Dois suspeitos que foram presos em operação na TransUnião são soltos pela Justiça

Polícia investiga possível lavagem de dinheiro do crime organizado em empresas de ônibus que tiveram origem em cooperativas de transporte na cidade de São Paulo

ADAMO BAZANI

A Justiça soltou Devanil Souza Nascimento (Sapo) e Jair Ramos de Freitas (Cachorrão) que tinham sido presos na operação da Polícia Civil realizada em 09 de junho de 2022, na empresa de ônibus TransUnião, que opera na zona Leste da capital paulista.

Ambos saíram da prisão nesta sexta-feira, 1º de julho de 2022 e agora vão responder em liberdade.

O Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) e o Denarc (Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico), da Polícia Civil de São Paulo, investigam lavagem de dinheiro do crime organizado, tráfico de drogas, porte ilegal e tráfico de armas e até homicídios ligados a empresas de ônibus na cidade de São Paulo que surgiram de cooperativas de transportes.

Ao menos seis empresas do subsistema local de transportes da cidade estão sendo investigadas, nas zonas Sul e Leste.

A maior delas, na zona Sul, reúne uma frota de cerca de 1,3 mil ônibus de acordo com as investigações.

Em duas destas companhias foram deflagradas operações: UPBus e TransUnião, ambas operadoras da zona Leste.

As apurações sobre a TransUnião surgiram a partir das investigações sobre assassinato em 04 de maio de 2020, de um dos diretores da empresa que teve origem em cooperativas de transportes, Adauto Soares Jorge, como mostrou o Diário do Transporte na ocasião.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/03/05/policia-apura-crime-de-mando-em-morte-de-diretor-da-transuniao/

Adauto Soares Jorge era diretor na empresa de transportes e um dos homens de confiança do vereador Senival Moura (PT), que também é investigado.

Segundo o Deic, o vereador chegou a ter 13 ônibus na empresa e, como devia dinheiro para criminosos, entregou os veículos à cúpula de uma facção criminosa que, ainda de acordo com os policiais, têm controle da companhia.

Senival nega as acusações.

– OPERAÇÃO ATARAXIA – DENARC (UPBUS)

Condução: Denarc – sobre UPBus (empresa da zona Leste com 13 linhas), que chegou a se chamar Qualibus, originária da garagem 2 da Associação Paulistana

Deflagração da Fase I: 02 de junho de 2022

Investigações começaram há mais de um ano a partir da morte Anselmo Santafausta, o Cara Preta, por questões ligadas ao crime organizado.

Segundo as apurações, boa parte dos mais de 60 sócios da empresa têm passagens pela polícia e ainda é envolvida com a criminalidade. A UPBus, de acordo coma Polícia, lava dinheiro de facções criminosas. O esquema também envolvia ganhos na Loteria Federal também para dar uma aparência legal ao dinheiro obtido em atividades criminosas.

Deflagração da Fase II: 15 de junho de 2022

Foram bloqueados entre R$ 40 milhões e R$ 45 milhões em imóveis e veículos da empresa de transportes urbanos UPBUS, que opera na zona Leste de São Paulo, e de investigados da “Operação Ataraxia”, que apura o uso da companhia de ônibus por uma facção criminosa para lavagem de dinheiro.

Todos os veículos da empresa UPBUS, dentre eles quase 250 ônibus, também foram objetos de sequestro, impedindo eventual a alienação dos veículos por parte da empresa.  Estes ônibus poderão continuar operando, só que os ônibus não podem ser vendidos e a arrecadação da operação vai para conta judicial.

UPBus não se manifestou

OPERAÇÃO PRODITOR

Condução: Deic – sobre TransUnião (empresa da zona Leste com 524 ônibus), que surgiu da cooperativa Nova Aliança

Deflagração: 09 de junho de 2022

Investigações começaram após assassinato de Adauto Soares Jorge, ex-diretor, ocorrido em 04 de maio de 2020.

Polícia aponta que Adauto era “testa de ferro” do vereador Senival Moura (PT) na direção da empresa, que era utilizada para a lavagem de dinheiro de membros do PCC (Primeiro Comando da Capital). O próprio vereador era proprietário de 13 ônibus que prestavam serviços para a empresa. O parlamentar nega.

A Polícia chegou a apreender 18 ônibus, 14 operacionais e quatro que estavam na reserva em manutenção, mas os veículos foram devolvidos para operação.

No dia da operação foram presos Devanil Souza Nascimento (Sapo) e Jair Ramos de Freitas (Cachorrão), mas ambos tiveram a liberdade determinada pela Justiça em 1º de julho de 2022.

A TransUnião não se manifestou.

MINISTÉRIO PÚBLICO:

O Gaeco, do Ministério Público do Estado de São Paulo, passou também investigar a possível ligação de empresas de ônibus da capital paulista com o crime organizado.

De acordo com o delegado-geral Oswaldo Nico Gonçalves, em 15 de junho de 2022, foi montada uma força-tarefa entre os promotores e a Polícia Civil.

CÂMARA MUNICIPAL:

Em 15 de junho de 2022, na Câmara Municipal de São Paulo, foi protocolado por um delegado da Polícia Civil um pedido na corregedoria da casa para investigar o vereador Senival Moura, do PT.

No dia 10 de junho de 2022, um pedido de abertura de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) foi aberto pelo vereador Mario Palumbo Junior, o delegado Palumbo, do MDB, que ficou apenas com duas assinaturas.

Veja em:

https://diariodotransporte.com.br/2022/06/10/apos-operacoes-policiais-pedido-de-cpi-dos-onibus-de-sao-paulo-e-protocolado-na-camara-municipal/

CONTROLADORIA DO MUNICÍPIO:

A CGM (Controladoria Geral do Município) da capital paulista abriu sindicância para apurações internas sobre as empresas de ônibus que têm contrato com a prefeitura e que são investigadas pela Polícia Civil a respeito de um suposto envolvimento com o crime organizado em São Paulo.

De acordo com a prefeitura, haverá um compartilhamento de informações com as frentes policiais.

“A decisão foi tomada pela CGM após liderar reunião de representantes da gestão municipal com a Polícia Civil para compartilhamento das informações apuradas nas investigações sobre a utilização de empresa de transporte público para lavar dinheiro para organização criminosa”.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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