Prefeitura de São Paulo nega prolongamento de linha da EMTU até CPTM e outras mudanças de itinerários até Metrô

Órgão da cidade diz que mudanças elevariam a concorrência com linhas municipais; Já órgão estadual sustenta que alterações facilitariam integração com o sistema de trilhos

ADAMO BAZANI

Secretaria Executiva de Transporte e Mobilidade Urbana (SETRAM), da Prefeitura de São Paulo, e EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), dos ônibus que ligam as cidades da Grande São Paulo, não chegaram a um consenso e a prefeitura de São Paulo negou pedidos da gerenciadora estadual sobre ampliação e alterações de linhas metropolitanas dentro da cidade.

A decisão municipal afeta principalmente moradores de Embu-Guaçu, Embu das Artes e Taboão da Serra que precisam se deslocar para a capital.

Despachos publicados na edição oficial de sábado, 06 de novembro de 2021, da cidade de São Paulo, trazem o indeferimento de recursos da EMTU contra negativas que já tinham sido feitas pela gestão municipal.

Uma delas é em relação ao pedido da EMTU de prolongar uma linha que sai de Embu-Guaçu, na Grande São Paulo, e vai até o limite com a capital paulista. A gestora estadual propunha o prolongamento até o Terminal Grajaú novamente.

Com isso, seria mais uma opção de integração dos passageiros da cidade da Grande São Paulo chegarem ao sistema metroferroviário.

Trata-se da linha 582, que hoje liga Embu-Guaçu (Vila Dirce) a São Paulo (Cipó do Meio).

A proposta negada pela prefeitura, segundo a EMTU em nota apo Diário do Transporte, era ampliar a linha “para o Terminal Grajaú, em São Paulo, mesmo local de ponto final das linhas 012TRO e 226TRO, beneficiando os usuários que acessam a linha 9-Esmeralda da CPTM ou que utilizam linhas municipais.”

Já a Secretaria Executiva de Transporte e Mobilidade Urbana (SETRAM), também em nota ao Diário do Transporte, disse que a medida proposta pela EMTU resultaria em “sobreposição de 100% do itinerário do serviço municipal 6099-10 Term. Grajaú – Divisa de Embu-Guaçu”.

A linha municipal 6099-10 Term. Grajaú – Divisa de Embu-Guaçu é operada pela Transwolff Transportes e Turismo Ltda, empresa da capital paulista.

Não há integração tarifária entre linhas gerenciadas pela EMTU e linhas gerenciadas pela SPTrans, ou seja, para sair do metropolitano e entrar no municipal e vice-e-versa, é necessário pagar uma segunda passagem no valor cheio. Já entre as linhas da EMTU e do Metrô e da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), há redução no valor de tarifa na mudança entre os dois meios de transporte.

As outras linhas metropolitanas que não tiveram a regularização dos itinerários dentro da cidade de São Paulo aceita por parte da prefeitura são:

056 Embu das Artes (Centro)/ São Paulo (Metrô Campo Limpo)

178 Embu das Artes (Jardim Vazame)/ São Paulo (Metrô Campo Limpo)

178BI1  Embu das Artes (Jardim Nossa Senhora de Fátima)/ São Paulo (Metrô Campo Limpo)

245 Taboão da Serra (Jardim São Judas Tadeu)/ São Paulo (Metrô Campo Limpo)

343 Embu das Artes (Jardim do Colégio)/ São Paulo (Metrô Campo Limpo)

Sobre estas linhas, a EMTU diz que possuem portarias do município de São Paulo que autorizam a circulação até o bairro de Santo Amaro, na zona Sul da capital.

“Porém desde 2004, com o início de funcionamento da linha 5 do Metrô, tais linhas foram seccionadas no Terminal Campo Limpo, onde os passageiros têm acesso ao metrô” – diz o órgão estadual.

Já o órgão municipal, novamente alega que a “alteração elevaria o índice de sobreposição com linhas municipais, e, além disso, já existem outras opções de deslocamento para os usuários”.

Em ocasiões anteriores, como mostrou o Diário do Transporte, EMTU e prefeitura de São Paulo tiveram posições conflitantes quanto ao trajeto de linhas vindas das regiões de Embu das Artes, Osasco, Guarulhos e ABC para a capital.

A prefeitura teve de voltar atrás em alguns cortes, que foram inclusive questionados pelo MP (Ministério Público). Outros serviços, entretanto, chegaram a ser extintos.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/06/19/mp-vai-questionar-emtu-e-sptrans-sobre-fim-de-12-linhas-metropolitanas-na-grande-sao-paulo/

Veja as notas de respostas na íntegra da EMTU, do Governo do Estado, e da Secretaria Executiva de Transporte e Mobilidade Urbana (SETRAM), da Prefeitura de São Paulo

EMTU

Para melhor atender os passageiros, a EMTU solicitou a alteração do ponto final da linha 582TRO para o Terminal Grajaú, em São Paulo, mesmo local de ponto final das linhas 012TRO e 226TRO, beneficiando os usuários que acessam a linha 9-Esmeralda da CPTM ou que utilizam linhas municipais. Em relação à solicitação de regularização dos itinerários das linhas 056, 178, 178BI1, 245 e 343, as mesmas possuem portarias do município de São Paulo que autorizam sua circulação até o bairro de Santo Amaro, em São Paulo. Porém desde 2004, com o início de funcionamento da linha 5 do Metrô, tais linhas foram seccionadas no Terminal Campo Limpo, onde os passageiros têm acesso ao metrô.

