Empresas de ônibus do Rio de Janeiro demitiram 21 mil funcionários com 16 viações fechadas desde 2015

Empresa Acari operava desde os anos 1960

Somente desde o início da pandemia foram mais de seis mil cortes de empregos

ADAMO BAZANI

Em torno de 21 mil funcionários de empresas de ônibus no Rio de Janeiro foram demitidos desde 2015, mesmo período em que 16 viações fecharam as portas.

O levantamento é do Rio Ônibus, que representa as empresas na cidade, e foi divulgado nesta quinta-feira, 29 de abril de 2021.

Somente do início da pandemia de covid-19 no Brasil, reconhecida em março de 2020, até agora, foram mais de seis mil rodoviários demitidos.

Nesta quarta-feira, 28 de abril de 2021, o Diário do Transporte noticiou que a Viação Acari foi a mais recente empresa de ônibus a anunciar o encerramento das atividades.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/04/28/viacao-acari-do-rio-de-janeiro-comunica-que-vai-fechar-as-portas/

Ainda de acordo com o Rio Ônibus, atualmente o setor conta com 19 mil funcionários, menos da metade do que tinha em 2015 e a estimativa da entidade é que o número de desempregados aumente “caso o poder concedente não apresente soluções para as deficiências nas regras de custeio da operação e manutenção do transporte público rodoviário.”

O sindicato das viações atribuiu os fechamentos e as demissões ao desequilíbrio econômico financeiro do setor, que não conta com qualquer auxílio do Poder Público ante a queda no número de passageiros pagantes.

Em nota, o Rio Ônibus elenca uma série de fatores que podem explicar os números negativos do setor na sua visão.

“A atual realidade é resultado de diversos fatores, que, juntos, geram total desequilíbrio ao planejamento da mobilidade urbana carioca. Há muitos item a serem levados em conta, como a falta de auxílios emergenciais do governo desde o início da pandemia; o aumento sem controle e sem fiscalização das vans que fazem o transporte clandestino e dos veículos de aplicativos sem regulamentação; além da queda na receita das empresas de ônibus em pelo menos 50%; que se somam a questões crônicas, dentre as quais o não ressarcimento pelas gratuidades (20% do total de pessoas transportadas); o congelamento há quase 30 meses da tarifa em R$ 4,05 (uma das mais baratas do país); as péssimas condições viárias e mobiliário urbano degradado; bem como a falta de investimentos em segurança pública, que resulta em vandalismo, incêndios, paralisações e sequestros de veículos por criminosos em diferentes pontos da cidade.”

Na mesma nota o porta-voz do Rio Ônibus, Paulo Valente, diz que o transporte por ônibus na capital fluminense deve ser reorganizado com o debate envolvendo sociedade civil, Ministério Público, especialistas, Judiciário e integrantes dos poderes Executivo e Legislativo municipais.

“A cidade passa por um grande problema estrutural e sistêmico, que tende a levar outras empresas a fecharem as portas. Com isso, passageiros ficam sem ônibus e mais rodoviários sem emprego a cada ano. O setor pede ajuda sistematicamente ao Poder Público e alerta a sociedade sobre suas necessidades e deficiências. Sofremos os impactos da mesma forma que toda a economia, mas sem nenhuma compreensão ou ajuda dos governos”

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Comentários

  1. carlos souza disse:

    Agora é só decretar a extinção total do estado do RJ e deixar tudo 100% inabitável e desértico.Porque a situação desse estado que só perdia em tradição para SP é apocalíptica.Phyodhew de vez.

  2. Concordo Carlos Souza…e te digo mais…se nada for feito e nada está sendo feito mesmo…o Hell de Janeiro diz: Brasil, eu sou você amanhã…salve-se quem puder!!!!!!

Deixe uma resposta