano-chassis-de-marca-propria-para-o-mercado-de-onibus-eletricos/

Em segundo lugar aparece a Mercedes-Benz, com seu modelo elétrico “puro da marca”.

São 61 unidades ou 22,51% de participação.

A chinesa Higer, que ainda não tem fábrica no Brasil, aparece em terceiro lugar, com 21 unidades e 7,75% de fatia no mercado.

Como mostrou em primeira mão o Diário do Transporte em 31 de outubro de 2024, o CEO da empresa no Brasil, Carlos Eduardo Cardoso de Souza, disse que a planta da Higer no Brasil dever ser instalada até o fim do primeiro semestre de 2025.

O Estado de São Paulo é o mais cotado.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2024/10/31/entrevista-exclusiva-higer-vai-instalar-fabrica-no-brasil-no-primeiro-semestre-de-2025-e-traz-sete-veiculos-para-o-mercado/

De acordo com a Fenabrave, ainda figuram no mercado brasileiro de ônibus elétricos, a BYD, Marcopolo, Ankai, Volkswagen e Volvo.

A Scania apresentou um modelo neste ano também, mas ainda não houve emplacamento.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Santiago disse:

    Nada para se comemorar, apenas para se preocupar. Tudo errado!
    A única notícia boa é que ainda há tempo de se repensar a coisa toda, e recomeçar à sério. Mas infelizmente isso é pouco provável.
    Temos outras tecnologias de descarbonização mais aplicáveis e eficientes, menos custosas, e com melhor desempenho e rendimento técnico. Infelizmente todas elas estão sendo ignoradas e descartadas.

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