Vendas de ônibus acumulam alta de 18,26% no primeiro semestre de 2021

Micro-ônibus de fretamento

Caminho da Escola e fretamento foram responsáveis por números positivos; Segundo semestre depende das políticas contra a covid-19

ADAMO BAZANI

Os emplacamentos de ônibus no primeiro semestre de 2021 acumulam alta de 18,26% em relação aos seis primeiros meses de 2020.

No período de janeiro a junho de 2020, foram comercializados para o mercado interno 7.876 ônibus e, em igual período de 2021, foram 9.314 emplacamentos.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 02 de julho de 2021, pela Fenabrave – Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores, que reúne as revendedoras em todo o País.

Apesar de ser positivo, o número ainda não inspira segurança para a indústria.

A economia depende mais do que nunca neste momento da situação da Saúde pública e do ritmo de vacinação contra a covid-19 que, no Brasil, apesar de estar aumentando, está bem abaixo do necessário e começou atrasado.

Os números refletem também situações pontuais que não devem se repetir no segundo semestre, em especial com os ônibus do programa Caminho da Escola.

As últimas unidades da licitação de 2019 foram emplacadas no primeiro semestre de 2021.

Como mostrou o Diário do Transporte, em 23 de junho de 2021, todos os lotes de modelos de ônibus do Caminho da Escola receberam propostas de fabricantes interessadas em fornecer os veículos pelos próximos dois anos.

As propostas somam R$ 2,25 bilhões (R$ 2.252.141.800,00).

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/06/24/propostas-para-os-sete-mil-onibus-do-caminho-da-escola-somam-r-225-bilhoes/

Entretanto, os emplacamentos desta nova licitação devem começara ganhar volume somente em 2022.

No primeiro semestre de 2021, se destacou também o segmento de fretamento, em especial o contínuo, apesar de o volume não ser tão grande.

Diversas empresas que contratam ônibus fretados para o transporte de funcionários seguiram regras de distanciamento como, por exemplo, a alternância entre uma poltrona ocupada e outra vazia, o que demandou por mais veículos para transportar o mesmo número de pessoas.

Ocorre que boa parte destas vendas já ocorreu e, no segundo semestre, com maior imunização, estas regras de distanciamento devem aos poucos ser abolidas, voltando à necessidade anterior de frota menor.

Os segmentos que ainda precisam reagir são dos ônibus urbanos, rodoviários de linhas regulares e de turismo.

Neste caso, recuperar passageiros vai depender da segurança das pessoas em se locomover, o que só vai vir pela vacinação da população.

Especificamente quanto aos veículos urbanos, não basta apenas recuperar passageiros (o que é fundamental), mas serão necessários acordos entre o poder público e as empresas de ônibus quanto aos reequilíbrios econômicos dos contratos.

O governo Jair Bolsonaro negou no fim de 2020 um socorro ao setor de transportes ao vetar integralmente um projeto de lei que previa R$ 4 bilhões para manter os sistemas de ônibus, trens e metrô em cidades acima de 200 mil habitantes.

Os números da Fenabrave ainda mostram que entre maio e junho de 2021, houve queda de 6,96% nas vendas de ônibus, com 1.897 unidades de maio ante 1.765 de junho.

Já na comparação entre os meses de junho, a alta foi de 35,77%, com 1.765 unidades em junho de 2021 e 1.300 em junho de 2020.

MARCAS:

No acumulado do semestre, a Mercedes-Benz lidera o ranking com 47,11% de participação no mercado ao ter registrado emplacamentos de 4.388 ônibus. Em junho, a marca lidera com 911 coletivos e 51,61% de participação.

Em segundo lugar vem a Volkswagen Caminhões & Ônibus com 25,07% de mercado no acumulado (2.335 unidades) e Marcopolo está em terceiro com 1.488 veículos e 15,98% de participação (considera os miniônibus Volare que são vendidos já montados).

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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