Receita do sistema de ônibus de São Paulo sobe 19% e subsídios disparam mais de 50%, diz relatório da SPTrans

Correção na remuneração as empresas e alta de diesel e insumos explicam os resultados dos subsídios, segundo o documento

ADAMO BAZANI

Os subsídios ao sistema de ônibus da cidade de São Paulo cresceram mais de 50% de 2021 para 2022, de acordo com relatório integrado de administração divulgado pela SPTrans (São Paulo Transporte) neste mês de abril de 2023.

Enquanto o prefeito Ricardo Nunes lança a ideia de “tarifa zero” em todos os ônibus da cidade, os custos para operar o sistema só aumentam, bem como a necessidade dos subsídios.

De acordo com o documento, a compensações tarifárias do sistema, que são os subsídios, cresceram 53,1% de 2021 para 2022, passando de R$ 3,45 bilhões em 2021 para R$ 5,1 bilhões em 2022, tudo recurso da prefeitura.

O sistema de transporte de São Paulo ainda recebeu ainda R$ 160,5 milhões de aporte financeiro da União, para auxiliar o custeio da gratuidade dos idosos com 65 anos ou mais.

Com esse recurso federal, o sistema de ônibus da cidade de São Paulo recebeu de recursos externos à arrecadação nas catracas um total de R$ 5,26 bilhões.

E mesmo com tudo isso, o dinheiro aportado não foi suficiente de acordo com o relatório, sendo necessários mais R$ 157,9 milhões.

O total de recursos recebidos cresceu 52,5% em 2022, encerrando com R$ 5.263 bilhões, sendo R$ 5.103 bilhões oriundos de recursos da PMSP e R$ 160,5 milhões de aporte financeiro da União, para auxiliar o custeio da gratuidade dos idosos no Sistema de Transporte. O aumento se destacou pelo crescimento de 53,1% das Compensações Tarifárias do Sistema Ônibus, que representam 96,0% dos recursos. Ressaltamos que, conforme mencionado anteriormente, no ano de 2022, foi pago no montante de R$ 531,4 milhões referentes ao ano de 2021. Os valores de recursos recebidos como Compensações Tarifárias que subsidiam o transporte público não foram suficientes e o fluxo de caixa do Sistema de Transporte encerrou o exercício com saldo remanescente de R$ 157,9 milhões. – diz o texto do relatório

Os custos de operação do sistema de ônibus na cidade de São Paulo cresceram 32% entre 2021 e 2022, segundo o relatório.

A SPTrans mostra que em 2022, o sistema custou R$ 10,34 bilhões. Em 2021, os desembolsos foram de R$ 7,8 bilhões. Isso sem o cenário de tarifa zero, que ampliaria a demanda e a necessidade de mais ônibus e terminais, o que faria este valor disparar

A gerenciadora mostra que explicam parte deste aumento a correção nos valores pagos às empresas de ônibus e os reajustes nos preços do diesel e insumos, como peças e lubrificantes

O desembolso total do Sistema de Transporte cresceu 32% em 2022. No quadro a seguir, são demonstrados os itens de despesa e sua participação no total. Cabe destacar que em 2022, os aumentos nos índices de inflação e os constantes reajustes nos preços dos combustíveis tiveram impacto substancial no custo total do Sistema de Transporte. Além disso, o desembolso inclui o pagamento diferido da diferença de reajuste de 2021, aditivo contratual de 30 de setembro de 2021, efetuado em 11 parcelas entre os meses de fevereiro e dezembro de 2022, no valor de R$ 383,1 milhões, e a diferença do reajuste do diesel do período de outubro a dezembro/2021, no montante de R$ 54,8 milhões, e o valor de R$ 93,5 milhões referente ao saldo remanescente de dez/2021, totalizando R$ 531,4 milhões. O Programa Atende+ fornece os serviços especializados de Vans adaptadas e táxis acessíveis para o transporte de pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, para a execução dessa atividade, o orçamento inicialmente autorizado foi de R$ 120,0 milhões. Devido à necessidade de manutenção da prestação de serviços e cumprimento contratual, o valor total da despesa com o serviço prestado foi de R$ 142,1milhões no ano, havendo a suplementação de R$ 22,5 milhões para suprir tal despesa.

A receita dos ônibus cresceu 19% entre 2021 e 2022, acordo com o relatório, passando de R$ 4,33 bilhões em 2021 para R$ 5,13 bilhões em 2022.

Ou seja, os ônibus arrecadaram mais, porém de forma insuficiente para cobrir os custos.

No entanto, o crescimento desta arrecadação se deu por causa de receitas diversas à venda de créditos do Bilhete Único, o que indica que o sistema de ônibus não consegue depender somente da tarifa em São Paulo.

A alta na receita também é explicada pela recuperação de parte da demanda de passageiros perdida nos períodos mais críticos da pandemia de covid-19.

A receita total do Sistema de Transporte cresceu 19% em comparação ao ano anterior, impulsionada, especialmente, pelas receitas diversas e pela Venda de Crédito Eletrônico.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. GERSON CARVALHO disse:

    Bom dia a todos!

    E ainda acham viável ter PASSE LIVRE?

    Seria um sonho, porém, mesmo com seus pontos a desenvolver, o transporte coletivo em São Paulo é um dos melhores do Brasil, se não for o melhor.
    Hoje, você paga uma tarifa baixa, para se deslocar por todo o município, a bordo de veículos modernos, rápidos, com uma gama enorme de linhas e conexões, que é possível graças aos subsídios, investimentos das empresas, etc. Agora, será que a capital tem condições de manter tudo isso de forma integral?

    Penso que estes investimentos de bilhões, poderiam ser destinados para áreas que realmente necessitam de maiores cuidados, como a saúde, a segurança pública, a educação, dentre outros.

    Abraços!

    GERSON CARVALHO
    Administrador de Empresas e Bancário.

  2. GASPAR PJ AMPARO disse:

    Boa tarde!
    As empresas recebem tanto dinheiro e os funcionários não recebem um salário digno,não recebem PLR,vivem em condições precárias de trabalho,algumas linhas não tem banheiro para os operadores usarem.
    Até uniformes faltam para os operadores.
    Agora Descontam até a 1 hora que o funcionario tem para fazer a refeição.
    Agora imaginem Quantas milhares de famílias esses empresários tem a oportunidade de abençoar oferecendo um trabalho para cada pai de familia
    e com um salário e condições dignas de trabalho melhor,más infelizmente não fazem isso.
    Oque vemos com frequência são trabalhadores desanimados e tristes conduzindo milhares de vidas todos os dias nessa grande metrópole SP.

  3. Regis Campos disse:

    Tudo o que é “grátis” custa sempre mais caro

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