Ataque a dois ônibus no Grajaú causou prejuízos de R$ 600 mil e afetou 1,6 mil passageiros por veículo ao dia

Unm dos coletivos usados como barricada pelos bandidos

Segundo diretor de Relações Institucionais da Transwolff, Nivaldo Azevedo, além de danos financeiros, crimes deste tipo causam sequelas psicológicas em motoristas; Reposição de ônibus pode demorar de três a seis meses

ADAMO BAZANI

Ser motorista de ônibus, ainda mais em cidades como São Paulo, não é nada fácil: trânsito complicado, enchentes em dias de chuva forte, passageiros nem sempre educados, entre outros aspectos que tornam da profissão uma das mais estressantes do Brasil, de acordo com estudos dos ministérios da Saúde e do Trabalho.

Entretanto, em algumas linhas, nada mais tem deixado apreensivos os profissionais do volante que os ataques a ônibus feitos por criminosos, que brutalmente retiram os trabalhadores dos veículos, depredam e incendiam.

Nesta quinta-feira, 20 de maio de 2021, como mostrou o Diário do Transporte, durante a ação de 15 criminosos que roubaram o caixa eletrônico de um supermercado na região do Grajaú, na zona Sul de São Paulo, dois ônibus foram parados e queimados.

Segundo a SPTrans, que gerencia os transportes na capital paulista, os ônibus municipais de prefixo 66.222, da linha 6078/10 Cantinho do Céu – Shop. Interlagos, e 66.323, da linha 6115/10 Cantinho do Céu – Term. Grajaú, foram incendiados por volta das 4h desta quinta-feira, 20 de maio, na Rua Rubens de Oliveira, 318, no Pq. Res. Cocaia, após uma ocorrência policial.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/05/20/ataque-de-bandidos-a-onibus-e-a-caixa-eletronico-provoca-desvios-em-sete-linhas-na-zona-sul-de-sao-paulo/

Nesta sexta-feira, 21 de maio de 2021, o Diário do Transporte conversou com o diretor de Relações Institucionais da Transwolff, empresa que atende à região, Nivaldo Azevedo, que contou que o prejuízo com a destruição dos veículos foi de mais de R$ 600 mil.

Os ônibus tinha ar-condicionado, wi-fi para acesso à internet, carregadores USB para celulares, vidros colados, entre outros itens

“Por dia, cada ônibus deste tipo transporta uma média de 800 pessoas. Assim, só por causa dessa ação, diretamente, mais de 1,6 mil pessoas são afetadas diretamente, mas na prática é muito mais, porque há interrupções e desvios até as ocorrências serem resolvidas” – disse Nivaldo que ainda acrescentou que uma das maiores dificuldades é a reposição dos veículos.

“A gente usa os ônibus da reserva, mas aí, é a reserva que fica com menos ônibus. Então temos de comprar para substituir, mas diferentemente de carro, que tem pronto na concessionária, a compra de ônibus é demorada. É adquirido o chassi e a carroceria é comprada à parte para ser montada sobre esse chassi” – explicou.

Entre o pedido inicial e a entrega de um ônibus, pode haver a demora entre três e seis meses dependendo do modelo e do momento da indústria.

Nesta fase de pandemia, por exemplo, quando as fabricantes afastaram parte dos funcionários e têm encontrado dificuldades de encontrar peças e insumos para produção, a demora pode ser até maior.

Além dos impactos financeiros e operacionais, os ataques a ônibus trazem uma consequência ainda mais grave: as sequelas psicológicas nos profissionais de transportes.

“São vários os casos de motoristas que se afastam, não querem mais trabalhar por medo, em todas as empresas. Pode-se destruir com a vida de um profissional. Nós damos o apoio necessário, mas há situações difíceis mesmo” – finalizou.

A Polícia ainda procura os criminosos.

Também na zona Sul de São Paulo, dois ônibus de outra empresa foram atacados nesta semana.

Os veículos faziam a linha 6820/10 Jd. das Rosas – Term. Capelinha, quando foram parados no Jardim Irene. Um dos veículos foi queimado e outro depredado na terça-feira, 18 de maio de 2021.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/05/18/dois-onibus-sao-atacados-na-zona-sul-de-sao-paulo-nesta-terca-18/

Neste caso, os veículos foram queimados por um bando após um protesto contra a morte de um jovem pela polícia, cujo possível excesso do policial está sendo investigado.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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