Londrina testa por 30 dias ônibus movido a Biometano (Gás de Lixo) da Scania
Publicado em: 7 de junho de 2023
Veículo vai operar em linhas da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL)
ADAMO BAZANI
A partir de segunda-feira, 12 de junho de 2023, começa a circular em forma de testes um ônibus movido a biometano no sistema municipal de Londrina (PR).
Serão 30 dias nos quais técnicos da prefeitura, da Companhia Paranaense de Gás (Compagas), da fabricante Scania e da empresa operadora Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) vão analisar o desempenho e o custo operacional do veículo na prática.
A cada semana o veículo estará em uma linha diferente, começando pela linha 501 – Terminal Vivi Xavier – Via Alto Do Boa Vista, na sequência na linha 314 – Jardim Olímpico, logo depois na 803 – Terminal Vivi Xavier/Shopping Catuaí e finalizando na linha 904 – Terminal Vivi/UEL/Terminal Acapulco.
A ação em Londrina é a terceira realizada pelo projeto conduzido pela Compagas e Scania, em 2023. As primeiras demonstrações foram feitas na Região Metropolitana de Curitiba, com o Governo do Paraná, e na Capital, com a Prefeitura de Curitiba, e, demonstraram a viabilidade da utilização do veículo movido a GNV em linhas complexas e extensas, garantindo autonomia e menor emissão de poluentes.
Agora, em Londrina, o veículo será abastecido com o biometano, um gás 100% renovável, obtido a partir da produção do biogás, que por sua vez é gerado da decomposição de matéria orgânica de origem vegetal ou animal. Quando submetido a um processo de purificação, o biogás dá origem ao biometano que possui as mesmas propriedades do gás natural como combustível, já que após o refino, atinge alta concentração de metano em sua composição.
Segundo a nota do governo estadual, o biometano é produzido a partir de subprodutos do setor sucroenergético, e revendido pela Gastech que comercializa o GNV em Londrina.
“O Paraná tem um potencial gigantesco de produção de biometano (cerca de 2 milhões de metros cúbicos por dia) e com esse teste também mostramos, na prática, que é possível viabilizar a utilização local da energia gerada pela agroindústria, aterros sanitários e estações de tratamento de esgoto, e também nas frotas do transporte coletivo, gerando economia, emprego e renda aos nossos municípios”, disse em nota, o CEO da Compagas, Rafael Lamastra
No mesmo comunicado, o gerente de Sustentabilidade da Scania Operações Comerciais Brasil, Paulo Genezini, ressaltou a importância dos testes com passageiros.
“Temos certeza que esta ação inédita com o biometano numa operação regular urbana será um divisor de águas para que mais cidades preocupadas com a redução da emissão de poluentes coloquem em prática frotas mais eficientes. Também teremos todo o apoio do nosso concessionário local, P. B. Lopes, para que esta demonstração comprove os benefícios do biometano”
Segundo estimativa do Governo do Estado, a redução de óxidos de nitrogênio (NOx) é de quase 90% e de material particulados chega a 85%.
O ÔNIBUS:
O veículo é um Scania padron K 280, com 14 metros de comprimento e capacidade para 86 passageiros, com carroceria Caio Millennium 4. São oito cilindros de gás na lateral dianteira com uma autonomia de 300 km.
O modelo fabricado pela Scania é o padron K 280, com 14 metros de comprimento e capacidade para 86 passageiros. O ônibus é equipado com elevador para acessibilidade e espaço interno para cadeirantes. O modelo K 280 4×2 tem propulsor de 280 cavalos de potência. Seu motor é Ciclo Otto (o mesmo conceito dos automóveis) e movido 100% a gás e biometano, ou mistura de ambos.
Para o ônibus em teste, foram instalados oito cilindros de gás na lateral dianteira com uma autonomia de 300 km. A segurança é total em caso de acidentes ou explosão. Os cilindros e válvulas são certificados pelo Inmetro (em conformidade com a lei). São três válvulas (vazão, pressão e temperatura) que liberam o gás em caso de anomalia em um destes três quesitos. Os cilindros são extremamente robustos (o material é de ogivas de mísseis).
