Eletromobilidade

São Paulo apresenta plano de mudanças climáticas para zerar emissões de GEE até 2050; Ônibus menos poluentes no foco

Prefeito Ricardo Nunes em apresentação nesta quinta-feira, 03 de junho de 2021

PlanClima SP foi desenvolvido em parceria com a rede internacional de cidades C40

ADAMO BAZANI

Colaboraram Alexandre Pelegi e Willian Moreira

OUÇA NESTE BOTÃO DE ÁUDIO ABAIXO:

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, apresentou no início da tarde desta quinta-feira, 03 de junho de 2021, o PlanClima SP (Plano de Ação Climática do Município de São Paulo) com o objetivo de adequar a cidade à necessidade de reduzir a geração de poluentes diante do quadro de mudanças climáticas em todo o mundo.

O programa foi desenvolvido em parceria com a rede internacional de cidades C40 e vai contar com 43 ações que têm o objetivo de zerar as emissões de GEE (Gases de Efeito Estufa) até 2050. O plano se adequa ao Acordo de Paris, de 2015, com metas para impedir que as temperatura do planeta suba para patamares superiores a 1,5 grau.

Entre as estratégias estão previstas ações para reduzir a demanda por serviços de transportes de passageiros e de carga, com a diminuição das necessidades de deslocamentos pela cidade.

O plano também cita a intenção de “melhorar a caminhabilidade no percurso ao ponto de ônibus” e de “aumentar a atratividade do sistema municipal de ônibus de maneira a promover esse modo de transporte”.

As maiores emissões de GEE em São Paulo vêm dos transportes e, segundo a apresentação, neste segmento, o nível de emissão cresceu de 8,36 milhões de toneladas em 2010 para 9,57 milhões de toneladas em 2017.

Se o ritmo de crescimento continuar, a ampliação das emissões pelos transportes será de até 120% em 2050, considerando o período iniciado em 2017.

Em resposta ao Diário do Transporte, que participou da coletiva, Nunes disse que até 2029, os ônibus na cidade de São Paulo deverão emitir 53% menos gás carbônico e que somente neste ano de 2021,são 660 novos ônibus (a grande maioria a diesel – tecnologia Euro V, mas que poluem menos que os modelos mais antigos Euro 3).

“Nós já temos 17 ônibus 100% elétricos, temos 201 trólebus. Esse ano em 2021 nós já temos 660 novos ônibus com uma atuação menos poluente, são novas tecnologias menos poluentes. Você sabe que eles têm dez anos a partir de 2019, portanto até 2029 para fazer a redução de 53% da emissão de gás carbônico, ou seja, tem o compromisso da cidade de São Paulo nessa área que é muito importante do transporte tanto coletivo como de todos os veículos nessa cidade”

O prefeito ainda prosseguiu dizendo que o plano de redução de emissões pelos ônibus tem de ser “realizável”

“Uma cidade tão grande quando a gente tem 62% da emissão de gás carbônico que é proveniente deste setor, portanto a Prefeitura de São Paulo tem sim um plano muito claro, objetivo, mas que seja realizável para a redução de gás carbônico e portanto em sintonia com o nosso plano municipal, o PlanClima”, disse o Prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes ainda em resposta ao Diário do Transporte.

FROTA DE ÔNIBUS COM EMISSÕES REDUZIDAS:

Segundo a SPTrans (São Paulo Transporte), que gerencia os ônibus na capital paulista, a frota contratada do sistema municipal é de 13.945 coletivos (dados de maio de 2021), considerando veículos em operação e de reserva.

Deste total, apenas 218 ônibus têm tração elétrica, sendo 17 com baterias da empresa Transwolff, que atende à zona Sul, e 201 trólebus (conectados à rede aérea) da empresa Ambiental Transportes Urbanos (Consorcio Transvida), que operam entre o centro e partes da zona Leste, Sudeste e Oeste.

Em 17 de janeiro de 2018, o então prefeito João Doria (hoje governador) promulgou a lei 16.802 que altera a Lei 14.933, de 2009, chamada de Lei de Mudanças Climáticas.

A “nova lei” determinou reduções de emissões de poluição pelos ônibus de São Paulo devem ser de acordo com o tipo de poluente até 2027 e até 2037. Assim, não será exigido um tipo de ônibus, muito embora ao fim do prazo, na prática, somente os modelos elétricos, trólebus a hidrogênio poderão atender algumas exigências.

Até 2027, as reduções de CO2 (gás carbônico) devem ser de 50%; e de 100%, até 2037. Já as reduções de MP (materiais particulados) devem ser de 90% até 2027 e de 95% até 2037.