SETRAM

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Executiva de Transporte e Mobilidade Urbana (SETRAM), esclarece que as propostas referentes às linhas intermunicipais foram analisadas por um grupo de estudos constituído pela Portaria SMT/GAB 129 de 22 de outubro de 2019, que tem a função de elaborar estudos técnicos e normativos sobre o impacto e a viabilidade de cada uma delas. Os trabalhos fazem parte da rotina da gestão de transportes, e a SETRAM mantém o diálogo aberto com os órgãos solicitantes e acompanha diariamente a movimentação da demanda de passageiros de transporte público da cidade de São Paulo, de forma a manter o sistema atualizado, evitar sobreposições de linhas, garantir fluidez e menor tempo nos deslocamentos.

A linha 178BI1 Embu das Artes (Jardim Nossa Senhora de Fátima) – São Paulo (Metrô Campo Limpo) não necessita de alteração, pois já teve o seu ponto final (Terminal Secundário) e itinerário regularizado por meio da Portaria SMT.GAB nº 027 de 02 de março de 2020.

O pedido de reconsideração para mudança de itinerário da linha 582 Embu-Guaçu (Vila Dirce) – São Paulo (Cipó do Meio) operada pelo Consórcio Intervias foi novamente indeferido, uma vez que a linha passaria a trafegar pelas principais vias da região, confrontando  com  sobreposição de 100% do itinerário do serviço municipal  6099-10 Term. Grajaú – Divisa de Embu-Guaçu.

Quanto às demais linhas, o estudo sobre os itinerários demonstrou que a alteração elevaria o índice de sobreposição com linhas municipais, e, além disso, já existem outras opções de deslocamento para os usuários.

Cabe ressaltar que está em fase de implantação a expansão do atendimento da linha 9 – Esmeralda da CPTM com obras em andamento, aproximando-se do limite entre os municípios no extremo da Zona Sul, inclusive com a recente inauguração da Estação Mendes/Vila Natal, localizada na Estrada dos Mendes em 10 de agosto deste ano, atualmente em (Operação Assistida), bem como a implantação da futura estação Varginha e o Terminal de Ônibus Estação Varginha, que prevê a integração das linhas intermunicipais Embu-Guaçu (Cipó) – SP (Terminal Estação Varginha) e Embu-Guaçu (Chácara Florida) – SP (Terminal Estação Varginha).

Essas linhas propiciarão a ligação aos usuários e moradores do município de Embu-Guaçu ao sistema ferroviário.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. vagligeiro disse:

    Engraçado. Uma coisa que noto onde há operação de linhas da EMTU em sobreposição aos da SPTrans – geralmente em corredores de ônibus ou regiões de divisa da cidade -, é que apesar disto, os veículos da EMTU geralmente tem uma ocupação menor do que os da SPTrans, isso claro, devido a tarifa aplicada da SPTrans nas linhas municipais em relação as linhas metropolitanas.Linhas metropolitanas tem valores geralmente maiores do que as muncipais – geralmente em torno de 50 centavos a mais.Não existe uma concorrência de linhas, o próprio preço vira um fator inibidor quando se fala em operação.

    Existe um erro político quando se secciona linhas de ônibus deste jeito. Isso incentiva mais fraudes nas linhas (pois linhas de periferia tem muito problema com “caronas”) e superlotação.

    A operação neste caso equilibraria a quantidade de passageiros entre as linhas e complementaria devido a ser uma região mais erma, e por isso, com uma necessidade mais equilibrada de atendimento da demanda.

  2. ANDERSON ALESSANDRO OLIVEIRA ARAUJO disse:

    Ou seja, moradores das cidades vizinhas terão de sofrer o mesmo tipo de “segregação” que ocorre com quem usa Vale-Transporte: um mesmo trajeto que poderia ser feito em menos tempo e com uma passagem, não é feito por questões políticas e obriga o trabalhador mais humilde ter que pagar mais…

  3. Pedro disse:

    Essa prefeitura é muito burra. Não existe sobreposição de linhas onde uma custa R$4,40 e a outra custa bem mais que isso. Quem usa a linha da SPTRANS, JAMAIS vai deixar de usar ela (mais barata) pra pegar uma mais cara

  4. Luis Nunez disse:

    Qual usuário das linhas de STrans, deixa de usar seu bilhete único que dá direito a inúmeras integrações, para usar um ônibus intermunicipal, para pagar mais caro na tarifa e que possui outro sistema de bilhetagem? Quem proibe na base da canetada, não sabe nem qual é a realidade de quem usa transporte publico. É simplesmente lamentável que não se tenha uma visão macro.

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