Greve do transporte coletivo em Guarapari (ES) permanece sem perspectiva de acordo
Publicado em: 21 de junho de 2022
Expresso Lorenzutti diz que sem subsídio, tarifa atual a R$ 4,10 não cobre os custos de operação
ALEXANDRE PELEGI
Os rodoviários da Expresso Lorenzutti permanecem há quase dez dias em greve em Guarapari (ES), e a situação está distante de um acordo.
Esta foi a conclusão a que se pode chegar após declarações da diretoria da empresa de ônibus que atende o transporte coletivo do município emitidas em coletiva nessa segunda-feira, 20 de junho de 2022.
Enquanto os trabalhadores protestam contra os salários atrasados, a Lorenzutti responde que não tem como sustentar o sistema em operação com apenas a receita proveniente das tarifas pagas pelos passageiros.
Para equilibrar a operação, a Lorenzutti calcula que a tarifa, hoje em R$ 4,10 deveria ser de no mínimo R$ 7,50. Detalhe: o valor da passagem se mantém congelado desde 2016.
Os trabalhadores estão sem receber metade do salário de abril, vencido em maio, e o previsto para pagamento em junho não foi depositado ainda.
Na coletiva, a gestora da empresa, Bianca Lorenzutti, estimou a dívida com a folha de pagamento em R$ 700 mil. Ela denunciou que a prefeitura tem impossibilitado o reajuste ao não apresentar planilha de custos, situação que vem ocorrendo desde 2017.
Sem atender aos pedidos da empresa, de pagar o déficit gerado pelo desequilíbrio do contrato, a prefeitura levou ao colapso do sistema. Para Bianca Lorenzutti, os proprietários da empresa precisaram vender imóveis para não interromper a operação do transporte da população.
A saída para atender aos trabalhadores seria, de acordo com a gestora da empresa, a prefeitura creditar o equivalente aos recursos necessários para o pagamento integral dos salários.
O atraso nos salários dos trabalhadores tem sido recorrente desde o início da pandemia.
Como mostrou o Diário do Transporte, em março deste ano já houve paralisação na empresa também por atrasos nos pagamentos. Relembre: Greve de ônibus em Guarapari entra no quarto dia nesta quinta (17)
Não bastasse a baixa arrecadação decorrente da pandemia, os proprietários da Lorenzutti atribuem ao transporte clandestino a fuga de passageiros dos ônibus urbanos. A prefeitura não estaria fazendo a fiscalização do tráfego de vans clandestinas.
SITUAÇÃO JUDICIAL
Uma decisão da 2ª Vara do Trabalho de Guarapari, expedida na segunda-feira (13), primeiro dia de greve, determinou o bloqueio de R$ 165 mil nas contas da Lorenzutti.
O dinheiro visa garantir a quitação dos salários do mês de abril. Até agora foram pagos apenas 25% do valor total devido aos empregados.
A empresa recorreu da decisão, mas na quarta-feira (15) o Juiz do Trabalho substituto Alvino Marchiori Junior negou a suspensão do bloqueio da conta.
Alvino Marchiori Junior, ao indeferir o recurso da Lorenzutti, citou determinação anterior para que a empresa quitasse o salário de abril e o tíquete-alimentação vencido em 20 de maio aos funcionários em cinco dias úteis, sob pena de multa diária de R$ 20 mil. De acordo com manifestação do Sintrovig (Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Guarapari), apenas o tíquete alimentação foi pago.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

