Imagens mostram que parte de viga do monotrilho da linha 15-Prata se soltou. Relato técnico interno dá conta que pedaços caíram em ciclovia na noite de quinta (22) Viga ficou sem uma parte

Oficialmente, Metrô não negou a situação, mas disse que não houve danos estruturais

ADAMO BAZANI

Pedaços de concreto das vigas do monotrilho da linha 15-Prata estão se soltando e caindo sobre a ciclovia que passa ao longo do trajeto dos trens leves que trafegam nos elevados, na zona Leste de São Paulo.

O Diário do Transporte teve acesso a imagens que mostram falhas no acabamento destas vigas, com sinais claros de partes que “desfarelaram” ou se soltaram.

Os relatos de funcionários do sistema são constantes.

Na noite desta quinta-feira, 22 de setembro de 2022, no relatório técnico de ocorrências, foi apontada, por exemplo, queda de pedaços da estrutura do pilar 45. Não houve registro de feridos.

21h23- Informação – Por meio do COPOM CCS foi informado de queda de pedaços de estrutura no monotrilho – foi solicitado ronda com a VTR nas proximidades entre ORT e SLU e foi constatado queda de pedaços do Pilar 45 na ciclovia – SO2 Buissa ciente para as tratativas

COPOM é o Centro de Operações da Polícia Militar do Estado de São Paulo

VTR é – Viatura

ORT é Estação Oratório

SLU é Estação São Lucas

O pilar 45 fica entre as duas estações mencionadas: Oratório e São Lucas, na Avenida Professor Luiz Inácio de Anhaia Mello.

Nesta sexta-feira (23), o monotrilho operou com problemas por 15 horas por causa de uma falha elétrica, uma outra ocorrência:

Depois de 15 horas com problemas, monotrilho da linha 15 Prata entra em operação normal

MP APONTA PROBLEMAS NAS VIGAS:

Quando uma parte das rodas de um trem do monotrilho se soltou em 27 de fevereiro de 2020, o sistema ficou parado por 100 dias.

Em outubro de 2021, um relatório técnico do Ministério Público de São Paulo sobre o acidente, mostrou problemas no projeto do monotrilho da Linha 15-Prata

O MP já apontava para problemas na via.

“Conclui-se que a Linha 15 – Prata possuía problemas de projeto e execução nas obras civis que levaram a irregularidades na via-guia, bem como, problemas de projeto e fabricação e montagem dos trens e seus componentes, resultando em interferência entre o run flat e superfície interna da banda de rodagem dos pneus, sendo a combinação destes dois fatores a causa do estouro do pneu da composição M20” – revelou à época ´parte do relatório do MPSP.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/10/05/relatorio-do-mp-aponta-que-estouro-de-pneu-monotrilho-da-linha-15-prata-foi-motivado-por-problemas-nas-obras-e-na-fabricacao-de-trens/

Pedaço de roda que se soltou em 2020, paralisando o sistema por 100 dias

O Sindicato dos Metroviários de São Paulo e Fenametro (Federação Nacional dos Metroviários) dizem que já apontaram diversos problemas sobre o monotrilho, e que estes relatos foram ao encontro de especialistas que opinaram que o projeto não seria adequado para o perfil de traçado e demanda da região.

Ainda de acordo com as entidades, se não houvesse operadores numa situação como essa, o atendimento seria mais precário, gerando riscos maiores aos passageiros.

Assim, para as representações trabalhistas, o Metrô vai na contramão querendo tirar operadores de dentro do trem.

OUTRO LADO:

O Diário do Transporte procurou o Metrô, que não negou a situação, mas disse que não houve danos estruturais.

“Durante os trabalhos de manutenção, uma camada de cimento em excesso foi retirada na noite desta quinta-feira (22). Não se trata de estrutura da viga e não houve qualquer dano à estrutura.” – diz nota da Companhia.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Paulo Victor disse:

    Inacreditável. Não existe nenhum mistério para se moldar uma viga de concreto com qualidade!

  2. Ralphy disse:

    Como técnico em construção, não é excesso de cimento se uma parque que cai deixa o perfil da viga menor que no restante do trajeto.

  3. kassio clecio da Silva disse:

    São somente sinais de que nosso meio de transporte ferroviário no Estado de São Paulo está sobrecarregado, o descaso de Empresários e órgãos responsáveis são bastante visíveis, precisamos de empenho e inovações, precisamos de mais responsabilidade e comprometimento, antes que aconteça alguma tragédia e se isso acontecer, espero que a punição seja justa com os responsáveis.

  4. Paulo disse:

    Inevitavelmente desgastes vão acontecer em qualquer tipo de viga, os trilhos do Metrô e CPTM também se desgastam e eventualmente têm que ser reparados/trocados. O que vejo acontecendo é uma grande demonização pelo modal monotrilho por parte dos canais de mídia em prol de soluções que não vão levar à qualidade do transporte público, como a troca absurda da Linha 18 por aquela aberração do BRT-ABC. Temos que pensar de forma progressista e evitar tipos de retrocessos como construção de corredores de ônibus em benefício a um único conglomerado de empresas. Já não basta ter todo o monopólio de ônibus na região do ABC?

  5. Silvia Cerino disse:

    Intendo que desgastes acontecem, mas essa viga de concreto já está com remendos em outros lugares. Não seria viável a troca da viga inteira ao invés de ficar remendado. Pagamos impostos, carregamos nossos bilhetes para ter um transporte público seguro, não para correr risco de um acidente podendo até perder a vida por negligência. Qualquer transporte público público tem que ter responsabilidade, são vidas de pessoas que trabalham e dependem do mesmo.

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