ANTP pede a prefeito de Belo Horizonte que não sancione lei que extingue BHTRANS
Publicado em: 21 de outubro de 2021
Presidente da entidade destaca a importância das empresas públicas de transporte e trânsito, que foram fundamentais na construção dos principais sistemas de mobilidade urbana que o país tem hoje
ALEXANDRE PELEGI
O presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos – ANTP, Ailton Brasiliense Pires, encaminhou ao prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, um manifesto público em que a entidade, com 44 anos de história, se posiciona contra a extinção da BHTRANS, a tradicional Empresa de Transporte e Trânsito de Belo Horizonte.
Dizendo-se parceira da história que construiu importantes agências públicas de transporte e trânsito em todo o país, a Associação destaca a formação de toda uma leva generosa de brilhantes estudiosos e profissionais.
“A importância das contribuições desses técnicos para a área do transporte e trânsito é algo reconhecido mundialmente. Basta acompanhar a quantidade de consultorias e equipes brasileiras que prestam serviços de apoio a outros países, todos respeitados e equiparados ao que existe de mais avançado no segmento”, escreve Ailton Brasiliense.
Afirmando que um país sem transporte público coletivo é um país que aceita a imensa desigualdade que nos divide, o manifesto da ANTP destaca a crise do setor hoje, a pior da história, destacando que o desmanche de empresas como a BHTRANS “representa mais um golpe contra a essencialidade do transporte público”.
Leia a nota na íntegra:
“Um país sem transporte público é um país que aceita a imensa desigualdade que nos divide”…
É com imenso pesar que a ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos) acompanha o processo de desmonte e extinção da BHTRANS.
Com mais de quatro décadas de luta e existência, esta Associação participa não apenas de forma intensa da história do transporte no país, bem como e por isso mesmo, se sente responsável pelo nascimento e formação de entidades sérias e eficientes que permitiram ao transporte público coletivo não apenas manter sua importância e essencialidade nos municípios, como garantir qualidade técnica e responsabilidade pública a seus agentes.
A ANTP, por isso mesmo, é antes de tudo parceira desta história, por ter acompanhado em seus históricos Congressos os debates e estudos que possibilitaram o crescimento técnico e a formação de toda uma leva generosa de brilhantes estudiosos e profissionais.
A importância das contribuições desses técnicos para a área do transporte e trânsito é algo reconhecido mundialmente. Basta acompanhar a quantidade de consultorias e equipes brasileiras que prestam serviços de apoio a outros países, todos respeitados e equiparados ao que existe de mais avançado no segmento.
Desnecessário dizer que a maior parte dessa inteligência nasceu e foi desenvolvida no interior de agências e empresas públicas como a BHTRANS, ganhadora de vários prêmios nacionais na condição de gestora de transporte e trânsito.
Extinguir uma empresa pública desse porte é um crime não só contra a inteligência na qual o país tanto derramou significativos investimentos nas últimas décadas, como é um risco grave justo num momento em que o transporte público coletivo urbano vive sua pior crise da história.
Sem recursos, e agora sem inteligência, a extinção da BHTRANS representa mais um golpe contra a essencialidade do transporte público.
Um país sem transporte público coletivo é um país que aceita a imensa desigualdade que nos divide.
Sem transporte não há empregos, não há economia, não há educação…
Sem BHTRANS não há transporte de qualidade.
Logo, não mobilidade para os mais pobres, justamente os que mais precisam.
Ailton Brasiliense Pires, presidente da ANTP
Leia sobre o assunto:
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes



Comentários