Prometido para o início do ano, estudo sobre tarifa-zero ainda não tem data para ser concluído no sistema de ônibus de São Paulo
Publicado em: 3 de agosto de 2023
Principal dúvida é como bancar um sistema que neste ano deve custar mais de R$ 12 bilhões; Até o fim de julho; subsídios passaram de R$ 3,5 bilhões com tarifa a R$ 4,40 congelada desde 2020
ADAMO BAZANI
A prefeitura de São Paulo ainda não tem uma data para finalizar o estudo sobre a possibilidade de tarifa-zero nos ônibus municipais, apesar de, no dia 21 de novembro do ano passado, o prefeito Ricardo Nunes ter prometido, na ocasião, que o trabalho estaria concluído em até 60 dias.
Nesta quinta-feira, 03 de agosto de 2023, o Diário do Transporte questionou a prefeitura sobre o andamento deste estudo.
De acordo com a gestão municipal, por meio de nota, ainda não há detalhes para divulgação sobre o estudo. A prefeitura não informou nenhuma previsão.
A Prefeitura de São Paulo informa que a SPTrans, a pedido do prefeito Ricardo Nunes, lidera o estudo, que estará à disposição para conhecimento público assim que concluído. Não há detalhes disponíveis para divulgação no momento.
O tema deve ganhar espaço neste segundo semestre na Câmara Municipal, que volta de recesso e possui uma subcomissão específica para debater a gratuidade para todos os passageiros nos ônibus municipais.
Além disso, eleitoralmente, o “tarifa-zero” deve ser estratégico no ano que vem, quando ocorrem as eleições municipais.
Quem pagará a conta do “tarifa-zero” é certo: a população.
As perguntas principais são como e quanto.
A estimativa é de que, com tarifa de R$ 4,40 congelada desde 2020, o sistema de ônibus da cidade de São Paulo custe ao todo R$ 12 bilhões neste ano, dinheiro que virá das catracas e das complementações tarifárias, como são chamados os subsídios.
Como mostrou o Diário do Transporte, no último dia 26 de julho de 2023, o prefeito Ricardo Nunes liberou mais R$ 300 milhões dos cofres públicos para os subsídios que já chegaram neste ano a R$ 3,5 bilhões.
Relembre:
Se o sistema custará em torno de R$ 12 bilhões com tarifa a R$ 4,40, se não houver cobrança nas catracas, a estimativa é de que custe mais. Isso porque não basta substituir o dinheiro das passagens pelos subsídios. Com a tarifa-zero, a demanda de passageiros deve aumentar, o que vai necessitar de mais ônibus e empregados dos transportes, resultando em custos operacionais maiores.
Outra dúvida é em relação às integrações com trem, metrô e monotrilho, que são de responsabilidade do Estado e não do município.
Se os ônibus do sistema SPTrans (São Paulo Transporte) forem de graça e nos trilhos continuarem a ser cobradas as passagens, poderá haver uma migração dos vagões para os coletivos.
As perguntas são: os ônibus, que não têm uma estrutura adequada com uma quantidade insuficiente de corredores e terminais, darão conta de parte da demanda dos trilhos? Essa eventual migração poderá desequilibrar as finanças dos trens, metrô e monotrilho?
A prefeitura terminou no dia 17 de abril de 2023 uma consulta pública sobre a “tarifa-zero” na cidade de São Paulo.
De acordo com a Setram (Secretaria Executiva de Transporte e Mobilidade Urbana), foram 20 contribuições, a maioria de pessoas físicas, com exceção do Centro Cultural São Paulo e do Instituto de Engenharia.
Relembre:
São dez as principais dúvidas sobre o “tarifa zero”:
- Tarifa zero vai aumentar em quanto a demanda de passageiros dos ônibus?
- Vai ter de aumentar a frota em quanto?
- Este aumento de frota vai significar um custo total do sistema maior que os R$ 12 bilhões de hoje em quanto?
- Mas não é só a frota: a cidade está preparada para receber (de forma eficiente – destaca-se) mais ônibus? – Terá de reformular linhas? Os terminais e corredores de ônibus atuais são suficientes para uma frota maior?
- Vai ter migração de passageiros do metrô, trem e ônibus metropolitanos se estes não tiverem tarifa zero? Por exemplo, hoje, como Bilhete Único, o passageiro pode pegar o sistema de trilhos e ônibus de forma integrada. Se os ônibus forem de graça e o metrô/trem não, será que as pessoas não vão preferir usar mais linhas de ônibus, mesmo que demore mais, para não pagar o deslocamento.
- Antes de pensar em tarifa-zero, não seria melhor tornar o sistema de ônibus mais racional (não confundir com meros cortes de linhas) para não se subsidiar a ineficiência?
- O debate de tarifa zero não está sendo um “colocar a carroça antes dos bois”, deixando para trás questões mais urgentes, como reorganizar as linhas e os serviços, ampliar a tecnologia de gerenciamento e monitoramento e também aumentar a qualidade e dar mais infraestrutura para os ônibus que não fluem porque ficam presos no trânsito e possuem pouca prioridade no espaço urbano pela quantidade de frota e de pessoas atendidas (que vai aumentar com uma eventual tarifa zero)?
- São Paulo está trocando ônibus a diesel por ônibus elétricos que custam até três vezes mais e necessitam de uma infraestrutura de recarga e distribuição de energia que não existe na cidade. Até a consolidação de uma frota elétrica, isso vai representar um custo muito alto para o sistema vai demandar financiamento só para este fim. Quanto seria este custo e será um dinheiro só para financiar a aquisição, implantação de infraestrutura e operação dos ônibus elétricos?
- O custo dos terminais a mais necessários para uma demanda e frota maiores terão financiamento próprio ou entram na conta do tarifa-zero?
- Como será o controle de demanda? Haverá uma bilhetagem específica com cotas mensais (como é dos idosos entre 60 anos e 64 anos) para coibir fraudes e uso irresponsável do sistema de ônibus?
Em 17 de maio de 2023, o Diário do Transporte publicou o posicionamento de um grupo de especialistas, que defende a viabilidade da gratuidade para todos os passageiros em São Paulo, a respeito destas 10 questões.
O grupo destaca que a gratuidade total deve ser concomitante para ônibus e sistema de trilhos para não haver a migração entre diferentes meios de transporte coletivo.
Os especialistas também sustentam que a gratuidade deverias ser concedida em regiões metropolitanas; o que envolveria no caso de São Paulo, 39 prefeituras e o Governo de São Paulo, não somente com metrô, monotrilho e trem, mas ônibus e trólebus (Corredor ABD), gerenciados pela EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos).
As respostas são assinadas por Lucio Gregori, que foi secretário de transportes na gestão da prefeita da capital paulista Luiza Erundina, além de Mauro Zilbovicius, José Jairo Varoli e Marcia Sandoval Gregori.
Veja as repostas neste link:
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


O serviço já piorou muito nos últimos anos. Tarifa zero com a cracolândia do jeito que está (pior do que nunca) será uma facada na dignidade do paulistano médio que já passa perrengue demais nos transportes (não apenas nos ônibus, mas nos trens também).
Projeto ousadíssimo! Apesar de que orçamento com verba pública muito simples…quantos zeros à direita são necessários…depois se vai arrecadar ou não…isso veremos depois…com aumentos de impostos…contingenciamento de outros setores…o cobertor ficará curto para alguns órgåos! Onde pasda boi passará boiada!