Eletromobilidade

Gestão Nunes deixa genéricas metas sobre ônibus, poluição e redução de acidentes para capital paulista

No caso dos sinistros de trânsito, número foi substituído por realização de ações e, na questão da infraestrutura para o transporte coletivo, “implantar” foi trocado por “viabilizar a implantação”; Aumento de vias com ônibus foi excluído; Não há mais exigência de apenas ônibus elétricos, mas matriz tem de ser limpa e meta está mais aberta

ADAMO BAZANI

A gestão do prefeito Ricardo Nunes apresentou nesta semana a revisão do Programa de Metas 2021-2024 para a capital paulista.

Os objetivos quanto à redução de acidentes e sobre os ônibus municipais se tornaram mais genéricos.

No caso dos sinistros de trânsito, um número concreto foi substituído por realização de ações e, na questão da infraestrutura para o transporte coletivo, “implantar” foi trocado por “viabilizar a implantação”. O aumento de vias com ônibus foi excluído e as metas de redução de poluição por coletivos estão mais abertas.

Acidentes:

A primeira redação da meta 39, ainda sob a gestão de Bruno Covas, tinha como objetivo “Reduzir o índice de mortes no trânsito para 4,5 por 100 mil habitantes”.

Agora, o texto só cita “Realizar 18 ações para a redução do índice de mortes no trânsito”

Apesar de estas ações terem o objetivo de deixar o trânsito mais seguro, não há mais nenhuma meta numérica explícita.

Quanto ao transporte coletivo, o que era para ser concreto, até 2024 será apenas viável.

Corredores BRT:

A meta 45 QUE era IMPLANTAR corredores de ônibus no modelo BRT (Bus Rapid Transit) na Avenida Aricanduva e na Radial Leste virou VIABILIZAR a implantação de corredores de ônibus no modelo BRT (Bus Rapid Transit) na Avenida Aricanduva e na Radial Leste

A diferença é que implantar é concluir a obra. Viabilizar é criar condições para concluir a obra, como realizar licitações, estudos e projetos básicos e executivos.

Terminais de ônibus:

O mesmo ocorre com os terminais de ônibus na meta 47, com a substituição de implantar quatro terminais para viabilizar a implantação de quatro terminais.

Os terminais seriam nos bairros de São Mateus, Itaquera, Itaim Paulista e Jardim Miriam

Antes: Implantar quatro novos terminais de ônibus.

Agora: Viabilizar a implantação de quatro novos terminais de ônibus.

Vias com Ônibus:

A meta de aumento de vias com ônibus foi excluída, ou seja, a cobertura de transportes públicos na cidade não será ampliada.

A meta 49 de aumentar em 420 quilômetros a extensão de vias atendidas pelo sistema de ônibus foi excluída.

Poluição por ônibus:

Na meta 50, o primeiro texto determinava que 20% da frota de ônibus fossem elétricos até o fim de 2024. Esta meta foi trocada por 20% da frota movida por matriz energética limpa. Ou seja, outras opções como gás natural, biodiesel ou hidrogênio podem ser admitidas

Entretanto, na meta 68, a obrigação de redução de emissões pelos ônibus se tornou mais flexível e genérica.

Em vez de garantir o cumprimento de 100% dos parâmetros para redução de emissões de cada ônibus, coletivo por coletivo, a meta se tornou em uma redução de poluição pela frota, na média.

Antes: Atingir 100% de cumprimento das metas individuais de redução da emissão de poluentes e gases de efeito estufa pela frota de ônibus do transporte público municipal

Agora: Reduzir a emissão de poluentes e gases de efeito estufa pela frota de ônibus do transporte público municipal.

RESPOSTA:

Em nota, a Secretaria de Governo municipal informou que “o ajuste da termologia foi devido ao prazo maior do que o previsto inicialmente nas desapropriações de alguns equipamentos. A mudança indica que as obras estarão entregues até 2024 ou em fase de implantação”.

No início da tarde, a prefeitura detalhou os pontos levantados pela reportagem:

ACIDENTES

A alteração da Meta 39 não invalida o Plano de Segurança Viária do Município de São Paulo (Decreto Municipal n° 58.717/2019). Ou seja, a Prefeitura permanece tendo o objetivo de tornar-se uma das cidades com o trânsito mais seguro do mundo. A mudança reflete o conjunto de ações sob governabilidade da Prefeitura, possíveis de serem concluídas até 2024, objetivando a redução dos indicadores de redução de mortalidade no trânsito em médio e longo prazo.
Adicionalmente, a segurança viária passou a contar com mais uma meta específica, a de nº 83: “Implantar 200 quilômetros de novas faixas azuis para motociclistas (Programa Faixa Azul), com foco na promoção da segurança viária”. A redução da mobimortalidade e o incremento da segurança são favorecidos, ainda, pela expansão da malha cicloviária (Meta 43 – Implantar 300 quilômetros de estruturas cicloviárias), das melhorias para a caminhabilidade (Metas 40 – “Realizar a manutenção de 1.500.000 m2 de calçadas” e 41 – “Implantar nove projetos de redesenho urbano para pedestres, com vistas à melhoria da caminhabilidade e segurança, em especial, das pessoas com deficiência, idosos e crianças”) e da melhor conservação viária (Metas 34 a 37).
 
