ÁUDIO: Setores econômicos ainda estão em conversa sobre escalonamento de trabalhadores e Rodrigo Garcia diz que não pode haver obrigatoriedade

Posição do vice-governador e secretário de Governo contraria pedido de secretário de Transportes que quer que recomendação se torne determinação

ADAMO BAZANI

Colaborou Willian Moreira

No primeiro dia de fase emergencial mais restritiva contra o avanço da covid-19, ônibus, trens e metrô, tanto em trajetos metropolitanos como em municipais estiveram lotados nesta segunda-feira, 15 de março de 2021, mesmo com a recomendação do Governo do Estado para que os setores econômicos permitidos de funcionar escalonem os horários de entrada dos trabalhadores.

Na prática, o escalonamento não pegou ainda.

Em entrevista coletiva ao lado do governador João Doria, a secretária de Desenvolvimento Econômico do Estado, Patrícia Ellen, disse no início da tarde que os principais setores que mais mobilizam trabalhadores no transporte público ainda vão apresentar planos de entrada e saída de trabalhadores em até 24 horas.

“Nós estamos trabalhando com os setores que concentram maior contingente de funcionários para aplicarmos suas propostas de escalonamento. Já temos a proposta oficial da Apas, a Associação dos Supermercados, nós temos também uma discussão em fase final com as responsáveis pelas empresas de call center e com a indústria. Este foram os três primeiros setores que priorizamos porque concentram grandes contingentes de funcionários e a ideia é que em 24 horas nós tenhamos essas propostas finalizadas, mas eles já estão hoje trabalhando com regime diferenciado e estamos atuando com todos eles para coordenar esses escalonamentos e estamos fazendo isso com todos os setores, com as associações representativas. Como o governador João Doria disse, hoje é o primeiro dia da Fase Emergencial, então nós precisamos monitorar durante essa semana a efetividade das medidas para a redução da circulação de pessoas e obviamente junto com elas as propostas de escalonamento dos setores”, afirmou Patrícia.

Ouça:

O vice-governador Rodrigo Garcia, respondendo sobre o mesmo tema, disse que é necessária a colaboração da população e dos empregadores e que não dá para obrigar o escalonamento.

“É fundamental que a população nos ajude nessa tarefa. Se nós fossemos olhar o rigor da lei, nós tínhamos que mudar os alvarás de funcionamento de todos os setores de atividade econômica e isso não é adequado, nós tínhamos que, portanto, exigir esse escalonamento. O que o governador Doria fez na última quinta-feira foi uma sugestão. Vamos fazer que o setor da indústria entre às 7h, comércio e serviços 9h e 11h, mas agora dependemos que os setores possam informar os seus trabalhadores e fazer esse escalonamento. A secretária Patrícia Ellen e com as equipes de governo estão dialogando. Já fizemos reuniões virtuais com alguns setores e alguns já estão apresentando hoje aqui essa proposta de escalonamento, mas nós vamos depender do setor produtivo para que a gente alcance esse objetivo. Nós não podemos proibir as pessoas de estarem no transporte coletivo, tanto é que a opção do governo foi manter 100% da sua frota operando  para que a gente evite essa aglomeração, agora os setores econômicos e a população precisam nos ajudar nessa tarefa. Essa não é uma tarefa só do governo, nós queremos evitar as aglomerações nas plataformas do Metrô e CPTM, mas precisamos necessariamente do apoio dos setores e da população” – disse Garcia

Ouça:

A declaração de Rodrigo Garcia contraria sugestão do secretário dos Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, que, em primeira mão durante entrevista a portais de mobilidade na quinta-feira, 11 de março de 2021, entre os quais o Diário do Transporte defendeu que o escalonamento seja uma determinação e não uma recomendação, caso contrário, haveria pouco efeito na redução da lotação excessiva em ônibus, trólebus, trens, metrô e monotrilho em horários de pico.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/03/11/audio-baldy-acredita-que-so-recomendacao-de-escalonamento-de-horarios-nao-vai-reduzir-lotacao-do-transporte-publico-e-defende-determinacao/

O governador João Doria disse que ainda é o primeiro dia da fase emergencial o que impediria um balanço mais amplo, mas que tem recebido apoio dos prefeitos, em especial da região metropolitana.

“Volto a lembrar, hoje é o primeiro dia da Fase Emergencial que vai de 15 de março até 30 de março. Nós temos que consolidar informações de hoje, ao longo do dia e dos próximos dias. Esse escalonamento só foi determinado também pelo Governo do Estado de São Paulo e com o acompanhamento das prefeituras municipais e nós temos tido majoritariamente a solidariedade dos prefeitos e prefeitas do estado de São Paulo, notadamente do prefeito Bruno Covas e do seu vice, Ricardo Nunes, e também aqui dos prefeitos da Região Metropolitana de São Paulo”, – disse Doria

Ouça:

Como mostrou o Diário do Transporte, ao anunciar a fase emergencial com medidas mais duras contra a covid-19 na quinta-feira, 11 de março de 2021, o governador João Doria e o Cento de Contingência também detalharam a o escalonamento dos horários de entrada de trabalhadores de acordo com as atividades que são permitidas.

Indústria: entrada das 5h às 7h

Serviços: entrada das 7h às 9h

Comércio: entrada das 9h e 11h

A fase emergencial vai durar entre os dias 15 e 30 de março

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/03/11/doria-endurece-regras-contra-a-covid-19-fase-emergencial-toque-de-recolher-100-de-trem-metro-e-onibus-emtu-sem-alteracoes-escalonamento-de-horarios-de-trabalhadores/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Colaborou Willian Moreira

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