História

Morre Kaio Castro criador da VVR e do Primeiro Clube do Ônibus Antigo Brasileiro

Uma das mais importantes figuras na luta pela preservação da memória do ônibus no País lutava contra um câncer e foi acometido pela covid-19 durante tratamento

ADAMO BAZANI

Morreu no fim da noite desta segunda-feira, 26 de abril de 2021, o fundador do Primeiro Clube do Ônibus Antigo Brasileiro e criador do evento VVR (Viver, Ver e Rever), uma das mais tradicionais exposições de veículos pesados antigos, Antônio Kaio Castro, aos 68 anos de idade.

Kaio estava internado há cerca de duas semanas em São José dos Campos, no interior paulista.

O memorialista se tratava de um câncer reincidente e, durante o tratamento, se recuperava bem para a realização de um transplante, mas foi acometido pela covid-19.

O enterro foi marcado para 14h30, em Taubaté, mas restrito a duas pessoas da família (uma sobrinha e o marido).

De acordo com o sobrinho-neto, Alex Cunha, Kaio Castro foi o grande inspirador nos negócios e na vida.

“Ele foi meu tutor, meu segundo pai. Esteve presente em várias etapas da minha vida, quando vim para São Paulo, junto à empresa, nos meus estudos. E sempre suas frases de otimismo e força eram lições” – disse

O empresário Luís Cláudio da Cunha Saad, sócio da Expresso Redenção, lembra do entusiasmo de Kaio em diversos momentos.

“O Kaio sempre foi uma pessoa que nos colocava para cima, para frente. Era um apaixonado pelo que fazia e sua admiração pelo transporte foi além dos muros da garagem” – lembrou

O amigo Fermino Kozak, que atua no segmento de comercialização de ônibus há mais de 50 anos, destaca a importância de Kaio para a memória do setor de transportes.

“O Kaio foi um guerreiro para a manutenção da memória do ônibus no Brasil e seu trabalho deu frutos. Muito da memória do transporte que não se perdeu se deve a ele” – comentou

Todas estas entrevistas foram concedidas ao Diário do Transporte.

Kaio iniciou a carreira na área de transportes na Expresso Redenção, em Taubaté, também no interior paulista, no final dos  anos de 1980, quando a empresa se expandiu para a capital .

A ideia da VVR surgiu em 2003 pela paixão por veículos antigos que Kaio sempre cultivou. Na época, o profissional gerenciava a filial na cidade de São Paulo da empresa de fretamento Expresso Redenção, que tem sede em Taubaté, no interior paulista.

Kaio havia percebido que existiam eventos de carros antigos, mas não de ônibus. Como tinha contato com outras empresas, foi “garimpando” verdadeiros tesouros nas garagens. Muitos empresários guardavam e restauravam modelos antigos que, ao contarem as memórias dos seus negócios, retratavam também a história das regiões onde prestavam serviços.

Em maio 2004, ocorreu a primeira exposição na garagem da Expresso Redenção. O evento foi crescendo até que em 2007 começou a ser realizado no Memorial da América Latina, na zona Oeste de São Paulo. A VVR faz parte do Calendário Turístico Oficial desde 04 de maio de 2011, quando o então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, aprovou projeto de lei 1295, de 2009, à época do deputado Bruno Covas, hoje prefeito de São Paulo.

Kaio conta que a VVR começou a dar frutos e hoje são realizados diversos eventos semelhantes em todo o País, como no interior de Minas Gerais e, em Nova Hamburgo, no Rio Grande do Sul.

Relembre algumas imagens de Kaio. com uma entrevista em vídeo de 2013 e a VVR em anos diferentes por fotos

Da esquerda para a direita: o entusiasta André, o motorista Ricieli Antunes, o presidente do Primeiro Clube do Ônibus Antigo Brasileiro, Antônio Kaio Castro, o repórter Adamo Bazani e o gerente da filial da Cometa de Juiz de Fora, Bruno Silva. Foto: Sacramento

Na foto, repórter Adamo Bazani, a funcionária da Cometa Adriana, e o presidente do Primeiro Clube do ônibus Antigo Brasileiro. Foto: Amigos Colecionadores e Entusiastas

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Assine

Receba notícias do site por e-mail

Comentários

Comentários

  1. Cícero Júnior disse:

    Meus sentimentos, uma imensa perda no resgate da história e evolução dos transportes. Kaio gostava de fazer isso.

  2. MARIO CUSTÓDIO disse:

    INACREDITÁVEL. Impressionante mesmo a passagem de mais um dos expoentes do resgate histórico por ônibus. Sem palavras. Nossos sentimentos à família enlutada. MARIO CUSTÓDIO

  3. João Luis Garcia disse:

    Perdemos uma grande pessoa e amigo, fez muito pela memória dos ônibus e das empresas de transportes de passageiros de todo o País
    Infelizmente deixa-nos, que Deus possa confortar a todos os seus familiares

  4. Que triste! Meus sentimentos à família!

  5. Marcos Cesar Novo disse:

    Uma parte da história do fretamento. Muito grato pelo apoio no inicio da minha carreira

  6. Roberto Zulkiewicz disse:

    Era uma pessoa dedicada ao hobby de ônibus antigo, que será sempre lembrada pelos amigos que tinha. Agora tomou o ônibus rumo ao plano espiritual. Siga em paz!

  7. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    “Pela obra se conhece o autor”

    E Kaio Kastro materializou a sua obra a VVR.

    Lembro que eu fui na 1a VVR na garagem da Redenção em São Paulo.

    Meus sentimentos à família Kastro.

    Att,

    Paulo Gil

  8. Meu grande pesar à família, e a familia dos transportes…..fica o legado!

  9. Ismael Junior disse:

    Será que essa pandemia um dia tem fim? Creio eu que ninguém aguenta mais

  10. Siqueira disse:

    Deixo aqui minhas condolências aos familiares. Com muita tristeza comento a perca de uma pessoa que muito contribuiu pela divulgação física da história, no setor de transporte que tanto contribuiu para o desenvolvimento e progresso do nosso país. O transporte interestadual de passageiro, o qual ainda faço parte ficaria sem sua memória se não fosse o esforço e dedicação desse que tanto lutou para a realização de um trabalho que trouxe a tona, a verdadeira história dos ônibus, os uniformes e serviços praticados neste setor ao longo dos anos.
    Sem a realização desse projeto, muitos admiradores não alcançaria seus objetivos que é a memória rodoviária. Esta ficaria acometida de uma lacuna, onde os personagens da história não estaria presente para os relatos pessoais desses, Como autores e parte desse contexto que com orgulho relembra e faz conhecer. Meu sincero agradecimento a quem muito fez à história .
    O Sr. kaio Kastro.

Deixe uma resposta para Ismael Junior Cancelar resposta