As emissões de Óxidos de Nitrogênio devem ser de 80% até 2027; e de 95% até 2037.

Entretanto, além destas exigências, os contratos com as viações trazem metas anuais de redução de emissões e troca de frota.

Empresas de ônibus se queixam dos altos custos das novas tecnologias e o que alegam de falta de disponibilidade no mercado para atender às necessidades do volume de renovação de frota da capital paulista.

No caso de ônibus elétricos, são dois fornecedores atuais no Brasil: BYD, com planta em Campinas, no interior paulista; e Eletra Industrial; com sede em São Bernardo do Campo, região do ABC Paulista, na Grande São Paulo.

No caso dos híbridos (um motor a combustão e outro elétrico no mesmo veículo), trabalham com esta tecnologia a Eletra e a Volvo, com sede em Curitiba (PR).

Em relação ao Gás Natural, a fabricante é a Scania, em São Bernardo do Campo.

A Mercedes-Benz, maior fornecedora de ônibus da cidade de São Paulo, não fabrica modelos alternativos ao diesel no Brasil, mas tem sido propagadora do HVO – Hydrogenated Vegetable Oil, um biodiesel hidrogenado, que pode ser usado nos modelos atuais.

O HVO, entretanto, ainda não é fabricado e homologado no Brasil.

A Volkswagen Caminhões e Ônibus, com sede em Resende (RJ), segunda maior montadora de ônibus do Brasil, apesar de produzir um caminhão de pequeno porte elétrico (e-Delivery) e ter apresentado um ônibus com tração elétrica, a empresa não produz no Brasil ônibus elétricos já comercialmente. Na Europa, o grupo da Volkswagen disponibiliza ônibus elétricos e híbridos.

A Agrale também não produz ônibus elétricos em linha para o mercado interno e, a Iveco, apesar de na Europa disponibilizar trólebus, ônibus elétricos e ônibus a gás, para o Brasil, se limita a vender ônibus a diesel.

NOVOS PRAZOS PARA RENOVAÇÃO DE FROTA POR CAUSA DA PANDEMIA:

Como mostrou o Diário do Transporte, por meio de portaria de 24 de março de 2020, a SMT – Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes mudou ou suspendeu uma série de exigências às empresas de ônibus, além de alterar multas às viações e pontos da remuneração.

A idade média dos ônibus na cidade foi elevada dos atuais cinco anos previstos em contrato para sete anos até 30 de abril de 2022.

Foi definido um novo cronograma de substituição de ônibus:

De forma excepcional, o cronograma de renovação dos veículos fica estendido para:

– até 31 de dezembro de 2020, para aqueles que deveriam ser baixados até 30 de junho de 2020;

– até 31 de agosto de 2021, para aqueles que deveriam ser baixados até 31 de dezembro de 2020;

– até 30 de abril de 2022, para aqueles que deveriam ser baixados até 31 de dezembro de 2021.

As 43 ações são:

Rumo ao carbono zero em 2050

  1. Regulamentar a adoção de critérios de eficiência energética nas edificações de acordo com os programas nacionais de conservação de energia.
  2. Elaborar estudos sobre padrões de consumo energético no Município de São Paulo, para a adoção de medidas gerais de eficiência energética.
  3. Mobilizar esforços para fomentar a produção e a distribuição de energia proveniente de fontes renováveis e a geração distribuída, bem como a melhoria da eficiência energética de equipamentos.
  4. Implementar critérios e indicadores de eficiência energética na aquisição de bens, contratação de serviços ou obras pela administração pública municipal.
  5. Estabelecer norma para aperfeiçoamento das medidas de ventilação e iluminação natural nos empreendimentos habitacionais de interesse social (HIS).
  6. Fomentar a redução das distâncias casa-trabalho de modo a minimizar a demanda por serviços de transporte.

 

  1. Aumentar a atratividade do sistema municipal de ônibus de maneira a promover esse modo de transporte.
  2. Fomentar o uso da bicicleta como meio usual de transporte, por meio da expansão da infraestrutura e estratégias de sensibilização e comunicação.
  3. Promover a substituição gradativa das frotas de ônibus municipais para veículos zero emissões.
  4. Instituir Zona Zero Emissão no perímetro do Minianel Viário.
  5. Garantir que 100% da frota utilizada pela Prefeitura (ou terceirizada) seja zero emissões em 2040.
  6. Instituir legislação de fomento à distribuição de carga fracionada com veículos zero emissões dentro do perímetro da cidade.
  7. Implantação de uma rede de miniterminais logísticos (MTL) em parceria com a iniciativa privada.
  8. Aperfeiçoar a regulamentação sobre compartilhamento, estacionamento e recarga de veículos elétricos ou zero emissões.
  9. Universalizar a cobertura do serviço de coleta seletiva de resíduos secos.
  10. Maximizar os processos de compostagem.
  11. Implantar ecoparques.
  12. Incluir no mandato da Autoridade Hídrica Municipal, em processo de estruturação, a realização de reporte periódico de dados de operação e de monitoramento de atividades geradoras de gases de efeito estufa, especialmente em relação a esgoto, pela concessionária dos serviços de água e esgoto.

