Empresários de ônibus do Rio de Janeiro dizem que volta às aulas pode agravar crise das viações
Publicado em: 28 de outubro de 2021
Segundo Rio Ônibus, situação atual do “setor inviabiliza a colocação de mais ônibus em operação”
ADAMO BAZANI
O Rio Ônibus, sindicato das empresas de ônibus municipais do Rio de Janeiro, divulgou nesta quinta-feira, 28 de agosto de 2021, nota dizendo que a volta às aulas de cerca de 250 mil alunos das redes municipal, estadual e federal de ensino pode agravar a crise financeira pela qual as companhias passam, que foi agravada pela pandemia de covid-19.
Segundo as viações, não há como colocar a “quantidade de veículos que possam absorver o fluxo dos alunos, sem que haja maiores prejuízos aos demais passageiros”.
Isso porque, de acordo com comunicado, os estudantes contam com gratuidades que não são subsidiadas, com todo o custeio dependendo da tarifa paga pelos usuários.
Ocorre, que ainda não houve a recuperação da demanda de antes da pandemia.
“Sem subsídio ou ajuda por parte do Município, as empresas não terão capacidade de manter o sistema em operação. Cada pessoa transportada gratuitamente gera custos para as empresas. Então, diante do atual panorama de estrangulamento financeiro, como fazer para conseguir transportar milhares de estudantes bem nos horários de pico?” – disse no comunicado o porta-voz do Rio Ônibus, Paulo Valente. (veja mais abaixo a nota na íntegra)
A entidade ainda cita outras situações que considera agravantes para a crise financeira do setor, como a “invasão dos transportadores ilegais especialmente nas Zonas Norte e Oeste”.
Como tem mostrado o Diário do Transporte, a situação do sistema de ônibus no Rio de Janeiro vem resultando em queda na qualidade dos serviços, fechamentos e pedidos de recuperação judicial por parte das empresas de transporte, e embates entre o poder público e as viações, tanto nas gestões do ex-prefeito Marcelo Crivella e do atual, Eduardo Paes.
Na manhã desta quinta-feira (28), a prefeitura do Rio de Janeiro publicou convocação para a reunião do Conselho do Fundo Municipal de Mobilidade Urbana Sustentável (FMUS), presidido pela secretária de Transportes, Maína Celidônio, agendada para 04 de novembro de 2021.
Entre os temas colocados na pauta está a caducidade parcial do SPPO (Sistema de Transporte Público por Ônibus).
Relembre:
Veja a nota do Rio Ônibus na íntegra:
Como transportar os 250 mil alunos das redes municipal, estadual e federal de ensino, que retornaram às aulas esta semana e utilizam diariamente as linhas de ônibus da cidade do Rio? A resposta é um desafio para os consórcios que operam o transporte coletivo, que passam por uma crise sem precedentes, potencializada pela queda de passageiros durante a pandemia. Ao contrário do que muitos pensam, os estudantes são transportados gratuitamente pelas empresas cariocas, que não recebem qualquer subsídio do poder público pelos embarques.
Com a demora na implementação de medidas de suporte ao setor, somado à invasão dos transportadores ilegais especialmente nas Zonas Norte e Oeste, que operam sem qualquer fiscalização por parte dos órgãos responsáveis, as empresas e consórcios têm aderido ao recurso da Recuperação Judicial para não encerrarem suas atividades, o que deixaria a população sem outra possibilidade além dos transportes clandestinos.
Com prejuízos acumulados de mais de R$2 bilhões na arrecadação só no Rio, é preciso que o poder concedente encontre uma solução que permita aos operadores oferecer novamente linhas e quantidade de veículos que possam absorver o fluxo dos alunos, sem que haja maiores prejuízos aos demais passageiros, que já têm passado dificuldades nos pontos de ônibus.
– A gratuidade de alunos da rede pública é um benefício de relevante importância para a sociedade, mas não pode ser responsabilidade dos concessionários. É preciso que se discuta o colapso na mobilidade com clareza e equilíbrio. Sem subsídio ou ajuda por parte do Município, as empresas não terão capacidade de manter o sistema em operação. Cada pessoa transportada gratuitamente gera custos para as empresas. Então, diante do atual panorama de estrangulamento financeiro, como fazer para conseguir transportar milhares de estudantes bem nos horários de pico? Esta é uma discussão que precisa da participação da população e da Prefeitura. Não é aceitável simplesmente que se esperem soluções mágicas dos transportadores. A Prefeitura sabe que a conta não fecha, como repetido várias vezes pelo próprio Prefeito Eduardo Paes, por isso não dá para se aguardar soluções para 2023, quando o problema ocorre hoje – avalia Paulo Valente, porta-voz do Rio Ônibus.
A retomada das aulas aconteceu exatamente na véspera de mais um aumento no custo do combustível. Apenas em 2021, o insumo básico para a operação dos ônibus já subiu 65,3%, incluindo o novo reajuste. Além disso, a invasão do transporte ilegal e por aplicativos sem fiscalização, o congelamento da tarifa há quase três anos e a falta de reequilíbrio econômico-financeiro prevista em contrato, têm sido os principais fatores para a crise atual no setor.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


APOCALIPSE ÉTICO E MORAL GENERALIZADO.Não tem outra definição.O RJ…..Mó-reu,como diria o Nerso da Capitinga.
Várias Vans circulando pela inteira, garfando passageiros do ônibus. Rodam em todas as regiões, muitas dessas Vans sequer apresentam condições mínimas de transitar com segurança.