STM responde ao MP e diz que já analisa juridicamente possibilidade de romper contrato com a ViaMobilidade pelas linhas 8 e 9

Concessionária é investigada por falhas na prestação de serviços desde 27 de janeiro de 2022; Análise ainda não significa decisão tomada pelo Estado

ADAMO BAZANI

A STM (Secretaria de Transportes Metropolitanos) de São Paulo respondeu ao Ministério Público que já analisa do ponto de vista jurídico a possibilidade de romper o contrato com a ViaMobilidade, dos grupos CCR e Ruas, pela concessão das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda de trens metropolitanos.

No âmbito das investigações das constantes falhas ocorridas desde o início da concessão em 27 de janeiro de 2022, as promotorias do Patrimônio Público e Social da Capital e do Consumidor recomendaram ao Governo do Estado a quebra do contrato.

A resposta não significa ainda que foi decidido definitivamente pelo rompimento contratual, mas mostra que o Governo não descarta a possibilidade diante da recomendação dos promotores.

O retorno da secretaria de transportes ao MP ocorreu no último dia 14 de dezembro de 2022.

A abertura desse processo administrativo é importante para que os atuais gestores públicos não sejam responsabilizados por omissão.

O Diário do Transporte procurou a ViaMobilidade para que a concessionária pudesse se manifestar. A empresa diz que não teve acesso à manifestação do Estado.

As investigações, que chegaram a ser suspensas após um recurso da ViaMobilidade ao CSMP (Conselho Superior do Ministério Público), foram retomadas.

Os promotores apontaram diversas falhas de prestação de serviços e segurança que, pelas investigações, foram de culpa da concessionária.

O contrato é de 30 anos e são previstos investimentos de cerca de R$ 3 bilhões. Parte deste valor irá para a compra de 36 novos trens. A produção destas composições já começou na cidade de Taubaté, no interior de São Paulo.

Na recomendação, a qual o Diário do Transporte teve acesso, o MP diz que empresa tenta jogar de forma inverídica culpa na CPTM (Companhia Paulista Trens Metropolitanos) pelos problemas desde o início das operações únicas da ViaMobildiade, a partir de 27 de janeiro de 2022, indo desde falhas em trens, atrasos, defeitos em estruturas até acidentes, como em 10 de março de 2022, com a morte de um funcionário eletrocutado na estação Pinheiros da linha 9-Esmeralda, na zona oeste de São Paulo, e, no mesmo dia, a batida de um trem da linha 8-Diamante no batoque (que é limite da plataforma) na estação Júlio Prestes, na região central. Nesta batida, ninguém se feriu e o maquinista, acusado pela empresa de ser o culpado, foi demitido.

O descarrilamento de um trem que ocorreu no dia 07 de dezembro de 2022 por volta de 07h na estação Domingos de Moraes, sentido Itapevi, da linha 8-Diamante, ainda não foi incluída na investigação que estava suspensa porque a ViaMobilidade recorreu ao CSMP (Conselho Superior do Ministério Público). Foi mesmo trem que em 10 de março de 2022 bateu contra a plataforma da estação Júlio Prestes. Imagens mostraram que o trem já chegou descarrilhado à estação.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Mario Aquino disse:

    Transporte público, negócio de gangster’s

  2. ELO DE SOUZA disse:

    Rompe logo este contrato… Volta CPTM ou outra companhia que trate seus clientes com respeito… Dependemos do transporte público para trabalhar entre outras coisas necessárias da nossa vida, aí vem uma companhia cheia de problemas e sem noção das nossas REAIS NECESSIDADES.

  3. Silvia disse:

    Se Deus quiser isso não vai acontecer

  4. Daniel Silva disse:

    CCR tem um longo histórico de casos de corrupção e fechamento de acordos de leniência. Agora, quando finalmente foi solicitada a desenvolver uma concessão metrôferroviária mais desafiadora, demonstra que nunca esteve apta. O melhor a ser feito para o bem do Estado e da população é o rompimento do contrato e a realização de um novo leilão.

  5. Milton Lopes disse:

    Eu posso estar errado, mas, oi?! Dinheiro público para empresa privada? porque terceirizou?

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