Gerente de operações sai do Metrô de SP e se torna diretor da ViaMobilidade; Fenametro pede ao MP investigação
Publicado em: 13 de setembro de 2023
Empresas dizem que não há restrições; Entidade trabalhista também acusa Metrô de abrir procedimento para terceirizar atividades operacionais, mas estatal nega
ADAMO BAZANI
O ex-gerente de operações do Metrô de São Paulo, Antônio Márcio Barros Silva, foi contratado para ser diretor de operações das linhas 5-Lilás de metrô e 17-Ouro (que será um monotrilho), concedidas à ViaMobilidade, e da linha 4-Amarela de metrô, da ViaQuatro.
ViaMobilidade e ViaQuatro têm como sócio majoritário o Grupo CCR, gigante de concessões.
A informação foi confirmada ao Diário do Transporte tanto pela estatal como pelas concessionárias nesta quarta-feira, 13 de setembro de 2023.
Nesta terça-feira (12), a Fenametro (Federação Nacional dos Metroviários) formalizou um pedido de investigação ao Ministério Público para verificar eventual conflito de interesses.
A entidade diz que deve haver uma espécie de “quarentena” para um funcionário do nível de Márcio que deixou a estatal antes de assumir a direção numa empresa privada do mesmo ramo.
A Fenametro ainda destaca que vê o movimento como um risco, uma vez que as linhas estatais do Metrô podem ser concedidas, como já indicou o governador Tarcísio de Freitas, e o grupo que controla a ViaMobilidade seria um dos maiores interessados em eventuais leilões.
Destaca-se, ademais, que o Metrô estatal parece estar atualmente em processo de preparação para sua concessão, sendo a ViaMobilidade uma das principais candidatas para assumir essa empreitada. Tal cenário, em si mesmo, levanta sérias suspeitas de conflito de interesses, especialmente à luz da subsequente nomeação do Sr. Antônio Márcio como diretor de operações na ViaMobilidade. – diz parte do documento.
Por meio de notas, ambas as empresas, tanto o Metrô como o grupo da ViaMobilidade, negam conflito de interesses e a necessidade de quarentena.
EDITAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS:
Além disso, a Fenametro diz que o Metrô prometeu não haver licitação da terceirização das operações (agentes de estação) e que se tratava de boato.
O Metrô também, por carta, teria respondido ao Sindicato dos Metroviários negando a licitação.
Em uma reunião no início de setembro, a estatal também teria descartado o edital.
Mas a Fenametro diz que mesmo com as negativas, um edital de licitação e as tratativas para a licitação da terceirização já estariam formalizadas, inclusive com assinatura de Gildo Prado.
Esta acusação não está no pedido de investigação do MP.
Também por nota, o Metrô nega que seja uma transferência de serviços dos atuais funcionários da estatal para prestadora de serviço.
A Companhia diz que a licitação tem o objetivo de contratar uma empresa para prestação de serviços de atendimento nas estações, o que aumentará a capacidade do Metrô de São Paulo.
A estatal ainda diz lamentar a postura da representação sindical já que “tais serviços não se vinculam a demissões do pessoal próprio que hoje presta esses atendimentos”.
VEJA AS NOTAS NAS ÍNTEGRAS:
METRÔ:
A Companhia do Metropolitano de São Paulo informa que o ex-empregado Antônio Márcio Barros Silva nunca exerceu a função de Diretor do Metrô. Antes de se desligar, exercia a função de gerente de operações e, no exercício de suas atribuições, teve comportamento exemplar e performance amplamente reconhecida pelos seus pares.
Quaisquer atividades exercidas após o término de seu vínculo não se inserem no âmbito de avaliação desta Companhia.
Além disso, a Companhia do Metropolitano de São Paulo informa que, indagada pelo Sindicato dos Metroviários de São Paulo na data de 27/06/2023 (SGE 059/2023 – anexa), se os serviços das linhas de bloqueios das estações passariam a ser executados pela empresa Multi Service, respondeu que:
“se posiciona sobre a falsidade desta notícia e, considerando que tanto o Metrô como o Sindicato possuem interesse de evitar ambiente de especulação, solicita-se ao Sindicato, indicar o responsável pela divulgação das informações falsas das quais alega ter tido notícia, de modo que a as medidas judiciais e extrajudiciais possam ser adotadas pelo Metrô.”
