Prefeito Nunes libera mais R$ 300 milhões ao sistema de ônibus e subsídios já passam de R$ 3,5 bilhões

Congelamento de tarifa, aumento dos custos de operação e mudança do tipo de frota explicam o crescimento dos aportes

ADAMO BAZANI

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, liberou mais cerca de R$ 300 milhões para custear o sistema de ônibus da capital paulista.

O valor é recorde em repasse único neste ano até agora e eleva a conta dos subsídios, que já passam de R$ 3,5 bilhões até esta quarta-feira, 26 de julho de 2023.

No mesmo período de 2022, os subsídios não chegaram a R$ 3 bilhões.

A transferência de dinheiro está publicada em Diário Oficial de hoje.

A fonte de recursos é a o superávit de arrecadação registrado no ano passado.

O congelamento de tarifa, aumento dos custos de operação e mudança do tipo de frota explicam o crescimento dos aportes.

Entretanto, especialistas apontam que, mesmo sendo necessários para manter integrações, gratuidades e não deixar a qualidade dos serviços cair, os subsídios poderiam ser menores caso a rede de linhas fosse atualizada, eliminando ineficiências, como sobreposições de trajetos em determinados eixos e falta de oferta de transportes em outras regiões.

A ampliação da infraestrutura para os ônibus, como mais terminais, faixas e corredores também ampliaram a velocidade, a atratividade e a eficiência dos ônibus, reduzindo os custos.

Mas na contramão de tudo isso, a prefeitura modificou o Plano de Metas: a meta de ampliação em 420 km das vias com ônibus foi excluída e as metas de mais corredores e terminais se tornaram genéricas e, em vez de implantar estas estruturas, a gestão fala apenas em viabilizar a implantação.

SUBSÍDIOS

Como mostrou o Diário do Transporte no início deste ano de 2023, os subsídios para manter em funcionamento o sistema de ônibus na capital paulista fecharam 2022 em R$ 4,89 bilhões (R$ 4.891.121.929,00), um recorde histórico, batendo os últimos anos cujos valores foram de quase R$ 3,5 bilhões.

De acordo com a SPTrans, os subsídios não podem ser encarados como dinheiro para empresários de ônibus, mas são necessários para complementar a diferença entre o que é arrecadado nas catracas e os custos para colocar os ônibus em operação, levando em conta benefícios como as integrações proporcionadas pelo Bilhete Único, e as gratuidades para idosos, estudantes e pessoas com deficiência.

Ainda de acordo com a SPTrans, para 2023, foram reservados no Orçamento para manter o sistema de ônibus, R$ 3,77 bilhões (R$ 3.779.479.321,0).

Há o risco de o montante ser insuficiente, diante de fatores como o congelamento da tarifa anunciado pelo prefeito Ricardo Nunes para este ano de 2023 e a estimativa de custos maiores, como aumentos do litro de óleo diesel e outros insumos e também a implantação de ônibus elétricos que custam três vezes mais que os ônibus comuns.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

 

Assine

Assine para receber as notícias do Diário do Transporte direto em seu e-mail.

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

Informe Publicitário
Comentários