VIABILIZAÇÃO DE CORREDORES BRT E TERMINAIS DE ÔNIBUS – Revisão das metas 45 (BRTs) e 47 (terminais).
É importante ressaltar os desafios inerentes à realização de grandes obras em uma cidade densamente povoada como São Paulo. Frequentemente, tais intervenções geram impactos sociais e demandam tempo para cumprir as exigências legais, por exemplo, avaliação dos locais e diálogo com a comunidade, de modo a minimizar possíveis transtornos.
Quanto aos terminais, o ajuste da terminologia se deu por conta do prazo maior do que previsto inicialmente nas desapropriações para receber alguns destes equipamentos. Nesse contexto, a opção pelo termo “viabilizar” em vez de “inaugurar” reflete uma abordagem transparente, ou seja, a meta da Prefeitura de São Paulo é que as obras estejam entregues ou em fase de implantação até 2024.
Assim, substituíram-se compromissos de inauguração de obras pelo avanço de sua execução, de forma a seguir com os projetos, mas com a possibilidade de finalização a partir de janeiro de 2025. Ao propor deixar obras iniciadas, a Prefeitura assegura que os projetos básicos, executivos, os processos licitatórios, procedimentos de desapropriação, mobilização de canteiros de obras e a reserva orçamentária estejam já garantidos. Mesmo que a implantação seja concluída alguns meses após o encerramento de 2024, o benefício para a população fica assegurado, o que não ocorreria caso a meta se limitasse à ‘inauguração’.
Ao adotar tal expediente, a Prefeitura reforça ainda seu compromisso com a transparência, deixando a sociedade a par do andamento dos projetos prioritários, com o alinhamento de expectativas por parte de todos os atores.
 
META 49 – 420KM
É crucial ressaltar que o período pós-pandemia resultou em uma redução significativa no número de usuários do transporte coletivo na cidade. Atualmente, observa-se  aproximadamente 78 a 80% do total de passageiros, em comparação ao período pré-pandemia da COVID-19.
Diante dessa realidade, a administração pública municipal tem se dedicado a avaliar o equilíbrio financeiro do setor, bem como o dimensionamento adequado da frota e das linhas de ônibus. Essas análises se tornam ainda mais relevantes, pois novos hábitos, como o trabalho remoto e o turismo de eventos, ainda não encontraram um ponto de equilíbrio estável, sendo constantemente reavaliados pelas empresas e demais envolvidos no setor.
Tais mudanças exercem um impacto profundo na mobilidade urbana, e a prefeitura, ciente dessa responsabilidade, busca soluções inovadoras e sustentáveis para enfrentar esses desafios, garantindo assim um transporte público eficiente e de qualidade para todos os cidadãos.
POLUIÇÃO POR ÔNIBUS
O indicador de acompanhamento e demais aspectos da meta se mantiveram inalterados. A redação nova não implica em  matenuação do compromisso – o indicador acompanhado foi mantido. A nova proposta de redação se dá para comunicar melhor à população os objetivos.

Considerou-se que “Atingir 100% de cumprimento das metas individuais de redução da emissão de poluentes e gases de efeito estufa pela frota de ônibus do transporte público municipal” era muito técnica para o público em geral. Em substituição, a redação “Reduzir a emissão de poluentes e gases de efeito estufa pela frota de ônibus do transporte  público municipal” é amplamente comunicável.

 

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Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. José disse:

    Quando disserem que SÃO PAULO-SP está sem Prefeito… Acreditem !
    Nem sequer aumentar a quantidade de logradouros aonde poderiam passar ônibus ou micro-onibus, ou midi… o camarada quer! Fora a IMPLEMENTAÇÃO E IMPLANTAÇÃO DA NOVA REDE DE TRANSPORTES SOBRE PNEUS , DA SPTrans … Prevista nos Contratos assinados em 06/09/2.019!
    Bruno Covas, mesmo com o danado do Câncer que o matou… que Deus o Tenha! Trabalhava mais!
    A Cidade está suja, fétida, fezes humanas espalhadas nos Bairros grandes… E no Centro da Cidade… enchentes, alagamentos por qq garoa… lixo p/ todo o lado! Buracos… aff !

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