Portanto, o que ocorreu foi uma mera conjectura por parte do sindicato quanto a uma suposta transferência destes serviços a uma empresa que já era contratada pelo Metrô para objeto diverso, o que foi prontamente rechaçado pela Companhia. Por outro lado, instada a cooperar com o esclarecimento de suas alegações, a representação sindical nunca informou a origem e o contexto do quanto alegava.
A propósito, o Edital n°10018990 tem por finalidade a contratação de empresa para prestação de serviços de atendimento nas estações, o que aumentará a capacidade do Metrô de São Paulo de prover atendimento adequado aos passageiros nas estações.
A Companhia lamenta que a representação sindical, por razões de índole corporativa e na defesa do interesse de um grupo, acabe por retirar o bem-estar do passageiro da centralidade de suas preocupações, sobretudo porque tais serviços não se vinculam a demissões do pessoal próprio que hoje presta esses atendimentos.
VIAMOBILIDADE:
Após realização de minucioso processo seletivo, as concessionárias ViaMobilidade Linhas 5 e 17 e ViaQuatro confirmam a contratação do Sr. Antônio Marcio Barros Silva para atuação como Diretor de Operações das linhas 4, 5 e 17, que iniciará as suas atividades no dia 18 de setembro de 2023.
Esclarecemos que não há qualquer impedimento legal ou normativo que impeça a contratação do executivo.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


É o modo de operação deles:
Peixe grande já tem sua boquinha garantida.
A peãozada chão de fábrica de estação, manutenção e operação do metrô estatal são os que estão na mira do desemprego. Os que tem mais de 40 anos principalmente.
Não sei se vocês perceberam, vão lá na via mobilidade e vejam se encontram alguém que estação ou segurança com idade superior a 30 anos. Não tem. Mais de 30 anos só cargo alto escalão. Gente novinha no chão de fábrica pra CCR assim pagar menos pra eles.
O Brasil é essa vergonha aí.
Muita coisa errada nisso aí. No mínimo conflito de interesses. No máximo, a boa e velha 3spi0nag3m.
Isso sem falar no monopólio que a CCR está criando sobre todo o transporte ferroviário e rodoviário em SP.
Mas aí é monopólio privado, aí pode, se fosse estatal…
O cara deixa a operação aos frangalhos e como isso facilita para a CCR acaba ganhando um agrado. Jeito Tarcísio de governar.
Houve um grande processo seletivo por parte da CCR, que durou 2 dias. Pois ele saiu e 2 dias depois estava empregado na CCR. Fez a tal seleção ainda como gerente do metrô? Se fez, pode até ser, como dizem as empresas, legal. Mas é antiético pra cacete. Cabe perguntar a ele se como agora diretor da CCR gostaria que algum funcionário de escalão logo abaixo do dele fizesse a mesma coisa? Lembrando que como gerente assinou o edital para terceirização do atendimento mas estações. Àqueles que se iludem pensando que privatizar vai acabar com o cabide de emprego, que tanto acusam o serviço estatal de ser, esqueçam, agora é que o cabidao vai correr solto, com pessoas de pouca ética vendendo os funcionários e a própria história da companhia por benefício próprio.
Ao invés de contratar mais operadores, terceirizar o “atendimento” só confirma o intuito privatista
Só que, pelo edital publicado, não parece que é o atendimento aos passageiros que será contratado, mas serviços operativos, de fato:
2.3.15 Auxiliar na evacuação de trens em situações de normalidade e anormalidade, conforme estratégias definidas pelo Centro de Controle Operacional – CCO;
2.3.16 Atuar na normalização de dispositivos de emergência acionados no trem, conforme treinamento recebido;
Não surpreenderia nada a CCR abocanhar mais essa, ainda mais com as informações privilegiadas que o novo diretor vai fornecer.
É o trensalão turbinado. A empresa das três letrinhas (começa com C, e termina com R) nunca teve tanta gente em sua conta de pagamentos (caixa 2) quanto agora.
O Brasil é uma vergonha.
Semelhante ao que ocorreu na CPTM anos atrás onde vários diretores foram demitidos receberam uma bolada e hoje pasmem são diretores da CCR mas primeiro foram pra Bahia e agora estão em SP.