Adaptar a cidade de hoje para o amanhã

  1. Promover a melhoria da qualidade ambiental do Município de São Paulo na perspectiva dos impactos da mudança do clima.
  2. Aperfeiçoar o monitoramento da aplicação, eficiência e eficácia dos instrumentos urbanísticos utilizados com a finalidade de promover a mitigação de emissões de gases de efeito estufa e a adaptação aos impactos da mudança do clima, bem como a adoção de fontes renováveis de energia e a construção sustentável.
  3. Incrementar o provimento habitacional para população de baixa renda.

 

  1. Aumentar a área permeável dos equipamentos e espaços públicos novos e existentes.
  2. Incrementar o uso de soluções baseadas na natureza (SbN) nas obras da infraestrutura de drenagem.
  3. Requalificar os espaços públicos viários de modo a favorecer a caminhabilidade, as atividades ao ar livre, a cultura e a convivência.
  4. Mapear zonas críticas inundáveis, adotando a perspectiva da ocorrência de eventos climáticos extremos e objetivando sua incorporação à Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo.
  5. Dar seguimento ao Programa Córrego Limpo.
  6. Incluir análise de vulnerabilidade climática e estratégias de mitigação das emissões de GEE e adaptação aos impactos da mudança do clima nos empreendimentos sujeitos a licenciamento ambiental ou estudo de impacto de vizinhança.
  7. Estabelecer critérios que permitam e orientem a destinação de recursos dos fundos municipais para ações de mitigação e adaptação à mudança do clima.
  8. Fortalecer a governança do Sistema Municipal de Defesa Civil para uma gestão intersetorial e transversal da redução de risco e de desastres.

Proteger pessoas e bens

  1. Criar o Plano de Contingência de Seca, adotando as medidas para sua operação.
  2. Ampliar medidas de adaptação e fortalecer a capacidade de preparação e resposta dos serviços de saúde em situações de eventos extremos, com ênfase na população vulnerável residente nas áreas periféricas.
  3. Atualizar anualmente o Plano Municipal de Contingência de Arboviroses para aperfeiçoar as ações de enfrentamento dos riscos associados à mudança do clima.
  4. Fortalecer o Programa VigiAr.
  5. Expandir o Programa Ambientes Verdes e Saudáveis (PAVS) para todas as unidades básicas de saúde (UBS), ampliando a incorporação das questões da mudança do clima.
  6. Combater o desperdício de alimentos e aumentar a segurança alimentar em todo o Município.
  7. Aperfeiçoar os protocolos de paralisação preventiva do sistema de mobilidade, inclusive com alertas, no caso de eventos climáticos extremos.

Mata Atlântica, precisamos de você!

  1. Promover o plantio de árvores nativas resilientes às mudanças climáticas de maneira a proteger a biodiversidade e promover a melhoria do conforto térmico na cidade.
  2. Fortalecer os meios e os instrumentos de conservação da biodiversidade, do capital natural e dos serviços ecossistêmicos e ambientais.
  3. Proteger e requalificar nascentes e cursos d’água.

Gerar trabalho e riqueza sustentáveis

  1. Mobilizar esforços para promover o desenvolvimento socioeconômico e a melhoria da qualidade de vida no Município de São Paulo sob a perspectiva de uma economia circular e carbono zero.
  2. Promover e aprofundar a temática da mudança do clima nas ações da Política Municipal de Educação Ambiental, fortalecendo sua implantação e ampliando os públicos-alvo.
  3. Fortalecer as atividades econômicas ambiental e socialmente sustentáveis na zona rural do Município de São Paulo, em especial a produção local, familiar e orgânica de alimentos.
  4. Fomentar estratégias de agricultura urbana orgânica.

Veja a apresentação na íntegra:

 

 

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Colaboraram Alexandre Pelegi e Willian Moreira

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Comentários

Comentários

  1. Mauricio disse:

    Legal, mas porque sempre deixam de fora o maior veículo poluidor de todos, os CAMINHÕES? Será porque envolve uma política de interesses bem “complicada” ? Sem contar CAMINHÕES totalmente sem manutenção e que acabam com o ar e a saúde das pessoas. Vamos incluir aí no TAL plano se a ideia for mesmo pensar na população

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