Ocorrência foi registrada na linha T-12 – Jardim Alzira Franco / Centro, na tarde de terça (14); Veículo foi recolhido e fiscalização na linha vai ser intensificada, diz SATrans
ADAMO BAZANI
A repórter Jessica Marques, do Diário do Transporte, foi atingida na cabeça por uma peça que quebrou e caiu do teto na parte traseira de um ônibus em Santo André, no ABC Paulita, que fazia a linha T-12 – Jardim Alzira Franco / Centro, na tarde de terça-feira, 14 de junho de 2022.
A peça ficava na região alçapão, que funciona como ventilação e saída de emergência do veículo. Tanto a mola metálica quanto a parte plástica caíram e atingiram com força a testa de Jessica, causando ferimentos.
“Peguei o ônibus no centro e, pouco depois que eu me sentei, eu senti uma dor muito forte na cabeça. Quando olhei para baixo, percebi que havia sido atingida pela peça, que caiu do teto, bateu em mim e foi parar no chão do ônibus”, disse.
O ônibus pertence à empresa Viação Guaianazes, que integra o Consórcio União Santo André.
Além deste fato, na mesma linha, Jessica diz ter presenciado outros problemas.
Em maio, um ônibus não conseguiu seguir viagem por um travamento na plataforma de embarque e desembarque de pessoas com cadeira de rodas.
Os passageiros tiveram que aguardar o transbordo para outro veículo.
Em abril, a passageira presenciou outro ônibus quebrado, da mesma linha. Neste caso, por ser horário de pico, os passageiros não conseguiram embarcar de uma vez e tiveram que aguardar que mais de um veículo da linha T-12 passasse e parasse.
“Estes fatos evidenciam a falta de manutenção dos ônibus desta empresa e a falta de fiscalização por parte da SATrans. Não foi a primeira vez que eu tive problemas com esta linha, mas nunca imaginei que pudesse chegar ao ponto de me machucar dentro do ônibus”, relatou a jornalista.
Em nota ao Diário do Transporte, a Prefeitura de Santo André informou que o veículo foi recolhido para passar por reparos.
A SATrans esclarece que realiza vistorias periódicas em todos os ônibus do Sistema Municipal de Transporte Coletivo. O veículo citado foi recolhido pela garagem para os devidos reparos. Será intensificada a fiscalização quanto ao funcionamento dos elevadores na frota da linha T 12. Caso falhas sejam constatadas, notificaremos a empresa operadora.
A reportagem aguarda um posicionamento da empresa sobre o ocorrido.
TECNOLOGIAS OBSOLETAS
Também na terça-feira (14), a passageira tentou efetuar a recarga do Bilhete Único Comum de Santo André para utilizar a linha. Entretanto, os funcionários dos pontos da região central relataram estar sem sistema desde o início da semana para a compra de créditos. Com isso, a única opção foi pagar a passagem para o motorista em dinheiro.
“Acho muito perigoso andar com dinheiro no ônibus. Fora que não é prático. Como não tem cobrador, até o motorista cobrar e dar o troco, demora muito mais para seguirmos viagem. Sempre gosto de colocar créditos no Bilhete Único, mas o único jeito é sacar dinheiro e procurar um ponto de recarga, que muitas vezes está sem sistema”, relata Jessica.
“Seria muito mais prático se houvesse um sistema para recarga online, como é o caso do Bilhete Único de São Paulo, por exemplo. Assim, evitaria que eu tivesse que andar com dinheiro no ônibus e o embarque seria muito mais rápido também”, complementou.
Conforme já noticiado pelo Diário do Transporte, os ônibus de Santo André estão passando por uma mudança de bilhetagem para aceitar PIX, cartões de crédito e débito com tecnologia NFC (por aproximação) e carteiras digitais.
Os primeiros dez ônibus já receberam os novos equipamentos que possuem tecnologia da Transdata, responsável pelo desenvolvimento, implantação e operação da nova bilhetagem digital. Os pagamentos com o cartão de transporte da cidade e em dinheiro continuam.
Entretanto, não há data para que o sistema esteja disponível em todos os ônibus da cidade.
Outro problema relacionado à tecnologia nesta linha é a falta de previsibilidade. Os horários mostrados pelo aplicativo CittaMobi não são cumpridos e, aos finais de semana, a espera pelos ônibus já chegou a superar meia hora.
“Às vezes o aplicativo fala que o ônibus vai chegar em 5 minutos, mostra como se tivesse passado e ele não passa. Outra coisa que acontece é a previsão ficar mudando, passando de 5 para 10 minutos, por exemplo, e o ônibus chegar em um horário completamente fora do que foi previsto pelo CittaMobi”, relatou Jessica.
Em 2020, as falhas do aplicativo foram corrigidas. Entretanto, os problemas ainda persistem.
Relembre: Aplicativo de ônibus de Santo André (SP) tem falhas corrigidas e ganha novas funções
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
