Eletromobilidade

Milão terá primeiro trólebus com tecnologia 5G

Trólebus da Linha 90/91, tradicional em Milão

Primeira etapa do projeto otimizará os processos de mobilidade para a direção assistida na gestão de semáforos e cruzamentos

ALEXANDRE PELEGI

Está nascendo em Milão, na Itália, o Tech Bus, primeiro trólebus desenvolvido através de um projeto inovador de pesquisa em mobilidade que implementa tecnologias de nuvem híbrida conectadas à rede 5G para direção assistida.

Participam do projeto proposto pela Azienda Trasporti Milanes – ATM e pela universidade Politecnico di Milano, a Vodafone (operadora de telefonia celular), a IBM e a Fundação Politécnica de Milão.

A ATM é a agência que administra a rede de transportes públicos, que engloba metrô, ônibus, bonde, ônibus elétrico e bicicleta.

Os testes para desenvolver e construir esse tipo de mobilidade inteligente, conectada, elétrica e semiautônoma começaram em um veículo da linha 90/91. Esta linha é toda operada por trólebus, e a maior parte do percurso ocorre em uma faixa preferencial dedicada, o que favorece os testes. Ela percorre o anel viário externo da cidade, sendo assim o circuito mais longo.

Os primeiros sensores serão instalados no trólebus para detectar o desempenho e fazer o veículo se comunicar com a via e tudo ao seu redor.

Graças à rede Vodafone 5G e às interfaces de aplicação IBM, será possível o diálogo e intercâmbio contínuo de informações entre o veículo e a infraestrutura viária.

Serão despendidos alguns anos de experimentação para avaliar o efeito da direção assistida e abrir caminho para a direção automática, como por exemplo já acontece com a linha 5 do metrô de Milão, mas que circula em circuito fechado sem variáveis ​​ao redor.

Em declaração ao jornal Corriere della Sera, Edoardo Sabbioni e Federico Cheli, dois pesquisadores do Departamento de Mecânica do Politécnico de Milão, disseram que o processo será longo e envolverá várias etapas.

O projeto começa com sistemas que já estão em operação em muitos carros particulares, e a proposta é desenvolvê-los para no futuro limitar o número de acidentes ao máximo. O CEO da ATM, Arrigo Giana, disse ao Corriere que este é um desafio que, junto com a sustentabilidade, representa um dos pilares em que os investimentos da estatal estão concentrados.

A primeira etapa do projeto objetiva otimizar os processos de mobilidade para a direção assistida na gestão de semáforos e cruzamentos, para melhorar a regularidade e frequência de circulação dos veículos.

As vantagens prioritárias detectadas nas primeiras áreas de desenvolvimento do projeto envolvem os seguintes itens:

Interferência semafórica – os sensores fornecem ao motorista o estado dos semáforos ao longo do percurso. Informam a velocidade adequada para que ele sincronize com a onda do semáforo verde, o que melhora o conforto do passageiro e a eficiência do serviço. Está previsto ainda o desenvolvimento de um sistema de controle dinâmico da sinalização semafórica na rede 5G. Isso permitirá dar prioridade aos trólebus por exemplo durante os horários de pico ou em caso de atraso no horário.

Gestão de cruzamentos e informações de trânsito – Os algoritmos que processam imagens de vídeo e informações coletadas por sensores ao longo da via em tempo real possibilitarão notificar o motorista e o trólebus da presença de obstáculos obstruindo o caminho, de um veículo que possa estar vindo na próxima interseção, ou avisar quando pedestres se aproximarem da próxima faixa de travessia. Nestas situações o motorista do trólebus, graças a um monitor junto à direção do veículo, será alertado por um sinal visual ou acústico e pode, assim, prestar especial atenção ao prosseguir em sua viagem.

Controle de paradas – A instrumentação tecnológica presente nos abrigos informa ao motorista, por exemplo, quantos passageiros estão esperando, se a área ao redor da parada é totalmente acessível e qual é o fluxo de passageiros que estão entrando e saindo do trólebus. Além disso, é possível enviar informações sobre o estado de carga do veículo do trólebus para o abrigo.

Para o CEO da IBM Itália, Stefano Rebattoni, o projeto do Tech Bus “é a demonstração de que a combinação de habilidades humanas e tecnologias exponenciais, como inteligência artificial e a internet das coisas, pode produzir benefícios concretos e substanciais para cada um de nós”, disse o executivo em declaração ao Portal Ityaly24News. “Temos orgulho de ter contribuído com as soluções e habilidades da IBM para o desenvolvimento de um ecossistema público-privado em apoio ao crescimento sustentável de Milão e, consequentemente, de nosso país”, completou Rebattoni.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

Com informações do jornal Corriere de la Sera, e do portal Italy24News

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