ViaMobilidade faz balanço de melhorias nos primeiros três meses de concessão das linhas 8 e 9

Passageiros, entretanto, ainda apontam dificuldades nas linhas; Falta de informação de ocorrências em canais oficiais persiste; Início das operações com 65% da frota com revisão muito vencida é investigada pelo Ministério Público

ADAMO BAZANI

As operações da ViaMobilidade nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda da rede de trens metropolitanos ainda são alvos de muitas queixas dos passageiros.

Prestes a completar 100 dias, a concessão ainda reúne problemas como falhas em trens e equipamentos, como escadas rolantes e bloqueios das estações (catracas), atrasos e, principalmente, falta de informações rápidas e transparentes sobre as condições operacionais em tempo real.

Não é de hoje que o Diário do Transporte e outros órgãos de imprensa, especializados em transportes ou de cobertura geral, destacam falhas e ocorrências que afetam as operações, com as redes sociais lotadas de reclamações, mas que, nestes momentos, os canais oficiais da operadora dizem que a situação é normal, não sendo verdade.

O Diário do Transporte também revelou com exclusividade um problema sério envolvendo a concessão: a ViaMobilidade começou a operar as linhas 8 e 9 com 65% da frota de trens com revisão vencida. E muito vencida. Por exemplo, os rodeiros, conjunto de rodas dos trens que devem ser revisados a cada 1,2 milhão de quilômetros, estavam com até dois milhões de quilômetros sem revisão. Essa frota foi recebida da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). As responsabilidades da estatal, da concessionária e da STM (Secretaria dos Transportes Metropolitanos – responsável por acompanhar a concessão) são apuradas pelo Ministério Público que pode sugerir à Justiça penalizações contra os envolvidos.

Entre estes trens com revisão vencida está aquele que bateu contra uma plataforma na estação Júlio Prestes da linha 8 em 10 de março de 2022. No mesmo dia, um funcionário morreu eletrocutado ao mexer em equipamentos da linha 9.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/05/05/viamobilidade-iniciou-operacoes-das-linhas-8-e-9-com-65-da-frota-de-trens-com-revisao-vencida-apontam-documentos/

Apesar dos problemas, a ViaMobilidade diz que investimentos estão sendo feitos e divulgou uma relação de ações, que vão desde reparos básicos de rotina, até aperfeiçoamento de treinamentos.

Inclusive, as capacitações dos funcionários também foram tema de reportagem do Diário do Transporte e de outros veículos de comunicação.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Empresas Ferroviárias da Zona Sorocabana, José Claudinei Messias, no início das operações, enquanto que na CPTM, o tempo de treinamento para que um maquinista possa atuar é entre oito e dez meses com acompanhamento de um monitor; na ViaMobilidade, a capacitação de maquinistas durava aproximadamente quatro meses.

De acordo com Messias, houve um acordo com a concessionária para reciclagem destes operadores “pouco treinados”.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/04/20/ferroviarios-e-viamobilidade-entram-em-acordo-sobre-treinamento-de-funcionarios-das-linhas-8-e-9-diz-sindicato/

Por meio de nota, a ViaMobilidade relacionou o que chamou de “principais melhorias realizadas nos primeiros três meses de concessão”

  • Revitalização na comunicação visual da Estação Presidente Altino e Hebraica Rebouças, deixando as orientações mais intuitivas e claras;
  • Intensificação da vigilância nas vias para coibir o furto de equipamentos e cabos;
  • Iluminação adicional nas áreas operacionais e de circulação de clientes nas estações entre Santo Amaro e Berrini;
  • Troca do óleo hidráulico dos elevadores;
  • Revisão de escadas rolantes;
  • Revitalização completa dos sanitários das estações: Carapicuíba, Itapevi, Osasco, Pinheiros, Lapa, Domingo de Moraes, Santo Amaro, Engenheiro Cardoso e Sagrado Coração.
  • Limpeza completa de 60% dos aparelhos de ares-condicionados instalados na frota, com a substituição de 39 unidades avariadas;
  • As áreas verdes no entorno de todas as estações estão concluídas e em manutenção rotineira das Linhas 8 e 9;
  • Implantação de placas de velocidade antes das estações e na entrada das plataformas e “tartarugas refletivas” na via;
  • Intensificação de treinamento dos colaboradores com a aplicação do método Aponte e Fale para condutores dos trens;
  • Higienização de todos os trens com nebulização antisséptica diária em horários de vale (menor fluxo de passageiros) para garantir a segurança sanitária no transporte.

“A preocupação da ViaMobilidade com o bem-estar dos passageiros relaciona-se diretamente com nossa premissa de sermos uma empresa referência em mobilidade humana. Dessa forma, estamos trabalhando intensamente para garantir a qualidade da ViaMobilidade em todos os processos e detalhes que envolvem o aprimoramento da operação e a manutenção das vias”, afirmou, na mesma nota, o diretor-presidente da ViaQuatro e ViaMobilidade, Francisco Pierrini.

A ViaMobilidade iniciou as linhas 8 e 9 de forma compartilhada com a CPTM em 27 de dezembro de 2021 e integralmente com a concessionária a partir de 27 de janeiro de 2022.

A concessão é de 30 anos, prevê investimentos de R$ 3,8 bilhões, entre os quais, a compra de 36 trens novos.

O primeiro deve chegar em janeiro de 2023 ao pátio Presidente Altino (espécie de sede operacional das linhas). O treinamento deve ir até 31 de março, com início das operações efetivas em abril de 2023.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Leandro Francisco disse:

    Tudo balela. São coisas mínimas que não aumentam a tal qualidade nós serviços. Frota reduzida, sem higiene e com enumeras falhas durante a condução. Colaboradores ignorados e descontentes com as condições impostas, sendo ameaçados de demissão por “qualquer erro” que se cometa e sendo ameaçados de demissão se tiver afastamento por problemas de saúde… não podem adoecer. Estão maquiando a situação real como sempre. Os maquinistas da VM estão descontentes sim, o salário não condiz com o trabalho onde se realizam as mesmas atribuições de maquinistas da CPTM, querem a periculosidade e são ameaçados pela supervisão de tráfego, que segundo os mesmos, recebem a ordem da coordenação. Os maquinistas da VM estão fadigados psicologicamente, pilhados por cobranças e mais cobranças vindas de todas as partes como se fora os culpados por toda a má administração e organização empenhada pela VM. Palavras de um colaborador.

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