Eletromobilidade

VLT na terra de Robin Hood aumenta multa para quem viaja sem passagem

Sistema de bondes de Nottingham, Inglaterra, aumentou de R$ 370 para R$ 520 a penalidade para quem não apresentar bilhete ou cartão transporte; no auge da pandemia, evasão chegou a 25%

ALEXANDRE PELEGI

Um dos grandes problemas dos sistemas abertos de transporte, como os VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos), é a evasão de tarifa.

O sistema sem catracas, em que o pagamento da passagem é espontâneo, é comum em países da Europa, e foi instituído também no Rio de Janeiro.

No Rio, a concessionária garante que nos cinco anos de operação a taxa dos que não pagam a tarifa tem ficado em torno de 11% em média, inferior ao dos sistemas de cidades na Europa.

Já a Tramlink Nottingham, operadora do VLT da cidade inglesa de Nottingham, alterou em 1º de outubro de 2021 a penalidade imposta a quem não tem um bilhete válido ao viajar em seus bondes. A multa foi aumentada de £ 50 para £ 70, algo como de R$ 370 para R$ 520. O objetivo, claro, é tentar reduzir ainda mais a quantidade de viagens sem pagamento.

Nottingham, famosa por ser a cidade berço de Robin Hood, o príncipe dos ladrões, possui um sistema de VLT de 32 quilômetros de extensão.

Com a redução das restrições impostas pela pandemia Covid-19 no início deste ano, os fiscais de viagens foram reintroduzidos na rede de bondes a partir de maio, para oferecer ajuda e assistência aos passageiros e verificar as passagens.

Como resultado, os dados coletados pelos oficiais a bordo mostraram que os níveis de evasão de tarifas, que estavam na casa de 25% dos passageiros em maio, despencaram para 5% em setembro.

Há quem apregoe que se o sistema de transporte é bom isso leva as pessoas a pagarem por ele sem imposições. Mas com o episódio da pandemia, que derrubou as receitas de todos os sistemas de transporte mundo, a preocupação em manter a sustentabilidade do negócio tornou-se maior.

Hoje os passageiros do sistema de Nottingham possuem uma variedade de métodos para comprar um bilhete antes de viajar, o que inclui máquinas automáticas (ATM) em cada parada de bonde, o Robin Hood Smartcard e o aplicativo NETGO!.

Além disso, há uma série de benefícios tarifários, com a disponibilidade de uma variedade de tipos de bilhetes diferentes para atender às várias necessidades, como a tarifa Short Hop (trechos curtos) de £ 1 (R$ 7,50); passes para a temporada do estudante; além de ingressos para eventos e o esquema “tram2work” destinado a passageiros que trabalham em empresas locais.

O CEO da Tramlink, Tim Hesketh, disse à mídia local que a empresa está encorajada com a queda contínua na evasão de tarifas, “mas 5% ainda é muito alto e é por isso que estamos aumentando a tarifa de penalidade como um impedimento adicional”.

Hesketh afirma que os evasores de tarifas são uma pequena minoria, mas suas ações minam os enormes esforços e investimentos que vêm sendo feitos para que Nottingham e a economia local se movam novamente.

Com tarifas a partir de apenas £ 1, nunca foi tão fácil comprar uma passagem, então nossa mensagem para os evasores de tarifas é simples – faça a coisa certa e pague para ajudar sua cidade”, finaliza o CEO da Tramlink.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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