Em caso de incêndio ou batida o gás é liberado para a atmosfera e se dissolve sem perigo de explosão ao contrário de um veículo similar abastecido a diesel que é mais perigoso, pois o líquido fica no chão ou pode se espalhar ao longo da carroceria.

NOTA DA ABEGÁS
Biometano: Primeiro teste em ônibus urbano é marco para agenda inadiável do país
O mercado de gás tem um marco importante nesta quarta-feira (7/6) com uma ação inédita da Companhia Paranaense de Gás (Compagas) em conjunto com a Prefeitura de Londrina, e em parceria com a Scania: o primeiro teste com um ônibus urbano, integrado ao transporte coletivo da cidade, movido 100% a biometano da história do Brasil.
O ônibus movido a biometano (combustível renovável e limpo, que contribui diretamente para as metas de sustentabilidade) será testado em Londrina pelo período de 30 dias a partir do dia 12 de junho. O objetivo é que veículos com esta tecnologia mais sustentável passem a integrar a frota do transporte coletivo em contribuição a uma cidade mais limpa e inteligente.
A Abegás vê nesta iniciativa um passo relevante para que o Brasil promova políticas públicas para ampliar a participação do gás canalizado em veículos de transporte de passageiros e cargas, como ônibus e caminhões, na matriz de transporte brasileira. Como a Abegás defende há muitos anos em diversos fóruns, o gás natural e o biometano representam uma grande oportunidade para o Brasil cumprir seus compromissos ambientais reafirmados na COP27. O gás natural é uma fonte energética mais limpa que outras fontes de origem fóssil, colaborando para a meta geral de redução das emissões – em 2022, o Parlamento Europeu classificou o gás natural como “investimento verde”.
No Brasil há uma grande oportunidade de substituir o uso do diesel por gás natural e biometano, com excelentes ganhos ambientais, sociais e econômicos.
Na comparação com o diesel, veículos especialmente projetados para o uso de gás natural proporcionam uma queda de 23% na emissão de CO2 (gás causador do efeito estufa), uma redução de 90% na redução de NOx (gases nocivos à camada de ozônio) e um corte de 85% no volume de liberação de material particulado (principal componente da fumaça preta).
Os ganhos sociais também são evidentes. É o que aponta pesquisa do Instituto Saúde e Sustentabilidade (https://saudeesustentabilidade.org.br/acoes/28207), realizada em 2019, segundo a qual a implementação do GNV no transporte público acarreta a diminuição de emissão de poluentes, que, por sua vez, poderá exercer um impacto positivo em saúde pública, além do ganho de produtividade e economia dos gastos públicos hospitalares relacionados. Não por acaso, cidades como Madri (Espanha) têm adotado ônibus a gás natural com sucesso como política de melhoria da qualidade do ar.
Do ponto de vista econômico, políticas públicas para o uso crescente do gás natural e biometano em veículos pesados podem contribuir não só para reduzir a dependência de importação de diesel, que afeta sobrecarrega a balança comercial brasileira em mais de 7 bilhões de dólares/ano, mas também funcionam como um vetor de fomento ao aumento de oferta de gás nacional do Pré-sal, hoje reinjetado em larga escala (aproximadamente 50% do total produzido) por conta da falta de infraestrutura essencial.
O crescimento das indústrias de gás natural e de biometano têm grande sinergia, uma vez a rede de distribuição de gás canalizado (a existente, em construção ou em projetos futuros) servem como porta de entrada para o aumento da produção de biogás em todo o País – como já acontece em alguns estados e em outros que estão em processo de chamada pública para aquisição de biometano.
Por isso, o teste com ônibus 100% movido a biometano na cidade de Londrina é mais uma notícia promissora para que o Brasil possa dar passos mais vigorosos na direção de uma matriz mais sustentável combinada à indispensável segurança energética, em linha, inclusive, com os propósitos do Programa Gás para Empregar, anunciado pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, na primeira reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), e instituída formalmente em 17 de maio de 2023, mediante aprovação da Resolução CNPE no 1/2023, pelo governo federal que institui o grupo de trabalho do programa.
Essa é uma agenda estratégica para o País – e a Abegás e suas associadas vêm dando sua contribuição para estimular essa evolução.
Abegás – Associação Brasileira de Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


