Tatuzão da linha 6-Laranja começa a escavação de túnel no sentido São Joaquim

No sentido oposto, trabalhos devem começar no primeiro semestre de 2022; Governo reitera promessa de entrega de obras em 2025

ADAMO BAZANI

Começaram de forma oficial na manhã desta quinta-feira, 16 de setembro de 2021, as escavações pelo tatuzão do túnel da linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo, no sentido Sul, até a estação São Joaquim, onde vai fazer a conexão com a Linha 1-Azul.

Chamada de linha das “universidades”, pela quantidade de instituições de ensino ao longo do trajeto, a 6-Laranja, que coleciona polêmicas e atrasos históricos, vai ligar a estação São Joaquim, na região central de São Paulo, à Vila Brasilândia, na zona noroeste, com 15,3 km de extensão e 15 estações, por onde devem trafegar aproximadamente 630 mil passageiros por dia. A estimativa é que o tempo de trajeto seja de 23 minutos (veja mais detalhes abaixo).

De acordo com nota do Governo do Estado, equipamento deve percorrer cerca de dez quilômetros nos próximos meses, contemplando dez estações, entre Santa Marina e São Joaquim, partindo do VSE (poço de ventilação e saída de emergência) Tietê até o VSE Felício dos Santos.

Já as escavações no sentido oposto (norte) devem começar o processo ainda no primeiro semestre de 2022, quando um outro equipamento igual percorrerá 5,3 quilômetros em rocha.

Os trabalhos são de responsabilidade do consórcio liderado pela empresa espanhola Acciona que em 07 de julho de 2020 assumiu de forma oficial o contrato para construção, implantação e operação da linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo. Até então, o empreendimento era de responsabilidade do Consórcio MOVE São Paulo, formado pelas empresas Odebrecht, Queiroz Galvão e UTC, que assumiu o contrato de construção em 2015, mas entregou até a paralisação dos serviços, em 02 de setembro de 2016, apenas 15% das obras.

Em nota, nesta quinta-feira (16), o Governo do Estado reiterou a promessa de entrega da obra até 2025.

A Concessionária Linha Universidade, nome do Consócio da Acciona, vai operar a linha por 19 anos depois que as obras forem entregues.

Segundo nota do Governo do Estado, cada tatuzão pesa duas mil toneladas e possui diâmetro de 10,61 metros e extensão de 109 metros. A capacidade de perfuração é de aproximadamente entre 12 e 15 metros por dia. Para operar o equipamento, são necessárias aproximadamente 50 pessoas, divididas em três turnos de trabalho. A máquina possui refeitório, unidade de enfermagem, esteira rolante para a retirada do material escavado, além de cabine de comando e equipamentos auxiliares.

Atualmente, a Linha 6-Laranja conta com mais de 450 metros de túnel perfurados pelo método NATM – o “Novo Método Austríaco de Túneis” – técnica de construção de túneis sem a utilização de uma tuneladora, segundo o Governo do Estado.

FÁBRICA DE ADUELAS:

O Governo do Estado também destacou que, no dia 14 de dezembro de 2021, foram retomadas as operações da Fábrica de Aduelas, que produz os segmentos de concreto pré-moldado utilizados para a sustentação dos túneis subterrâneos da Linha 6-Laranja. Com o recomeço das atividades, serão fabricadas mais de 60 mil aduelas que serão utilizadas até o final da construção da linha.

“Um dos grandes diferenciais da fábrica, que contará com mais de 120 colaboradores, é a grande presença feminina na força de trabalho e na liderança, já que cerca de 70% da equipe será formada por mulheres. Alguns dos postos de trabalho já ocupados por mulheres são: auxiliares de produção, ponte rolante, movimentação de carga, ajudantes de pedreiras, além de funções de liderança, como responsável de produção, engenheiras ou técnicas.” – diz a nota.

LINHA 6 – LARANJA:

Retomada das obras: 06 de outubro de 2020

Previsão de entrega total: outubro de 2025

Construção e operação em PPP – Parceira Público Privada: Concessionária “Linha Universidade Participações S.A.”, liderada pelo grupo espanhol Acciona

Antigo Consórcio: Consórcio Move São Paulo, formado pelas empresas Odebrecht, Queiroz Galvão e UTC.

Extensão: 15,3 km de extensão, entre a Vila Brasilândia (zona Noroeste) a Estação São Joaquim (região central)

Valor do empreendimento: R$ 15 bilhões

Frota: 22 trens

Demanda diária: 630 mil passageiros

Estações: Brasilândia, Vila Cardoso, Itaberaba, João Paulo I, Freguesia do Ó, Santa Marina, Água Branca, Pompeia, Perdizes, Cardoso de Almeida, Angélica, Pacaembu, Higienópolis-Mackenzie, 14 Bis, Bela Vista e São Joaquim

Prazo de contrato: 19 anos para manutenção e operação.

Tempo de percurso em toda a linha: 23 minutos

Integrações: Sistemas de ônibus e linhas 1-Azul do Metrô, 4-Amarela operada pela concessionária ViaQuatro e 7-Rubi e 8-Diamante, ambas da CPTM

No dia 07 de julho de 2020 terminou a última prorrogação do processo do contato de caducidade com o Consórcio Move São Paulo, formado pelas empresas Odebrecht, Queiroz Galvão e UTC.

O contrato era do Consórcio MOVE São Paulo, responsável pela construção da linha 6 Laranja do Metrô (Vila Brasilândia/São Joaquim).

O MOVE São Paulo, formado pelas empresas Odebrecht, Queiroz Galvão e UTC, assumiu o contrato de construção em 2015, mas entregou até a paralisação dos serviços, em 02 de setembro de 2016, apenas 15% das obras.

As obras estão paradas desde setembro de 2016 e assim como a atuação da MOVE SP foi controversa, a entrada da Acciona foi marcada por uma novela com ameaça do grupo espanhol não assumir o contrato, contestando valores e condições, tudo isso mesmo depois do anúncio pelo governador João Doria.

O anúncio de que a Acciona assumiria o contrato foi feito em 07 de fevereiro de 2020 pelo governo paulista. Relembre: Linha 6-Laranja do Metrô terá obras retomadas pela Acciona

A linha 6 é uma PPP – Parceria Público Privada prevê a construção, os trens e a operação da linha.

A Acciona, conglomerado espanhol formado por mais de 100 empresas e com sede em Madri, atua no Brasil desde 1996, onde conta com mais de 1500 profissionais em unidades em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Pernambuco.

Deteve por 10 anos a concessão da chamada Rodovia do Aço (BR-393), além de ter participado das obras do Porto do Açu, no Rio de Janeiro, além de dois lotes do Rodoanel Norte, em São Paulo.

Venceu licitações para a construção de linhas e estações de metrô em São Paulo (SP) e Fortaleza (CE).

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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